{"id":324664,"date":"2024-03-15T00:00:41","date_gmt":"2024-03-15T03:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=324664"},"modified":"2024-03-15T08:07:59","modified_gmt":"2024-03-15T11:07:59","slug":"banco-criado-em-favela-quer-ser-bndes-da-do-baixa-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/banco-criado-em-favela-quer-ser-bndes-da-do-baixa-renda\/","title":{"rendered":"Banco criado em favela quer ser \u201cBNDES do baixa renda\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O G10 Bank, institui\u00e7\u00e3o financeira criada em Parais\u00f3polis, favela da zona sul paulistana, vai abrir ag\u00eancias f\u00edsicas em quatro estados. A primeira come\u00e7ou a funcionar m\u00eas passado dentro da comunidade onde o projeto foi iniciado.<\/p>\n<p>Oferecendo contas digitais e empr\u00e9stimos, o CEO do G10, Gilson Rodrigues, diz que a proposta da institui\u00e7\u00e3o \u00e9 ser um banco de desenvolvimento, apoiando principalmente os empreendedores das favelas. \u201c\u00c9 como se fosse um BNDES da favela, desburocratizando o acesso ao cr\u00e9dito\u201d, explica, comparando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, que oferece cr\u00e9dito com juros abaixo do mercado a empresas.<\/p>\n<p>Um dos principais diferenciais do banco \u00e9 ter flexibilidade para lidar com as condi\u00e7\u00f5es de vida com pouca formalidade, que dificultam a apresenta\u00e7\u00e3o de documenta\u00e7\u00e3o exigida corriqueiramente pelos bancos tradicionais, como comprovantes de resid\u00eancia e renda.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 medida por crit\u00e9rios que passam pela rela\u00e7\u00e3o com a comunidade, o n\u00edvel de planejamento para os investimentos e a renda, levando em considera\u00e7\u00e3o as poss\u00edveis instabilidades financeiras. A metodologia foi, segundo Rodrigues, desenvolvida com apoio do Banco Central. \u201cEle foi criado para que as pessoas na informalidade possam ter acesso\u201d, enfatiza o CEO.<\/p>\n<p>Entre os moradores de favelas, 32% se queixam da demora de aprova\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito por bancos e 29% t\u00eam dificuldades em acessar empr\u00e9stimos pelo hist\u00f3rico financeiro. Os dados fazem parte da pesquisa Persona Favela \u2013 Bancariza\u00e7\u00e3o, realizado pelo N\u00d3S Pesquisas. O trabalho ouviu 2,7 mil moradores de favelas com conta banc\u00e1ria de todo o pa\u00eds e indicou ainda que 77% dessa popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 teve que negociar d\u00edvidas em atraso para tirar o nome do cadastro negativo.<\/p>\n<p><strong>Cons\u00f3rcio e conta digital<\/strong><br \/>\nA ideia inicial, conta Rodrigues, era criar uma institui\u00e7\u00e3o que emitisse uma moeda local, para circula\u00e7\u00e3o em Parais\u00f3polis, a exemplo de outros bancos comunit\u00e1rios. No entanto, a ideia foi abandonada devido aos riscos de falta de lastro e de falsifica\u00e7\u00e3o. \u201cA gente decidiu n\u00e3o fazer a moeda, mas pensamos em criar um cart\u00e3o. Criamos um cart\u00e3o de cr\u00e9dito chamado Nova Parais\u00f3polis. Esse cart\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Mas a gente chegou a operar esse cart\u00e3o. Tinha 11 mil pessoas com acesso ao cr\u00e9dito com m\u00e9dia de R$ 300\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A partir da experi\u00eancia, \u00e9 desenvolvido o projeto do banco, que est\u00e1 organizado a partir de quatro pessoas jur\u00eddicas para oferecer servi\u00e7os diversos, como cons\u00f3rcio, conta digital e cr\u00e9dito. \u201cA gente est\u00e1 modelando os cons\u00f3rcios a partir dos desejos que a gente percebe que os moradores t\u00eam, que por vezes n\u00e3o s\u00e3o realizados\u201d, explica e cita como exemplo viagens, cirurgias e compra de aparelhos celulares, motos e carros.<\/p>\n<p>A casa pr\u00f3pria \u00e9 o desejo de 34% dos residentes em favelas, segundo a pesquisa Persona Favela. Acreditam que precisam organizar a aposentadoria, 33%, e 24% n\u00e3o tem uma fonte de renda segura.<\/p>\n<p><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nAtualmente, o G10 Bank tem cerca de 5 mil clientes, com a meta de atingir 20 mil pessoas at\u00e9 o fim do semestre. Em cr\u00e9dito j\u00e1 foram disponibilizados, de acordo com o CEO, R$ 1 milh\u00e3o para 200 empreendedores.