{"id":325051,"date":"2024-03-20T00:00:54","date_gmt":"2024-03-20T03:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=325051"},"modified":"2024-03-20T06:00:32","modified_gmt":"2024-03-20T09:00:32","slug":"ensino-do-sexto-ao-nono-ano-exige-atencao-para-evitar-repetencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ensino-do-sexto-ao-nono-ano-exige-atencao-para-evitar-repetencia\/","title":{"rendered":"Ensino do sexto ao nono ano exige aten\u00e7\u00e3o para evitar repet\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Somente 52% dos estudantes brasileiros nascidos entre 2000 e 2005, que est\u00e3o, atualmente, com idade entre 19 e 24 anos, conseguiram concluir o ensino fundamental no tempo certo e 41% deles finalizaram o ensino m\u00e9dio no per\u00edodo adequado. O dado consta do levantamento in\u00e9dito \u201cIndicador de Regularidade de Trajet\u00f3rias Educacionais\u201d, da Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa. Ele evidencia que quase metade de crian\u00e7as e jovens que hoje est\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria n\u00e3o conclu\u00edram os estudos de forma regular, tendo enfrentado, ao longo do ciclo, intercorr\u00eancias como abandono, evas\u00e3o ou reprova\u00e7\u00e3o. O estudo foi realizado em parceria com os pesquisadores Chico Soares, Izabel Costa da Fonseca, Clarissa Guimar\u00e3es e Maria Teresa Gonzaga Alves.<\/p>\n<p>A superintendente do Ita\u00fa Social, Patricia Mota Guedes, explicou que o levantamento traz o retrato da trajet\u00f3ria escolar de crian\u00e7as e adolescentes nascidos entre 2000 e 2005 em um per\u00edodo longo, de 2007 a 2019. \u201cE traz exatamente um problema: somente metade dos estudantes brasileiros, nesse per\u00edodo, conclu\u00edram o ensino fundamental na idade certa e com trajet\u00f3ria regular, sem ter passado por repet\u00eancia, reprova\u00e7\u00e3o e abandono escolar\u201d. Isso significa que quase metade deles chegou ao nono ano do ensino fundamental com trajet\u00f3ria irregular.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Patricia Mota Guedes, o indicador expressa a gravidade do problema de trajet\u00f3rias, de como \u00e9 necess\u00e1rio monitorar mais e melhor a qualidade da perman\u00eancia das crian\u00e7as e adolescentes j\u00e1 no ensino fundamental. \u201cE mostra tamb\u00e9m um retrato das desigualdades, de como essa experi\u00eancia de repet\u00eancia, reprova\u00e7\u00e3o e abandono marca ainda mais determinados grupos sociais.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, a trajet\u00f3ria regular entre estudantes negros (pretos + pardos) \u00e9 cerca de 20% menor do que entre os brancos. Em rela\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas, esse percentual se situa em torno de 40%. Os dados mostram que estudantes brancos possuem um percentual de regularidade de 62%; pardos, 46%; pretos, 41%; e ind\u00edgenas, 23%.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas e programas<\/strong><br \/>\nO estudo mostra a urg\u00eancia de o Brasil come\u00e7ar a construir pol\u00edticas e programas mais voltados para a etapa do ensino fundamental, onde a repet\u00eancia, reprova\u00e7\u00e3o e abandono come\u00e7am a explodir. \u201cS\u00e3o os anos finais do fundamental, do sexto ao nono ano. O estudo refor\u00e7a a necessidade de a gente realmente come\u00e7ar a desenhar pol\u00edticas e programas historicamente, do sexto ao nono ano, o antigo gin\u00e1sio, o que a gente chama dos anos finais do fundamental. Porque s\u00e3o uma etapa esquecida pelas pol\u00edticas e programas federal, estaduais e municipais.\u201d<\/p>\n<p>A superintendente do Ita\u00fa Social argumentou essa \u00e9, por\u00e9m, uma etapa decisiva porque \u00e9 justamente onde tem o in\u00edcio da adolesc\u00eancia; em que as crian\u00e7as, aos 11, 12 anos, come\u00e7am a entrar em uma fase onde vivem muitas transforma\u00e7\u00f5es, muitas mudan\u00e7as f\u00edsicas, emocionais, at\u00e9 do ponto de vista social, da conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cE tudo isso muito misturado tamb\u00e9m porque, no Brasil, na maioria dos casos, quando a crian\u00e7a vai do quinto para o sexto ano, passa a ter mais professores, um curr\u00edculo mais complexo. Os professores s\u00e3o especialistas que tamb\u00e9m n\u00e3o recebem uma forma\u00e7\u00e3o de trabalhar com esses estudantes que est\u00e3o no come\u00e7o da adolesc\u00eancia e que transitam entre inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia\u201d, salientou Patricia. O mesmo acontece com as equipes gestoras escolares. Por isso, acentuou a import\u00e2ncia de se pensar em escolas que sejam mais voltadas para essas adolesc\u00eancias, com \u00eanfase no come\u00e7o dessa fase, do sexto ao nono ano do ensino fundamental.