{"id":323542,"date":"2024-03-01T10:01:06","date_gmt":"2024-03-01T13:01:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=323542"},"modified":"2024-03-01T11:12:32","modified_gmt":"2024-03-01T14:12:32","slug":"especies-invasoras-de-peixes-causam-prejuizo-de-10-bilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/especies-invasoras-de-peixes-causam-prejuizo-de-10-bilhoes\/","title":{"rendered":"Esp\u00e9cies invasoras de peixes causam preju\u00edzo de 10 bilh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O com\u00e9rcio de animais de estima\u00e7\u00e3o e de plantas \u2013 ornamentais e hort\u00edcolas \u2013 \u00e9 a principal via de introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras em territ\u00f3rio brasileiro. O fen\u00f4meno, que gera um preju\u00edzo de US$ 2 a US$ 3 bilh\u00f5es (entre 10 e 15 bilh\u00f5es de reais) por ano ao pa\u00eds, afeta todas as regi\u00f5es e preocupa pesquisadores pelos impactos nocivos \u00e0 biodiversidade, ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e ao bem-estar humano.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 do Relat\u00f3rio Tem\u00e1tico sobre Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras, Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos, lan\u00e7ado nesta sexta-feira (1) pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (BPBES). O texto foi produzido por 73 autores l\u00edderes, 12 colaboradores e 15 revisores de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, representantes do terceiro setor e profissionais aut\u00f4nomos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam a import\u00e2ncia da agilidade na tomada de decis\u00e3o sobre o manejo de esp\u00e9cies invasoras, j\u00e1 que as invas\u00f5es biol\u00f3gicas s\u00e3o processos de baixa previsibilidade e alto risco. \u201cA ina\u00e7\u00e3o, assim como a demora na a\u00e7\u00e3o, leva ao agravamento de invas\u00f5es biol\u00f3gicas e de impactos negativos com o passar do tempo\u201d, diz o documento.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras (EEI) s\u00e3o plantas, animais e microrganismos introduzidos por a\u00e7\u00e3o humana, de forma intencional ou acidental, em locais fora de seu habitat natural. Esses intrusos se reproduzem, proliferam e se dispersam para novas \u00e1reas, onde na maioria das vezes amea\u00e7am as esp\u00e9cies nativas e afetam o equil\u00edbrio dos ecossistemas.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, existem 476 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras registradas no pa\u00eds, sendo 268 animais e 208 plantas e algas, em sua maioria nativas da \u00c1frica, da Europa e do sudeste asi\u00e1tico. Alguns exemplos, entre animais e plantas, s\u00e3o til\u00e1pia, javali, mexilh\u00e3o-dourado, sagui, p\u00ednus, tucunar\u00e9, coral-sol, b\u00fafalo, mamona e amendoeira-da-praia.<\/p>\n<p>As EEIs t\u00eam como principal modo de entrada o com\u00e9rcio de animais de estima\u00e7\u00e3o e de plantas ornamentais e hort\u00edcolas e est\u00e3o presentes em todos os ecossistemas, com maior concentra\u00e7\u00e3o em ambientes degradados ou de alta circula\u00e7\u00e3o humana. \u201c\u00c1reas urbanas s\u00e3o vulner\u00e1veis a esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras devido ao grande tr\u00e1fego de pessoas, commodities e mercadorias via portos e aeroportos\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Foram identificadas 1.004 evid\u00eancias de impactos negativos e apenas 33 positivos, pontuais e de curta dura\u00e7\u00e3o, em ambientes naturais. \u201cMantendo-se o cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico atual, h\u00e1 uma tend\u00eancia de aumento de 20% a 30% de invas\u00f5es biol\u00f3gicas at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, em fun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do com\u00e9rcio e do transporte de mercadorias e tr\u00e2nsito de pessoas\u201d, prev\u00ea o documento.<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzo econ\u00f4mico<\/strong><br \/>\nA estimativa de preju\u00edzos varia de US$ 77 a US$105 bilh\u00f5es, entre os anos de 1984 e 2019, devido aos impactos causados por apenas 16 esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras. Considerando o impacto m\u00ednimo, o custo seria de US$ 2 a US$ 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano. Os custos envolvem perdas de produ\u00e7\u00e3o e horas de trabalho, interna\u00e7\u00f5es hospitalares e interfer\u00eancia na ind\u00fastria de turismo.