{"id":325290,"date":"2024-03-24T07:43:31","date_gmt":"2024-03-24T10:43:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=325290"},"modified":"2024-03-24T07:43:31","modified_gmt":"2024-03-24T10:43:31","slug":"luciano-flagrado-com-velha-labia-em-cima-de-gatinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/luciano-flagrado-com-velha-labia-em-cima-de-gatinha\/","title":{"rendered":"Luciano flagrado com velha l\u00e1bia em cima de gatinha"},"content":{"rendered":"<p>Luciano, filho \u00fanico da dona Eul\u00e1lia, era tratado como pr\u00edncipe desde os mais remotos desejos bem ali no Pituba, um dos nobres bairros de Salvador. N\u00e3o devemos, aqui, culpar a genitora, que, talvez por conta de miopia mal diagnosticada, desde sempre considerou o rebento a s\u00e9tima maravilha do mundo. S\u00e9tima? Que nada! Era a primeira e todas as demais juntas naqueles cabelos loiros, que cismavam em cair sobre os olhos mais azuis do que o mais azul dos mares. Isso em dia de sol de domingo. Devaneio ou n\u00e3o, era o modo maternal de olhar a cria.<\/p>\n<p>Assim que entrou na creche, todos ficaram maravilhados com tamanha beleza. E foi justamente nesse tempo que o moleque come\u00e7ou a jogar a cabe\u00e7a para o lado, o que fazia seus cachos dourados bailarem como ondas sobre a testa. Para completar o quadro, aquele sorriso banguela fazia at\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da durona Gertrudes, a diretora, se derreter. Que charme!<\/p>\n<p>Da creche pra escola foi um pulo. Dona Eul\u00e1lia, talvez ainda necessitada de \u00f3culos, s\u00f3 conseguia enxergar &#8220;A&#8221; no boletim do seu garoto, apesar da nota mais alta n\u00e3o passar de um &#8220;C&#8221; em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Quem sabe aquele n\u00e3o fosse o pren\u00fancio de que Luciano chegasse a ser um futuro medalhista ol\u00edmpico? Vai que&#8230; Na verdade, essa nunca havia sido a praia do agora adolescente.<\/p>\n<p>Por falar em praia, eis que o bonit\u00e3o adorava pegar sua prancha e correr para o mar. S\u00f3 que, mal molhava os p\u00e9s nas marolas, tratava logo de enfincar a prancha na areia para lhe fazer de apoio, enquanto ficava sentado observando as gatinhas que passavam. Jogava sua rede e, no final do dia, sempre havia uma garota ou outra que ca\u00eda na l\u00e1bia do gal\u00e3 do bairro.<\/p>\n<p>N\u00e3o tardou, Luciano ganhou um carro de presente. Havia passado no vestibular e a ocasi\u00e3o merecia. Al\u00e9m de col\u00edrio dos olhos, agora tamb\u00e9m estava provado que era um g\u00eanio. Nem Einstein podia com o filho da dona Eul\u00e1lia. Ah, n\u00e3o mesmo!<\/p>\n<p>O rapaz, apesar de quase jubilado, caso n\u00e3o fossem as s\u00faplicas da m\u00e3e junto ao reitor da universidade, conseguiu se formar. Agora, nada de cham\u00e1-lo de Luciano. Era doutor Luciano, sim, senhor!<\/p>\n<p>Dona Eul\u00e1lia conseguiu um emprego pro filho no escrit\u00f3rio de um conhecido, que lhe devia um favor h\u00e1 tempos. E l\u00e1 foi o agora advogado trabalhar e ganhar seu primeiro milh\u00e3o, que, na verdade, ainda n\u00e3o aconteceu. Mas deixemos essas besteiras de lado. Afinal, dinheiro n\u00e3o traz felicidade.<\/p>\n<p>Pois foi numa sexta-feira que aconteceu algo que mudaria para sempre o destino do novo advogado. Depois de mais uma semana repleta de trabalho, l\u00e1 foi o homem dar uma volta pela cidade no seu novo autom\u00f3vel. Uma belezura, por assim dizer.