<\/p>\n<p>O plano de abertura de ag\u00eancias faz parte tanto da estrat\u00e9gia para ampliar o n\u00famero de clientes como da filosofia de inclus\u00e3o do projeto. \u201cN\u00f3s percebemos que o digital \u00e9 o futuro, mas n\u00f3s precisamos criar um espa\u00e7o de degusta\u00e7\u00e3o, podemos dizer assim, onde o morador sinta confian\u00e7a, que ele possa ir l\u00e1 conversar com o gerente, que ele possa ter um relacionamento de fato\u201d, justifica sobre a decis\u00e3o que vai \u201cna contram\u00e3o\u201d dos grandes bancos, que t\u00eam reduzido o atendimento presencial.<\/p>\n<p>\u201cAinda \u00e9 fundamental para uma popula\u00e7\u00e3o que tem dificuldade com rela\u00e7\u00e3o ao acesso, que \u00e9 analfabeta ou semi-analfabeta, e que culturalmente n\u00e3o est\u00e1 acostumada com o digital. Culturalmente as pessoas est\u00e3o acostumadas a ir na ag\u00eancia, pegar uma fila, e guardar o comprovante durante cinco anos para de repente dar problema\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>Entre os moradores de favelas, 2% nunca usam o aplicativo do banco e 1% ainda n\u00e3o fazem pagamentos com o Pix, de acordo com a pesquisa do N\u00d3S \u2013 Pesquisas. Por\u00e9m, 61% dessa popula\u00e7\u00e3o t\u00eam conta digital e 60% fazem transfer\u00eancias Pix diariamente. Apenas 9% retiram dinheiro diariamente de caixas eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p><strong>Proximidade<\/strong><br \/>\nAs quatro comunidades que receber\u00e3o ag\u00eancias do banco foram escolhidas, segundo Rodrigues, pela presen\u00e7a do G10, articula\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as de favelas. Os pontos de atendimento previstos dever\u00e3o ser abertos em Heli\u00f3polis, maior favela paulistana; Sol Nascente, maior favela do pa\u00eds que fica no Distrito Federal; Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG); Casa Amarela, em Recife (PE).<\/p>\n<p>Entre os empreendimentos que j\u00e1 s\u00e3o clientes do G10 Bank est\u00e1 o Costurando Sonhos. O projeto surgiu em 2017 com a proposta de capacitar mulheres para trabalharem como costureiras. \u201cDepois que a gente capacitou as primeiras 40 mulheres, a gente sentiu a dificuldade de inseri-las no mercado de trabalho. E a\u00ed, como alternativa, a gente resolveu empreender\u201d, conta a fundadora do projeto, Su\u00e9li Feio.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro banco que nos ajudou foi o G10 Bank, com os R$ 15 mil que nos emprestou. Isso possibilitou a gente comprar m\u00e1quinas para ampliar o nosso neg\u00f3cio\u201d, diz a empreendedora que tinha dificuldades de captar cr\u00e9dito em bancos tradicionais. \u201cTinha o CNPJ, mas a estrutura era muito informal. A gente n\u00e3o tinha o contador, o banco pedia balan\u00e7o, pedia v\u00e1rias coisas. Pedia faturamento, pedia comprovante de endere\u00e7o\u201d, relata.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio tem, atualmente, 15 funcion\u00e1rios fixos, al\u00e9m de outros que s\u00e3o acionados por demanda. A rela\u00e7\u00e3o com o G10 facilita, segundo Su\u00e9li, vai at\u00e9 o fechamento de neg\u00f3cios. \u201cUma grande empresa queria contratar a gente. E eles queriam documento para comprova\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria\u201d, conta a empreendedora. \u201cO banco n\u00e3o me deu, levou meses para me dar o documento, porque n\u00e3o era um documento que o banco estava acostumado\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Esse tipo de situa\u00e7\u00e3o \u00e9, segundo Su\u00e9li, facilmente contornada com o apoio da institui\u00e7\u00e3o voltada a atender o p\u00fablico da favela. \u201cNo G10 Bank \u00e9 diferente. Ele sabe que eu n\u00e3o estou mentindo, que eu n\u00e3o vou forjar o documento. Porque ele me conhece, porque os funcion\u00e1rios conhecem. Ele est\u00e1 muito perto da gente. Essas coisas facilitam muito\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O G10 Bank, institui\u00e7\u00e3o financeira criada em Parais\u00f3polis, favela da zona sul paulistana, vai abrir ag\u00eancias f\u00edsicas em quatro estados. A primeira come\u00e7ou a funcionar m\u00eas passado dentro da comunidade onde o projeto foi iniciado. 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