{"id":321322,"date":"2024-01-29T06:40:49","date_gmt":"2024-01-29T09:40:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321322"},"modified":"2024-01-29T06:59:04","modified_gmt":"2024-01-29T09:59:04","slug":"lula-encarna-getulio-vargas-e-parte-para-a-industrializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lula-encarna-getulio-vargas-e-parte-para-a-industrializacao\/","title":{"rendered":"Lula encarna Get\u00falio Vargas e parte para a industrializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O governo vai investir nos pr\u00f3ximos quatro anos R$ 300 bilh\u00f5es para ativar a industrializa\u00e7\u00e3o, enquanto somente em 2023\/24 colocar\u00e1 no agroneg\u00f3cio R$ 435 bilh\u00f5es, uma vantagem anual de 20% ao setor prim\u00e1rio exportador que se beneficia da isen\u00e7\u00e3o de impostos (ICMS) para exporta\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 Lei Kandir, criada, em 1996, na Era FHC, sob comando do Consenso de Washington.<\/p>\n<p>Haver\u00e1, portanto, nesse per\u00edodo de defini\u00e7\u00e3o de Lula para encarar quarto mandato em 2026, um mix de investimento industrial e agroexportador, porque se evidencia ser imposs\u00edvel que ambos os setores caminhem separados como estrat\u00e9gia de alavancagem da industrializa\u00e7\u00e3o, no cen\u00e1rio em que China ganha vantagem espetacular sobre todos os pa\u00edses industrializados.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o varguista tende a ganhar espa\u00e7o crescente, como ficaram claras declara\u00e7\u00f5es do presidente do BNDES, Alo\u00edzio Mercadante, ao longo da \u00faltima semana, e na participa\u00e7\u00e3o dele, neste domingo, no novo BrasilPod+, na <em>TV 247<\/em>, que foi ao ar essa noite \u00e0s 19 horas.<\/p>\n<p>Mercadante bate na tecla de que de 1930 a 1980, ou seja, Era Vargas, o Brasil cresceu mais que China e Coreia do Sul juntas, perdendo espa\u00e7o a partir da Era FHC, essencialmente, entreguista, dominada pelo Consenso de Washington, nos anos 1980 em diante.<\/p>\n<p>Foram criados por Vargas, nesse per\u00edodo hist\u00f3rico que o Brasil assumiu sua maioridade nacional, com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, a Cia Vale do Rio Doce, a Petrobr\u00e1s, o BNDES, o qual Mercante, na Era Lula, preside, e uma dezenas de institui\u00e7\u00f5es estatais, objetivando instrumentaliza\u00e7\u00e3o da economia nacional, para agir, agressivamente, no mercado mundial.<\/p>\n<p><strong>A ideia varguista n\u00e3o \u00e9 segredo<\/strong><br \/>\nGet\u00falio via as grandes empresas estatais, assim como viu, tamb\u00e9m, o general Geisel, como armas para alavancar mercado externo, tal como metralhadoras, na guerra comercial, para derrotar concorrentes, como relata Jos\u00e9 Augusto Ribeiro, na trilogia, \u201cA Era Vargas\u201d, Editora Folha Dirigida.<\/p>\n<p>A China, como diz o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, vinha, na era varguista, ao Brasil, para aprender.<br \/>\nLevava daqui os conhecimentos para instrumentalizar o setor industrial chin\u00eas com a li\u00e7\u00e3o de Vargas.<br \/>\nHoje, a gigantesca ind\u00fastria chinesa domina a cena internacional e coloca os imp\u00e9rios do ocidente, outrora poderosos, como o ingl\u00eas, alem\u00e3o, franc\u00eas e, igualmente, o americano, em segundo plano.<\/p>\n<p><strong>PC e banco p\u00fablico<\/strong><br \/>\nOs chineses alcan\u00e7aram capacidade competitiva irresist\u00edvel, comandada pelo regime comunista de orienta\u00e7\u00e3o capitalista, mas capitaneado pela n\u00e3o pela vis\u00e3o privada, mas estatal, a partir de bancos p\u00fablicos comerciais e de investimento li\u00e7\u00e3o que vem da Revolu\u00e7\u00e3o de 1949, comandada por Mao Tse Tung.