{"id":323110,"date":"2024-02-25T12:13:39","date_gmt":"2024-02-25T15:13:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=323110"},"modified":"2024-02-24T20:35:01","modified_gmt":"2024-02-24T23:35:01","slug":"supremo-se-fosse-um-predio-teria-flavio-dino-como-sindico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/supremo-se-fosse-um-predio-teria-flavio-dino-como-sindico\/","title":{"rendered":"Supremo, se fosse um pr\u00e9dio, teria Fl\u00e1vio Dino como s\u00edndico"},"content":{"rendered":"<p>Pelas m\u00e3os do amigo tijucano Jorge Ben (a\u00ed ela j\u00e1 era Jor), um dia qualquer Sebasti\u00e3o Rodrigues Maia, o tamb\u00e9m tijucano Tim Maia, foi al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de s\u00edndico do Brasil. Sem preparo algum para a importante tarefa, foi guindado do cargo antes mesmo de faltar \u00e0 primeira reuni\u00e3o condominial. Graduado pela vida, apesar do modus operandi que escolheu para sua vida, Tim ascendeu por conta de sua for\u00e7a, coragem e intelig\u00eancia. Multiman, ele abominava bajuja\u00e7\u00f5es, pr\u00e1tica que, segundo ele, \u201c\u00e9 a m\u00e3e da mediocridade e uma moeda falsa que s\u00f3 circula por causa da vaidade humana. Concordo em n\u00famero, grau e agora em cisg\u00eaneros. Fiz como Tim Maia. No Rio de Janeiro e em Bras\u00edlia, circulei com alguma desenvoltura, muita liberdade e extrema vontade de aprender pelo Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como jornalista perif\u00e9rico e porta-voz de tr\u00eas dos cinco tribunais superiores, sempre me compus do sujeito. Jamais vivi \u00e0 custa de quem me escutava. Os predicados e cumprimentos ficavam por conta dos profissionais dos almo\u00e7os e jantares visando \u00e0 subida mais r\u00e1pida do degrau do sucesso. Sem mais delongas e nenhum pudor, academicamente bajulei meia d\u00fazia de figuras valorosas e com as quais me doutorei na sensatez do sil\u00eancio e na sapi\u00eancia do ouvir. Deixo para a imagina\u00e7\u00e3o alheia a descoberta dos nomes dessa lista. Um deles eu fa\u00e7o quest\u00e3o de citar publicamente, pois trata-se de Fl\u00e1vio Dino de Castro e Costa, o novo s\u00edndico do Supremo Tribunal Federal. Embora com f\u00edsicos parecidos, a diferen\u00e7a dele para Tim Maia \u00e9 a assiduidade e a eloqu\u00eancia pol\u00edtica, jur\u00eddica e, se precisar, f\u00edsica. Em s\u00edntese, Dino n\u00e3o tem medo de cara feia. Por isso, nunca se acovardou diante do perigo, mesmo que ele (o perigo) tivesse coturno, baioneta e divisas desbotadas pela falta de uso.<\/p>\n<p>Nunca tive apet\u00eancia, tampouco compet\u00eancia para a magistratura. N\u00e3o me fez falta. Mais importante do que julgar foi assistir e participar de julgamentos memor\u00e1veis de ju\u00edzes com voca\u00e7\u00e3o mai\u00fascula, entre eles Fl\u00e1vio Dino, meu conhecido, parceiro, \u201camigo\u201d, vizinho e inspirador desde os tempos da Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes Federais (Ajufe) e do gabinete do ent\u00e3o ministro do STF e do TSE Nelson de Azevedo Jobim, de quem o hoje ministro do STF Fl\u00e1vio Dino foi juiz auxiliar. Eu era o respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es de ambos e dos demais ministros das duas Cortes, com destaque para Jos\u00e9 Paulo Sep\u00falveda Pertence (+), Carlos M\u00e1rio da Silva Velloso, Raphael de Barros Monteiro Filho, Ellen Gracie e Gilmar Mendes, al\u00e9m de Nelson Jobim.