{"id":324973,"date":"2024-03-19T09:29:46","date_gmt":"2024-03-19T12:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=324973"},"modified":"2024-03-19T09:31:00","modified_gmt":"2024-03-19T12:31:00","slug":"briga-por-politico-alimenta-ego-de-quem-divide-o-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/briga-por-politico-alimenta-ego-de-quem-divide-o-povo\/","title":{"rendered":"Briga por pol\u00edtico alimenta ego de quem divide o povo"},"content":{"rendered":"<p>Tantas ele fez que o fim n\u00e3o pode ser outro. Se for, mudo meu nome para Cesarina, a czarina dos hebreus, ou para Jos\u00e9 de Ribamar, o rei dos hunos maranhenses. N\u00e3o foi preso pelo general, mas ser\u00e1 por Xand\u00e3o, o xerif\u00e3o dos perigotes patri\u00f3ticos. Para qualquer ser humano, a pris\u00e3o deve ser a \u00faltima possibilidade. Por isso, passei um bom tempo dos \u00faltimos cinco anos torcendo pela recupera\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o que passou pelo menos quatro anos e meio mentindo para o povo e articulando um golpe, cujo desfecho certamente seria o desaparecimento e a morte de dezenas, centenas, talvez milhares de esparros \u00fateis e de inocentes. Tudo em nome de um poder que sabidamente \u00e9 ef\u00eamero.<\/p>\n<p>Foi assim de 1964 at\u00e9 o fim dos anos 70, quando os ditadores da \u00e9poca iniciaram o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o. Passamos longo per\u00edodo de perrengues inimagin\u00e1veis para a maioria dos que hoje defendem o arb\u00edtrio. Depois de 39 anos de experimentos democr\u00e1ticos mais s\u00f3lidos, n\u00e3o seria a hora de redescobrirmos o Brasil? Sei que nem todos os brasileiros foram feitos uns para os outros. No entanto, tamb\u00e9m sei que morder a rapadura \u00e9 doce, mas n\u00e3o \u00e9 mole. Ou seja, tomar licor de merda deve ser bastante desagrad\u00e1vel, mas se ele fizer bem ao c\u00e9rebro n\u00e3o h\u00e1 mal algum que o tomemos. Quem sabe em doses homeop\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Independentemente do credo, da ra\u00e7a, do partido e da camisa do clube pelo qual se torce, o segredo da boa conviv\u00eancia \u00e9 conviver sem segredos. Voc\u00ea pode n\u00e3o gostar de mim, mas sua filha tem todo o direito de me amar. \u00c9 de bom alvitre que a rec\u00edproca seja verdadeira. Vale lembrar que ser pac\u00edfico \u00e9 muito diferente de ser submisso. \u00c0s vezes, tenho lampejos de ojeriza contra os \u201cpatriotas\u201d. Todavia, n\u00e3o posso negar que, apesar dos exageros, patriotas e nacionalistas extremados s\u00e3o t\u00e3o brasileiros como eu que prefiro a boa conviv\u00eancia com altos n\u00edveis de toler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Obviamente que a dist\u00e2ncia entre o namoro e o casamento \u00e9 parcimoniosamente grande. Tudo depende da forma como encaramos o sentido da vida em comum. Antes do flerte, existe o conhecimento, sem o qual n\u00e3o h\u00e1 hip\u00f3tese de relacionamentos mais arraigados. Se h\u00e1 dificuldade para uma maior aproxima\u00e7\u00e3o, pelo menos deixemos aflorar a admira\u00e7\u00e3o e o respeito, pressupostos b\u00e1sicos de qualquer rela\u00e7\u00e3o. Podemos n\u00e3o concordar com as an\u00e1lises sobre o pol\u00edtico ou o clube de nossa prefer\u00eancia. O que n\u00e3o pode ocorrer \u00e9 algu\u00e9m se utilizar de avalia\u00e7\u00f5es intempestivas e temporariamente rudes para nos transformar em pessoas com instintos animalescos indom\u00e1veis.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o minhas as palavras dos pensadores, para os quais pessoas brigando por causa de partidos ou de pol\u00edticos s\u00e3o como ovelhas discutindo se ir\u00e3o ser devoradas por um le\u00e3o ou por um tigre. Embora tenha rea\u00e7\u00f5es incondizentes com minha forma\u00e7\u00e3o, de minha parte procuro evitar conflitos com amigos por causa da pol\u00edtica partid\u00e1ria. Parto do pressuposto de que, ao contr\u00e1rio dos amigos, que duram para sempre, os pol\u00edticos passam como o vento. E somem na poeira. N\u00e3o nos iludamos e lembremos sempre que, eleito ou derrotado, os pol\u00edticos, incluindo presidentes de ontem e de hoje, vivem para dividir o povo em instrumentos e inimigos. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o passam de conspiradores que se unem.<\/p>\n<p>Mais uma vez recorro aos pensadores para afirmar que aquele que briga para defender pol\u00edticos tem a mesma inoc\u00eancia de um soldado que vai \u00e0 guerra. Ele n\u00e3o sabe, mas, no fim da batalha, acaba um her\u00f3i morto. Eu quero ser um covarde vivo. Por isso, luto para ter amigos e n\u00e3o cupinchas. Somos milh\u00f5es de \u00edndios. Entretanto, nos subordinamos a algumas dezenas de buanas, de caciques. Sintetizando a prosa, minhas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e democr\u00e1ticas s\u00e3o por demais conhecidas. Posso n\u00e3o concordar com nenhuma das palavras que voc\u00ea disser, mas defenderei at\u00e9 a morte o direito de voc\u00ea diz\u00ea-las. Portanto, a \u00fanica coisa que pe\u00e7o \u00e9 o respeito pregado por Voltaire. Que tal seguirmos o preceito de Plat\u00e3o: \u201cTente mover o mundo. O primeiro passo ser\u00e1 mover a si mesmo\u201d. Esse pode ser o maior segredo da boa conviv\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tantas ele fez que o fim n\u00e3o pode ser outro. Se for, mudo meu nome para Cesarina, a czarina dos hebreus, ou para Jos\u00e9 de Ribamar, o rei dos hunos maranhenses. N\u00e3o foi preso pelo general, mas ser\u00e1 por Xand\u00e3o, o xerif\u00e3o dos perigotes patri\u00f3ticos. Para qualquer ser humano, a pris\u00e3o deve ser a \u00faltima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":232641,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-324973","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324973"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":324976,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324973\/revisions\/324976"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/232641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}