<\/p>\n<p>O mexilh\u00e3o-dourado, por exemplo, afeta empreendimentos hidrel\u00e9tricos, esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua e tanques-rede de fazendas aqu\u00edcolas. A estimativa \u00e9 que a limpeza das bioincrusta\u00e7\u00f5es pode custar at\u00e9 R$ 40 mil por dia para uma usina de pequeno porte e, para grandes usinas, como a de Itaipu, os valores atingem R$ 5 milh\u00f5es por dia, pela paralisa\u00e7\u00e3o das turbinas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio cita ainda as invas\u00f5es biol\u00f3gicas por mosquitos como os do g\u00eanero Aedes, associados aos arbov\u00edrus causadores de doen\u00e7as como dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana, que t\u00eam gerado graves consequ\u00eancias \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es \u00e9 que h\u00e1 lacunas de avalia\u00e7\u00e3o e de valora\u00e7\u00e3o dos impactos de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras no Brasil. \u201cTampouco h\u00e1 quantifica\u00e7\u00e3o de impactos gerados por microrganismos e fungos potencialmente causadores de s\u00e9rios danos na sa\u00fade humana ou em sistemas agropecu\u00e1rios\u201d, acrescenta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o p\u00fablica<\/strong><br \/>\nO documento aponta que, das cinco maiores causas de perdas de biodiversidade \u2013 destrui\u00e7\u00e3o de habitat, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, polui\u00e7\u00e3o, sobre-explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais e EEI \u2013, a mais negligenciada na gest\u00e3o p\u00fablica brasileira s\u00e3o as invas\u00f5es biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um tema pol\u00eamico que envolve conflitos de interesse de diferentes setores econ\u00f4micos, visto que algumas EEIs oferecem benef\u00edcios pontuais a determinados segmentos\u201d, explicou, em nota, Michele de S\u00e1 Dechoum, professora da Universidade Federal de Santa Catarina e uma das coordenadoras do relat\u00f3rio. Ela acrescenta que h\u00e1 ainda defici\u00eancia de conhecimento t\u00e9cnico, tanto na perspectiva conceitual quanto das medidas de gest\u00e3o e manejo necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo M\u00e1rio Luis Orsi, professor da Universidade Estadual de Londrina e que tamb\u00e9m coordenou o estudo, apontou que, em alguns casos, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a aplicadas de forma equivocada. \u201cExistem incentivos ao uso de esp\u00e9cies notoriamente invasoras e de alto impacto, como por exemplo a til\u00e1pia e o p\u00ednus, que exercem uma domin\u00e2ncia nos ambientes e amea\u00e7am a perman\u00eancia das esp\u00e9cies nativas\u201d, disse, em nota.<\/p>\n<p>Segundo os autores, apesar de haver amplo regramento sobre o tema, as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e controle de esp\u00e9cies invasoras, em geral, s\u00e3o feitas de forma desarticulada e pulverizada. Eles defendem, no relat\u00f3rio, que a legisla\u00e7\u00e3o vigente seja consolidada em uma pol\u00edtica nacional, que trate de preven\u00e7\u00e3o, controle e mitiga\u00e7\u00e3o de impactos negativos nas esferas ambiental, agropecu\u00e1ria, sanit\u00e1ria e sociocultural.<\/p>\n<p>\u201cEmbora os benef\u00edcios da introdu\u00e7\u00e3o intencional de esp\u00e9cies possam ser restritos a setores, empresas ou grupos sociais espec\u00edficos, os custos relacionados aos preju\u00edzos e ao manejo dessas esp\u00e9cies s\u00e3o compartilhados por toda a sociedade\u201d, diz o relat\u00f3rio. O n\u00famero de evid\u00eancias de impactos negativos causados por invas\u00f5es biol\u00f3gicas, apresentado no documento, s\u00e3o 30 vezes superiores aos impactos positivos.<\/p>\n<p><strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nEntre as recomenda\u00e7\u00f5es para manejo dos invasores biol\u00f3gicos est\u00e1 a publica\u00e7\u00e3o de listas de EEIs. O Brasil n\u00e3o tem uma lista oficial, mas os autores do estudo indicam a base de dados nacional de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras gerenciada pelo Instituto H\u00f3rus de Desenvolvimento e Conserva\u00e7\u00e3o Ambiental, sediado em Florian\u00f3polis (SC) como uma fonte de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cAs listas s\u00e3o fundamentais e sem elas fica dif\u00edcil e quase ineficaz qualquer planejamento de a\u00e7\u00f5es de manejo. Portanto os estados que possuem suas listas j\u00e1 est\u00e3o um passo \u00e0 frente\u201d, avaliou Orsi. Os estados do Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo, Distrito Federal e Bahia j\u00e1 t\u00eam suas listas oficiais. A publica\u00e7\u00e3o de listas aumentaria a percep\u00e7\u00e3o do problema e auxiliaria a gest\u00e3o em cada estado, sob uma coordena\u00e7\u00e3o federal.<\/p>\n<p>Outras recomenda\u00e7\u00f5es s\u00e3o a veicula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico, desenvolvimento de atividades educativas que valorizam a biodiversidade, forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para gest\u00e3o e manejo das invas\u00f5es e regulamenta\u00e7\u00e3o de setores produtivos. \u201cDe forma complementar, pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o com esp\u00e9cies nativas ou ex\u00f3ticas n\u00e3o invasoras podem contribuir para gerar alternativas sustent\u00e1veis, como o uso de peixes nativos na aquicultura\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O com\u00e9rcio de animais de estima\u00e7\u00e3o e de plantas \u2013 ornamentais e hort\u00edcolas \u2013 \u00e9 a principal via de introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras em territ\u00f3rio brasileiro. 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