{"id":327810,"date":"2024-05-01T12:31:58","date_gmt":"2024-05-01T15:31:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=327810"},"modified":"2024-05-01T12:31:58","modified_gmt":"2024-05-01T15:31:58","slug":"aposentados-precisam-trabalhar-para-manter-uma-vida-mais-tranquila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/aposentados-precisam-trabalhar-para-manter-uma-vida-mais-tranquila\/","title":{"rendered":"Aposentados precisam trabalhar para manter uma vida mais tranquila"},"content":{"rendered":"<p>O trabalho de J\u00falio Hagio \u00e9, como ele mesmo diz, \u201cde domingo a domingo\u201d. O produtor rural acorda \u00e0s 4h, trabalha na lavoura, ajuda nos neg\u00f3cios dos filhos, faz entregas. A jornada termina por volta das 18h. A rotina \u00e9 quase a mesma desde de quando era crian\u00e7a. Ele come\u00e7ou a ajudar o pai com 8 anos de idade. Hoje, aos 70 e aposentado, Hagio ainda n\u00e3o pode lagar o batente.<\/p>\n<p>\u201cEstou recebendo benef\u00edcio, aposentadoria, mas com um sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00f3 n\u00e3o tem como a gente sobreviver, n\u00e9? Tem que pagar o rem\u00e9dio, isso, aquilo. A\u00ed n\u00e3o sobra nada. Ent\u00e3o, eu ajudo meus filhos, para complementar a renda\u201d, diz o trabalhador, que vive em Mogi das Cruzes (SP).<\/p>\n<p>Assim como Hagio, muitos aposentados precisam seguir trabalhando para conseguir se sustentar e sustentar a pr\u00f3pria fam\u00edlia. \u201cA gente tem que lutar na vida para ganhar o p\u00e3o de cada dia. Ent\u00e3o a gente continua desse jeito. Desde crian\u00e7a eu vivi disso. Ent\u00e3o, na minha idade, eu vou procurar outro servi\u00e7o? Ningu\u00e9m vai dar o servi\u00e7o para uma pessoa idosa de certa idade. Ent\u00e3o, fica dif\u00edcil. A\u00ed a gente vai lutando como pode.\u201d<\/p>\n<p>Hagio \u00e9 um dos 23 milh\u00f5es de aposentados no Brasil, de acordo com o Sistema \u00danico de Informa\u00e7\u00f5es de Benef\u00edcio. Segundo o governo federal, o sistema previdenci\u00e1rio \u00e9 o maior de todos os programas sociais, concedendo cerca de 40 milh\u00f5es de benef\u00edcios todo m\u00eas e injetando mais de R$ 70 bilh\u00f5es na economia do pa\u00eds. Quase 70% dos munic\u00edpios brasileiros dependem dos benef\u00edcios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).<\/p>\n<p>A aposentadoria foi um direito conquistado a partir das greves dos trabalhadores ferrovi\u00e1rios, que culminaram na Lei Eloy Chaves, de 1923, que, por sua vez, obrigou cada companhia ferrovi\u00e1ria do Brasil a criar uma caixa de aposentadorias e pens\u00f5es. Desde ent\u00e3o, o direito foi se expandindo e abarcando mais trabalhadores. Esse direito, no entanto, n\u00e3o tem sido suficiente, muitas vezes, para manter os aposentados. Em vez de descansar ou de exercer atividades que lhes tragam prazer, precisam se manter no mercado.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas n\u00e3o conseguem permanecer aposentadas e acabam retornando ao mercado de trabalho porque a remunera\u00e7\u00e3o acaba n\u00e3o sendo suficiente para a sua sobreviv\u00eancia\u201d, diz o secret\u00e1rio nacional de Administra\u00e7\u00e3o da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT) Brasil, Ariovaldo de Camargo.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o representante da entidade no Conselho Nacional de Previd\u00eancia Social. Segundo o \u00faltimo Boletim Estat\u00edstico da Previd\u00eancia Social, de fevereiro de 2024, o valor m\u00e9dio das aposentadorias urbanas \u00e9 R$ 1.863,38, e o das rurais, R$ 1.415,06. A garantia de uma aposentadoria digna \u00e9 uma das pautas do ato deste 1\u00ba de Maio, Dia do Trabalhador. Diante da implementa\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, aprovada em 2019, os trabalhadores dever\u00e3o sentir cada vez mais as