{"id":32403,"date":"2014-12-29T15:26:07","date_gmt":"2014-12-29T18:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=32403"},"modified":"2014-12-29T18:08:47","modified_gmt":"2014-12-29T21:08:47","slug":"metro-de-brasilia-dispensa-licitacao-e-renova-manutencao-por-r-48-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/metro-de-brasilia-dispensa-licitacao-e-renova-manutencao-por-r-48-milhoes\/","title":{"rendered":"Metr\u00f4 dispensa licita\u00e7\u00e3o e renova manuten\u00e7\u00e3o por 48 milh\u00f5es de reais"},"content":{"rendered":"<p>O Metr\u00f4 do Distrito Federal assinou pela terceira vez contrato emergencial com o Cons\u00f3rcio Metroman para manuten\u00e7\u00e3o preventiva e corretiva dos trens. O acordo, feito com dispensa de licita\u00e7\u00e3o no dia 15 de dezembro, \u00e9 de R$ 47,9 milh\u00f5es, segundo informa o G1. Para ilustrar: a Lei 8.666, que regula os processos de licita\u00e7\u00e3o, veta a prorroga\u00e7\u00e3o de contratos emergenciais.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico disse que investiga todos os contratos emergenciais, mas afirmou que s\u00f3 poderia se posicionar a respeito da renova\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o fim do recesso judicial, em 7 de janeiro. A eventual pena ao gestor por descumprimento da lei depende da an\u00e1lise de cada caso, segundo o MP.<\/p>\n<p>Formado pelas empresas Serveng-Civilsan e MGE, o cons\u00f3rcio Metroman montou uma estrutura dentro da sede do Metr\u00f4, em \u00c1guas Claras, para prestar servi\u00e7o para a empresa. O primeiro contrato foi licitado e valeu entre 2007 e setembro de 2013, com garantia de cobertura por mais dois meses. Depois, alegando dificuldades para fazer um novo preg\u00e3o, a empresa assinou um contrato emergencial com o cons\u00f3rcio por seis meses, que valeu at\u00e9 26 de maio.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o era de que o servi\u00e7o fosse licitado ao final do per\u00edodo, mas contesta\u00e7\u00f5es do Tribunal de Contas teriam impedido novamente a realiza\u00e7\u00e3o do edital. Assim, em junho o Metr\u00f4 deu in\u00edcio a um novo contrato de seis meses com o cons\u00f3rcio \u2013 novamente emergencial e desta vez a um custo de R$ 48 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o era de que a licita\u00e7\u00e3o ocorresse ao final deste contrato. Entre os dois acordos, o Metr\u00f4 chegou a fazer um aditivo de R$ 965,3 mil, v\u00e1lido por cinco dias. O Tribunal de Contas investiga o acordo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, o diretor de Opera\u00e7\u00f5es do Metr\u00f4, Fernando Sollero afirmou que dois fatores foram considerados para se prorrogar o primeiro contrato por cinco dias para s\u00f3 ent\u00e3o dar in\u00edcio ao segundo: a sobrecarga de trabalho dos servidores que fiscalizam o setor de manuten\u00e7\u00e3o e a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o de custos.<\/p>\n<p>Segundo ele, o aplicativo que gera o relat\u00f3rio mensal do contrato s\u00f3 funciona automaticamente quando \u00e9 abastecido durante todo o m\u00eas. Assim, diz, se n\u00e3o fosse feita a prorroga\u00e7\u00e3o, os cerca de 70 funcion\u00e1rios da \u00e1rea de fiscaliza\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio teriam de preencher as informa\u00e7\u00f5es manualmente.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Como o pessoal ia ter que apontar dia a dia as ordens de servi\u00e7o manualmente foi que eu fiz a proposta de prorrogar aqueles seis meses improrrog\u00e1veis por mais cinco dias. Isso deu, evidentemente, uma confus\u00e3o, mas teve um amparo jur\u00eddico, com jurisprud\u00eancia&#8221;, declarou. Sollero n\u00e3o exemplificou um caso em que isso tenha acontecido.