{"id":322803,"date":"2024-02-20T10:23:22","date_gmt":"2024-02-20T13:23:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=322803"},"modified":"2024-02-20T10:25:52","modified_gmt":"2024-02-20T13:25:52","slug":"mudanca-climatica-fara-do-nordeste-grande-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mudanca-climatica-fara-do-nordeste-grande-deserto\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica far\u00e1 do Nordeste grande deserto"},"content":{"rendered":"<p>Os not\u00f3rios efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas devem atingir severamente a Caatinga &#8211; que se espalha pelos nove estados nordestinos &#8211; nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Estudos por proje\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas apontam que esse ecossistema dever\u00e1 se tornar ainda mais quente e seco: a continuarem altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es da temperatura e no clima, projeta-se para 2060 perda de esp\u00e9cies vegetais e animais em pelo menos 90% do territ\u00f3rio. O cen\u00e1rio \u00e9 de alerta para o \u00fanico bioma exclusivamente brasileiro que caminha para a desertifica\u00e7\u00e3o em algumas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que 42,6% dos 844,4 mil quil\u00f4metros quadrados do bioma j\u00e1 foram convertidos para outra destina\u00e7\u00e3o. E do que ainda resta, muito j\u00e1 est\u00e1 fragmentado, o que prejudica a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o das esp\u00e9cies, assim como atrapalha os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos.<\/p>\n<p>Muitas vezes negligenciado, o bioma \u00e9 mal interpretado: a rica biodiversidade vai muito al\u00e9m dos sempre representativos mandacarus e xique-xiques. Al\u00e9m do grande n\u00famero de plantas e animais, \u00e9 da for\u00e7a da Caatinga que se prov\u00ea o sustento de boa parte dos moradores do sert\u00e3o e do agreste nordestinos, que vivem em uma das \u00e1reas de escassez h\u00eddrica mais populosa do planeta \u2014 s\u00e3o cerca de 30 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, em dezembro de 2022, o Senado aprovou projeto de lei do ex-senador Garibaldi Alves Filho (RN), que institui, em 26 artigos, a Pol\u00edtica de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Caatinga. O\u00a0PL 3.048\/2022\u00a0(originalmente\u00a0PLS 222\/2016), que desde ent\u00e3o aguarda an\u00e1lise da C\u00e2mara dos Deputados, altera a Lei do Fundo Nacional do Meio Ambiente (Lei 7.797, de 1989), para incluir a Caatinga entre os biomas que ter\u00e3o acesso priorit\u00e1rio aos recursos financeiros. A proposta tamb\u00e9m modifica a lei que disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa (Lei 12.651, de 2012) para tornar mais restritiva a permiss\u00e3o de supress\u00e3o da flora original.<\/p>\n<p>O ex-senador Garibaldi, que j\u00e1 foi presidente do Senado, destacou na defesa do bioma que a Caatinga \u00e9 uma das regi\u00f5es mais sujeitas \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o no Brasil, sendo o semi\u00e1rido uma das \u00e1reas de maior \u201cvulnerabilidade social e ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Presidente da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente (CMA) quando da aprova\u00e7\u00e3o em car\u00e1ter terminativo do projeto, o senador Jaques Wagner (PT-BA) lembra que a proposta visa \u201cpreservar o meio ambiente, erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais no bioma\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Para recuperar e conservar a Caatinga, \u00e9 crucial investir em pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, como restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, manejo adequado dos recursos naturais e conscientiza\u00e7\u00e3o da comunidade sobre a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o. O reflorestamento \u00e9 uma boa alternativa para preservar esp\u00e9cies e recuperar \u00e1reas degradadas. A agricultura deve envolver sistemas de produ\u00e7\u00e3o mistos \u2014 agr\u00edcolas, pecu\u00e1rios e florestais \u2014, bem como formas de beneficiamento e comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos, visando \u00e0 sustentabilidade econ\u00f4mica \u2014 afirma Wagner.