altera\u00e7\u00f5es e h\u00e1 risco de precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es das pessoas idosas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cQuando se trata de aposentadoria digna, n\u00f3s estamos apontando o seguinte, n\u00f3s precisamos primeiro garantir o direito da aposentadoria, porque hoje ela se v\u00ea amea\u00e7ada, de certa forma, quando voc\u00ea coloca que para a integralidade de vencimento na aposentadoria, as pessoas t\u00eam que trabalhar com 40 anos de carteira assinada ou no servi\u00e7o p\u00fablico estatut\u00e1rio. Ou seja, uma corrida de obst\u00e1culos para que as pessoas tenham 40 anos seguidos , ou mesmo que intercalados, contribu\u00eddos com a Previd\u00eancia, o que \u00e9 muito dif\u00edcil de ser alcan\u00e7ada\u201d, diz Camargo.<\/p>\n<p><strong>Professores e aposentadoria<\/strong><br \/>\nTamb\u00e9m no estado de S\u00e3o Paulo, assim como Hagio, Dora Cudignola, que \u00e9 professora aposentada pelo estado, segue trabalhando na capital paulista para complementar a renda. \u201cS\u00e3o muitos gastos, n\u00e9?\u201d, diz. \u201c\u00c9 uma maneira de a gente ganhar um pouco a mais, porque voc\u00ea sabe que a gente que se aposenta e diminui [a renda], n\u00e9? J\u00e1 faz anos que n\u00f3s n\u00e3o temos aumento. A nossa luta, eu luto por isso tamb\u00e9m, \u00e9 por um aumento. O professor, daqui a pouco, est\u00e1 ganhando um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Ele vai chegar a esse ponto. Porque n\u00f3s n\u00e3o temos aumento h\u00e1 muito tempo\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE), Heleno Ara\u00fajo, explica que o sal\u00e1rio dos professores e trabalhadores em educa\u00e7\u00e3o nas escolas \u00e9 composto por benef\u00edcios que acabam sendo perdidos na aposentadoria. \u201cComo eles n\u00e3o s\u00e3o contemplados pelo plano de casa e carreira, n\u00e3o s\u00e3o contemplados pelo reajuste do piso do magist\u00e9rio, eles tamb\u00e9m sobrevivem de complementos, n\u00e9? Ent\u00e3o voc\u00ea tem aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o e outros, que somando, vai juntando e ajudando no seu sal\u00e1rio. Se ele se aposenta, ele perde isso. Ele vai para o sal\u00e1rio b\u00e1sico. E a\u00ed ele n\u00e3o consegue, com o sal\u00e1rio b\u00e1sico, manter esse padr\u00e3o de vida dele. A\u00ed, o que \u00e9 que faz? Ele fica trabalhando. \u00c0s vezes, adoece muito, mas fica trabalhando se ele tiver aposentadoria. Essa tend\u00eancia que hoje j\u00e1 acontece com os funcion\u00e1rios da educa\u00e7\u00e3o, a perspectiva \u00e9 ela acontecer tamb\u00e9m com todo o magist\u00e9rio\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os impactos da reforma, que ainda est\u00e1 em per\u00edodo de implementa\u00e7\u00e3o, para a categoria s\u00e3o tamb\u00e9m preocupa\u00e7\u00e3o entre os professores, de acordo com Ara\u00fajo. Ele ressalta o aumento do tempo de contribui\u00e7\u00e3o considerando \u201cuma estrutura de escola que traz um adoecimento a um ter\u00e7o da nossa categoria&#8221;. &#8220;Isso traz impacto no trabalho da pessoa, na sua autoestima, no processo de planejamento da sua vida. Sem garantir as boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, voc\u00ea est\u00e1 aumentando tamb\u00e9m o processo de adoecimento e de afastamento das atividades de sala de aula. Aumentando tamb\u00e9m o \u00edndice de atestados m\u00e9dicos, de afastamento, a necessidade de contrata\u00e7\u00f5es para substituir esse profissional. Ent\u00e3o, traz um conjunto de preju\u00edzos e um impacto financeiro alto para os munic\u00edpios\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Dora Cudignola est\u00e1 com 71 anos. Ela se aposentou em 2018, ainda antes da vig\u00eancia da reforma da Previd\u00eancia, que estabeleceu a idade m\u00ednima de 57 anos para mulheres e 60 para homens, al\u00e9m de 25 anos de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria para poder se aposentar, ao final do per\u00edodo de implementa\u00e7\u00e3o. Hoje ela \u00e9 vice-presidente do EternamenteSOU, associa\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que atua em prol das pessoas idosas LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transg\u00eanero). Segundo ela, para essa parcela da popula\u00e7\u00e3o, o envelhecimento sem condi\u00e7\u00f5es dignas gera inda mais vulnerabilidade.