{"id":321614,"date":"2024-02-02T08:43:01","date_gmt":"2024-02-02T11:43:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=321614"},"modified":"2024-02-02T08:43:01","modified_gmt":"2024-02-02T11:43:01","slug":"jet-ski-do-cla-estava-ali-foi-ao-tororo-e-nao-voltou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jet-ski-do-cla-estava-ali-foi-ao-tororo-e-nao-voltou\/","title":{"rendered":"Jet ski do cl\u00e3 estava ali, foi ao Toror\u00f3 e n\u00e3o voltou"},"content":{"rendered":"<p>Cad\u00ea o jet ski que estava ali, saiu para o mar e escafedeu-se? Eram dois e s\u00f3 retornou um. Tudo isso em Angra dos Reis, onde a casa de veraneio do cl\u00e3 foi \u201cvisitada\u201d na segunda-feira (29) pela turma do bem da Pol\u00edcia Federal. Toda a fam\u00edlia estava l\u00e1, mas, de repente, como num passe de m\u00e1gica, zero zero, zero um, zero dois e zero tr\u00eas desapareceram do recesso do lar em um barco e duas motos aqu\u00e1ticas, uma azul e outra amarela. Reapareceram muitas horas depois sem o equipamento amarelo e sem um dos zeros \u00e0 direita, mais especificamente o zero um. Curioso! Ser\u00e1 que foram esconder provas na casa de amigos da redondeza? N\u00e3o acredito que eles acreditem que o comando e os agentes da PF acreditar\u00e3o na esparrela do encontro com o amigo para um almo\u00e7o \u00e0s 6h30.<\/p>\n<p>N\u00e3o acredito, mas o que fazer? Disseram que o jet ski amarelo era de um amigo dos Beatles, aqueles do Yellow Submarine, e a ele foi entregue. Ningu\u00e9m sabe. N\u00e3o importa se a moto fugiu ou se sumiu. O importante \u00e9 que n\u00e3o voltou. Como a maioria dos \u201cpatriotas\u201d, eles (o cl\u00e3) s\u00e3o t\u00e3o bonzinhos e, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o tentariam enganar a pol\u00edcia e a Justi\u00e7a. Pelo sim, pelo n\u00e3o, \u00e9 o que a PF quer saber. E, n\u00e3o tenham d\u00favida, vai saber. O fato \u00e9 que a fam\u00edlia reunida supostamente saiu para pescar. E por que n\u00e3o levou anzol, tarrafa e lamparina? E por que regressou sem pescado algum? Est\u00e1 parecendo mais uma daquelas est\u00f3rias estapaf\u00fardias de pescador. Tudo indica que \u00e9. Pode ser que o mar n\u00e3o estivesse para peixes gra\u00fados, mas nem um baiacuzinho, uma sardinha em conserva ou um olho-de-c\u00e3o.<\/p>\n<p>Oh! d\u00favida albatroz. E se pescaram um peixe-palha\u00e7o? Se foi robalo, ter\u00e3o de devolver. Por falar em d\u00favida, duvido que a PF j\u00e1 n\u00e3o esteja rastreando aquele peda\u00e7o de mar, em busca, quem sabe, de um corrupto, crust\u00e1ceo que tem esse apelido porque s\u00e3o muitos e s\u00e3o dif\u00edceis de capturar. N\u00e3o sei se me entendem, mas, no fim e ao cabo, deve sobrar um enorme tubar\u00e3o-charuto para o coitado do bagrinho, o tal que deve ter ficado com a enguia na m\u00e3o e o jet ski amarelo no bolso traseiro da cal\u00e7a. Estamos falando de mar, mas como dizia Brigadeiro, falecido compositor de sambas, tem bobo para tudo. Se querem saber, nem bestas como eu engolem essa hist\u00f3ria mal contada de lambari ou de tubar\u00e3o-duende.<\/p>\n<p>Mas, partindo do grupo do qual falamos, at\u00e9 as joias da rainha s\u00e3o capazes de sumir na boca fechada de caranguejos. Voltando ao imagin\u00e1rio amigo escondedor de provas, na g\u00edria policial esse tipo tamb\u00e9m pode ser considerado um esparro, isto \u00e9, o malandro que deliberadamente esbarra na v\u00edtima, de modo a auxiliar a a\u00e7\u00e3o do punguista. N\u00e3o acredito que ainda existam figuras como essa. No entanto, no Brasil de nossos dias nada me surpreende. Ainda que no mar, esconder provas de pessoas na mira de todo o mundo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. Era nos prim\u00f3rdios e nos castelos medievais, nos quais n\u00e3o se chegava, se \u00e9 que me entendem, nem fornicando.<\/p>\n<p>Hoje, se chega facilmente operando drones n\u00e3o pilotados. Se algu\u00e9m ajudou, ser\u00e1 descoberto. Portanto, azar o dele. Ou deles. Como gosto de ir e vir, lembro que, no meu tempo de jovem, a g\u00edria de rua, principalmente na Bahia de Dorival Caymmi, Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e Caetano Veloso, definia os esparros como bobos, ot\u00e1rios. No dicion\u00e1rio oficial, o termo &#8211; um substantivo masculino &#8211; significa car\u00e3o, esporro, censura severa e en\u00e9rgica. Seja l\u00e1 o que for, o que interessa \u00e9 onde esconderam e o que foi fazer o jet ski amarelo que saiu do cercadinho e sumiu no Toror\u00f3 ou no Mucuripe. Talvez ele reapare\u00e7a vermelho ou roxo de raiva. O piloto saiu para almo\u00e7ar, mas n\u00e3o comeu. Nada bate. Repito que n\u00e3o importa se a moto fugiu ou se sumiu. O importante \u00e9 que n\u00e3o voltou.<\/p>\n<p>Interessante de tudo isso \u00e9 que, apesar dos perigos dos oceanos, um dos clich\u00eas dos amantes da pescaria \u00e9 afirmar que pescador vive menos estressado. N\u00e3o foi o que o Brasil e o mundo viram na tormenta de segunda-feira em Angra dos Reis. Diriam os timoneiros dos barcos que pescaria \u00e9 como o amor: quando voc\u00ea menos espera \u00e9 f\u00edgado. N\u00e3o vi nada de esculacho, mas lembro ao cl\u00e3 que pescar n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pegar peixes. Tamb\u00e9m pode ser entregar um jet ski a uma sereia ou transform\u00e1-lo em conchinha do mar. O olho do furac\u00e3o do maremoto ainda est\u00e1 por vir. Por enquanto, n\u00e3o adianta chorar no molinete derramado. Do mar, do rio ou do chuveiro, a \u00e1gua da lei come\u00e7ou a brotar e j\u00e1 alcan\u00e7ou o nariz dos zeros zeros. Aproveito a deixa molhada para informar que sempre admirei Caymmi, mas n\u00e3o sei de onde ele tirou essa hist\u00f3ria de que \u201c\u00c9 doce morrer no mar\u201d. No caso em quest\u00e3o, o desfecho dever\u00e1 ser bastante salgado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cad\u00ea o jet ski que estava ali, saiu para o mar e escafedeu-se? Eram dois e s\u00f3 retornou um. Tudo isso em Angra dos Reis, onde a casa de veraneio do cl\u00e3 foi \u201cvisitada\u201d na segunda-feira (29) pela turma do bem da Pol\u00edcia Federal. Toda a fam\u00edlia estava l\u00e1, mas, de repente, como num passe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":321615,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-321614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=321614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":321616,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321614\/revisions\/321616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=321614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=321614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=321614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}