<\/p>\n<p>Patricia argumentou que parte dos problemas de repet\u00eancia, reprova\u00e7\u00e3o e abandono no ensino fundamental est\u00e1 enraizada na falta de um olhar espec\u00edfico, de programas e de suporte, para que essas escolas possam melhorar a qualidade da experi\u00eancia desses adolescentes. Reconheceu que aqueles que sobrevivem no sistema educacional continuam para o ensino m\u00e9dio, onde tamb\u00e9m h\u00e1 problemas de abandono e evas\u00e3o. O esfor\u00e7o do estudo foi no sentido de mapear que o problema grave j\u00e1 come\u00e7a em uma etapa que n\u00e3o tem sido olhada com a devida aten\u00e7\u00e3o, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Desigualdades<\/strong><br \/>\nA pesquisa confirma o que j\u00e1 se imaginava: que os grupos de ra\u00e7a, como os negros, est\u00e3o sempre em desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos brancos; as meninas, em geral, estudam mais que os meninos; e que h\u00e1 desigualdades regionais.<\/p>\n<p>Os estudantes com n\u00edvel socioecon\u00f4mico mais alto apresentam trajet\u00f3ria escolar bem melhor do que os mais vulner\u00e1veis. Enquanto 69% dos alunos do primeiro grupo apresentam trajet\u00f3rias regulares, s\u00f3 38% daqueles de escolas mais carentes conseguiram iniciar e finalizar o ensino fundamental na idade correta.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, a regularidade \u00e9 um desafio ainda maior para estudantes do sexo masculino que estudam em escolas de baixo n\u00edvel socioecon\u00f4mico, deficientes, negros e ind\u00edgenas. J\u00e1 para as meninas, a qualidade da perman\u00eancia nas escolas \u00e9 mais positiva. Por volta de 58% delas t\u00eam trajet\u00f3rias de nove anos regulares, contra 46% entre os meninos. A diferen\u00e7a por sexo \u00e9 acentuada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria de muita irregularidade. Cerca de 7% das meninas t\u00eam trajet\u00f3rias educacionais marcadas por muitas irregularidades, ao passo que esse percentual \u00e9 de 14% para os meninos.<\/p>\n<p>O estudo aponta que apenas 22% dos estudantes com defici\u00eancia t\u00eam trajet\u00f3ria regular, entre 2011 e 2019, contra 53% dos sem defici\u00eancia. Em torno de 56% deles apresentam percursos com muita irregularidade. A porcentagem de trajet\u00f3rias com irregularidades tamb\u00e9m se destaca: cerca de 64% dos alunos com defici\u00eancia concluem o ensino fundamental com intercorr\u00eancias e cerca de 14% evadem, enquanto para os sem defici\u00eancia 37% possuem trajet\u00f3rias irregulares e 10% s\u00e3o interrompidas.<\/p>\n<p><strong>Por regi\u00f5es<\/strong><br \/>\nPatricia Mota Guedes comentou que, em algumas regi\u00f5es, s\u00e3o percebidos esfor\u00e7os no sentido de reverter a cultura de reprova\u00e7\u00e3o, de repet\u00eancia, mas ainda se tem isso no Brasil. \u201cJ\u00e1 diminuiu muito; j\u00e1 foi muito maior. O que a gente precisa s\u00e3o indicadores que consigam monitorar a evolu\u00e7\u00e3o desses padr\u00f5es. Apesar das diferen\u00e7as regionais, quando se olha ao longo do tempo, v\u00ea-se uma estagna\u00e7\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o de estudantes que n\u00e3o conseguem ter uma trajet\u00f3ria regular.\u201d<\/p>\n<p>Ressaltou que \u00e9 importante entender as diferen\u00e7as regionais mas, tamb\u00e9m, entender que h\u00e1 uma estagna\u00e7\u00e3o, em parte porque n\u00e3o se teve experi\u00eancias mais significativas de pol\u00edticas e programas voltados para os anos finais do ensino fundamental, embora, agora, j\u00e1 se comece a ver, desde o ano passado para c\u00e1, mais discuss\u00e3o entre as redes municipais e redes estaduais, um maior interesse sobre o assunto da parte, inclusive, do governo federal, e algumas oportunidades, por exemplo, no campo da expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>Patricia analisou que se o pa\u00eds est\u00e1 caminhando para um processo de amplia\u00e7\u00e3o da jornada escolar e se esse esfor\u00e7o for voltado para desenvolver escolas atraentes para os adolescentes e que apoiem os professores, os gestores escolares, sobre como trabalhar, esse \u00e9 um ponto positivo. Defendeu que devem ser dadas condi\u00e7\u00f5es para que professores e gestores possam desenvolver trabalhos efetivos que acolham esses estudantes, com curr\u00edculos din\u00e2micos, diferentes articula\u00e7\u00f5es, inclusive fora da escola, espa\u00e7os de interesse, de arte, de cultura, de esporte na cidade, de projetos que mobilizem o protagonismo dos adolescentes.