<\/p>\n<p>\u201cA nossa sociedade j\u00e1 n\u00e3o aceita quase os jovens, voc\u00ea imagina idoso, n\u00f3s vamos ser chacotas. Olha, \u00e9 idoso e ainda \u00e9 gay, \u00e9 idosa e \u00e9 l\u00e9sbica, trans. Se a gente [como idosa] j\u00e1 fica vulner\u00e1vel, [como LGBT] fica muito mais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A gente v\u00ea como que a sociedade j\u00e1 n\u00e3o aceita muito algumas coisas. Para a sociedade, ser idoso \u00e9 j\u00e1 n\u00e3o ter serventia. N\u00f3s servimos sim, n\u00f3s vivemos, n\u00f3s respiramos, n\u00f3s amamos, odiamos, e tudo que temos direito. N\u00f3s somos pessoas vivas que temos muito pra dar e a gente tamb\u00e9m ouve e troca experi\u00eancias, isso \u00e9 muito importante\u201d, ressalta Dora Cudignola.<\/p>\n<p><strong>Planejamento<\/strong><br \/>\nEduardo Aguiar, 65 anos, \u00e9 tamb\u00e9m um dos funcion\u00e1rios do EternamenteSOU. Aguiar est\u00e1 em vias de se aposentar, o processo dever\u00e1 ser conclu\u00eddo este ano. Como Dora Cudignola, ele n\u00e3o ir\u00e1 parar de trabalhar. \u201cProvavelmente eu vou receber um sal\u00e1rio [m\u00ednimo]. Hoje recebo um pouco mais, a\u00ed, se juntar as duas coisas, d\u00e1 para viver um pouquinho, mas est\u00e1 dif\u00edcil\u201d, diz.<\/p>\n<p>Aguiar trabalha com gest\u00e3o de projetos culturais. Os trabalhos s\u00e3o projetos tempor\u00e1rios, que n\u00e3o lhe conferem uma estabilidade salarial todos os meses. Ele conta que acabou n\u00e3o planejando a aposentadoria.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea paga 30 e tantos anos [a Previd\u00eancia Social] e n\u00e3o consegue, ao se aposentar, ter o sal\u00e1rio que voc\u00ea tinha na ativa, sendo que voc\u00ea tem gastos muito semelhantes, tanto na ativa quanto na aposentadoria. Voc\u00ea n\u00e3o deixa de pagar aluguel, condom\u00ednio, n\u00e3o deixa de comer, de ter roupa, um monte de outras coisas que est\u00e3o necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia. Inclusive, aumentam alguns gastos.\u201d<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Aguiar, Sandra Nascimento conseguiu se planejar. Ela vem de uma realidade diferente, era funcion\u00e1ria p\u00fablica e se aposentou ap\u00f3s trabalhar 30 anos com recursos humanos, em 2020. Hoje com 55 anos, ela conta que come\u00e7ou a se planejar cerca de de anos antes de se aposentar. Ela queria mudar de carreira. Hoje \u00e9 empreendedora e tem a pr\u00f3pria marca, Sandra com Elas, trabalha como consultora, desenvolvimento humano, sa\u00fade e bem-estar. O que ganha, apesar de ter estabilidade, tamb\u00e9m complementa a renda.<\/p>\n<p>\u201cEu observava que, principalmente para as mulheres, tem essa coisa de \u2018eu me aposentei, o que eu vou fazer depois?