{"id":323987,"date":"2024-03-06T09:27:23","date_gmt":"2024-03-06T12:27:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=323987"},"modified":"2024-03-06T09:27:23","modified_gmt":"2024-03-06T12:27:23","slug":"laboratorio-a-ceu-aberto-permite-pesquisas-sobre-queimadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/laboratorio-a-ceu-aberto-permite-pesquisas-sobre-queimadas\/","title":{"rendered":"Laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto permite pesquisas sobre queimadas"},"content":{"rendered":"<p>Um laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto em \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre dois biomas, o Cerrado e a Floresta Amaz\u00f4nica, permite infinitas possibilidades de estudos sobre meio ambiente, a a\u00e7\u00e3o humana e a din\u00e2mica dos ecossistemas diante de diferentes dist\u00farbios naturais ou n\u00e3o. Essa \u00e9 a realidade dos pesquisadores que atuam na Fazenda Tanguro, um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil de interesse p\u00fablico (Oscip) na cidade de Quer\u00eancia, em Mato Grosso.<\/p>\n<p>Propriedade de uma empresa de agricultura tradicional e que, por muito tempo, criava gado para a pecu\u00e1ria, a \u00e1rea mant\u00e9m parte de sua extens\u00e3o preservada. Ao todo, s\u00e3o quase 100 mil hectares distribu\u00eddos ao longo de 60 quil\u00f4metros. Em qualquer lugar, \u00e9 poss\u00edvel observar experimentos que testam a natureza, a conviv\u00eancia de \u00e1reas intocadas com outras afetadas pela a\u00e7\u00e3o humana e os limiares entre resili\u00eancia e resist\u00eancia do meio ambiente nos dois biomas.<\/p>\n<p><strong>Queimadas<\/strong><br \/>\nUm contrato firmado entre produtores e pesquisadores, renovado a cada cinco anos, permitiu a primeira pesquisa sobre os efeitos do fogo e a recupera\u00e7\u00e3o de uma floresta estacional perenif\u00f3lia, tamb\u00e9m conhecida como floresta sempre-verde, j\u00e1 que sem a a\u00e7\u00e3o do homem ela mant\u00e9m suas caracter\u00edsticas, mesmo em per\u00edodos de estiagem.<\/p>\n<p>O pesquisador e gerente de projetos da Tanguro, Leonardo Santos, explica que a ideia era observar, inicialmente, como o fogo age em \u00e1rea preservada e depois com queimas em tempos diferentes, avaliar os impactos causados pelo fogo na fauna e na flora local. \u201c\u00c9 uma \u00e1rea com caracter\u00edsticas \u00fanicas que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tinha nenhum tipo de estudo sobre o fogo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para isso, em 2004, foi selecionada \u00e1rea de 150 hectares, que passou por levantamento flor\u00edstico para documentar a vegeta\u00e7\u00e3o original, os animais e insetos que habitavam o local. Tamb\u00e9m foi medida a quantidade de mat\u00e9ria que serviria de combust\u00edvel para o fogo, ou seja, folhas secas, galhos e outras subst\u00e2ncias que facilitam a queima.<\/p>\n<p>Depois, a \u00e1rea foi demarcada em tr\u00eas espa\u00e7os de 50 hectares, sendo que uma n\u00e3o foi queimada, para controle. A segunda sofreu tr\u00eas queimas, uma a cada tr\u00eas anos; e a terceira foi queimada anualmente, passando por dez queimas.<\/p>\n<p>Ao longo dos dez anos, tanto a parcela de controle quanto as outras duas que receberam fogo com frequ\u00eancias diferentes passaram a ser inventariadas a cada dois anos e monitoradas por diferentes m\u00e9todos.<\/p>\n<p>Leonardo explica que o monitoramento dos componentes da estrutura da vegeta\u00e7\u00e3o, como as copas das \u00e1rvores, a densidade da madeira, a quantidade de serrapilheira, que \u00e9 o material acumulado sobre o solo, passaram a gerar dados durante os dez anos de experimento e em cada etapa foram utilizados diferentes equipamentos.<\/p>\n<p>\u201cDurante a queima foram medidas a velocidade do fogo, altura da chama, velocidade do vento, com equipamentos m\u00f3veis. Em 2010, quando as queimas foram finalizadas, instalamos duas torres com sensores para avaliar o fluxo de \u00e1gua e o fluxo de carbono que a floresta passou a produzir na \u00e1rea de controle e nas que foram atingidas pelo fogo\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o natural<\/strong><br \/>\nUma nova etapa teve in\u00edcio com a gera\u00e7\u00e3o de dados sobre o processo de recupera\u00e7\u00e3o natural dos locais que foram queimados. \u201cDados secund\u00e1rios passaram a ser gerados e novas pesquisas foram desenvolvidas a partir dessa experi\u00eancia\u201d conta o pesquisador Felipe Arruda, que analisa o comportamento de formigas e abelhas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos insetos, sementes e plantas, s\u00e3o estudados mam\u00edferos, aves e o ciclo hidrol\u00f3gico nos locais do experimento. De acordo com a equipe, ao longo de quase 20 anos do projeto, os resultados cient\u00edficos estimulam novos estudos e impactam o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Com tantas possibilidades em um lugar onde a agricultura \u00e9 ativa &#8211; h\u00e1 cursos de rios, vegeta\u00e7\u00f5es de galeria, fauna e flora diversificada &#8211; parcerias com outras institui\u00e7\u00f5es permitiram a expans\u00e3o das pesquisas. Mais 244 estudos foram desenvolvidos na fazenda, dos quais 190 foram divulgados em importantes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. S\u00e3o estudos que, por exemplo, investigam o impacto de determinados tipos de agricultura no meio ambiente.<\/p>\n<p><strong>Longa dura\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEsse espa\u00e7o aberto a experimenta\u00e7\u00f5es acabou tornando a fazenda um local de troca de experi\u00eancias entre pesquisadores do Brasil e do mundo. Al\u00e9m disso, o projeto passou a integrar o Programa de Pesquisas Ecol\u00f3gicas de Longa Dura\u00e7\u00e3o (PELD), iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), que estabeleceu uma rede de locais de refer\u00eancia para pesquisas de ecologia de ecossistemas.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o sabe quais s\u00e3o os efeitos das queimadas na vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o impacto na biodiversidade e quanto tempo, as comunidades de plantas e animais demoram a recuperar, a gente n\u00e3o tem como prever o que vai acontecer no futuro. Ent\u00e3o, estudos de longa dura\u00e7\u00e3o podem nos dar dados para a gente fazer essas proje\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um laborat\u00f3rio a c\u00e9u aberto em \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre dois biomas, o Cerrado e a Floresta Amaz\u00f4nica, permite infinitas possibilidades de estudos sobre meio ambiente, a a\u00e7\u00e3o humana e a din\u00e2mica dos ecossistemas diante de diferentes dist\u00farbios naturais ou n\u00e3o. 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