{"id":328515,"date":"2024-05-11T09:23:42","date_gmt":"2024-05-11T12:23:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=328515"},"modified":"2024-05-11T10:26:27","modified_gmt":"2024-05-11T13:26:27","slug":"branqueamento-de-corais-e-registrado-a-60m-de-profundidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/branqueamento-de-corais-e-registrado-a-60m-de-profundidade\/","title":{"rendered":"Branqueamento de corais \u00e9 registrado a 60m de profundidade"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registraram, em abril deste ano, o branqueamento de corais localizados a profundidades que variam de 40 a 60 metros, no litoral brasileiro. \u00c9 a primeira vez que o fen\u00f4meno, provocado pelo aumento da temperatura do oceano e que pode levar \u00e0 morte desses animais, \u00e9 registrado em tais profundidades no Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>Com apoio da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental WWF-Brasil, uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica realizada, em abril em cinco bancos (topos) da cadeia montanhosa submersa Norte, localizada perto da costa dos estados do Cear\u00e1 e do Rio Grande do Norte, registrou branqueamento em popula\u00e7\u00f5es da esp\u00e9cie Agaricia fragilis que vivem a 60 metros de profundidade.<\/p>\n<p>Os cientistas constataram, ali\u00e1s, que o branqueamento atingiu as seis esp\u00e9cies registradas nesses bancos, entre elas o coral-de-fogo Millepora alcicornis, que nunca havia sido encontrada habitando essa profundidade, a mais de 40 metros, ou seja, a chamada zona mesof\u00f3tica.<\/p>\n<p>\u201cAcredit\u00e1vamos que essa esp\u00e9cie s\u00f3 ocorria no raso. E encontramos um recife impressionante de coral-de-fogo no banco Leste, entre 50 e 43 metros de profundidade. Possivelmente \u00e9 o maior banco desse coral no Brasil inteiro\u201d, diz o pesquisador da UFPE Mauro Maida. \u201cA gente nunca tinha visto isso antes e, quando viu, estava branqueando.\u201d<\/p>\n<p>A zona mesof\u00f3tica \u00e9 uma \u00e1rea um pouco mais profunda do oceano, onde a luz solar ainda chega, mas de forma menos intensa e onde a temperatura do oceano \u00e9 mais fria que na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>As outras quatro esp\u00e9cies registradas nos bancos do Norte, Montastrea cavernosa, Siderastrea stellata, Meandrina brasiliensis e a amea\u00e7ada Mussismilia harttii, tamb\u00e9m apresentaram pontos de branqueamento.<\/p>\n<p>Os corais s\u00e3o invertebrados marinhos capazes de se alimentar sozinhos, mas grande parte de sua dieta \u00e9 obtida atrav\u00e9s de uma simbiose, ou seja, uma rela\u00e7\u00e3o mutuamente ben\u00e9fica, com as algas zooxantelas. A partir da realiza\u00e7\u00e3o da fotoss\u00edntese, as algas fornecem nutrientes para seus hospedeiros animais.<\/p>\n<p>As zooxantelas tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelas cores dos corais. Quando a temperatura do mar sobe, no entanto, elas abandonam os animais e os deixam esbranqui\u00e7ados. Sem os nutrientes oferecidos pelas algas, os corais podem at\u00e9 continuar vivos e se alimentando de micro-organismos por meses, mas sua sa\u00fade fica prejudicada, o que os torna mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as e \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Uma nova onda de branqueamento global est\u00e1 atingindo, este ano, v\u00e1rios recifes de corais em todo o mundo e, no litoral nordeste brasileiro, o fen\u00f4meno vem sendo observado desde o in\u00edcio de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Mauro Maida realiza expedi\u00e7\u00f5es aos bancos do Norte e da cadeia vizinha de Fernando Noronha desde 2016 e diz que nunca tinha observado o branqueamento de corais na zona mesof\u00f3tica na regi\u00e3o.\u201cOs recifes mesof\u00f3ticos eram tidos como menos suscet\u00edveis ao aquecimento global, mas estamos vendo que o neg\u00f3cio chegou l\u00e1 no fundo. Esse El Ni\u00f1o [fen\u00f4meno de aquecimento das \u00e1guas do Pac\u00edfico que influencia o clima em outros oceanos e continentes] foi t\u00e3o extremo que aumentou inclusive a temperatura do fundo\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo Maida, o branqueamento de corais \u00e9 um indicador preocupante da situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica global. \u201cIsso \u00e9 um term\u00f4metro. A coisa est\u00e1 t\u00e3o feia que est\u00e1 chegando ao fundo do mar.\u201d<\/p>\n<p>Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), Leonardo Messias ressalta que o fen\u00f4meno do branqueamento dos corais n\u00e3o est\u00e1 dissociado de cat\u00e1strofes naturais que afetam a popula\u00e7\u00e3o. \u201cA transforma\u00e7\u00e3o do clima \u00e9 uma coisa muito s\u00e9ria. A gente est\u00e1 vivendo isso muito drasticamente l\u00e1 no Rio Grande do Sul.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registraram, em abril deste ano, o branqueamento de corais localizados a profundidades que variam de 40 a 60 metros, no litoral brasileiro. \u00c9 a primeira vez que o fen\u00f4meno, provocado pelo aumento da temperatura do oceano e que pode levar \u00e0 morte desses animais, \u00e9 registrado em tais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":328516,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[166,167,168,169,165,170,171,172,173,174],"tags":[],"class_list":["post-328515","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alagoas","category-bahia","category-ceara","category-maranhao","category-nordeste","category-paraiba-nordeste","category-pernambuco-nordeste","category-piaui","category-rio-grande-do-norte","category-sergipe"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328515"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328515\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":328517,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328515\/revisions\/328517"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/328516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}