{"id":327520,"date":"2024-04-28T06:25:59","date_gmt":"2024-04-28T09:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=327520"},"modified":"2024-04-28T06:25:37","modified_gmt":"2024-04-28T09:25:37","slug":"brasil-veste-mantra-vira-lata-e-escorrega-para-chegar-ao-1o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-veste-mantra-vira-lata-e-escorrega-para-chegar-ao-1o-mundo\/","title":{"rendered":"Brasil veste mantra vira-lata e escorrega para chegar ao 1\u00ba Mundo"},"content":{"rendered":"<p>Dois s\u00e9culos e dois anos ap\u00f3s ter deixado de ser col\u00f4nia, o Brasil ainda prima pelo colonialismo. Faz parte do DNA do brasileiro o despotismo, o fanatismo por ideias e figuras banais, a bizarria, a divis\u00e3o, a polariza\u00e7\u00e3o, as diferen\u00e7as sociais e a necessidade de batizar coisas feias com nomes pomposos. \u00c9 a confirma\u00e7\u00e3o do nosso complexo de vira-latas, conforme teoria criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues para tentar explicar a dificuldade dos nacionais em fugir da cren\u00e7a inconsciente de que s\u00e3o uma &#8220;etnia&#8221; inferior a dos demais, particularmente a dos europeus. \u00c9 uma das heran\u00e7as malditas dos antigos colonizadores.<\/p>\n<p>Para os portugueses, o princ\u00edpio sempre foi muito claro: \u00e9 melhor dividir do que unir, somar ou trabalhar junto. Para a realeza portuguesa, n\u00f3s \u00e9ramos os burros de carga. Pensando assim, eles enriqueceram e, unidos, s\u00e3o hoje uma pot\u00eancia. A maioria de n\u00f3s continua puxando carro\u00e7a para fazer a elite feliz. E, ao que parece, tamb\u00e9m ficamos felizes quando ouvimos os poetas, os pol\u00edticos e os senhores feudais nos transformando em perfumaria. \u00c9 assim que eles fazem quando querem tapear o povo. E de Congresso em Congresso trabalhando para emparedar o Executivo e de presidente em presidente fingindo que governa, permanecemos como na\u00e7\u00e3o de quinta que pensa como uma de segunda, mas sabe que jamais chegar\u00e1 \u00e0 primeira.<\/p>\n<p>Tudo isso por somos a oitava economia do mundo e a maior da Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 o problema da casa em que todos mandam e ningu\u00e9m obedece. Algo com a Casa de M\u00e3e Joana. \u00c9 o Brasil das contradi\u00e7\u00f5es. O povo morre de fome o ano inteiro esperando o Natal, um desmoronamento ou uma enchente para receber donativos dos mais aquinhoados. \u00c0s vezes, nem s\u00e3o eles, mas os remediados que participam da coleta de alimentos, roupas e cal\u00e7ados para as v\u00edtimas contumazes da irreal distribui\u00e7\u00e3o de rendas. Enquanto isso, a elite enfadonha, med\u00edocre e passional se diverte rebatizando com eufemismos o que lhes incomoda. Por exemplo, tirano e antidemocrata viraram &#8220;patriotas&#8221;.<\/p>\n<p>O presidente que nada faz porque nada sabe \u00e9 transformado em mito e perambula pelo pa\u00eds alegando inoc\u00eancia. Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Para os nobres, \u00e9 mais simp\u00e1tico rotular de situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade o morador de rua e de comunidade as centenas de favelas espalhadas pelo pa\u00eds das idiossincrasias. Determinados extratos sociais resolveram dan\u00e7ar de acordo com a m\u00fasica. Depois de os pretos se insurgirem contra a cor e exigirem a amaneirada, enfeitada e gong\u00f3rica denomina\u00e7\u00e3o de afrodescendente, as prostitutas se ofenderam e, ap\u00f3s exaustivas assembleias de classe, hoje s\u00f3 atendem ao grande p\u00fablico se forem crismadas e chamadas de mo\u00e7as de fino trato ou de garotas de programa.<\/p>\n<p>Em lugar de resolver antigos e s\u00e9rios problemas ligados aos \u00edndios, os poderosos, muitos deles fantasiados de pol\u00edticos, preferiram rebatiz\u00e1-los de povos origin\u00e1rios. Para mim, ser\u00e3o sempre \u00edndios guerreiros e marginalizados pelo Poder P\u00fablico. E os bandidos travestidos de policiais? Esses s\u00e3o os bons e mais honestos, pois resolveram assumir uma nova denomina\u00e7\u00e3o. Mil\u00edcia chama mais aten\u00e7\u00e3o e, atualmente, \u00e9 menos jocoso do que pol\u00edcia, corpora\u00e7\u00e3o criada l\u00e1 atr\u00e1s para dar seguran\u00e7a ao povo. Atualmente, boa parte dela nem enfeite \u00e9 mais, pois as barbaridades que produz contra negros e pobres lembra os navios negreiros de outrora. O que n\u00e3o se permite no Brasil \u00e9 vincular pol\u00edticos \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o ou aos malfeitos. Acima das leis, do bem, do mal, e de qualquer suspeita, suas excel\u00eancias s\u00e3o um caso perdido.<\/p>\n<p>No dia a dia selvagem, eles avaliam o princ\u00edpio da independ\u00eancia e da harmonia entre os poderes coisa de pobre. Na generalidade, o presidente da Rep\u00fablica se imagina um monarca. Pensando em colocar freios no suposto rei, parlamentares se acham no direito de criar leis ao arrepio da lei somente para benefici\u00e1-los, al\u00e9m de propor despesas sem a devida receita. Respons\u00e1veis por dirimir conflitos entre cidad\u00e3os, entidades e Estado, os magistrados tentam frear os antag\u00f4nicos, mas normalmente esticam tanto a corda que acabam no mesmo balaio da barafunda chamada Brasil.<\/p>\n<p>Duzentos e dois anos depois da Independ\u00eancia, continuamos t\u00e3o perdidos como em 1822. Pior do que o complexo de vira-latas, \u00e9 termos chegado a 2024 ainda sob o mantra elitizado e safado de que somos o pa\u00eds do futuro. Desse jeito, nunca seremos.<\/p>\n<p><strong>*Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois s\u00e9culos e dois anos ap\u00f3s ter deixado de ser col\u00f4nia, o Brasil ainda prima pelo colonialismo. 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