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ele tamb\u00e9m disse que a prorroga\u00e7\u00e3o foi vantajosa \u00e0 companhia. &#8220;Como \u00e9 que eu paguei? Pelo pre\u00e7o velho. Se eu tivesse assinado o contrato [de renova\u00e7\u00e3o, em vez de prorroga\u00e7\u00e3o] naquele dia, por esses cinco dias eu pagaria R$ 200 mil e poucos a mais. No final, aquele aditivo de cinco dias trouxe uma economia para a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica de R$ 200 mil.&#8221;<\/p>\n<p>O acordo com a Metroman prev\u00ea que o cons\u00f3rcio realize todos os servi\u00e7os voltados ao usu\u00e1rio. Por isso, al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o preventiva mensal de cada um dos 32 trens e as corretivas quando necess\u00e1rio, tamb\u00e9m \u00e9 responsabilidade do cons\u00f3rcio tudo o que esteja relacionado \u00e0 seguran\u00e7a, como os cuidados com a rede de inc\u00eandio. S\u00e3o aproximadamente 300 t\u00e9cnicos, escalados de forma que a atividade aconte\u00e7a 24 horas por dia.<\/p>\n<p>O professor de direito administrativo Rui Piscitelli afirmou ao G1 que justamente por ser um servi\u00e7o continuado e sem prazo para conclus\u00e3o \u2013 e que por isso vai sempre demandar uma renova\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 que a prorroga\u00e7\u00e3o pode ser question\u00e1vel. Como ocorre com as contrata\u00e7\u00f5es emergenciais, os aditivos tamb\u00e9m precisam passar por uma nova pesquisa de mercado junto ao maior n\u00famero poss\u00edvel de empresas. Segundo o especialista, a cautela \u00e9 indicada justamente para cercar o processo de todos os cuidados e garantir que os pre\u00e7os or\u00e7ados condizem com os de mercado.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Uma manuten\u00e7\u00e3o que \u00e9 preventiva denota necessariamente uma continuidade. Ent\u00e3o, a primeira coisa que vejo que precisa ficar cristalino \u00e9 o que foi feito para normalizar a situa\u00e7\u00e3o nestes 180 dias, para sanar o problema que impediu que essa licita\u00e7\u00e3o sa\u00edsse na tentativa passada. N\u00e3o havendo ordem judicial que pare o processo, as tentativas de justificativas ficam muito fr\u00e1geis, porque 180 dias me parece um tempo razo\u00e1vel para abrir e at\u00e9 concluir uma licita\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Piscitelli.<\/p><\/blockquote>\n<p>O professor destacou ainda que uma orienta\u00e7\u00e3o normativa da Advocacia-Geral da Uni\u00e3o prev\u00ea que sempre seja apurado, nos casos de dispensa de licita\u00e7\u00e3o, se a situa\u00e7\u00e3o emergencial foi gerada por falta de planejamento, des\u00eddia ou m\u00e1 gest\u00e3o. A ideia \u00e9 que os processos passem pela an\u00e1lise da corregedoria do pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o que est\u00e1 pleiteando o contrato.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;\u00c9 preciso observar o que caracteriza essa urg\u00eancia. Muitas vezes, usam a justificativa de que o servi\u00e7o \u00e9 emergencial para embasar o contrato e encobrir falhas no planejamento, como a demora para fazer uma licita\u00e7\u00e3o. A falta de um servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma emerg\u00eancia&#8221;, afirmou o especialista. &#8220;Essas situa\u00e7\u00f5es fazem acender a luz amarela. \u00c9 preciso refor\u00e7ar ainda mais a justificativa do gestor e mostrar que n\u00e3o \u00e9 uma emerg\u00eancia provocada, que n\u00e3o virou uma emerg\u00eancia por alguma postura dele.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>O Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica investiga ind\u00edcios de forma\u00e7\u00e3o de cartel entre o Cons\u00f3rcio Metroman e a Alstom para obras de manuten\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo e do DF. Beaseado em depoimentos de seis executivos da Siemens, um relat\u00f3rio da entidade aponta que o esquema aconteceu entre 1998 e 2007.<\/p>\n<p>De acordo com o Cade, as empresas faziam reuni\u00f5es secretas para dividir projetos e acertar que n\u00e3o haveria competi\u00e7\u00e3o entre elas. As investiga\u00e7\u00f5es tiveram in\u00edcio em janeiro do ano passado.