<\/p>\n<p>S\u00e3o imbat\u00edveis, porque no sistema monet\u00e1rio chin\u00eas, o governo emite moeda distribu\u00edda pelo banco estatal a juro baixo, tornando os concorrentes no com\u00e9rcio do dinheiro, praticamente, inexistentes.<\/p>\n<p>Sem se submeter ao comando de Banco Central, \u00e0 moda ocidental, que imp\u00f5e regras restritivas aos demais bancos centrais do mundo capitalista, no Ocidente, tendo como premissa a hegemonia do d\u00f3lar e a orienta\u00e7\u00e3o centralizada de Washington para administrar macroeconomicamente o mundo capitalista, com vis\u00e3o privada e n\u00e3o p\u00fablica, a China, ao contr\u00e1rio, corre em faixa pr\u00f3pria, na frente.<\/p>\n<p>Os chineses deixam para tr\u00e1s os concorrentes, porque o Partido Comunista, no poder, seguindo a li\u00e7\u00e3o de Marx, expressa no Manifesto Comunista de 1947\/48, estatizou o cr\u00e9dito e faz com ele o que quiser, ou melhor, o que \u00e9 melhor para a China, vale dizer, comprar e vender barato mediante juro estipulado n\u00e3o pelo mercado, mas pelo Estado.<\/p>\n<p>Quem vai competir com o banco estatal chin\u00eas, que Xi Jinping, em \u201cA governan\u00e7a da China\u201d, volume I, diz ser o fornecedor de oxig\u00eanio gratuito para impulsionar o pa\u00eds nos cinco continentes?<\/p>\n<p>Lenin, como Mao Tse Tung, seguido por Xi Jinping, considera a estatiza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria como fator n\u00famero um da revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e chinesa, respectivamente, comandada pelo partido comunista.<\/p>\n<p>O l\u00edder sovi\u00e9tico flexibilizou a revolu\u00e7\u00e3o para fazer concess\u00f5es \u00e0 Alemanha, no comando das pot\u00eancias centrais, em Brest-Litovsk, em 3 de mar\u00e7o de 1918, justamente, para preservar a estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos, sem a qual a revolu\u00e7\u00e3o de 1917 iria aos ares frente \u00e0s pot\u00eancias imperialistas etc.<\/p>\n<p><strong>Capitalismo perde espa\u00e7o<\/strong><br \/>\nA modalidade de bancos centrais, conduzida pelo imp\u00e9rio americano, guarda caracter\u00edsticas de controle central do cr\u00e9dito, mas comandado pelos bancos privados.<\/p>\n<p>Kennedy, em 1961, tentou colocar o tesouro para emitir d\u00f3lar, no lugar do FED, e n\u00e3o conseguiu. Cogita-se que o seu assassinato est\u00e1 relacionado \u00e0 disputa dele com os bancos privados, que s\u00e3o os respons\u00e1veis pela emiss\u00e3o de d\u00f3lar, nos Estados Unidos, fator hegem\u00f4nico do poder imperial.<\/p>\n<p>Com ele \u00e9 que Washington alavancou a industrializa\u00e7\u00e3o americana, objetivando n\u00e3o o interesse p\u00fablico, como ocorreu com a revolu\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica e ocorre com a revolu\u00e7\u00e3o chinesa, mas o interesse privado.<\/p>\n<p>A busca do lucro privado \u00e9, ao fim e ao cabo, a respons\u00e1vel pela perda hegem\u00f4nica da corrida industrial americana para a estrat\u00e9gia chinesa industrial, copiada n\u00e3o de Tio Sam, mas de Get\u00falio, criador do BNDES.<\/p>\n<p>Deve ser lembrado que Vargas, na sequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de 30, promoveu auditoria da d\u00edvida p\u00fablica, cujas consequ\u00eancias foram barrar lucros superfaturados em mais de 40% do valor da d\u00edvida p\u00fablica pelos bancos ingleses.<br \/>\nFeito isso, a economia varguista nacionalista alavancou crescimento m\u00e9dio sustent\u00e1vel de 7% do PIB.