{"id":324578,"date":"2024-03-14T10:01:43","date_gmt":"2024-03-14T13:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=324578"},"modified":"2024-03-14T10:00:26","modified_gmt":"2024-03-14T13:00:26","slug":"uso-de-celular-por-criancas-e-adolescentes-ficara-sob-vigilancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/uso-de-celular-por-criancas-e-adolescentes-ficara-sob-vigilancia\/","title":{"rendered":"Uso de celular por crian\u00e7as e adolescentes ficar\u00e1 sob vigil\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Os riscos do uso indevido e abusivo de dispositivos eletr\u00f4nicos por crian\u00e7as e adolescentes ser\u00e3o tema central de grupo de trabalho (GT) institu\u00eddo pelo governo federal. Portaria publicada nesta quinta-feira (14), no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, designa membros de sete minist\u00e9rios e 19 representantes da sociedade civil, academia e entidades de reconhecida atua\u00e7\u00e3o no assunto.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 que o trabalho resulte na produ\u00e7\u00e3o de um guia para uso consciente de telas, com orienta\u00e7\u00f5es para familiares, cuidadores e educadores, al\u00e9m de servir de base para pol\u00edticas p\u00fablicas nas \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e prote\u00e7\u00e3o do p\u00fablico mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 da Secretaria de Pol\u00edticas Digitais da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social (Secom) da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Segundo a pasta, entre 2019 e 2022, houve crescimento de 64% nas taxas de les\u00f5es autoprovocadas intencionalmente por crian\u00e7as e adolescentes, em situa\u00e7\u00f5es como tentativas de suic\u00eddio, por exemplo. O dado est\u00e1 relacionado ao uso de telas conectadas \u00e0 internet por esse p\u00fablico.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do GT era aguardada por especialistas. &#8220;\u00c9 uma medida importante e urgente, um esfor\u00e7o multidisciplinar e multissetorial que visa a entender demandas e propor caminhos para um uso consciente de telas que precisa envolver Estado, fam\u00edlia e toda a sociedade, incluindo empresas, conforme nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no Artigo 227&#8221;, destaca Maria Mello, coordenadora do Programa Crian\u00e7a e Consumo do Instituto Alana, entidade de hist\u00f3rica atua\u00e7\u00e3o nos direitos da inf\u00e2ncia e que far\u00e1 parte do grupo.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com as telas ocorre cada vez mais cedo e de forma ampla. Cerca de um ter\u00e7o dos usu\u00e1rios da internet no mundo \u00e9 de crian\u00e7as de adolescentes, segundo dados da pesquisa TIC Kids online, produzida pelo Comit\u00ea Gestor da Internet (CGO.br). Ao todo, 95% das crian\u00e7as e adolescentes de nove a 17 anos acessaram a internet em 2023. Nas classes AB, 93% acessaram a internet mais de uma vez por dia, nas classes D e E esse percentual caiu para 71%, sendo que a m\u00e9dia foi de 83%. Em 2023, 24% dos entrevistados relataram ter come\u00e7ado a se conectar \u00e0 internet desde o per\u00edodo da primeira inf\u00e2ncia, ou seja, antes dos seis anos. Em 2015, essa propor\u00e7\u00e3o era de 11%. Entre as crian\u00e7as de nove a 10 anos, 68% disseram ter perfis em redes sociais.<\/p>\n<p>&#8220;Importante destacar as oportunidades de aprendizado e entretenimento e acesso a direitos fundamentais dessa presen\u00e7a de crian\u00e7as e adolescentes no ambiente digital, mas tamb\u00e9m os riscos de explora\u00e7\u00e3o, exposi\u00e7\u00e3o e acesso a conte\u00fados inapropriados, presentes sobretudo nos produtos e servi\u00e7os regidos por modelos de neg\u00f3cios baseados na l\u00f3gica da economia da aten\u00e7\u00e3o, que desempenham papel central nesta din\u00e2mica de amplia\u00e7\u00e3o de riscos. Quanto mais tempo as pessoas passam em determinadas plataformas, mais intensamente s\u00e3o submetidas \u00e0 publicidade e \u00e0 coleta de seus dados e explora\u00e7\u00f5es variadas, assim como mais suscet\u00edveis estar\u00e3o a estrat\u00e9gias que visam a influenciar e alterar suas prefer\u00eancias e vis\u00f5es de mundo&#8221;, diz Maria Mello. O debate, argumenta a especialista, &#8220;\u00e9 menos sobre as telas em si e mais sobre produtos e servi\u00e7os que n\u00e3o s\u00e3o pensados para promover direitos de crian\u00e7as e adolescentes, desde sua concep\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p><strong>M\u00faltiplos danos<\/strong><br \/>\nO pediatra e sanitarista Daniel Becker, um dos integrantes do GT, enumera uma s\u00e9rie de preju\u00edzos causados pelo uso prolongado e inadequado desses dispositivos. