{"id":325783,"date":"2024-04-01T00:01:11","date_gmt":"2024-04-01T03:01:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=325783"},"modified":"2024-04-01T08:06:47","modified_gmt":"2024-04-01T11:06:47","slug":"caminhada-lembra-golpe-militar-e-homenageia-as-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/caminhada-lembra-golpe-militar-e-homenageia-as-vitimas\/","title":{"rendered":"Caminhada lembra golpe militar e homenageia as v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<p>Uma caminhada em S\u00e3o Paulo lembrou os 60 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. Chamada de Caminhada do Sil\u00eancio pelas V\u00edtimas de Viol\u00eancia do Estado, o ato teve in\u00edcio na antiga sede do Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (DOI-Codi), na Rua Tut\u00f3ia, na Vila Mariana.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um ato que relembra os 60 anos da malfadada ditadura. Estamos em frente a um dos mais importantes centros de repress\u00e3o da ditadura militar brasileira que \u00e9 a antiga sede do DOI-Codi, onde as For\u00e7as Armadas, associada \u00e0 sociedade civil de S\u00e3o Paulo, torturaram milhares de pessoas no fundo desse pr\u00e9dio e onde dezenas de companheiros e companheiras foram assassinados\u201d, disse Henrique Olita, membro do Diret\u00f3rio Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT).<\/p>\n<p>Foi nesse lugar que o ex-deputado estadual e presidente da Comiss\u00e3o da Verdade da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, Adriano Diogo, ficou preso por 90 dias durante a ditadura militar. \u201cFiquei 90 dias aqui. Fiquei 90 dias em uma cela solit\u00e1ria bebendo \u00e1gua de boi\u201d, relembrou ele hoje, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. \u201cAqui \u00e9 uma casa de morte\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi no DOI-Codi que Maria Am\u00e9lia de Almeida Teles, a Amelinha, foi presa, torturada e estuprada. \u201cFui presa pol\u00edtica aqui no DOI-Codi entre 1972 e 1973. Aqui fui torturada e estuprada. Minha fam\u00edlia toda foi sequestrada e trazida aqui para o DOI-Codi. Minha filha, Jana\u00edna, tinha cinco anos de idade [na \u00e9poca] e meu filho tinha quatro anos.<\/p>\n<p>Os 60 anos do golpe militar de 1964 n\u00e3o tem como serem esquecidos. Esse \u00e9 um passado que est\u00e1 muito presente ainda. S\u00e3o feridas que n\u00e3o cicatrizaram e que continuam sangrando nos dias de hoje. O Brasil continua amea\u00e7ado de golpes e de viol\u00eancia do Estado\u201d, disse ela. \u201cAs novas gera\u00e7\u00f5es precisam conhecer isso para se fortalecer e para investir mais na constru\u00e7\u00e3o da democracia brasileira\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><br \/>\nNesta quarta edi\u00e7\u00e3o da caminhada, os manifestantes refor\u00e7aram a necessidade da mem\u00f3ria, adotando como tema a frase: \u201cPara que N\u00e3o se Esque\u00e7a, Para que N\u00e3o Continue Acontecendo\u201d. E lembraram que as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas seguem sofrendo com a viol\u00eancia policial, mesmo nos dias atuais.<\/p>\n<p>\u201cTemos um passivo que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o de mem\u00f3ria ou de reverenciar aquelas pessoas que deram o melhor da sua vida pela luta da liberdade do Brasil e dos direitos do povo. A ditadura militar deixou uma s\u00e9rie de passivos [no pa\u00eds]. Mesmo com o remendo de Constituinte de 1988, a estrutura de repress\u00e3o no Brasil n\u00e3o se alterou. Temos uma Pol\u00edcia Militar &#8211; que deveria ser uma Pol\u00edcia Civil &#8211; totalmente militarizada e que tem feito o que estamos assistindo hoje, como essa opera\u00e7\u00e3o policial no litoral de S\u00e3o Paulo [Opera\u00e7\u00f5es Ver\u00e3o e Escudo] onde mais de 50 pessoas foram assassinadas. Essa \u00e9 a maior chacina da pol\u00edcia depois do caso do Carandiru. Isso \u00e9 absurdo. Esse \u00e9 um dos passivos da ditadura, que temos que superar\u201d, disse Olita.