{"id":327604,"date":"2024-04-29T06:46:09","date_gmt":"2024-04-29T09:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=327604"},"modified":"2024-04-29T06:46:09","modified_gmt":"2024-04-29T09:46:09","slug":"brasil-de-poderes-partidarizados-dificulta-saber-quem-manda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-de-poderes-partidarizados-dificulta-saber-quem-manda\/","title":{"rendered":"Brasil de poderes partidarizados dificulta saber quem manda"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil de Arthur Lira, Rodrigo Pacheco, Valdemar Costa Neto, Eduardo Bolsonaro, Fl\u00e1vio Bolsonaro e das for\u00e7as que se op\u00f5em aos interesses nacionais, o jacar\u00e9 tem de nadar de costas. No pa\u00eds do faz de conta, todos os dias um desses espertos e um dos numerosos ot\u00e1rios saem \u00e0s ruas e, de repente, se encontram. A\u00ed rende neg\u00f3cios da China. Quando n\u00e3o \u00e9 um rel\u00f3gio, a carteira ou o t\u00eanis de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 a dignidade ou o voto de cabresto. Nesse caso, um vota e o outro \u00e9 eleito. Adivinhem de quem ser\u00e1 a vantagem? Desnecess\u00e1rio responder. O dia a dia \u00e9 a resposta. Na p\u00e1tria armada vale desde algu\u00e9m se valer de um defunto para receber um empr\u00e9stimo at\u00e9 manipular \u201cpatriotas\u201d desenxabidos para golpear governos eleitos democraticamente.<\/p>\n<p>Reza a lenda que aquele que se acha esperto \u00e9 o mais ot\u00e1rio da hist\u00f3ria. Em se tratando de Brasil, essa teoria, al\u00e9m de ineficaz, \u00e9 vasca\u00ednamente pendular. Em outras palavras, pode ser aplicada em contos da carochinha e quadrinhos infantis, mas jamais para definir pol\u00edticos ou quem com eles se envolvem. A maior esperteza dos espertos pagos com dinheiro p\u00fablico \u00e9, como disse o fil\u00f3sofo e fil\u00f3logo alem\u00e3o Friedrich Nietzsche, dividir a cada legislatura os ot\u00e1rios em duas categorias distintas: instrumentos e inimigos. E isso eles fazem com a maestria dos s\u00e1bios.<\/p>\n<p>Segundo o mesmo Nietzsche, o pol\u00edtico trabalha com a tese de que aquilo \u201cque serve de alimento e de b\u00e1lsamo para um tipo superior de homem deve ser quase veneno para um tipo bem mais diverso e inferior\u201d. A meu ver, a inferioridade desenhada pelo alem\u00e3o se refere \u00e0queles que, por raz\u00f5es m\u00faltiplas, se deixam manipular. S\u00e3o os que preferem os pol\u00edticos de estima\u00e7\u00e3o aos que t\u00eam disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar pelo todo. Fa\u00e7o parte da mesma sociedade. Entretanto, sem me julgar superior ou inferior, tenho meu pr\u00f3prio pressuposto: sou daqueles que querem saber, embora n\u00e3o fa\u00e7a julgamentos vulgares dos que s\u00f3 querem acreditar.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje, vivemos uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pra l\u00e1 de interessante. Acho estranho e inusitado o fato de os tr\u00eas poderes do Brasil terem se tornado partid\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 o melhor dos caminhos. Pelo contr\u00e1rio. Fica dif\u00edcil saber quem manda. Vem da\u00ed a regra da loucura pol\u00edtico-religiosa nos grupos, nos partidos, nos povos e nos colegiados. Seria a loucura da \u00e9poca? Talvez. Nos eventuais contatos com pessoas que se maquiam de autoridades, o uso do cinismo como a forma mais eloquente de convencer as almas torpes a tocarem levemente no que conhecemos por sinceridade. Ainda n\u00e3o consegui, mas me fortaleci a tal ponto que j\u00e1 consigo avaliar a pol\u00edtica como uma praga com a qual n\u00e3o devemos nos meter.<\/p>\n<p>De acordo com os pensadores, n\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmula m\u00e1gica para catequizar pol\u00edticos ruins, pastores evang\u00e9licos ou eleitores capacitados para receberem a alcunha de gado. Ali\u00e1s, da tenebrosa cruza de pol\u00edtica com religi\u00e3o \u00e9 que nascem as pessoas mais perigosas da humanidade. S\u00e3o os tais que pensam estar sempre acima do bem e do mal. Representam a pr\u00f3pria maldade humana, pois n\u00e3o aceitam sequer lampejos de contrariedade. Tamb\u00e9m se incluem nesse perfil os tolos que matam e morrem a pedido de seus aliciadores. Sem medo de me arrepender, adiro \u00e0 tese de que, ao mesmo tempo, a pol\u00edtica \u00e9 o ato de prezar pelos interesses da popula\u00e7\u00e3o e a infame arte de enganar a popula\u00e7\u00e3o para atender interesses pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual, sob o comando absoluto do Centr\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil imaginar um futuro digno, de liberdade e de oportunidades concretas para os nacionais. Estamos presos a uma polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica idiota e que expressa claramente a fal\u00eancia do sistema pol\u00edtico brasileiro. Libert\u00e1rio por defini\u00e7\u00e3o, entendo que a riqueza da democracia \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de quantas vias forem necess\u00e1rias. Mesmo sem saber onde ir\u00e1 chegar, o Centr\u00e3o abandonou de vez o debate sobre as mazelas. Capitaneados pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), por Elon Musk e pelas lideran\u00e7as do beligerante bolsonarismo, seus integrantes est\u00e3o concentrados em duas propostas inegoci\u00e1veis: acabar com Alexandre de Moraes e golpear Luiz In\u00e1cio. O projeto do grupo \u00e9 bem claro: deixar um osso para a oposi\u00e7\u00e3o roer e algumas bananas podres para divers\u00e3o do gado. S\u00e3o os espertos do Brasil.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil de Arthur Lira, Rodrigo Pacheco, Valdemar Costa Neto, Eduardo Bolsonaro, Fl\u00e1vio Bolsonaro e das for\u00e7as que se op\u00f5em aos interesses nacionais, o jacar\u00e9 tem de nadar de costas. No pa\u00eds do faz de conta, todos os dias um desses espertos e um dos numerosos ot\u00e1rios saem \u00e0s ruas e, de repente, se encontram. 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