{"id":321492,"date":"2024-01-31T10:26:21","date_gmt":"2024-01-31T13:26:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321492"},"modified":"2024-01-31T12:07:51","modified_gmt":"2024-01-31T15:07:51","slug":"educacao-dos-indigenas-mantem-conhecimentos-ancestrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/educacao-dos-indigenas-mantem-conhecimentos-ancestrais\/","title":{"rendered":"&#8216;Educa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas mant\u00e9m conhecimentos ancestrais&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Na fronteira do Brasil com a Venezuela, em uma \u00e1rea de cerca de 9,6 milh\u00f5es de hectares e per\u00edmetro de 3.370 quil\u00f4metros, a Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami tamb\u00e9m abriga uma outra etnia, os ye\u2019kwana.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos, esses povos vivem em uma \u00e1rea que inclui os rios Medeewaadi (Cuara), Fadaawa (Paragua), Dinhaku (Orinoco) e Fadiime (Uraricoera). Na Venezuela s\u00e3o cerca de 5 mil ind\u00edgenas. J\u00e1 do lado brasileiro, segundo dados da Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Siasi\/Sesai, 2019), s\u00e3o 760 pessoas vivendo em tr\u00eas aldeias principais: Fuduuwaadunnha e Kudaatannha, na regi\u00e3o de Auaris, e Wachannha, \u00e0s margens do Rio Uraricoera.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de lutarem hoje contra o garimpo que atinge principalmente a comunidade Wachannha e o Rio Uraricoera, os ye\u2019kwana aprenderam que a manuten\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio passa tamb\u00e9m pela educa\u00e7\u00e3o. Uma educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena pensada e desenvolvida tamb\u00e9m por eles.<\/p>\n<p>O ind\u00edgena ye\u2019kwana Reinaldo Wadeyuna Rocha aprendeu cedo a ler. \u201cComecei a ser alfabetizado junto com a professora Jandira, que era mission\u00e1ria\u201d, conta. E nunca mais parou de estudar. Mas sempre se questionou como podia adaptar a educa\u00e7\u00e3o dos homens brancos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. \u201cEu vi os professores e alguns colegas que tamb\u00e9m estavam trabalhando como volunt\u00e1rio. E eu me interessei tamb\u00e9m. Por que que eu n\u00e3o fa\u00e7o isso a\u00ed?\u201c.<\/p>\n<p>Reinaldo resolveu ent\u00e3o ser professor. Fez magist\u00e9rio e anos depois ingressou na Universidade Federal de Roraima, que h\u00e1 30 anos oferece, no Instituto Insikiran de Forma\u00e7\u00e3o Superior Ind\u00edgena, os cursos de licenciatura cultural ind\u00edgena, gest\u00e3o territorial Ind\u00edgena e Sa\u00fade Coletiva Ind\u00edgena.<\/p>\n<p>Ele voltou para sua aldeia e hoje \u00e9 professor da escola local. Segundo ele, 80% dos ind\u00edgenas ye\u2019kwana est\u00e3o alfabetizados. \u201cN\u00e3o \u00e9 somente os professores. Conjunto, a comunidade inteira. Tem que ter envolvido nisso a\u00ed pra ter resultado. E isso que n\u00f3s constru\u00edmos tamb\u00e9m. Quase n\u00f3s levamos cinco, sete anos para ter esse projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com dados do Censo Ind\u00edgena 2022, o Brasil tem hoje 178,3 mil escolas de ensino b\u00e1sico. Segundo as informa\u00e7\u00f5es, um percentual de 1,9% (3.541) fica em terra ind\u00edgena e 2% (3.597) oferecem educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena por meio das redes de ensino.<\/p>\n<p>Depois da gradua\u00e7\u00e3o, Reinaldo seguiu os estudos e concluiu o mestrado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Hoje desenvolve um projeto, junto com o soci\u00f3logo e professor da Universidade Federal de Roraima Daniel Bampi, para ampliar a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena para outros povos a partir da experi\u00eancia ye\u2019kwana. \u201cEles t\u00eam um hist\u00f3rico j\u00e1 bastante antigo de educa\u00e7\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o escolar muito avan\u00e7ada, um \u00edndice de escolariza\u00e7\u00e3o alt\u00edssimo, j\u00e1 com professores formados em licenciatura. Eles mesmos procuraram o processo de forma\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia que eles tinham na Venezuela\u201d, conta Daniel Bampi.<\/p>\n<p>Bampi conta que a universidade desenvolve h\u00e1 11 anos um projeto de educa\u00e7\u00e3o com os ye\u2019kwana e que agora o programa ser\u00e1 ampliado com os san\u00f6ma, um subgrupo da etnia Yanomami. \u201cTrata da gest\u00e3o territorial ind\u00edgena tomando como base para o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es nesse campo a forma\u00e7\u00e3o escolar dos jovens. A escola \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de fronteira e na atualidade ganhou muito espa\u00e7o na forma\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, juntamente com suas formas tradicionais de educa\u00e7\u00e3o. Neste sentido tem grande potencial para tratar das quest\u00f5es que implicam na vida atual das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em seus territ\u00f3rios, formando a novas gera\u00e7\u00f5es, por isso precisa ser profundamente territorializada.\u201d<\/p>\n<p>Ele explica que o projeto n\u00e3o \u00e9 apenas para o ensino b\u00e1sico. \u201cPara os ye\u2019kwana que j\u00e1 est\u00e3o com as escolas consolidadas, a proposta \u00e9 construir uma forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel m\u00e9dio concomitante com um t\u00e9cnico na gest\u00e3o do territ\u00f3rio. Os san\u00f6ma contam com um processo de escolariza\u00e7\u00e3o bastante inicial, ent\u00e3o o foco ser\u00e1 articular as necessidades territoriais com o ensino fundamental.\u201d<\/p>\n<p>Para Reinaldo, \u00e9 mais do que educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. \u00c9 uma forma de manter os conhecimentos dos s\u00e1bios, os acchudi edhaamo na l\u00edngua ye\u2019kwana, vivos para as novas gera\u00e7\u00f5es. \u201cNossa ancestralidade deixou s\u00f3 na mem\u00f3ria. \u00c9 isso que alguns professores pesquisadores ye\u2019kuana fizeram. Colocaram anota\u00e7\u00f5es. Falta s\u00f3 divulgar, assim, desenvolver mais. Material did\u00e1tico, falando nossas culturas, nosso territ\u00f3rio. Sempre mantendo a nossa linguagem, nossas culturas, e nossos ritos, conhecimentos tradicionais. Tem que ser mantido. Para ter esse exemplo para outros povos tamb\u00e9m\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na fronteira do Brasil com a Venezuela, em uma \u00e1rea de cerca de 9,6 milh\u00f5es de hectares e per\u00edmetro de 3.370 quil\u00f4metros, a Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami tamb\u00e9m abriga uma outra etnia, os ye\u2019kwana. 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