<\/p>\n<p>Para o senador pela Bahia, estado onde mais de 50% da \u00e1rea \u00e9 predomin\u00e2ncia da Caatinga, \u00e9 preciso tamb\u00e9m maior rigor e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os competentes e a ado\u00e7\u00e3o de campanhas para \u201cconscientizar a popula\u00e7\u00e3o de que o cuidado com o meio ambiente impede a degrada\u00e7\u00e3o, o encarecimento dos recursos naturais e o empobrecimento das comunidades\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 crucial tomar medidas efetivas para reverter esse cen\u00e1rio [de degrada\u00e7\u00e3o]. Pela primeira vez, um estudo recente do INPE identificou trechos de clima \u00e1rido em quase seis mil quil\u00f4metros quadrados no norte da Bahia. \u00c9 um dado alarmante que tem uma explica\u00e7\u00e3o clara: as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pelo homem. O avan\u00e7o do semi\u00e1rido vem ocorrendo num n\u00edvel acentuado. Se nada for feito, estar\u00e3o amea\u00e7adas a disponibilidade h\u00eddrica, a agricultura e a pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Assim como Jaques Wagner, a senadora Teresa Leit\u00e3o (PT-PE) considera urgente a aprova\u00e7\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) 33\/2023 que declara todos os biomas brasileiros como patrim\u00f4nio nacional, a partir de altera\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo 4\u00ba do artigo 225 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, Caatinga, Cerrado e Pampa est\u00e3o fora dessa prote\u00e7\u00e3o constitucional, j\u00e1 concedida \u00e0 Amaz\u00f4nia, Mata Atl\u00e2ntica e Pantanal, al\u00e9m da zona costeira.<\/p>\n<p>\u2014 Se a gente conseguir levar esses tr\u00eas biomas ao patamar constitucional de patrim\u00f4nio nacional, isso trar\u00e1 concomitantemente a exig\u00eancia, entre outras coisas, de se ter pol\u00edticas p\u00fablicas de formula\u00e7\u00e3o de leis para regular a utiliza\u00e7\u00e3o desses biomas, dentro de condi\u00e7\u00f5es que assegurem a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, inclusive quanto ao uso de recursos naturais, conforme prev\u00ea a Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u2014 disse a senadora.<\/p>\n<p>A parlamentar lembra ainda que em abril do ano passado presidiu audi\u00eancia p\u00fablica na CMA para celebrar o Dia da Caatinga (28 de abril) e ressaltar a import\u00e2ncia desse bioma para o semi\u00e1rido brasileiro.<\/p>\n<p>\u2014 A Caatinga \u00e9 pobremente protegida. Apenas cerca de 1% de seu territ\u00f3rio se encontra em unidade de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral, portanto \u00e9 fundamental fomentar pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas ao seu uso sustent\u00e1vel. A Caatinga abriga uma das maiores popula\u00e7\u00f5es humanas em regi\u00f5es semi\u00e1ridas do mundo e boa parte vive em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica, portanto, depende desses recursos naturais, da\u00ed a import\u00e2ncia da sua preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga \u00e9 adaptada \u00e0 escassez de chuva na regi\u00e3o, em um clima quente e seco, que se associa a um solo rico em min\u00e9rios, raso e pedregoso. O bioma, que sofre influ\u00eancias do Cerrado e das florestas Amaz\u00f4nica e Atl\u00e2ntica, tem seu nome originado do tupi-guarani e significa \u201cfloresta branca\u201d, por perder as folhas no per\u00edodo de seca.