{"id":325660,"date":"2024-03-31T00:55:15","date_gmt":"2024-03-31T03:55:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=325660"},"modified":"2024-03-31T03:46:48","modified_gmt":"2024-03-31T06:46:48","slug":"abre-os-olhos-lula-remoer-passado-e-preservar-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/abre-os-olhos-lula-remoer-passado-e-preservar-futuro\/","title":{"rendered":"Abre os olhos, Lula; remoer passado \u00e9 preservar futuro"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dez anos, a presidente Dilma Rousseff preparou uma s\u00e9rie de eventos para relembrar os 50 anos do golpe militar. A mem\u00f3ria, para ela, v\u00edtima de tortura, al\u00e9m de assunto de estado, era tamb\u00e9m uma quest\u00e3o pessoal. \u201cLembrar e contar faz parte desse processo que iniciamos, de luta do povo, pela volta da liberdade, pela anistia, Constituinte, diretas, inclus\u00e3o social, Comiss\u00e3o da Verdade\u201d, ela declarou em 2014.<\/p>\n<p>Seu governo havia instaurado em 2011 a Comiss\u00e3o da Verdade, criada para investigar os crimes cometidos por agentes do estado durante a Ditadura Militar. Em outras palavras: Rousseff, ela mesma perseguida e torturada, resolveu fazer o trabalho que foi varrido para debaixo do tapete com o processo pacificador da anistia.<\/p>\n<p>Remoer esse passado incomodou muita gente. Principalmente os militares \u2013 que, depois, ascenderiam ao poder com Michel Temer ap\u00f3s o golpe que destituiu a presidente, e se consolidariam com Bolsonaro no roteiro que voc\u00ea j\u00e1 deve conhecer muito bem.<\/p>\n<p>Lula, neste governo, chegou com a promessa de defender incondicionalmente os direitos humanos e defender a democracia. No ano passado, o ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a Fl\u00e1vio Dino prometeu inaugurar um museu em homenagem \u00e0s v\u00edtimas da ditadura.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s devemos ao Brasil e vamos pagar essa d\u00edvida com a cria\u00e7\u00e3o de um Museu da Mem\u00f3ria e dos Direitos Humanos\u201d, disse Dino em setembro de 2023, durante uma visita ao Chile, em um evento em mem\u00f3ria aos 50 anos do golpe contra Salvador Allende.<\/p>\n<p>O Museu da Mem\u00f3ria brasileiro, inspirado na iniciativa chilena, ficaria em Bras\u00edlia. Seria coordenado pelo Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, sob Silvio Almeida. A inaugura\u00e7\u00e3o aconteceria neste ano.<\/p>\n<p>Mas Lula desistiu. Neste m\u00eas de mar\u00e7o, mandou cancelar qualquer evento em alus\u00e3o ao ato. Disse que o golpe de 1964 \u201cfaz parte do passado\u201d e quer \u201ctocar o pa\u00eds para frente\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos n\u00e3o se pronunciou, mas tudo indica que foi pego de surpresa. A pasta de Silvio Almeida tinha planejado um evento em Bras\u00edlia e uma exposi\u00e7\u00e3o. O minist\u00e9rio tinha at\u00e9 slogan: \u201c60 anos do golpe 1964-2024 \u2013 sem mem\u00f3ria n\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d, revelou uma reportagem da Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>Mas o governo optou pelo esquecimento. At\u00e9 fevereiro, Nilm\u00e1rio Miranda, assessor especial de Defesa da Democracia, Mem\u00f3ria e Verdade do minist\u00e9rio, deixava claro: 2024 seria o ano de \u201ccontar a verdade sobre os 60 anos do golpe militar\u201d.<\/p>\n<p>Mas, logo depois de quase sofrer um golpe \u2013 que, ao que tudo indica, teve participa\u00e7\u00e3o de militares do alto escal\u00e3o \u2013 o governo que prometia honrar a mem\u00f3ria preferiu se curvar. Defensores de Lula tiveram a coragem de dizer que h\u00e1 necessidade de pacificar as rela\u00e7\u00f5es com as for\u00e7as armadas. Lula n\u00e3o peitou os militares antes, e continua seguindo o mesmo tom conciliat\u00f3rio. A verdade \u00e9 que os militares sempre se meteram na pol\u00edtica, onde e quando quiseram.<\/p>\n<p>\u201cSe tem um mal que at\u00e9 hoje morde duramente nossos calcanhares, mal que nos lasca simb\u00f3lica e literalmente como sociedade, \u00e9 nosso antigo gosto por reconciliar o irreconcili\u00e1vel\u201d, escreveu nossa colunista Fabiana Moraes no come\u00e7o do ano passado, quando ela tra\u00e7ou o caminho: foi essa anistia \u00e0 barb\u00e1rie que nos levou ao terrorismo em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Ditadura Militar est\u00e1 a\u00ed. E n\u00f3s publicamos muito sobre ela. Leia o relato da jornalista Tatiana Merlino sobre seu tio, assassinado por Brilhante Ustra. Ou a entrevista dela com Eug\u00eania Gonzaga, ex-presidente da Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos. Veja nossas reportagens premiadas sobre o aparato de espionagem da Fiat e sobre a legi\u00e3o de filhos sem pais de Itaipu durante a obra que foi cart\u00e3o de visitas da ditadura.<\/p>\n<p>A imprensa tradicional, que hoje gosta de posar como defensora incondicional da democracia, apoiou e validou a ditadura. O Brasil atual \u00e9 explicado pelo regime militar: e a hist\u00f3ria, se mal resolvida, volta a se repetir em loop, enquanto n\u00e3o encararmos esse espelho.<\/p>\n<p>Sabemos o que aconteceu quando Dilma Rousseff tentou remoer esse passado. Mas n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o esquecemos. Sem mem\u00f3ria, n\u00e3o h\u00e1 futuro, como disse a pr\u00f3pria mensagem sufocada dentro do governo. Que pena. Era um bom slogan.<\/p>\n<p><strong>*Editora S\u00eanior do Intercept Brasil<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dez anos, a presidente Dilma Rousseff preparou uma s\u00e9rie de eventos para relembrar os 50 anos do golpe militar. 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