<\/p>\n<p>\u201cEsse aprendizado, o \u201cm\u00e3o na massa\u201d, que \u00e9 t\u00e3o importante na fase de in\u00edcio da adolesc\u00eancia; assim, a gente vai conseguir avan\u00e7ar\u201d. O segredo, segundo Patricia, \u00e9 olhar para o problema, mas n\u00e3o para ficar paralisado; e, sim, entender que \u00e9 preciso monitorar ao longo do tempo e come\u00e7ar a pensar em estrat\u00e9gias mais intencionais, para essa etapa do sexto ao nono ano, em que quest\u00f5es de repet\u00eancia, exclus\u00e3o e abandono se intensificam.<\/p>\n<p><strong>Dados<\/strong><br \/>\nOs munic\u00edpios do Norte, Nordeste e Sul retratam circunst\u00e2ncias distintas em rela\u00e7\u00e3o ao Sudeste. Na regi\u00e3o Sudeste, os munic\u00edpios paulistas apresentam uma m\u00e9dia de estudantes com trajet\u00f3rias regulares de 62%. J\u00e1 em Minas Gerais, a m\u00e9dia \u00e9 66% em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de estudantes com trajet\u00f3rias regulares, superior \u00e0 m\u00e9dia do Brasil.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Sul, o estado do Paran\u00e1 possui as maiores propor\u00e7\u00f5es de trajet\u00f3rias regulares, acima de 70%, e o Rio Grande do Sul, na extens\u00e3o sulgrandense (tamb\u00e9m conhecida como Serras de Sudeste), evidencia m\u00e9dia de 40% de trajet\u00f3rias educacionais regulares.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o Centro-Oeste, observam-se \u00e1reas com m\u00e9dias mais altas de estudantes com trajet\u00f3rias regulares, especialmente no Distrito Federal (57%) e no Mato Grosso (70%). Na regi\u00e3o Nordeste, o Cear\u00e1 se destaca como o estado com os melhores resultados na regularidade do percurso educacional, com 65% de m\u00e9dia. Na regi\u00e3o Norte, grande parte das cidades apresenta m\u00e9dia de trajet\u00f3ria regular abaixo de 40% na jornada de nove anos. O Par\u00e1, por exemplo, tem 81% dos seus 144 munic\u00edpios com um percentual abaixo de 40%.<\/p>\n<p><strong>Proposta<\/strong><br \/>\nA proposta da Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa com esse levantamento \u00e9 que o indicador possa ser utilizado com frequ\u00eancia. Patricia destacou que a pesquisa se baseia no Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), do governo federal.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem condi\u00e7\u00f5es, enquanto pa\u00eds, de monitorar a evolu\u00e7\u00e3o desses dados. E, tamb\u00e9m, porque ele traz um retrato que, muitas vezes, somente o \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) n\u00e3o consegue dar. Esse \u00edndice traz desempenho de l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica e fluxo escolar de dois em dois anos. Mas \u00e9 uma fotografia no final do ciclo e n\u00e3o acompanha a trajet\u00f3ria. Da\u00ed, muitos adolescentes ficam para tr\u00e1s e o desafio que eles vivem sequer \u00e9 ilustrado na fotografia do Ideb. Eles n\u00e3o aparecem. O acompanhamento da trajet\u00f3ria \u00e9 muito importante\u201d, assegurou a superintendente do Ita\u00fa Social.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa, os dados levantados pelo \u201cIndicador de Regularidade de Trajet\u00f3rias Educacionais\u201d podem ser utilizados para incentivar tamb\u00e9m o debate sobre o novo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o do dec\u00eanio 2024-2034.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somente 52% dos estudantes brasileiros nascidos entre 2000 e 2005, que est\u00e3o, atualmente, com idade entre 19 e 24 anos, conseguiram concluir o ensino fundamental no tempo certo e 41% deles finalizaram o ensino m\u00e9dio no per\u00edodo adequado. 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