<\/p>\n<p>Diferente do que muitos imaginam, a Caatinga n\u00e3o tem apenas cact\u00e1ceas. Esp\u00e9cies arb\u00f3reas, arbustivas, herb\u00e1ceas, suculentas, ervas e trepadeiras se espalham ao longo do bioma. Conforme levantamento oficial do Instituto de Pesquisas do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro [bra\u00e7o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, respons\u00e1vel pelo registro nacional], h\u00e1 cerca de 6,3 mil esp\u00e9cies de flora e funga (fungos) catalogadas no bioma, sendo 2,7 mil end\u00eamicas.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os fatores que p\u00f5em essa flora da Caatinga em risco. Levantamento da rede colaborativa MapBiomas aponta que o desmatamento, a queimada e a retra\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie da \u00e1gua colaboram para a desertifica\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n<p>A partir de an\u00e1lise feita de imagens de sat\u00e9lite, entre os anos de 1985 e 2020, o MapBiomas levantou que em 112 munic\u00edpios da Caatinga (9%) h\u00e1 \u00c1reas Suscet\u00edveis \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (ASD) com classifica\u00e7\u00e3o de \u201cmuito grave e grave\u201d. Essas \u00e1reas tiveram uma perda de 0,3 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o que representa cerca de 3% de toda a vegeta\u00e7\u00e3o nativa perdida no bioma nesse per\u00edodo de 36 anos. Ainda, conforme o levantamento, houve redu\u00e7\u00e3o de 8,27% na superf\u00edcie de \u00e1gua e diminui\u00e7\u00e3o de 40% na \u00e1gua natural.<\/p>\n<p>A maior parte dos rios da Caatinga s\u00e3o intermitentes ou tempor\u00e1rios, ou seja, secam nos per\u00edodos n\u00e3o chuvosos. As bacias do rio S\u00e3o Francisco e do rio Parna\u00edba s\u00e3o essenciais para a vida no bioma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desmatamento, a Caatinga est\u00e1 na rota de risco de um dos maiores problemas mundiais: as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. De acordo com o pesquisador em conserva\u00e7\u00e3o, manejo e uso da flora da Caatinga, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria \u2014 Embrapa Semi\u00e1rido, Diogo Denardi Porto, essas altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es de temperatura e do clima s\u00e3o preocupantes, tendo em vista que dados recentes apontam que a aridez aumentou muito em certas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2014 Isso tem um impacto muito grande na flora, porque s\u00e3o poucas esp\u00e9cies que conseguem suportar um clima \u00e1rido, uma disponibilidade h\u00eddrica muito restrita, cada vez mais restrita. Os solos da Caatinga normalmente j\u00e1 s\u00e3o mais rasos em m\u00e9dia, t\u00eam menos capacidade de reter \u00e1gua para sustentar o crescimento das plantas e a maior aridez causada por aumento de temperatura, por maior evapotranspira\u00e7\u00e3o, pode impactar num intervalo de tempo, no m\u00e9dio prazo, a composi\u00e7\u00e3o da Caatinga, o n\u00famero de esp\u00e9cies por \u00e1rea \u2014 afirma Porto.<\/p>\n<p>Tudo isso representa uma perda consider\u00e1vel da riqueza da biodiversidade local, porque a Caatinga, em compara\u00e7\u00e3o a outros biomas, ainda \u201cn\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bem estudada, as esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o bem descritas\u201d, segundo o pesquisador.<\/p>\n<p>\u2014 Se a gente n\u00e3o tiver o tempo para conseguir verificar o potencial tanto de benef\u00edcios que essa biodiversidade pode trazer para a popula\u00e7\u00e3o humana, quanto de m\u00e9todos para propagar, para plantar, para restaurar as \u00e1reas, se a gente n\u00e3o tiver o tempo para entender melhor, a\u00ed fica bem complicado a gente manter a biodiversidade da Caatinga \u2014 completa Porto.