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favida nenhuma, na sociedade e na ci\u00eancia, sobre os danos m\u00faltiplos e multidimensionais que o mau uso e o excesso de telas est\u00e3o causando na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia&#8221;, afirma. Os preju\u00edzos, segundo o m\u00e9dico, v\u00e3o desde os f\u00edsicos, como a preval\u00eancia de h\u00e1bitos sedent\u00e1rios, o desenvolvimento de dist\u00farbios visuais como miopia, e altera\u00e7\u00f5es no sono, at\u00e9 comprometimentos cognitivos e emocionais, como a falta de aten\u00e7\u00e3o e o pouco desenvolvimento de habilidades interpessoais. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente mais preocupante quando o contato com a telas ocorre em crian\u00e7as muito pequenas, com at\u00e9 2 anos de idade.<\/p>\n<p>&#8220;Nos pequenos, j\u00e1 est\u00e1 mais do que comprovado. H\u00e1 estudo com 7 mil crian\u00e7as mostrando que o uso de telas, em menores de um ou dois anos, leva preju\u00edzos ao desenvolvimento motor, cognitivo e emocional, mais tarde nessa crian\u00e7a mais velha&#8221;, diz o especialista. S\u00e3o dist\u00farbios de aprendizado e de aten\u00e7\u00e3o, por exemplo. A arquitetura que privilegia v\u00eddeos curtos, comuns \u00e0s redes sociais, fragmenta a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. &#8220;Ela vai perdendo a habilidade fundamental da leitura, n\u00e3o consegue fixar a aten\u00e7\u00e3o numa fala que dure um pouco mais de tempo porque passa a estar acostumada com a hiper estimula\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos curtos e dessa troca de conte\u00fado muito r\u00e1pida&#8221;, detalha Becker.<\/p>\n<p>Em termos sociais, outro risco das telas apontado por Daniel Becker tem a ver com o contato de crian\u00e7as e adolescentes com conte\u00fado e ideologias extremistas, que pregam viol\u00eancia e preconceito, como machismo, misoginia, racismo, nazismo e similares. Ou mesmo a vulnerabilidade a a\u00e7\u00f5es de criminosos, com riscos de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pedofilia, pr\u00e1tica de ass\u00e9dio e cyberbullying. Nesse sentido, defende o m\u00e9dico, \u00e9 preciso que o governo e o Congresso Nacional avancem na aprova\u00e7\u00e3o de uma lei sobre liberdade, responsabilidade e transpar\u00eancia das plataformas de internet e redes sociais.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><br \/>\nO enfrentamento ao problema, alertam os especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil, n\u00e3o deve ser apenas comportamental, com imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es e outras medidas parecidas, mas depende da garantia de uma s\u00e9rie de outros direitos. &#8220;\u00c9 preciso investir em pol\u00edticas p\u00fablicas de cuidado com quem cuida, como amplia\u00e7\u00e3o de creches, apoio a m\u00e3es solo, entre outras. Do contr\u00e1rio, as telas continuar\u00e3o sendo a ajuda&#8221;, alerta Maria Mello, do Instituto Alana.<\/p>\n<p>Na mesma linha, Daniel Becker fala sobre a import\u00e2ncia de que escolas, fam\u00edlia e o Poder P\u00fablico consigam garantir um leque ampliado de atividades para as crian\u00e7as e adolescentes, como esportes, cultura, contato com a natureza, fomentando o desenvolvimento integral de habilidade motoras, cognitivas e socioemocionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os riscos do uso indevido e abusivo de dispositivos eletr\u00f4nicos por crian\u00e7as e adolescentes ser\u00e3o tema central de grupo de trabalho (GT) institu\u00eddo pelo governo federal. Portaria publicada nesta quinta-feira (14), no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, designa membros de sete minist\u00e9rios e 19 representantes da sociedade civil, academia e entidades de reconhecida atua\u00e7\u00e3o no assunto. 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