{"id":328231,"date":"2024-05-08T07:04:22","date_gmt":"2024-05-08T10:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=328231"},"modified":"2024-05-08T08:06:36","modified_gmt":"2024-05-08T11:06:36","slug":"oito-em-cada-dez-professores-ja-pensaram-em-desistir-da-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/oito-em-cada-dez-professores-ja-pensaram-em-desistir-da-carreira\/","title":{"rendered":"Oito em cada dez professores j\u00e1 pensaram em desistir da carreira"},"content":{"rendered":"<p>Oito em cada dez professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica j\u00e1 pensaram em desistir da carreira. Entre os motivos est\u00e3o o baixo retorno financeiro, a falta de reconhecimento profissional, a carga hor\u00e1ria excessiva e a falta de interesse dos alunos. Os dados s\u00e3o da pesquisa in\u00e9dita Perfil e Desafios dos Professores da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil, divulgada pelo Instituto Semesp.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada entre 18 e 31 de mar\u00e7o de 2024, com 444 docentes das redes p\u00fablica e privada, do ensino infantil ao m\u00e9dio, de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Os dados mostram que 79,4% dos professores entrevistados j\u00e1 pensaram em desistir da carreira de docente. Em rela\u00e7\u00e3o ao futuro profissional, 67,6% se sentem inseguros, desanimados e frustrados.<\/p>\n<p>Entre os principais desafios citados pelos professores est\u00e3o: falta de valoriza\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo da carreira (74,8%), falta de disciplina e interesse dos alunos (62,8%), falta de apoio e reconhecimento da sociedade (61,3%) e falta de envolvimento e participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias dos alunos (59%).<\/p>\n<p>Segundo os dados da pesquisa, mais da metade dos respondentes (52,3%) diz j\u00e1 ter passado por algum tipo de viol\u00eancia enquanto desempenhava sua atividade como professor. As viol\u00eancias mais relatadas s\u00e3o agress\u00e3o verbal (46,2%), intimida\u00e7\u00e3o (23,1%) e ass\u00e9dio moral (17,1%). S\u00e3o citados tamb\u00e9m racismo e inj\u00faria racial, viol\u00eancia de g\u00eanero e at\u00e9 mesmo amea\u00e7as de agress\u00e3o e de morte. A viol\u00eancia \u00e9 praticada principalmente por alunos (44,3%), alunos e respons\u00e1veis (23%) e funcion\u00e1rios da escola (16,1%).<\/p>\n<p>Apesar disso, a pesquisa mostra que a maioria (53,6%) dos professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica est\u00e1 satisfeita ou muito satisfeita com a carreira. Os professores apontam como motivos para continuar nas salas de aula, principalmente, o interesse em ensinar e compartilhar conhecimento (59,7%), a satisfa\u00e7\u00e3o de ver o progresso dos alunos (35,4%) e a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o (30,9%).<\/p>\n<p>\u201cApesar de todos os problemas \u00e9 o que eu gosto de fazer e tenho maior capacidade\u201d, diz um dos professores entrevistados, cujo nome n\u00e3o foi revelado. \u201cA paix\u00e3o pelo processo de ensinar e aprender, contribuindo para a evolu\u00e7\u00e3o das pessoas\u201d, aponta outro, que tamb\u00e9m n\u00e3o foi identificado.<\/p>\n<p>Para L\u00facia Teixeira, presidente do Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, esses dados s\u00e3o importantes porque mostram o que motiva os professores. \u201cEle fala da sua voca\u00e7\u00e3o. Fala do interesse em ensinar, da satisfa\u00e7\u00e3o de ver o progresso do aluno. S\u00e3o fatores que est\u00e3o interligados. Tanto a voca\u00e7\u00e3o como o interesse em compartilhar o conhecimento e a satisfa\u00e7\u00e3o de ver o progresso do aluno. Esse \u00e9 um dado muito importante em termos do perfil daquele que escolhe ser professor\u201d, destaca<\/p>\n<p><strong>Licenciaturas<\/strong><br \/>\nA pesquisa Perfil e Desafios dos Professores da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil faz parte da 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Mapa do Ensino Superior no Brasil, que re\u00fane dados oficiais e coletados pelo Instituto Semesp para tra\u00e7ar o cen\u00e1rio atual do setor educacional no pa\u00eds. Esta edi\u00e7\u00e3o tem como foco principal Cursos de Licenciaturas: Cen\u00e1rios e Perspectivas.