<\/p>\n<p>Estudo com modelagem ambiental publicado no ano passado por um grupo de cientistas brasileiros na revista\u00a0Journal of Ecology\u00a0\u2014 que reuniu mais de 400 mil ocorr\u00eancias de 3 mil esp\u00e9cies de plantas da Caatinga em uma grande base de dados \u2014 demonstrou que a se confirmar a manuten\u00e7\u00e3o das atuais altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, em 2060, poder\u00e1 ocorrer a perda de esp\u00e9cies em 99% da Caatinga, com extin\u00e7\u00e3o de pelo menos 50 esp\u00e9cies em todo o bioma e redu\u00e7\u00e3o de variabilidade em pelo menos 40% da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o existe praticamente nenhum local onde n\u00e3o vai haver perda de esp\u00e9cies. Isso vai ser algo comum no futuro clim\u00e1tico da Caatinga. A maioria dos cen\u00e1rios de proje\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para o futuro prev\u00ea um clima mais quente e seco na Caatinga. Ent\u00e3o, vai enaltecer essa caracter\u00edstica do bioma \u2014 afirma o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Mario R. Moura.<\/p>\n<p>Um dos respons\u00e1veis pelo estudo, Moura explica que as esp\u00e9cies especialistas de distribui\u00e7\u00e3o restrita ser\u00e3o as mais afetadas; geralmente, s\u00e3o plantas lenhosas, arb\u00f3reas. Esse maior risco, provavelmente, deve estar relacionado \u00e0 toler\u00e2ncia fisiol\u00f3gica dessas plantas.<\/p>\n<p>\u2014 O clima do futuro est\u00e1 sendo mais inadequado para as esp\u00e9cies arb\u00f3reas do que para esp\u00e9cies de gram\u00edneas, de herb\u00e1ceas, de suculentas. Se a gente n\u00e3o fizer uma interven\u00e7\u00e3o para tentar contrabalancear, a vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga vai ficar cada vez menos florestal. Se a Caatinga ficar menos arb\u00f3rea, vamos perder sequestro de carbono, que a floresta fazia, e isso retroalimenta as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 alerta o pesquisador da Unicamp.<\/p>\n<p>Moura lembra que o per\u00edodo de 2021-2030 foi nomeado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como a d\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o dos Ecossistemas.<\/p>\n<p>\u2014 Os pa\u00edses todos precisam promover restaura\u00e7\u00e3o florestal. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 parar de usar combust\u00edveis f\u00f3sseis. A gente tem que criar estrat\u00e9gias para tirar o carbono da atmosfera e estocar ele de volta. Uma forma \u00e9 replantar florestas, para come\u00e7arem a capturar o carbono e armazenar na sua pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a d\u00e9cada da restaura\u00e7\u00e3o \u2014 completa o pesquisador.<\/p>\n<p>As perdas na flora refletem diretamente na fauna. Assim, quando se olha para os animais, o resultado \u00e9 ainda mais desanimador, segundo o professor Mario Moura. Em outro estudo com 93 mam\u00edferos da Caatinga, publicado no peri\u00f3dico Global Change Biology, os pesquisadores identificaram que haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o das comunidades em 90% do bioma, com redu\u00e7\u00e3o de variabilidade em 70% do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u2014 As esp\u00e9cies de mam\u00edferos que est\u00e3o previstas de serem mais impactadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o as arbor\u00edcolas, associadas com a vegeta\u00e7\u00e3o, de pequeno porte. Elas dependem da vegeta\u00e7\u00e3o pra sobreviver, mas que tamb\u00e9m s\u00e3o aliadas dessa vegeta\u00e7\u00e3o para fazer a dispers\u00e3o de sementes, a poliniza\u00e7\u00e3o \u2014afirma o pesquisador da Unicamp.