<\/p>\n<p>A assessoria da Serveng-Civilsan informou que a atua\u00e7\u00e3o da empresa \u00e9 pautada no cumprimento \u00e0 lei e que prestaria todos os esclarecimentos ao Cade.<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio Metroman \u00e9 respons\u00e1vel pelo servi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4 desde 2007. O primeiro contrato foi licitado e valeu at\u00e9 setembro de 2013, com garantia de cobertura por mais dois meses.<\/p>\n<p>Alegando dificuldades junto Tribunal de Contas para finalizar o edital de um novo preg\u00e3o, o Metr\u00f4 assinou acordo emergencial com a Metroman por R$ 43,6 milh\u00f5es no final do ano passado.<\/p>\n<p>De acordo com Sollero, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato, o cons\u00f3rcio foi o \u00fanico a apresentar proposta para a renova\u00e7\u00e3o dose servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a prorroga\u00e7\u00e3o de cinco dias.<\/p>\n<p><strong>Queixas<br \/>\n<\/strong>Apesar do valor gasto com manuten\u00e7\u00e3o, s\u00e3o frequentes as ocorr\u00eancias de trens parados. &#8220;A gente trabalha para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a, a gente n\u00e3o quer que aconte\u00e7a e a gente faz a nossa parte para evitar que aconte\u00e7a, mas tem uma hora em que somos pegos de surpresa e acontece&#8221;, declarou o diretor de Opera\u00e7\u00f5es do Metr\u00f4, Fernando Sollero.<\/p>\n<p>A servidora p\u00fablica Andr\u00e9a Ramos de Lira, de 43 anos, passou a usar o Metr\u00f4 h\u00e1 dois meses para fugir dos congestionamentos em Bras\u00edlia. Ela pega o trem em \u00c1guas Claras e vai at\u00e9 a Esta\u00e7\u00e3o Central, na Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto, de onde segue para o Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso metr\u00f4 tem um custo alt\u00edssimo, e a qualidade \u00e9 prec\u00e1ria. J\u00e1 presenciei v\u00e1rias paradas e defeitos. Tamb\u00e9m n\u00e3o considero nossas esta\u00e7\u00f5es seguras, tem escadas \u00edngremes e falta de prote\u00e7\u00e3o para o embarque. As paradas s\u00e3o frequentes e voc\u00ea nunca \u00e9 avisado pelo servi\u00e7o de som sobre o que est\u00e1 acontecendo. O Metr\u00f4 de repente para e n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre o motivo.&#8221;<\/p>\n<p>Dependendo dos trens para trabalhar, a esteticista Taiza Ayala, de 54 anos, tamb\u00e9m critica a qualidade do servi\u00e7o. Ela mora no P Sul, em Ceil\u00e2ndia, e usa o Metr\u00f4 todos os dias para chegar ao Guar\u00e1, onde est\u00e1 a maioria das clientes dela.<\/p>\n<p>&#8220;Para fugir da \u2018muvuca\u2019, marco sempre para depois das 10h. J\u00e1 passei altos \u2018perrengues\u2019 por causa de atrasos e desconforto. J\u00e1 vi gente usando drogas no Metr\u00f4. Acho as esta\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis, n\u00e3o tem banheiro, voc\u00ea n\u00e3o pode beber nada e nem comer nada. E os trens atrasam&#8221;, disse. &#8220;Fiquei com medo quando vi jovens cheirando coca\u00edna no vag\u00e3o, por volta de 16h.&#8221;<\/p>\n<blockquote><p>O Metr\u00f4 funciona entre 6h e 23h30 de segunda a s\u00e1bado e 7h e 7h aos domingos e feriados. A m\u00e9dia \u00e9 de 140 mil passageiros por dia. O sistema tem 54 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e liga Ceil\u00e2ndia e Samambaia ao Plano Piloto. A esta\u00e7\u00e3o com maior fluxo \u00e9 a da rodovi\u00e1ria, por onde passam 20 mil pessoas por dia.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Metr\u00f4 do Distrito Federal assinou pela terceira vez contrato emergencial com o Cons\u00f3rcio Metroman para manuten\u00e7\u00e3o preventiva e corretiva dos trens. O acordo, feito com dispensa de licita\u00e7\u00e3o no dia 15 de dezembro, \u00e9 de R$ 47,9 milh\u00f5es, segundo informa o G1. 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