<\/p>\n<p>Com a coer\u00eancia de sua sabedoria musical, Jorge Ben, meu outro inspirador, disse certa vez que o trem corre no trilho da Central do Brasil. O vag\u00e3o onde esteve e est\u00e1 Fl\u00e1vio Dino saiu do Maranh\u00e3o, chegou a dois poderes centrais do pa\u00eds, voltou ao Maranh\u00e3o e retornou definitivamente (?) a Bras\u00edlia, onde continuou mostrando a todos que n\u00e3o tem medo de cara feia, de gritos hist\u00e9ricos, muito menos de golpistas amadores. Com ele \u00e9 funk na cabe\u00e7a. E deu no que deu. De volta ao Judici\u00e1rio, talvez a Casa M\u00e3e, al\u00f4, al\u00f4 WO Brasil, chegou o s\u00edndico. E deu no New York Times que ele reentrou com simbolismos pr\u00f3prios de quem tem peso. Nenhuma alus\u00e3o ao jocoso apelido \u201cGordinho\u201d, dado por aquele senhor med\u00edocre e merecidamente alijado da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro de um outro ministro do STF a prestar o juramento de praxe sem a cola. Dino sabia de cor. Tamb\u00e9m n\u00e3o tenho recorda\u00e7\u00e3o de um membro da Corte Suprema ser empossado com a presen\u00e7a do presidente da Rep\u00fablica e dos presidentes da C\u00e2mara, do Senado e da OAB nacional. Fl\u00e1vio mereceu essa defer\u00eancia. Antes de tomar p\u00e9 dos 340 processos que lhe esperam no antigo gabinete da ministra aposentada Rosa Weber, Fl\u00e1vio Dino lavou as m\u00e3os, o rosto, apagou da mem\u00f3ria os embates como ministro da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a P\u00fablica, se emocionou na missa posterior \u00e0 posse e afirmou que, de volta \u00e0 toga, respeitar\u00e1 as diverg\u00eancias e priorizar\u00e1 o di\u00e1logo. N\u00e3o fez isso como governador do Maranh\u00e3o ou como ministro porque sabia que falaria para moucos. De S\u00e3o Lu\u00eds, Dino passou pela C\u00e2mara, deu a volta no Senado e retornou ao STF, onde n\u00e3o pousa disco voador.<\/p>\n<p>As naves espaciais se perderam nos acampamentos \u201cpatriotas\u201d de outrora. Com seus 11 ministros, o Supremo tem 11 ilhas. Cada propriet\u00e1rio com suas refer\u00eancias, costumes e processos. Se a Corte fosse um pr\u00e9dio \u00fanico, Gilmar Mendes, o decano, certamente passaria a fun\u00e7\u00e3o de s\u00edndico ao multiman Fl\u00e1vio Dino. Sua primeira tarefa seria tirar a escada que permite a chegada de aduladores \u00e0 Corte. A exemplo do verdadeiro s\u00edndico, Tim Maia, que foi cantor, compositor, instrumentista e produtor musical, Fl\u00e1vio Dino \u00e9 o mais novo ministro do STF, mas, de longe, \u00e9 o mais experimentado da Casa. Com todo respeito aos demais, ele \u00e9 o \u00fanico que j\u00e1 foi juiz federal, deputado federal, governador por dois mandatos, senador e ministro de Estado. Se \u00e9 pouco, lembremos que a turma do \u00f3dio e do rancor deve estar se obrando de medo s\u00f3 de imaginar que Fl\u00e1vio Dino ser\u00e1 um de seus julgadores. N\u00e3o respeitaram o condom\u00ednio e agora ser\u00e3o chamados \u00e0s falas pelo s\u00edndico.<\/p>\n<p><strong>*Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelas m\u00e3os do amigo tijucano Jorge Ben (a\u00ed ela j\u00e1 era Jor), um dia qualquer Sebasti\u00e3o Rodrigues Maia, o tamb\u00e9m tijucano Tim Maia, foi al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de s\u00edndico do Brasil. Sem preparo algum para a importante tarefa, foi guindado do cargo antes mesmo de faltar \u00e0 primeira reuni\u00e3o condominial. 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