<\/p>\n<p>De acordo com o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o do Risco de Extin\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (Salve), do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), das 2.124 esp\u00e9cies avaliadas (todos os vertebrados e alguns invertebrados), 171 est\u00e3o em categorias de amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Entre os 33 classificados como criticamente em perigo est\u00e3o aves como uru, zided\u00ea-do-nordeste, soldadinho-do-araripe, al\u00e9m do sapo-de-chifre-do-araripe, tartaruga-de-couro, peixe-anual, e o pangola. Em perigo aparecem 72 esp\u00e9cies, como guariba-da-caatinga, gato-do-mato, macaco-prego, tatu-bola, arara-azul-de-lear, beija-flor-de-gravata-vermelha, bacurau-do-s\u00e3o-francisco, tartaruga de escamas e uru\u00e7u. Mais 66 est\u00e3o descritos como vulner\u00e1vel, entre eles, papagaio-de-peito-roxo, tico-tico-de-m\u00e1scara-negra, lobo-guar\u00e1, gato-vermelho, tamandu\u00e1-bandeira, veado-campeiro, tartaruga-oliva, cobra-cega, badejo, entre outros.<\/p>\n<p>Presente em todos os biomas, a on\u00e7a-parda est\u00e1, pelo ICMBio, na categoria quase amea\u00e7ada, mas na Caatinga sua realidade j\u00e1 \u00e9 bem mais dif\u00edcil. Nela a on\u00e7a-pintada \u00e9 classificada como vulner\u00e1vel. De acordo com o Programa Amigos da On\u00e7a, do Instituto Pr\u00f3-Carn\u00edvoros, na regi\u00e3o do Boqueir\u00e3o das On\u00e7as, no norte da Bahia, onde elas costumam ter maior incid\u00eancia, a estimativa \u00e9 de haja 120 pardas e 30 pintadas, com ambos n\u00fameros em decl\u00ednio.<\/p>\n<p>\u2014 Antigamente, esse n\u00famero era maior. No Boqueir\u00e3o, a gente falava a\u00ed em torno de 500 pardas e 150 pintadas. Essa \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o geralmente negligenciada; n\u00e3o s\u00f3 as on\u00e7as, como o pr\u00f3prio bioma, que tem esse estere\u00f3tipo de terra seca \u2014 diz a pesquisadora do Programa, Carolina Esteves.<\/p>\n<p>Apesar de serem da mesma esp\u00e9cie presente nos demais biomas, as on\u00e7as na Caatinga apresentam caracter\u00edsticas singulares em rela\u00e7\u00e3o as demais. As primeiras popula\u00e7\u00f5es vieram da Amaz\u00f4nia e, desde ent\u00e3o, s\u00e3o v\u00e1rias as evolu\u00e7\u00f5es das on\u00e7as na Caatinga. Uma diferen\u00e7a est\u00e1 no tamanho corp\u00f3reo, o que chama aten\u00e7\u00e3o, por serem menores. Por viverem em ambiente muito quente, elas acabaram at\u00e9 desenvolvendo pelo mais espesso nas patas como prote\u00e7\u00e3o pelo solo quente. Suas vibrissas (bigodes) s\u00e3o mais duras, por viverem em ambiente mais espinhoso.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a presen\u00e7a humana est\u00e3o acarretando a diminui\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de vida desses felinos.<\/p>\n<p>\u2014 E pior ainda, a ruptura. A perda da conectividade que teria de uma regi\u00e3o de Caatinga at\u00e9 outra. Quando se fala em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as \u00e1reas que j\u00e1 s\u00e3o semir\u00e1ridas, como a Caatinga, v\u00e3o come\u00e7ar a sofrer com o processo de desertifica\u00e7\u00e3o, muitas vezes irrevers\u00edvel. Ent\u00e3o isso, para on\u00e7a, ou para todo o ecossistema ali, \u00e9 muito, muito ruim. Esses animais come\u00e7am a perder a \u00e1rea de vida. E quando a gente fala de on\u00e7a, a gente est\u00e1 falando de topo de cadeia. Elas est\u00e3o ali no topo da cadeia alimentar, e tudo que est\u00e1 abaixo delas tamb\u00e9m vai se perder \u2014 alerta Carolina.<\/p>\n<p>Carn\u00edvoras sem exce\u00e7\u00e3o, as on\u00e7as t\u00eam exig\u00eancias alimentares, de \u00e1gua, abrigo, ref\u00fagio e de \u00e1rea de ambienta\u00e7\u00e3o. Por isso, precisam de uma \u00e1rea relativamente grande para procurar esses recursos. Raz\u00e3o pela qual as on\u00e7as, especialmente as pardas, acabam se aproximando das comunidades. Como o manejo extensivo \u00e9 muito comum na Caatinga, o encontro do predador com animais de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitado, o que gera conflitos e ca\u00e7a dos felinos por retalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Quando a gente trabalha com conserva\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie, temos sempre de envolver as pessoas. Porque no caso das on\u00e7as, elas est\u00e3o compartilhando territ\u00f3rio com as pessoas. Ent\u00e3o \u00e9 isso que a gente tenta trabalhar com as comunidades, no que chamamos de dimens\u00f5es humanas da conserva\u00e7\u00e3o com as on\u00e7as. Temos algumas a\u00e7\u00f5es, como a constru\u00e7\u00e3o de currais antipreda\u00e7\u00e3o, de modo a proteger a on\u00e7a e tamb\u00e9m trazer benef\u00edcio para esse criador \u2014 diz a pesquisadora do Programa Amigos das On\u00e7as, que tamb\u00e9m desenvolve a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o e de melhoria da comunica\u00e7\u00e3o com as comunidades.