<\/p>\n<p>Participaram do ato deste domingo na capital paulista personalidades como o ex-deputado Jos\u00e9 Geno\u00edno, o deputado estadual Eduardo Suplicy e a deputada federal Luiza Erundina.<\/p>\n<p>\u201cO 8 de janeiro de 2023 tem a ver com 2016 [impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff], que foi um golpe. E esses dois [eventos] t\u00eam a ver com 1964 porque a transi\u00e7\u00e3o da ditadura para a democracia se deu num pacto pelo alto, num pacto das elites que n\u00e3o mexeu com as estruturas de poder. Eu estava na Constituinte (de 1988) e vivi isso\u201d, disse Geno\u00edno.<\/p>\n<p>Para Erundina, lembrar os 60 anos do golpe \u00e9 importante para que a popula\u00e7\u00e3o \u201cnunca se esque\u00e7a daquilo que brasileiros e brasileiras passaram\u201d.Segundo ela, o Brasil ainda n\u00e3o reparou e nem fez justi\u00e7a sobre o que aconteceu nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos esquecer [o que aconteceu]. Vamos continuar cobrando, exigindo e levando \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a realidade sobre aquele tempo para que eles tamb\u00e9m nos ajudem a continuar essa luta. N\u00e3o podemos permitir que os crimes da ditadura fiquem impunes, como os desaparecimentos for\u00e7ados de mais de 4 mil brasileiros. Enquanto isso n\u00e3o for passado a limpo, a ditadura n\u00e3o acaba. Temos que continuar lutando por essa causa e n\u00e3o admitir que isso seja esquecido porque o esquecimento pode levar a riscos de outras ditaduras\u201d.<\/p>\n<p>A caminhada teve como destino o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos, no Parque Ibirapuera.<\/p>\n<p><strong>DOI-Codi<\/strong><br \/>\nO DOI-Codi foi uma ag\u00eancia de repress\u00e3o pol\u00edtica subordinada ao Ex\u00e9rcito. Neste local, os inimigos da ditadura foram encarcerados, torturados e mortos. Estima-se que por ali passaram mais de 7 mil presos pol\u00edticos, quase todos torturados. Desses, pelo menos 50 deixaram o local j\u00e1 sem vida.<\/p>\n<p>Atualmente, neste endere\u00e7o funciona o 36\u00b0 Distrito Policial, da Pol\u00edcia Civil. \u00c9 neste lugar tamb\u00e9m que ultimamente tem sido realizada uma pesquisa arqueol\u00f3gica para aprofundar os conhecimentos sobre o pr\u00e9dio e tamb\u00e9m identificar as pessoas que passaram pelo local. H\u00e1 tamb\u00e9m uma proposta de ressignificar esse espa\u00e7o, transformando-o no Memorial da Luta pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAqui foram assassinadas, pelo Ustra [comandante do Ex\u00e9rcito, Carlos Alberto Brilhante Ustra], mais de 50 militantes pol\u00edticos\u201d, falou Amelinha. \u201cAqui precisa ser um centro de mem\u00f3ria e de defesa dos direitos humanos. A mem\u00f3ria e o direito \u00e0 verdade s\u00e3o direitos humanos. Aqui tem que ter um museu, um memorial e cursos de direitos humanos. Essa delegacia n\u00e3o deveria mais existir aqui porque essas paredes est\u00e3o manchadas de sangue dos nossos companheiros\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma caminhada em S\u00e3o Paulo lembrou os 60 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no Brasil. 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