{"id":326052,"date":"2024-04-05T10:42:56","date_gmt":"2024-04-05T13:42:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=326052"},"modified":"2024-04-05T10:42:56","modified_gmt":"2024-04-05T13:42:56","slug":"marcelo-milionario-ganha-antena-como-um-televisor-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marcelo-milionario-ganha-antena-como-um-televisor-antigo\/","title":{"rendered":"Marcelo, milion\u00e1rio, ganha antena como um televisor antigo"},"content":{"rendered":"<p>Marcelo, primog\u00eanito dos Albuquerque, tradicional fam\u00edlia de Recife, era todo orgulhoso por suas origens, cujos ramos dos quatros av\u00f4s se entremeavam com a nobreza desde os tempos mais remotos. Leg\u00edtimo herdeiro de quatro costados, fazia quest\u00e3o de espalhar sua linhagem. Haja pureza!<\/p>\n<p>Aos 30, j\u00e1 era o segundo no comando da secular empresa da fam\u00edlia, atr\u00e1s apenas do pai, que havia sucedido o av\u00f4, que havia feito o mesmo com o bisav\u00f4. Tamanho m\u00e9rito, ali\u00e1s, certamente era por conta de qualidades que jamais poderiam ser encontradas em reles mortal. Ah, n\u00e3o mesmo! Precisava ter pedigree! E ningu\u00e9m duvidava de que o gajo possu\u00eda requisito dos mais desejados.<\/p>\n<p>O homem, que nunca olhava para baixo, talvez nem soubesse onde pisava ou quem ficasse sob as solas de sapatos t\u00e3o finos. Que importa? Na certa, ningu\u00e9m merecedor de aten\u00e7\u00e3o. E Marcelo seguia firmemente o caminho para conquistar o mundo, que, afinal, era seu por direito. Quatro costados, para quem tivesse alguma d\u00favida.<\/p>\n<p>Com menos de dois meses na vice-presid\u00eancia da firma, Marcelo decidiu comprar uma luxuosa cobertura em frente \u00e0 praia. N\u00e3o que ele gostasse de tomar banho de mar. O caso n\u00e3o era esse, pois at\u00e9 o aroma da maresia o deixava enjoado. Preferia o isolamento em sua ampla piscina bem l\u00e1 sobre a cabe\u00e7a da ral\u00e9. Quanto mais longe, melhor!<\/p>\n<p>Aproveitando a negocia\u00e7\u00e3o do apartamento, tratou logo de comprar um iate. Comprou e mandou que fosse ancorado bem em frente \u00e0 ampla janela da sala. E que ficasse com todas as luzes acesas \u00e0 noite, pois fazia quest\u00e3o de apontar para os convidados em festas regadas a champanhe e caviar: &#8220;Comprei e ainda n\u00e3o usei. Mas \u00e9 sempre bom ter um para o caso de precisar. Demandas acontecem a todo instante, n\u00e3o \u00e9 mesmo?&#8221; E todos riam diante da presen\u00e7a de esp\u00edrito do anfitri\u00e3o.<\/p>\n<p>Perto de completar 35, Marcelo se casou com a doce L\u00eddia Ribeiro e Silva, de 23. Nem precisa falar que a mo\u00e7a era dos quatro costados. Herdeira at\u00e9 dizer chega! Haja tradi\u00e7\u00e3o nessa uni\u00e3o t\u00e3o comentada pela alta sociedade recifense.<\/p>\n<p>Os pombinhos viajaram para Paris, onde passaram a lua de mel dos sonhos da estirpe que lhes era pr\u00f3pria. Voltaram para Recife, onde se instalaram na ampla cobertura, cuja vista da sala ainda dava para ver aquela belezura de iate, que continuava intoc\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase dois anos de cas\u00f3rio, parece que Marcelo andava muito ocupado com coisas da empresa. Reuni\u00f5es infinitas, inclusive noite adentro. Pobre L\u00eddia, que j\u00e1 n\u00e3o sabia mais o que comprar. Joias, roupas, at\u00e9 um convers\u00edvel novo. Nada era suficiente para aplacar tamanha solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Pertencentes \u00e0 mesma casta, o jovem casal parecia viver em mundos diferentes. Por conta disso, vale aqui uma fofoca, que n\u00e3o se sabe se \u00e9 de todo verdadeira, mas que j\u00e1 corre \u00e0 boca pequena na ral\u00e9. Pois bem, dizem que a L\u00eddia, curiosa para conhecer o tal iate, foi at\u00e9 l\u00e1 com uma amiga, a Ana L\u00facia, que, al\u00e9m dos quatro costados, \u00e9 afeita a navega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi numa manh\u00e3, assim que Marcelo saiu para trabalhar, a mulher encontrou a tal amiga, que a levou em uma lancha at\u00e9 o iate. Embarca\u00e7\u00f5es emparelhadas, as duas foram ajudadas por um marinheiro, que fazia a manuten\u00e7\u00e3o do luxuoso barco. Homem rude, pele bronzeada, sem camisa por conta da visita inesperada.<\/p>\n<p>As amigas, ap\u00f3s passarem quase uma hora conhecendo o iate, retornaram. Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o acaba por a\u00ed, pois fofoca boa precisa ser inteira. Parece que a L\u00eddia sai todas as noites e diz para o marido que vai visitar a Ana L\u00facia. Na verdade, ela n\u00e3o mente para o marido, pois vai mesmo se encontrar com a amiga. No entanto, esta transporta a esposa do Marcelo at\u00e9 o iate. Em seguida, se afasta com a lancha e aguarda a amiga por uma hora ou mais, at\u00e9 receber o sinal para ir busc\u00e1-la.<\/p>\n<p>Essa rotina, segundo se fala, j\u00e1 acontece h\u00e1 quase dois meses. E, n\u00e3o raro, \u00e9 poss\u00edvel ver o Marcelo, na janela da sala da ampla cobertura, admirando o luxuoso iate, que continua com as luzes acesas para que toda Recife possa invej\u00e1-lo. Afinal, ter quatro costados n\u00e3o \u00e9 para qualquer um.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo, primog\u00eanito dos Albuquerque, tradicional fam\u00edlia de Recife, era todo orgulhoso por suas origens, cujos ramos dos quatros av\u00f4s se entremeavam com a nobreza desde os tempos mais remotos. Leg\u00edtimo herdeiro de quatro costados, fazia quest\u00e3o de espalhar sua linhagem. Haja pureza! 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