<\/p>\n<p>Inicialmente, acreditava-se que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o afetariam classes como os r\u00e9pteis e anf\u00edbios da Caatinga, mas estudos recentes, como o publicado no Journal of Arid Environments pela pesquisadora da Unicamp Tha\u00eds Guedes, demonstram que alguns animais devem perder at\u00e9 100% de suas \u00e1reas de vida at\u00e9 2080. Com o aumento da temperatura, alguns passar\u00e3o ainda por efeitos como comer menos, se locomover menos e se reproduzir menos.<\/p>\n<p>\u2014 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00e3o afetar a vegeta\u00e7\u00e3o da Caatinga. \u00c9 um efeito cascata. Assim como est\u00e1 acontecendo com as plantas, n\u00f3s j\u00e1 temos ind\u00edcios que acontece com os r\u00e9pteis, inclusive aqueles que vivem enterrados \u2014 exp\u00f5e a pesquisadora da Unicamp.<\/p>\n<p>Assim como no caso das on\u00e7as, os r\u00e9pteis e anf\u00edbios s\u00e3o diferenciados e adaptados ao forte calor. Alguns apresentam diferen\u00e7as morfol\u00f3gicas como olho menor, aus\u00eancia de pernas, mudan\u00e7as na forma do focinho, tudo para facilitar a vida em ambiente arenoso. Muitos estivam (ficam imobilizados) na \u00e9poca de seca prolongada. Cavam buracos e ficam enterrados na areia. Com a escassez das chuvas, os anf\u00edbios lutam contra o tempo para metamorfosear.<\/p>\n<p>\u2014 Pelo menos do ponto de vista dos r\u00e9pteis, a gente conhece menos de 30% do bioma. N\u00f3s j\u00e1 avan\u00e7amos muito, mas tem muito a se conhecer ainda. Tem artigo mostrando onde v\u00e3o surgir novas esp\u00e9cies de vertebrados no mundo, e a Caatinga est\u00e1 l\u00e1, como uma \u00e1rea importante para a descoberta de novas esp\u00e9cies. Ela tem que ser tamb\u00e9m prioridade para a conserva\u00e7\u00e3o e para o financiamento \u2014 afirma Tha\u00eds.<\/p>\n<p>Outro problema que j\u00e1 impacta a biodiversidade da Caatinga \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos e de usinas fotovoltaicas. H\u00e1 perda na vegeta\u00e7\u00e3o quando ocorre o desmatamento para instala\u00e7\u00e3o dos parques. Muitos animais voadores, como aves e morcegos, acabam sendo mortos em h\u00e9lices das e\u00f3licas, a despeito de haver emiss\u00e3o de sons e ondas ultrass\u00f4nicas. J\u00e1 h\u00e1 inclusive reclama\u00e7\u00f5es por parte de muitas comunidades que habitam pr\u00f3ximo a esses locais, que denunciam a polui\u00e7\u00e3o sonora por acarretar zumbido no ouvido, medo e depress\u00e3o em algumas pessoas.<\/p>\n<p>Para o senador Jaques Wagner, o aumento da instala\u00e7\u00e3o de e\u00f3licas na Caatinga deve ser cuidadosamente avaliado para mitigar impactos negativos na fauna e flora.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 essencial encontrar um equil\u00edbrio entre a gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel e a preserva\u00e7\u00e3o do ecossistema. Toda atividade humana gera impacto ambiental, que pode ser mitigado e compensado. O crescimento desta que \u00e9 uma importante alternativa de energia renov\u00e1vel deve ser acompanhada de medidas de prote\u00e7\u00e3o, como a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o \u2014 alerta o senador.<\/p>\n<p>At\u00e9 animais n\u00e3o-voadores, como as on\u00e7as, est\u00e3o sendo prejudicadas pela instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos.