{"id":328555,"date":"2024-05-12T06:07:24","date_gmt":"2024-05-12T09:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=328555"},"modified":"2024-05-12T06:07:24","modified_gmt":"2024-05-12T09:07:24","slug":"sistema-agroflorestal-reduz-os-efeitos-da-estiagem-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sistema-agroflorestal-reduz-os-efeitos-da-estiagem-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Sistema Agroflorestal reduz os efeitos da estiagem na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>O plantio de esp\u00e9cies nativas, no Sistema Agroflorestal (SAF), pelas comunidades na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) do Uatum\u00e3, no estado do Amazonas, minimizou os efeitos da seca severa do ano passado para as fam\u00edlias da regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, o projeto que promoveu esse plantio, do Instituto de Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Amaz\u00f4nia (Idesam), propiciou gera\u00e7\u00e3o de renda diversificada para a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Somente neste ano, ap\u00f3s o in\u00edcio das chuvas na regi\u00e3o, comunidades que vivem na reserva promoveram o plantio de seis mil mudas de 19 esp\u00e9cies nativas, no m\u00eas de mar\u00e7o. Sob orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Idesam, a iniciativa ocorre no contexto de mitiga\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica dentro de um projeto de compensa\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n<p>\u201cA gente planta esp\u00e9cies florestais, que s\u00e3o as madeireiras de grande porte, que t\u00eam maior potencial de sequestro de carbono, e tamb\u00e9m esp\u00e9cies frut\u00edferas, como o cacau, a graviola, o cupua\u00e7u e palmeiras, como a\u00e7a\u00ed e a pupunha. Nesse arranjo de plantio, no longo prazo, aquela fam\u00edlia vai ter uma \u00e1rea super produtiva\u201d, disse a engenheira florestal do Idesam, Isys Nathyally de Lima Silva.<\/p>\n<p>O modelo de agrofloresta, que combina esp\u00e9cies diversas, j\u00e1 era implementado no local desde 2010, no contexto do projeto, muito antes da seca do ano passado. E essa diversidade ajudou as comunidades a manterem uma produ\u00e7\u00e3o para sobreviv\u00eancia no per\u00edodo, enfatizou a engenheira. \u201cEsse plantio, no cen\u00e1rio de seca, ajuda a garantir seguran\u00e7a alimentar para as fam\u00edlias. Mesmo com \u00e1rvores que foram afetadas, porque a seca foi muito forte, ainda assim fez a diferen\u00e7a. A gente tem relatos das pessoas falando \u2018ainda bem que tem esse SAF aqui\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAs \u00e1rvores n\u00e3o produziram tanto quanto de costume, mas ainda assim as fam\u00edlias tiveram um alimento a mais. Porque a locomo\u00e7\u00e3o deles tamb\u00e9m foi muito afetada. Quem estacionava a canoa ali na porta de casa passou a ter que andar um quil\u00f4metro, dois quil\u00f4metros para conseguir acessar o rio. E a\u00ed ficou muito limitado o acesso aos alimentos e tudo mais. \u00c9 muito bom tamb\u00e9m que a gente contribuiu dessa forma\u201d, explicou a engenheira florestal.<\/p>\n<p>Na capital amazonense, a seca foi a pior registrada em 121 anos, com o Rio Negro registrando o menor n\u00edvel desde 1902, quando come\u00e7aram as medi\u00e7\u00f5es do volume do rio. A reserva Uatum\u00e3 fica a 330 quil\u00f4metros a nordeste de Manaus, nos munic\u00edpios de S\u00e3o Sebasti\u00e3o Uatum\u00e3 e Itapiranga.<\/p>\n<p>Com objetivo de manter o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de produtos florestais, \u00f3leos, frutos e resinas, vendidos para o sustento das fam\u00edlias, a a\u00e7\u00e3o mobiliza as comunidades da reserva nesse modelo de produ\u00e7\u00e3o, a agrofloresta. O resultado \u00e9 o uso mais sustent\u00e1vel dos recursos naturais e a diversidade de produtos para consumo e gera\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>\u201cA ideia tamb\u00e9m \u00e9 aumentar a gera\u00e7\u00e3o de renda, porque, por exemplo, a farinha [de mandioca], que d\u00e1 um trabalh\u00e3o para fazer, tem um valor agregado muito baixo. No caso do extrativismo, eles sabem onde encontrar as coisas, mas as \u00e1rvores, no geral, est\u00e3o muito longe. Para coletar resina de breu, por exemplo, que vai gerar o \u00f3leo essencial l\u00e1 na frente, eles t\u00eam que andar muito. E a\u00ed a gente t\u00e1 plantando breu bem pertinho das casas\u201d, relatou Isys Nathyally. Al\u00e9m do breu-branco, que pode atingir 30 metros de altura e fornece insumo \u00e0 ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos, entre as esp\u00e9cies plantadas se destacam o a\u00e7a\u00ed, o cupua\u00e7u, o cacau e o cumaru.<\/p>\n<p>Ela conta que, junto a esp\u00e9cies de grande porte, como as madeireiras, com maior reten\u00e7\u00e3o de carbono, espa\u00e7adas a cada oito metros, s\u00e3o plantadas \u00e1rvores frut\u00edferas com maior potencial de renda e consumo local. Isys ressaltou que as fam\u00edlias da Uatum\u00e3 vivem da pesca, do extrativismo e do ro\u00e7ado. No entanto, pelas caracter\u00edsticas do solo amaz\u00f4nico, um terreno consegue produzir poucos ciclos de cultivo nos ro\u00e7ados. A engenheira explica que, depois de tr\u00eas ou quatro colheitas, os produtores buscam novos terrenos por conta do empobrecimento do solo.