<\/p>\n<p><strong>Lula e Vargas<\/strong><br \/>\nLula, que elogiou Get\u00falio Vargas, semana passada, em discurso de relan\u00e7amento da constru\u00e7\u00e3o da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, assusta a elite pol\u00edtica nacional, que apoiou Fernando Henrique Cardoso, cuja prioridade foi dar cabo da Era Vargas, a partir dos anos de 1980, sob orienta\u00e7\u00e3o do Consenso de Washington.<\/p>\n<p>A primeira provid\u00eancia do ex-presidente FHC, que o senador marxista Lauro Campos, do PT-DF, disse ser o primeiro anti-presidente do anti-estado nacional, foi vender, na bacia das almas, a Vale do Rio Doce, criada por Vargas.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o l\u00edder trabalhista-nacionalista objetivava, com a Vale, mesma meta da Petrobr\u00e1s: industrializar o Brasil, com transforma\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio de ferro em produtos sider\u00fargicos manufaturados a serem espalhados no mercado mundial a pre\u00e7os competitivos com alto valor agregado e gera\u00e7\u00e3o de emprego de qualidade para constru\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia forte.<\/p>\n<p>FHC, com discurso expl\u00edcito anti-varguista, acelerou exporta\u00e7\u00f5es de min\u00e9rio, logo depois da privatiza\u00e7\u00e3o da empresa, aprovando a Lei Kandir, em 1996, por meio da qual renuncia \u00e0s receitas de ICMS na exporta\u00e7\u00e3o de bens prim\u00e1rios e semielaborados, causa principal da desindustrializa\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Os governos estaduais, sem sua principal receita tribut\u00e1ria, ficaram de p\u00e9s e m\u00e3os amarrados, sem poder alavancar a industrializa\u00e7\u00e3o, obrigados a se endividarem no mercado financeiro, com aval da Uni\u00e3o, para cobrir suas despesas fundamentais, jogando federalismo no abismo.<\/p>\n<p><strong>Novo jogo na Vale?<\/strong><br \/>\nNo momento que Mercadante re\u00fane for\u00e7as para colocar o BNDES a servi\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o, tarefa para a qual a produ\u00e7\u00e3o mineral \u00e9 fundamental, a tentativa de Lula de retomar o comando da gest\u00e3o da Vale, colocando para administr\u00e1-la o nacionalista Guido Mantega, \u00e9 tributo que o presidente petista paga a Get\u00falio Vargas, pai do processo industrial brasileiro, lan\u00e7ando m\u00e3o do banco p\u00fablico de investimento.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima quarta-feira, pode ser ponto de virada neste cap\u00edtulo hist\u00f3rico, em que se realizar\u00e1 mudan\u00e7a na administra\u00e7\u00e3o da Vale, amea\u00e7ada pela financeiriza\u00e7\u00e3o corporativa introduzida pelo bolsonarismo fascista desmobilizador do patrim\u00f4nio nacional.<\/p>\n<p>Os financistas que dominam a Vale conspiram, com a ajuda da m\u00eddia conservadora antinacionalista, contra a estrat\u00e9gia lulista para manter o Brasil como col\u00f4nia produtora de produtos prim\u00e1rios e semi industrializados e gerador de empregos eternamente precarizados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo vai investir nos pr\u00f3ximos quatro anos R$ 300 bilh\u00f5es para ativar a industrializa\u00e7\u00e3o, enquanto somente em 2023\/24 colocar\u00e1 no agroneg\u00f3cio R$ 435 bilh\u00f5es, uma vantagem anual de 20% ao setor prim\u00e1rio exportador que se beneficia da isen\u00e7\u00e3o de impostos (ICMS) para exporta\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 Lei Kandir, criada, em 1996, na Era FHC, sob 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