<\/p>\n<p>\u2014 Infelizmente, a \u00e1rea de maior potencial e\u00f3lico \u00e9 no topo das serras onde geralmente \u00e9 a \u00e1rea de vida das on\u00e7as. A chegada desses empreendimentos acontece com uma velocidade muito r\u00e1pida. Muito mais r\u00e1pida do que a gente consegue entender com as nossas pesquisas e estudos. E tamb\u00e9m porque a legisla\u00e7\u00e3o sobre isso n\u00e3o \u00e9 ainda muito efetiva \u2014 afirma Carolina.<\/p>\n<p>Nas dunas de S\u00e3o Francisco, em Casa Nova, na Bahia, h\u00e1 cinco usinas e\u00f3licas. O local \u00e9 \u00e1rea de ocorr\u00eancia \u00fanica para algumas esp\u00e9cies de r\u00e9pteis.<\/p>\n<p>\u2014 Obviamente, se n\u00e3o tiver um ajuste nisso, essas esp\u00e9cies que j\u00e1 est\u00e3o em categoria de amea\u00e7a, podem ser impactadas. Queimadas, a retirada de madeira, a agropecu\u00e1ria, mas, principalmente, a caprinocultura extensiva \u2014 j\u00e1 que o bode come a vegeta\u00e7\u00e3o, arranca pela raiz \u2014 promove, junto com todos esses outros processos, a desertifica\u00e7\u00e3o \u2014 explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Diferentemente do que ocorre no Cerrado, onde as \u00e1reas desmatadas para plantio s\u00e3o em grande escala, na Caatinga o desmate ocorre em diversas \u00e1reas pequenas, o que gera um padr\u00e3o extremamente disperso de desmatamento.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, tradicionalmente o que que o agricultor fazia? Desmatava a Caatinga, queimava, plantava, por dois, tr\u00eas anos e quando via que o solo estava &#8220;cansado&#8221;, ou seja, que a fertilidade do solo diminuiu, ele simplesmente abandonava aquela \u00e1rea ou deixava em pouso. Tecnicamente falando, ia para outra e recome\u00e7ava o ciclo. Ent\u00e3o isso \u00e9 uma agricultura de subsist\u00eancia itinerante que vigorou por muito tempo. E com o aumento da popula\u00e7\u00e3o, o tempo de pouso ficava cada vez menor, porque existe essa press\u00e3o cada vez maior de produ\u00e7\u00e3o de alimentos tendo em vista o crescimento da popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Ent\u00e3o isso foi impactando a caatinga aos poucos ao longo do tempo \u2014 diz o pesquisador da Embrapa Semi\u00e1rido.<\/p>\n<p>Segundo Porto, j\u00e1 existem relatos de que as esp\u00e9cies que os animais mais gostam de comer t\u00eam aparecido menos na Caatinga. Essas esp\u00e9cies s\u00e3o mais palat\u00e1veis, mais nutritivas para os animais, segundo o pesquisador, e acabam sofrendo mais com o uso muito cont\u00ednuo como fonte de alimenta\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Na Caatinga, s\u00e3o muitas as esp\u00e9cies vegetais que podem ser usadas na bioeconomia. De acordo com o pesquisador da Embrapa, publica\u00e7\u00e3o recente apontou que o n\u00famero de esp\u00e9cies da Caatinga, por \u00e1rea, \u00e9 maior que o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u2014 Ou seja, esse trabalho chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que se a Caatinga fosse do tamanho da Amaz\u00f4nia teria 60% mais de esp\u00e9cies. E do ponto de vista econ\u00f4mico, a Caatinga tem algumas esp\u00e9cies que j\u00e1 foram reconhecidas como tendo um potencial econ\u00f4mico h\u00e1 bastante tempo \u2014 diz Porto.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do caju, planta nativa do bioma, que j\u00e1 tem uma cadeia extremamente bem sucedida. H\u00e1 ainda a carna\u00faba, palmeira que ocorre no Piau\u00ed, Cear\u00e1, no Rio Grande do Norte, e produz uma cera com propriedades f\u00edsicas muito interessantes para a ind\u00fastria em v\u00e1rios setores. Ainda, o umbu \u00e9 uma frut\u00edfera que j\u00e1 ganhou at\u00e9 mercado de exporta\u00e7\u00e3o para a Europa.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 acontece h\u00e1 muito tempo na Amaz\u00f4nia e agora est\u00e1 come\u00e7ando na Caatinga essa parceria de pequenas associa\u00e7\u00f5es de produtores locais com bastante conhecimento tradicional da biodiversidade e ind\u00fastrias de grande porte e grande alcance econ\u00f4mico na \u00e1rea de cosm\u00e9ticos, por exemplo \u2014 relata Porto.