{"id":324943,"date":"2024-03-19T00:45:21","date_gmt":"2024-03-19T03:45:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=324943"},"modified":"2024-03-19T10:12:49","modified_gmt":"2024-03-19T13:12:49","slug":"utopia-ganha-cores-vivas-nas-letras-de-max-telesca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/utopia-ganha-cores-vivas-nas-letras-de-max-telesca\/","title":{"rendered":"Utopia ganha cores vivas nas letras de Max Telesca"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;(&#8230;) explorar um futuro alternativo para um pa\u00eds como o nosso&#8230; carente de princ\u00edpios \u00e9ticos e pol\u00edticos&#8221;. Jos\u00e9 Viegas Filho; &#8220;(&#8230;) a distopia de uma na\u00e7\u00e3o que tenta se encontrar e volta a se perder&#8221;. Luiz Ara\u00fajo; ele (o autor) reduz e transmite &#8220;(&#8230;) o pensamento ideol\u00f3gico a um pragmatismo puro, frio, c\u00ednico, onde qualquer discuss\u00e3o de natureza moral ir\u00e1 cair, inevitavelmente, no campo da ingenuidade&#8221;. Leandro Fortes; &#8220;(&#8230;) o destino de uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 atacado por uma peste espec\u00edfica e pelas pestes imanentes da humanidade&#8221;. Roberto Medina.<\/p>\n<p>Esses quatro coment\u00e1rios, com as devidas aspas, est\u00e3o na quarta capa de <em>2047 &#8211; A Revolu\u00e7\u00e3o dos Dementes<\/em>. O autor n\u00e3o \u00e9 sujeito oculto. \u00c9 Max Telesca, que me presenteou com um exemplar do seu romance dist\u00f3pico. Li a orelha assinada por Luiz Fernando Emediato. Depois, a dedicat\u00f3ria. O dia, 14 de junho de 2022. \u00c0 noite, comecei a folhear a obra, at\u00e9 que se me pesaram as p\u00e1lpebras. <em>Dois mil e quarenta e sete<\/em> virou livro de cabeceira, alternando a posi\u00e7\u00e3o de sob ou sobre o Alcor\u00e3o. Ia muito do estado de esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Aqui na Praia das Conchas, em Alagoas, onde resido h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, decidi-me a arrumar a estante com escassos livros. Todos uma raridade. Entre as rel\u00edquias, <em>2047<\/em>. Reli a dedicat\u00f3ria e os coment\u00e1rios descritos acima, palavras de verdadeiras sumidades quando o assunto \u00e9 (tamb\u00e9m) literatura. Afoito &#8211; coisa de rep\u00f3rter intempestivo &#8211; imaginei-me cr\u00edtico liter\u00e1rio. Mas, ponderei, quem sou eu para associar meu nome \u00e0quelas personalidades? Desliguei o Notebook e fui caminhar na praia, aproveitando a mar\u00e9 baixa.<\/p>\n<p>O livro de Max, por\u00e9m, n\u00e3o me sa\u00eda da cabe\u00e7a. E fui desenhando mentalmente um texto com as cores pin\u00e7adas por Telesca. \u00c9 minha homenagem a esse advogado, que tem um lado que me era desconhecido. Um romancista de m\u00e3o cheia, que brinca com personagens como brinquei, horas antes, com caranguejos e guaiamuns\u00a0que cruzavam \u00e0 minha frente, entre o mar e o mangue.<\/p>\n<p>No vasto horizonte da imagina\u00e7\u00e3o, entre os recantos mais inexplorados da mente humana, reside uma utopia peculiar e intrigante, habitada pelos dementes. N\u00e3o s\u00e3o, contudo, os dementes que o mundo rotula com um estigma de loucura, mas sim aqueles cujas mentes transcendem as barreiras da realidade e dan\u00e7am em harmonia com os devaneios mais selvagens e as ideias mais extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nessa descri\u00e7\u00e3o singular de Max, as fronteiras entre o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel se desfazem como (tomando emprestado de Raimundo Fagner)<em> espumas ao vento<\/em>. Em <em>2047<\/em> as \u00e1rvores s\u00e3o testemunhas silenciosas de conversas entre o Sol e a Lua, enquanto as estrelas tecem tape\u00e7arias de sonhos no C\u00e9u noturno. Os rios fluem com hist\u00f3rias antigas sussurradas pelas brisas, e as montanhas guardam segredos antigos entre suas fendas rochosas.<\/p>\n<p>Na utopia dos dementes, a loucura \u00e9 celebrada como uma forma de liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um lugar onde o absurdo \u00e9 a norma, e a sanidade \u00e9 vista como uma pris\u00e3o para a mente criativa. Justamente onde os loucos reinam supremos, construindo castelos de nuvens e pontes de arco-\u00edris para conectar as ilhas da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta terra distorcida pela mente, a realidade \u00e9 moldada conforme a vontade dos seus habitantes mais exc\u00eantricos. As leis da f\u00edsica s\u00e3o meras sugest\u00f5es, e o tempo dan\u00e7a ao ritmo de cora\u00e7\u00f5es desvairados. As flores cantam can\u00e7\u00f5es de amor que soam na brisa, e os p\u00e1ssaros pintam quadros com seus voos graciosos.<\/p>\n<p>No entanto, Max deixa isso claro, nem tudo s\u00e3o sonhos coloridos na utopia dos dementes. H\u00e1 sombras espreitando nos cantos mais obscuros da mente, prontas para transformar a fantasia em pesadelo. Os labirintos da loucura podem ser t\u00e3o perigosos quanto empolgantes. E \u00e9 f\u00e1cil perder-se nas paisagens tumultuadas onde circulam nossos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>Mas, apesar dos perigos, os dementes persistem em sua jornada rumo ao desconhecido. Eles abra\u00e7am a loucura como uma aliada, navegando pelas correntes turbulentas da criatividade com coragem e determina\u00e7\u00e3o. Pois, para eles, a utopia dos dementes \u00e9 mais do que um ref\u00fagio da realidade; \u00e9 um lar onde podem ser verdadeiramente livres para serem quem s\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 assim, como entendi, que a utopia dos dementes permanece como um tesouro oculto, conhecido apenas por aqueles corajosos o suficiente para explorar os recantos mais profundos da mente humana. \u00c9 um lugar onde a loucura e a genialidade se entrela\u00e7am em uma dan\u00e7a eterna, alimentando o fogo da criatividade e inspirando aqueles que se aventuram em seus dom\u00ednios desconhecidos.<\/p>\n<p>Max Telesca nos apresenta esse futuro. E olha que 2047, o ano, est\u00e1 logo ali.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;(&#8230;) explorar um futuro alternativo para um pa\u00eds como o nosso&#8230; carente de princ\u00edpios \u00e9ticos e pol\u00edticos&#8221;. Jos\u00e9 Viegas Filho; &#8220;(&#8230;) a distopia de uma na\u00e7\u00e3o que tenta se encontrar e volta a se perder&#8221;. 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