{"id":328822,"date":"2024-05-16T07:49:37","date_gmt":"2024-05-16T10:49:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=328822"},"modified":"2024-05-16T08:50:07","modified_gmt":"2024-05-16T11:50:07","slug":"sapo-barbudo-canta-de-galo-e-engole-carcara-nos-pampas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sapo-barbudo-canta-de-galo-e-engole-carcara-nos-pampas\/","title":{"rendered":"Sapo barbudo canta de galo e engole carcar\u00e1 nos Pampas"},"content":{"rendered":"<p>Ainda hoje, mesmo n\u00e3o valendo mais um pum no reino da \u201cDeinamarca\u201d, Arlindo Orlando n\u00e3o perdeu o prazer de rir da desgra\u00e7a alheia. Carcar\u00e1 do papo amarelo, ele nunca foi coveiro, enfermeiro, marceneiro ou leiloeiro. Entretanto, adora um corpo frio, um hospital sem vacina, uma floresta sem madeira e um preg\u00e3o no fundo de um barco destinado a resgate de v\u00edtimas de enchentes. S\u00e3o prazeres m\u00f3rbidos, mas \u00e9 assim que ele, de parachoque meio bambo e louco para correr do batente, sobe no jet ski e, sem d\u00f3, d\u00e1 r\u00e9 na cat\u00e1strofe e desaparece no meio da fuma\u00e7a amaz\u00f4nica que ele criou, mas insiste em dizer que n\u00e3o \u00e9 dele.<\/p>\n<p>Joia rara e ar\u00e1bica, adorador do Pavilh\u00e3o Nacional enrolado no pesco\u00e7o dos tocadores de bumbo e ponta direita do Olho Vermelho Cana Clube, nosso her\u00f3i das revistas sem texto \u00e9 uma figura que s\u00f3 se acha nos dias festivos. Pr\u00f3-Putin, p\u00f3s-Trump e criador da teoria anti tudo que \u00e9 bom, Arlindinho Lasca N\u00f3s n\u00e3o d\u00e1 bola para o azar, mas, literalmente, n\u00e3o d\u00e1 uma dentro. Precoce na hora H, do dia D e do momento X, quando consegue, joga toda a \u00e1gua mole em pedra dura fora da bacia. \u00c9 um artista sem palco e com os holofotes apagados.<\/p>\n<p>E da\u00ed? N\u00e3o importa que ele n\u00e3o disponha mais do alfinete para golpear o inimigo. Al\u00e9m das fake que n\u00e3o assustam mais, h\u00e1 o marimbondo de fogo de estima\u00e7\u00e3o preso ao bolso direito da cal\u00e7a de moletom. O trai\u00e7oeiro bicho normalmente tem os ferr\u00f5es prontos para beliscar quem ousar atravessar seu caminho florido. Cora\u00e7\u00e3o de pedra e p\u00e9 gelado, Arlindo Orlando leva toda a parceirada que encosta em seu pesco\u00e7o para a casa do Barbalho, figura pol\u00edtica que o incomodou governando e vai incomodar mais ainda ministrando na Corte Suprema. Personagem circense da mitologia analfabeta, o sujeito em quest\u00e3o \u00e9 f\u00e3 dos sertanejos que cantam e encantam o pr\u00f3prio chifre e os alheios.<\/p>\n<p>Sem margem de erro, diria que \u00e9 a chifrol\u00e2ndia do s\u00e9culo XXI. Os sertanejos e seus f\u00e3s famosos n\u00e3o escondem a idolatria a um falecido poeta baiano do s\u00e9culo XX que tinha por m\u00e1xima sempre tentar outra vez. Sem preocupa\u00e7\u00e3o alguma, sua alteza sem trono \u2013 e agora seus seguidores \u2013 re\u00fane mission\u00e1rios da mil\u00edcia da f\u00e9 na Avenida Paulista ou na orla de Copacabana para reiterar que a vit\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 perdida, principalmente porque \u201c\u00e9 de batalhas que se vive a vida\u201d. Permitam-me meter o bedelho no fedelho. \u00c9 apenas para lembr\u00e1-lo que faz pouco tempo a tunda que levou na banda da direita. Foi uma sapecada daquelas que a gente n\u00e3o esquece nem rebolando.<\/p>\n<p>Acostumado a nadar contra a mar\u00e9, o mo\u00e7o nascido no circo e criado em cima do pau de sebo est\u00e1 furibundo com as chuvas de maio, sobretudo as que ca\u00edram sobre o Rio Grande do Sul, terra de todos os par\u00e7as embandeirados e do par\u00e7a maior. Falo do tucano que perdeu o bico, mas n\u00e3o perde a pose, tampouco a emp\u00e1fia, mantida brilhante gra\u00e7as ao poder regenerador do Sab\u00e3o Aristolino, bom para banhos gerais e parciais. De coco ou de pot\u00e1ssio, Aristolino tamb\u00e9m \u00e9 recomendado para ci\u00fames de governantes que aparecem demais e para a cura de mol\u00e9stias decorrentes do clima que n\u00e3o perdoa sequer os tomadores de chimarr\u00e3o em cuias de alum\u00ednio fosco da nova linha da Tramontina.<\/p>\n<p>O que o mo\u00e7o n\u00e3o sabe \u00e9 que acima das nuvens negras que desabaram sobre os Pampas h\u00e1 um buraco negro infestado de ratos, lacraias, jabutis e sapos barbudos, os quais t\u00eam feito de tudo para ficar em paz com os girinos locais. Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas que, justamente entre as terras de Javier Milei e Jos\u00e9 Mujica, Ad\u00e3o e Eva criaram seu cafofo. Afirmam, inclusive, que foi ali que o triunfo deu-se. Eva comeu a ma\u00e7\u00e3, pegou Ad\u00e3o e criou-se a barafunda. Eis a raz\u00e3o da vermelhid\u00e3o col\u00e9rica de Arlindo Orlando. Ele pensou a chuva somente para ele, mas as \u00e1guas come\u00e7aram a cair em 29 de abril, primeiro dia do alerta vermelho. Tudo a ver. Da\u00ed, as ma\u00e7\u00e3s viraram abacaxi de Marata\u00edzes e, no fim e ao cabo, quem est\u00e1 comendo a fruta \u00e9 o lobo bobo, travestido de galo, cujo n\u00famero no jogo do bicho \u00e9 13. Como Deus escreve certo por linhas tortas, vale o que est\u00e1 escrito.<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda hoje, mesmo n\u00e3o valendo mais um pum no reino da \u201cDeinamarca\u201d, Arlindo Orlando n\u00e3o perdeu o prazer de rir da desgra\u00e7a alheia. Carcar\u00e1 do papo amarelo, ele nunca foi coveiro, enfermeiro, marceneiro ou leiloeiro. 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