<\/p>\n<p>Para a senadora Teresa Leit\u00e3o, s\u00e3o importantes estrat\u00e9gias de economia que garantam as futuras gera\u00e7\u00f5es \u201cambientes naturais que t\u00eam sido perdidos, muitas vezes sem nenhum uso racional\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 Essas estrat\u00e9gias precisam ser definidas e o que vemos em todos os debates \u00e9 a import\u00e2ncia de consolida\u00e7\u00e3o de alguns setores que dialogam com o potencial da Caatinga, como a bioeconomia, energias renov\u00e1veis, restaura\u00e7\u00e3o florestal e agricultura de baixo carbono, como potenciais para o Brasil se firmar como uma lideran\u00e7a mundial. E esse \u00e9 um tema que est\u00e1 na agenda nacional e internacional \u2014 aponta a senadora.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s lan\u00e7ar em 2023 a 5\u00aa fase do Plano de A\u00e7\u00e3o para Preven\u00e7\u00e3o e Controle do Desmatamento da Amaz\u00f4nia (PPCDAm) e o Plano do Cerrado (PPCerrado), o governo federal pretende entregar os planos para os demais biomas, entre eles a Caatinga, ainda no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n<p>Esses planos estabelecem datas para meta de desmatamento zero e estruturam-se em \u201catividades produtivas sustent\u00e1veis; monitoramento e controle ambiental; ordenamento fundi\u00e1rio e territorial; e instrumentos normativos e econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n<p>Em meados do ano passado foi assinado termo no Pal\u00e1cio do Planalto para que o Banco do Nordeste (BNB)\u00a0e o\u00a0Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES)\u00a0lan\u00e7assem edital de R$ 10 milh\u00f5es para a implementa\u00e7\u00e3o de projetos de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da Caatinga. Isso se dar\u00e1 por meio do programa Floresta Viva, que \u00e9 voltado a apoiar projetos de restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, que envolvem esp\u00e9cies nativas e sistemas agroflorestais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no final de 2023, a ministra do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima, Marina Silva, recebeu do Cons\u00f3rcio Nordeste minuta de decreto que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o do Fundo Caatinga, para destinar recursos voltados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do bioma, assim como o Fundo Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os not\u00f3rios efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas devem atingir severamente a Caatinga &#8211; que se espalha pelos nove estados nordestinos &#8211; nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Estudos por proje\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas apontam que esse ecossistema dever\u00e1 se tornar ainda mais quente e seco: a continuarem altera\u00e7\u00f5es nos padr\u00f5es da temperatura e no clima, projeta-se para 2060 perda de esp\u00e9cies [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":322804,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[166,167,168,169,165,170,171,172,173,174],"tags":[],"class_list":["post-322803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alagoas","category-bahia","category-ceara","category-maranhao","category-nordeste","category-paraiba-nordeste","category-pernambuco-nordeste","category-piaui","category-rio-grande-do-norte","category-sergipe"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322803"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322803\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":322807,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322803\/revisions\/322807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/322804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}