{"id":322081,"date":"2024-02-10T08:44:25","date_gmt":"2024-02-10T11:44:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=322081"},"modified":"2024-02-10T08:47:09","modified_gmt":"2024-02-10T11:47:09","slug":"previsao-do-tempo-para-dias-de-momo-e-de-chuva-de-serpentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/previsao-do-tempo-para-dias-de-momo-e-de-chuva-de-serpentina\/","title":{"rendered":"Previs\u00e3o do tempo para dias de Momo \u00e9 de chuva de serpentina"},"content":{"rendered":"<p>Festa pulsante e inalienavelmente do povo, o Carnaval, como o futebol, \u00e9 paix\u00e3o, vaidade, constru\u00e7\u00e3o, subvers\u00e3o, entrega, dedica\u00e7\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o e desbunde. Tudo isso transformado em pura arte. \u00c9 a mais genu\u00edna forma de arte popular. No per\u00edodo, at\u00e9 os poderosos se submetem ao Imp\u00e9rio de Dioniso, o deus do prazer. \u00c9 no Carnaval que as coisas deixam de ser como s\u00e3o para, temporariamente, assumirem seu inverso.<\/p>\n<p>S\u00e3o quatro dias em que as pessoas, novas e velhas, se entregam \u00e0 pervers\u00e3o nem sempre sadia e aos prazeres carnais. Tudo isso com a certeza de que, chegando a Quaresma, todos ser\u00e3o salvos e novamente entregues \u00e0 normalidade da vida.<\/p>\n<p>Passado tanto tempo do meu primeiro Carnaval, sequer me lembro dos dias em que, como os pol\u00edticos caras de pau, chegava no \u201cvelho\u201d e sacramentava: Me d\u00e1 um dinheiro a\u00ed. Nem sempre conseguia, mas tinha sempre algumas economias. Al\u00e9m de encontrar com a Maria Sapat\u00e3o, precisava saber onde o \u00edndio conseguiria apito e descobrir pelo menos uma raz\u00e3o para n\u00e3o ter chegado l\u00e1, mesmo que a canoa n\u00e3o tenha virado com a vibra\u00e7\u00e3o do ol\u00ea, ol\u00ea, ol\u00e1.<\/p>\n<p>Nunca me assumi como Mulata Bossa Nova ou Mulata I\u00ea I\u00ea I\u00ea, mas, a pedido do Jo\u00e3o Roberto Kelly, esnobava no Hully Gully, na passarela e nas assembleias de condom\u00ednio das favelas suburbanas.<\/p>\n<p>Noveleira que sou, normalmente nessa \u00e9poca incorporo o estilo Tonh\u00e3o e parto para a folia consciente dos esbarr\u00f5es que levarei das colegas de ocasi\u00e3o. Ali\u00e1s, sem eles (ou elas) o Carnaval n\u00e3o teria gra\u00e7a ou brilho algum. Seria t\u00e3o chocho e \u00f3bvio como a \u201cbriguinha\u201d entre o presidente Luiz In\u00e1cio e Arthur Lira, presidente da C\u00e2mara dos Deputados, cuja loucura carnavalesca \u00e9 por demais conhecida at\u00e9 pelos fantasmas que circulam pelos corredores da Casa e assustam os seguran\u00e7as, hoje denominados de policiais legislativos. Curiosamente, os tais fantasmas s\u00f3 aparecem em dias de sess\u00e3o, isto \u00e9, mesmo mortos eles n\u00e3o abrem dos jetons.<\/p>\n<p>Saracoteando daqui, tricotando de l\u00e1 e funhanhando dacol\u00e1, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar dos carnavais do tipo a barata voa, aqueles em que determinadas partes pudendas desnudas ainda causavam sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que o diga aquele ex-presidente p\u00e3o de queijo. Auxiliado pelo ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, ele viu uma pululando em sua dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o aproveitou do barato da barata, mas, justamente por isso, virou pop star entre os machos acima de qualquer suspeita da Vila Mimosa, da Rua Augusta ou do Conic, em Bras\u00edlia. Morreu, mas n\u00e3o confirmou \u2013 e nem negou \u2013 sua entrega \u00e0 lasc\u00edvia carnavalesca. C\u00e1 com meus bot\u00f5es, acho que ficou no ora veja e l\u00e1 vai m\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o 49\u00ba. do entediante show de Roberto Carlos na Rede Globo, transmitido em dezembro passado, decidi recolher definitivamente ao arm\u00e1rio o modelito tiete desvairada, produzido exclusivamente para a apresenta\u00e7\u00e3o anual do rei. Coloquei \u00e0 venda o pijama de flanela tailandesa com listras chinesas, o gorro de pelo pubiano das alpacas dos andes peruanos e as pantufas pink extra\u00eddas dos jumentos do sert\u00e3o paraguaio. Cumprida a tarefa mercantil, \u00e9 s\u00f3 aguardar a vinheta do Plim Plim e correr para o abra\u00e7o.<\/p>\n<p>E l\u00e1 vou eu, l\u00e1 vou eu. Hoje a festa \u00e9 na avenida&#8230;Como o Carnaval \u00e9 uma pausa na rotina, colei com cola tudo na cal\u00e7ola cheia de purpurina o lembrete de que a alegria \u00e9 fugaz e que a paz interior deve ser duradoura.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se vai adiantar. Todavia, espero ter a responsabilidade de equilibrar a arte de ser feliz com o abad\u00e1 sem presilha nas partes traseira e dianteira. O que sei \u00e9 que, no Carnaval, minhas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o reais como unic\u00f3rnios voadores. Na verdade, ao longo desses quatro dias, minha \u00fanica inimiga \u00e9 a fila do banheiro.<\/p>\n<p>T\u00f4 indo! Carnavou! De acordo com a Meteorologia, a previs\u00e3o do tempo \u00e9 de chuva de confete, sol de serpentina e 100% de divers\u00e3o. Aproveitem e recoloquem as m\u00e1scaras somente na Quarta-Feira de Cinzas. At\u00e9 l\u00e1, festejem no seu mundo com a fantasia de que est\u00e3o em outro. S\u00f3 n\u00e3o vai atr\u00e1s do trio el\u00e9trico quem j\u00e1 morreu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Festa pulsante e inalienavelmente do povo, o Carnaval, como o futebol, \u00e9 paix\u00e3o, vaidade, constru\u00e7\u00e3o, subvers\u00e3o, entrega, dedica\u00e7\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o e desbunde. Tudo isso transformado em pura arte. \u00c9 a mais genu\u00edna forma de arte popular. 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