{"id":322371,"date":"2024-02-15T00:35:43","date_gmt":"2024-02-15T03:35:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=322371"},"modified":"2024-02-14T22:03:26","modified_gmt":"2024-02-15T01:03:26","slug":"amazonia-corre-o-risco-de-entrar-em-colapso-em-2050","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/amazonia-corre-o-risco-de-entrar-em-colapso-em-2050\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia corre o risco de entrar em colapso em 2050"},"content":{"rendered":"<p>Um artigo cient\u00edfico liderado por pesquisadores brasileiros aponta que se n\u00e3o forem tomadas medidas urgentes, o ano de 2050 pode marcar o in\u00edcio de uma redu\u00e7\u00e3o substancial na cobertura de floresta na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u201cA gente encontra a\u00ed mais ou menos 50% de possibilidades. Significa [redu\u00e7\u00e3o de] uma quantidade substancial de floresta, o que influencia na quantidade de \u00e1gua, na quantidade de carbono que a floresta \u00e9 capaz de manter e reciclar \u00e1gua\u201d, diz a cientista Marina Hirota, professora do departamento de f\u00edsica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das coordenadoras do estudo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um colapso total, mas acaba sendo um colapso parcial, vamos dizer.\u201d<\/p>\n<p>O artigo \u00e9 capa da revista cient\u00edfica Nature. Ele re\u00fane 24 pesquisadores de todo o mundo, dos quais 14 s\u00e3o brasileiros. A pesquisa \u00e9 financiada pelo Instituto Serrapilheira.<\/p>\n<p>Segundo Marina, dentre as medidas que podem ser tomadas para afastar a amea\u00e7a de colapso parcial da floresta, \u00e9 o combate ao desmatamento: \u201cessa seria uma a\u00e7\u00e3o importante e j\u00e1 est\u00e1 sendo feita\u201d.<\/p>\n<p>Outra medida, diz a cientista, \u00e9 a restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica a partir de meios eficientes, o que depende de diferentes modelos de governan\u00e7a dentro do Brasil e de outros pa\u00edses amaz\u00f4nicos. \u201cComo fazer isso, acho que ainda \u00e9 uma pergunta em andamento.\u201d<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><br \/>\nUm terceiro ponto importante citado pela cientista diz respeito a estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e depende de uma governan\u00e7a mundial.<\/p>\n<p>\u201dO clima da Amaz\u00f4nia \u00e9 muito dirigido pelo que acontece na temperatura global do planeta, assim como em qualquer parte do mundo. A temperatura global aumentando vai ter impacto em cascata no clima regional da Amaz\u00f4nia. E as previs\u00f5es, e o que a gente j\u00e1 v\u00ea acontecendo, s\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o gradual da quantidade de chuvas, aumento da dura\u00e7\u00e3o e da intensidade das secas, aumento de eventos extremos de seca, de chuva, intercalados\u201d.<\/p>\n<p>O artigo come\u00e7ou a ser escrito em 2020, a partir do relat\u00f3rio de um conjunto de cientistas no Painel Cient\u00edfico da Amaz\u00f4nia. A pesquisa atual derivou de um cap\u00edtulo desse relat\u00f3rio e aponta a regi\u00e3o Sudeste da Amaz\u00f4nia com o maior n\u00famero de mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Marina Hirota chama a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o n\u00famero de pessoas que vivem na Amaz\u00f4nia e que tiram seu sustento da floresta amaz\u00f4nica. Essas mudan\u00e7as podem reduzir e afetar a condi\u00e7\u00e3o de vida e de sobreviv\u00eancia dessas comunidades.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo agora. Eu acho que a gente pode aprender com coisas que n\u00e3o cuidou quando nos avisaram no come\u00e7o\u201d. Segundo ela, o mundo vem sendo alertado desde os anos 1990 sobre os riscos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas trazem e que resultaram em 2023 sendo o ano mais quente da hist\u00f3ria do planeta, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM).<\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento das temperaturas, das secas extremas e do desmatamento, os inc\u00eandios e queimadas tamb\u00e9m s\u00e3o fator de estresse na Amaz\u00f4nia. Por tudo isso, a cientista destaca o senso de urg\u00eancia que o artigo traz.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a urg\u00eancia que eu acho importante e que o artigo coloca como um sinal amarelo forte para a gente tomar certas atitudes e buscar melhorias significativas para manter a floresta de p\u00e9 e o mais viva poss\u00edvel, n\u00e3o s\u00f3 em termos de \u00e1rvores e animais, mas tamb\u00e9m dos povos que vivem na floresta e na Amaz\u00f4nia h\u00e1 milhares de anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Limites<\/strong><br \/>\nOs pesquisadores estimam limites cr\u00edticos que, se forem atingidos, poderiam causar um colapso de partes ou de toda a floresta. Eles s\u00e3o o aumento na temperatura m\u00e9dia global acima de 1,5 graus Celsius (\u00baC), volume de chuvas abaixo de 1,8 mil mil\u00edmetros (mm), dura\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca superior a cinco meses e desmatamento superior a 10% da cobertura original da floresta, somada \u00e0 falta de restaura\u00e7\u00e3o de pelo menos 5% do bioma.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Bernardo Flores, outro coordenador da pesquisa da UFSC \u201cestamos nos aproximando de todos os limiares. No ritmo em que estamos, todos ser\u00e3o alcan\u00e7ados neste s\u00e9culo. E a intera\u00e7\u00e3o entre todos eles pode fazer com que aconte\u00e7a (o colapso) antes do esperado\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo cient\u00edfico liderado por pesquisadores brasileiros aponta que se n\u00e3o forem tomadas medidas urgentes, o ano de 2050 pode marcar o in\u00edcio de uma redu\u00e7\u00e3o substancial na cobertura de floresta na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. \u201cA gente encontra a\u00ed mais ou menos 50% de possibilidades. Significa [redu\u00e7\u00e3o de] uma quantidade substancial de floresta, o que influencia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":322372,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[95],"class_list":["post-322371","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-capa"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322371"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":322374,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322371\/revisions\/322374"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/322372"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}