{"id":323438,"date":"2024-02-29T09:26:32","date_gmt":"2024-02-29T12:26:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=323438"},"modified":"2024-02-29T09:26:32","modified_gmt":"2024-02-29T12:26:32","slug":"cisgenero-oposto-de-transgenero-cospe-na-propria-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cisgenero-oposto-de-transgenero-cospe-na-propria-sombra\/","title":{"rendered":"Cisg\u00eanero, oposto de transg\u00eanero, cospe na pr\u00f3pria sombra"},"content":{"rendered":"<p>Cisg\u00eanero \u00e9 uma das dezenas de palavras que nossos av\u00f3s falavam e se perderam no tempo. Por raz\u00f5es que n\u00e3o v\u00eam ao caso, um ex-presidente do Brasil n\u00e3o soube o significado literal da express\u00e3o, mas, com muito pesar, digo que esse tipo (o cisg\u00eanero) \u00e9 a pessoa que se identifica com o g\u00eanero que lhe foi atribu\u00eddo no nascimento. Entenderam? Melhor deixar os detalhes para outra ocasi\u00e3o. Quem sabe quando eu e a maioria dos brasileiros escrevermos a vers\u00e3o definitiva da Can\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio. At\u00e9 l\u00e1, entendam como quiserem, mas n\u00e3o vendam como um sujeito h\u00e9tero, macho alfa. N\u00e3o \u00e9. T\u00f4 fora dessa toada, mas adianto, sem margem de erro, que o passarinho que dorme com morcego acorda com o rabo para cima e a cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n<p>Vou repetir uma frase cunhada pelo baluarte dos ca\u00e7adores da tribo dos Olhos Vermelhos, ap\u00f3s a ingest\u00e3o da trig\u00e9sima-segunda dose de Cointreau, tamb\u00e9m conhecido nas rodas capixabas como o n\u00e9ctar dos deuses imortais: <em>Simius galhorum habitatum est<\/em>, isto \u00e9, cada macaco no seu galho. \u00c9 o que devo dizer a respeito das respostas inacabadas do semelhante. De qualquer maneira, embora nada tenha contra, afirmo que jamais rezei na cartilha dos cisg\u00eaneros. Por isso, ainda que metaforicamente e sem sirigaitar, contribuo sempre que posso com a travessia das pererecas abandonadas nas estradas e, principalmente, com as pombas inquietas e sem asas.<\/p>\n<p>Tenho feito isso desde que o pastor respons\u00e1vel pela transposi\u00e7\u00e3o do meu cisg\u00eanero me recomendou a frase latina mais popular dos tempos modernos: <em>Carpe diem<\/em>. Aproveitar o dia \u00e9 o que tenho feito <em>ad hoc<\/em>, ou seja, sem planejamento. <em>Persona non grata<\/em> nas rodas pol\u00edticas em que n\u00e3o posso ter opini\u00e3o, optei por aceitar o<em> status quo<\/em> do povo que se acha diferente de quem prega a democracia, pois, sem qualquer d\u00favida, \u00e9 melhor <em>umulgere hircm<\/em> (ordenhar um bode) do que o riso abundante na boca dos tolos, termo origin\u00e1rio do latim <em>risus abundat in ore stultorum.<\/em><\/p>\n<p>Basbaque por quer\u00eancia e n\u00e3o de nascen\u00e7a, prefiro o <em>Qui pro quo<\/em> latino (isto por aquilo) do que o aportuguesado Quiproc\u00f3, que significa confus\u00e3o ou balb\u00fardia. \u00c9 melhor o isto por aquilo que, acredito, seja o mesmo que o dito pelo n\u00e3o dito. Na verdade, tenho pavor do modernismo da linguagem. No meu tempo de petiz, botica era s\u00f3 uma farm\u00e1cia. Cisgenerosamente falando, hoje o voc\u00e1bulo pode ser tudo, inclusive aquilo que se oferece no escurinho do alpendre, mas nunca uma loja de revenda de vaselina e lubrificantes usados para azeitar a fuzarca. Da deriva\u00e7\u00e3o do latim <em>masculum<\/em>, sou daqueles em que, definitivamente, na bunada n\u00e3o vai dinha.<\/p>\n<p>Voltando ao amigo pastor que me tirou a tempo do sacripanta caminho da tribo Aquidauanus, devo lembrar que a presen\u00e7a de um boi durante a cerim\u00f4nia de casamento n\u00e3o \u00e9 um bom sinal. Pior \u00e9 quando ele muge. A\u00ed, o cuidado tem de ser redobrado, pois, nesse caso, o sinal \u00e9 de fartura de galhos. Bispo em\u00e9rito da Igreja do Papo Reto e da Conversa Molhada sem D\u00edzimo, meu atual mentor s\u00f3 destoa de minhas ora\u00e7\u00f5es quando ele diz que h\u00e1 falhas no ditado latino <em>barba non facit philosophum<\/em> (a barba n\u00e3o faz o fil\u00f3sofo). H\u00e1 controv\u00e9rsias palp\u00e1veis. Pelo sim, pelo n\u00e3o, optamos pela lambada Turma do Gamb\u00e1, onde at\u00e9 o cheiro da coisa \u00e9 em latim.<\/p>\n<p>Basta que lembremos do barbado que nos governa. Ele realmente n\u00e3o \u00e9 fil\u00f3sofo, mas, como a Deus nada \u00e9 imposs\u00edvel (<em>nihil est quo Deus efficere non possit<\/em>a). Resumindo esta vetusta narrativa latinizada sem querer, sou mais afeito ao nosso linguajar tibetano, aquele em que chumbar a marreca e descabelar o palha\u00e7o se completam material, simb\u00f3lica e fisicamente. N\u00e3o sei se me entendem, mas, a pedido do pastor Valdemiro, conto o milagre, mas n\u00e3o digo o nome do santo. Antes que eu seja chamado \u00e0s falas, devo encerrar com mais uma frase do latim capixabamente espartano do l\u00edder: <em>Ego exspue in umbra mea<\/em>. Se preferirem, cuspo na minha sombra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cisg\u00eanero \u00e9 uma das dezenas de palavras que nossos av\u00f3s falavam e se perderam no tempo. 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