<\/p>\n<p>De acordo com a publica\u00e7\u00e3o, o Brasil tem 9,44 milh\u00f5es de estudantes matriculados no ensino superior. A maioria deles est\u00e1 em institui\u00e7\u00f5es privadas (78%). Por lei, pelo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), at\u00e9 2024, o pa\u00eds deveria ter 33% dos jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior. At\u00e9 2022, essa taxa era 18,9%.<\/p>\n<p>Atualmente, 17% dos alunos do ensino superior cursam alguma licenciatura, o que equivale 1,67 milh\u00f5es de universit\u00e1rios. Pedagogia aparece como 17\u00b0 curso com mais estudantes nos cursos presenciais diurnos e como o primeiro curso com mais estudantes em ensino a dist\u00e2ncia (EAD).<\/p>\n<p>Apesar do grande n\u00famero de estudantes, os dados mostram que as desist\u00eancias nesses cursos s\u00e3o altas. Cerca de 60% dos estudantes de licenciaturas na rede privada e 40% dos estudantes da rede p\u00fablica desistem da forma\u00e7\u00e3o. Entre os mais jovens, apenas 6,6% dos entrevistados pelo Instituto Semesp t\u00eam interesse em cursar cursos da \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s pensamos que \u00e9 necess\u00e1rio repensar tamb\u00e9m o modelo de oferta dos cursos de licenciatura, com essa campanha que estamos fazendo para atrair os jovens para os cursos de licenciatura. Os curr\u00edculos t\u00eam que ter mais pr\u00e1tica e mais capacita\u00e7\u00e3o para esse uso de tecnologia, a necessidade de financiamento das mensalidades, porque a maioria dos que v\u00e3o para o curso de licenciatura \u00e9 de uma classe social mais baixa e, por isso, a necessidade de uma bolsa perman\u00eancia para o aluno n\u00e3o evadir e n\u00e3o precisar trabalhar\u201d, defende L\u00facia Teixeira.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nRecentemente, as altas taxas de matr\u00edcula em cursos a dist\u00e2ncia e a preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade da forma\u00e7\u00e3o dos estudantes, especialmente dos futuros professores, levaram o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) a buscar uma revis\u00e3o do marco regulat\u00f3rio da modalidade.<\/p>\n<p>Para o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, a forma\u00e7\u00e3o presencial pode n\u00e3o ser a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o. Ele defende uma revis\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o dos cursos. Ainda que seja na modalidade a dist\u00e2ncia, ele ressalta que os cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores preveem uma carga hor\u00e1ria presencial, em est\u00e1gios, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que o que precisa \u00e9 melhorar a avalia\u00e7\u00e3o dessa presencialidade. Se eu tenho obrigatoriedade de est\u00e1gios e esses est\u00e1gios n\u00e3o s\u00e3o cumpridos ou s\u00e3o muito ruins, a\u00ed eu tenho um problema. Se \u00e9 ruim e eu s\u00f3 aumento a carga [hor\u00e1ria presencial], eu s\u00f3 vou aumentar a ruindade. Ent\u00e3o, eu acho que, primeiro, antes de discutir mais carga presencial ou menos carga presencial, n\u00e3o estou falando que a gente defende ou n\u00e3o defende, mas eu acho que \u00e9 preciso melhorar esse monitoramento do presencial\u201d, diz.<\/p>\n<p>A pesquisa feita com os docentes pelo Instituto Semesp mostra que 50,1% dos respondentes discordam parcial ou totalmente da afirma\u00e7\u00e3o de que o ensino a dist\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 adequado. Al\u00e9m disso, para 55,7% dos entrevistados, os cursos de licenciatura devem ser ofertados apenas na modalidade presencial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito em cada dez professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica j\u00e1 pensaram em desistir da carreira. Entre os motivos est\u00e3o o baixo retorno financeiro, a falta de reconhecimento profissional, a carga hor\u00e1ria excessiva e a falta de interesse dos alunos. 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