\u2019 N\u00e3o, voc\u00ea tem uma gama de coisas que voc\u00ea pode fazer ap\u00f3s a aposentadoria, n\u00e9? A aposentadoria, ela n\u00e3o te limita\u201d, diz. \u201cQuando voc\u00ea busca o conhecimento, ele te abre portas que voc\u00ea jamais imaginou, \u00e9 justamente isso que eu estou passando. Porque at\u00e9 ent\u00e3o, eu s\u00f3 pensei que eu estaria palestrando. De repente, eu estou organizando palestra, eu estou com um grupo de mulheres, empreendedoras, com alguns coletivos, com podcast. Ent\u00e3o, assim, pensando na minha trajet\u00f3ria, eu tive um ganho. O conhecimento me trouxe um ganho\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Discuss\u00e3o urgente<\/strong><br \/>\nSegundo a coordenadora de Extens\u00e3o do N\u00facleo de Envelhecimento Humano da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Sandra Rabello, que \u00e9 presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, n\u00e3o \u00e9 de hoje que as aposentadorias n\u00e3o s\u00e3o capazes de sustentar os trabalhadores e garantir um descaso e qualidade de vida. \u201cNo contexto da maioria da popula\u00e7\u00e3o, aquela popula\u00e7\u00e3o mesmo que tem, depois da aposentadoria, que depender do INSS , isso j\u00e1 \u00e9 um fato que j\u00e1 vem ocorrendo h\u00e1 mais ou menos 20 anos. \u00c9 aquela quest\u00e3o do d\u00e9ficit nos sal\u00e1rios e h\u00e1 uma dificuldade de complementa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>A coordenadora explica que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 envelhecendo e est\u00e1 vivendo mais, e que isso que traz um desafio para a Previd\u00eancia Social, que precisa manter as pessoas por mais tempo, mas isso precisa ser feito de forma digna, para que elas n\u00e3o precisem se submeter a condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cComo as pessoas est\u00e3o vivendo mais, a Previd\u00eancia tem que entender e tem que discutir, tem que trabalhar num outro vi\u00e9s para que atenda essa aposentadoria de uma forma digna. Isso hoje n\u00e3o existe, ent\u00e3o recai nessa precariedade das pessoas ainda continuarem trabalhando, mas j\u00e1 envelhecidas, sem condi\u00e7\u00e3o de se manter no trabalho e se mant\u00e9m por uma subsist\u00eancia para poder continuar vivendo com o m\u00ednimo poss\u00edvel\u201d, destaca Sandra Rabello.<\/p>\n<p>Por outro lado, o mercado deve ser capaz de absorver de forma tamb\u00e9m digna aquelas pessoas que desejarem seguir trabalhando ap\u00f3s a aposentadoria, segundo Rabello. O Estatuto do Idoso garante \u00e0 pessoa idosa o direito ao exerc\u00edcio de atividade profissional, respeitadas suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, intelectuais e ps\u00edquicas. Tamb\u00e9m estabelece que, na admiss\u00e3o da pessoa idosa em qualquer trabalho ou emprego, s\u00e3o vedadas a discrimina\u00e7\u00e3o e a fixa\u00e7\u00e3o de limite m\u00e1ximo de idade.\u201cNo Estatuto da Pessoa Idosa h\u00e1, vamos dizer assim, uma motiva\u00e7\u00e3o para que essas pessoas, caso desejem continuar trabalhando, o mercado abrir\u00e1 oportunidades para elas. S\u00f3 que o mercado n\u00e3o abriu oportunidades. H\u00e1 uma precariza\u00e7\u00e3o dessas pessoas de 60 anos ou mais no mercado de trabalho\u201d, diz.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio dever\u00e1 se acentuar com a implementa\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia, que torna mais urgente a discuss\u00e3o, de acordo com Rabello, da presen\u00e7a de pessoas idosas no mercado de trabalho. &#8220;H\u00e1 uma dificuldade, no futuro, de manter uma aposentadoria e uma necessidade de voltar ou de continuar no mercado de trabalho, fazendo o seu trabalho, sem oportunidade de ter a certo a sua aposentadoria para fazer alguma coisa que gosta. Ent\u00e3o, isso \u00e9 uma realidade. Isso \u00e9 uma realidade que ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo discutida em n\u00edvel nacional para a gente poder ampliar as possibilidades na Previd\u00eancia.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho de J\u00falio Hagio \u00e9, como ele mesmo diz, \u201cde domingo a domingo\u201d. O produtor rural acorda \u00e0s 4h, trabalha na lavoura, ajuda nos neg\u00f3cios dos filhos, faz entregas. A jornada termina por volta das 18h. A rotina \u00e9 quase a mesma desde de quando era crian\u00e7a. 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