<\/p>\n<p>A agricultora Claudirleia dos Santos Gomes, conhecida como Socorro, confirmou a condi\u00e7\u00e3o dos terrenos de ro\u00e7ada. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos uma \u00e1rea aqui bem degradada, onde a gente trabalhava muito, todos os anos, plantava macaxeira, tirava macaxeira, e assim voc\u00ea via aquele solo pobre mesmo. A gente come\u00e7ou a trabalhar com SAF e \u00e9 maravilhoso, porque voc\u00ea entra nessa parte onde n\u00e3o nascia nem mato e hoje n\u00f3s temos o solo recuperado\u201d, diz.<\/p>\n<p>Socorro e sua fam\u00edlia viviam principalmente da produ\u00e7\u00e3o de melancia. Hoje, al\u00e9m de ter um cultivo mais diversificado, ela consegue gerar renda a partir da produ\u00e7\u00e3o de mudas para o projeto do Idesam, contribuindo com o reflorestamento na regi\u00e3o. \u201cEu sou muito feliz hoje vendendo mudas porque tem nos ajudado e muito, melhorou muito, gra\u00e7as a Deus, a nossa situa\u00e7\u00e3o [de cultivo e preserva\u00e7\u00e3o] aqui dentro. Al\u00e9m de gerar emprego, gerar m\u00e3o de obra pras pessoas fazer as mudas\u201d, comemorou.<\/p>\n<p>Abastecidos por tr\u00eas viveiros, mantidos na reserva Uatum\u00e3, os plantios abrangeram 12 comunidades, apenas neste ano, durante um m\u00eas de atividades. A a\u00e7\u00e3o teve diferentes etapas, com preparo e enriquecimento do solo em \u00e1reas que foram desmatadas no passado e que sofreram tamb\u00e9m os impactos da grande seca de 2023.<\/p>\n<p>A agricultora disse tamb\u00e9m que a seca do ano passado foi a maior que ela j\u00e1 tinha visto. \u201cFoi uma seca muito grande e muito triste. Secou mesmo, e a gente ficou sem condi\u00e7\u00f5es de chegar at\u00e9 o viveiro. Foi aquele desespero pra n\u00e3o perder as mudas, porque o bote n\u00e3o entrava mais, a canoinha n\u00e3o passava mais. Por causa da lama, [o barco] atola. Para chegar no local, jogava um peda\u00e7o de pau, de t\u00e1bua, pra pisar em cima e ir levando a bomba [de \u00e1gua] nas costas pra ir molhando as mudas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Ela ressalta que o trabalho de plantio no modelo de agrofloresta tem sido importante para as comunidades. \u201cCada vez eu estou tendo mais consci\u00eancia e trabalho na quest\u00e3o de n\u00e3o derrubar, de cuidar, porque, se temos \u00e1rvores, temos um ar puro, evitamos essas complica\u00e7\u00f5es [da emerg\u00eancia clim\u00e1tica]. Com certeza, o plantio que a gente faz nos SAFs, muitas mudas da floresta, contribuiu muito para o melhoramento [da preserva\u00e7\u00e3o ambiental na regi\u00e3o].\u201d<\/p>\n<p>Na metodologia utilizada pelo Idesam, cada muda que se transforma em \u00e1rvore adulta corresponde a 0,3 tonelada de carbono capturada da atmosfera, o que, apenas no plantio realizado neste ano, representa 1,8 mil toneladas. Desde 2010, no total, foram 50 mil \u00e1rvores plantadas na RDS do Uatum\u00e3, ou seja, 15 mil toneladas de carbono capturadas pelo crescimento das \u00e1rvores, em 20 comunidades. Em toda a reserva moram em torno de 250 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201cNesse cen\u00e1rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a gente tem muito forte o aquecimento, de uma forma geral. E um forte causador disso \u00e9 o ac\u00famulo de gases de efeito estufa na atmosfera, que potencializa esse efeito. Quando a gente faz essa a\u00e7\u00e3o de plantio de \u00e1rvores, a gente est\u00e1 sequestrando mais gases da atmosfera, ent\u00e3o \u00e9 justamente a compensa\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s do plantio de \u00e1rvores, consegue mitigar esses efeitos\u201d, disse Isys, engenheira florestal do Idesam. Ela ressalta que, com um planeta mais quente, os ecossistemas se tornam menos resilientes. Um exemplo desse fen\u00f4meno \u00e9 o fogo que se alastra com muito mais facilidade.<\/p>\n<p>Isys avalia que a\u00e7\u00f5es como essa deveriam ganhar escala e serem implantadas no \u00e2mbito de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO Idesam atua ali na RDS Uatum\u00e3, mas existem muitas outras \u00e1reas que precisam de restaura\u00e7\u00e3o, principalmente nos grandes centros de desmatamento. Ali no Arco do Desmatamento [regi\u00e3o onde a fronteira agr\u00edcola avan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta], por exemplo, tem uma grande necessidade\u201d, disse. \u201cPrecisa sim de uma a\u00e7\u00e3o do governo, e n\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia. O reflorestamento \u00e9 essencial para a gente conseguir frear as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, acrescentou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O plantio de esp\u00e9cies nativas, no Sistema Agroflorestal (SAF), pelas comunidades na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (RDS) do Uatum\u00e3, no estado do Amazonas, minimizou os efeitos da seca severa do ano passado para as fam\u00edlias da regi\u00e3o. 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