<\/p>\n<p>Estacionou rente \u00e0 cal\u00e7ada e, n\u00e3o tardou, pulou fora e fez o ve\u00edculo de prancha de surf. Escorou-se na lataria e come\u00e7ou a paquerar as donzelas que passeavam. Uma delas, justamente a Mariana, acabou achando gra\u00e7a daquele sujeito de terno dois n\u00fameros acima, talvez para esconder a pr\u00f3pria magreza. Aproximou-se com o sorriso de mulher faceira.<\/p>\n<p>Conversa vai, conversa vem, Luciano, agora homem feito, acabou se engra\u00e7ando para o lado da Mariana, mo\u00e7a mais s\u00e1bia que a maioria. Fisgou o rapaz de um jeito, que n\u00e3o havia quem o tirasse do anzol. Nem dona Eul\u00e1lia conseguiu abrir os olhos apaixonados do pupilo.<\/p>\n<p>O cas\u00f3rio precisou acontecer o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, para evitar falat\u00f3rio da vizinhan\u00e7a. Que bom que tudo correu da melhor maneira. Mariana, barriguinha ainda chapada, conseguiu controlar o enjoo por conta do perfume de uva usado pelo padre. Casou pura que nem o vestido mais alvo que talco.<\/p>\n<p>Juninho nasceu seis meses ap\u00f3s. Prematuro, insistiam em propagar os familiares, mesmo que nenhum sequer fosse afeito a fazer contas. O bom \u00e9 que o herdeiro nasceu parrudo e cheio de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Com mais uma boca para alimentar, Luciano precisou fazer ser\u00f5es no escrit\u00f3rio. Se acontecesse de algum cliente acabar preso, por embriaguez ao volante que fosse, l\u00e1 corria o gajo para a delegacia para solt\u00e1-lo. E as coisas foram assim at\u00e9 que, no final de seis meses, o advogado estava estressado e, segundo as pr\u00f3prias palavras, todas ditas em profundo sil\u00eancio para que ningu\u00e9m pudesse ouvi-las, precisava relaxar.<\/p>\n<p>O homem pegou seu ve\u00edculo e rodou por boa parte da cidade. Acabou estacionando rente \u00e0 mesma cal\u00e7ada de tempos atr\u00e1s. Recostou-se na lataria do ve\u00edculo e come\u00e7ou a olhar as mulheres que passavam. Uma mais charmosa que a outra, at\u00e9 que Luciano se rendeu \u00e0 fraqueza da carne.<\/p>\n<p>L\u00e1 estava o filho da dona Eul\u00e1lia de papo com uma garota de l\u00e1 seus 20 anos. Sorrisos daqui, sorrisos dali e at\u00e9 sorrisos de acol\u00e1. Tudo parecia correr \u00e0s mil maravilhas, caso n\u00e3o acontecesse o que, pasmem, aconteceu.<\/p>\n<p>Da cal\u00e7ada do outro lado da rua, l\u00e1 estava a Mariana empurrando o carrinho de beb\u00ea, quando avistou o marido, todo sorriso, com uma sirigaita. Ah, pra qu\u00ea? Tratou logo de atravessar a rua e, diante do pobre homem, cujos cachos dourados haviam desparecido por conta de uma calv\u00edcie precoce, soltou essa: &#8220;Sempre com essa mesma conversinha de para-lama, n\u00e9, Luciano?!&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciano, filho \u00fanico da dona Eul\u00e1lia, era tratado como pr\u00edncipe desde os mais remotos desejos bem ali no Pituba, um dos nobres bairros de Salvador. N\u00e3o devemos, aqui, culpar a genitora, que, talvez por conta de miopia mal diagnosticada, desde sempre considerou o rebento a s\u00e9tima maravilha do mundo. S\u00e9tima? Que nada! 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