{"id":329260,"date":"2024-05-22T00:00:28","date_gmt":"2024-05-22T03:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=329260"},"modified":"2024-05-22T08:09:58","modified_gmt":"2024-05-22T11:09:58","slug":"calculo-de-riscos-desafia-politica-fiscal-diz-diretor-do-bndes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/calculo-de-riscos-desafia-politica-fiscal-diz-diretor-do-bndes\/","title":{"rendered":"C\u00e1lculo de riscos desafia pol\u00edtica fiscal, diz diretor do BNDES"},"content":{"rendered":"<p>Com o aumento da frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, calcular os riscos relacionados a esses epis\u00f3dios ser\u00e1 cada vez mais fundamental quando se trata de pol\u00edtica fiscal. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Estrutura\u00e7\u00e3o de Projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). Ele lembra que j\u00e1 existe um estudo realizado no \u00e2mbito da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no qual se estima que cada R$ 1 gasto em preven\u00e7\u00e3o economizaria R$ 15 em medidas necess\u00e1rias para a recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um desastre.<\/p>\n<p>&#8220;Esse c\u00e1lculo n\u00e3o \u00e9 simples. \u00c9 um c\u00e1lculo dif\u00edcil de ser comunicado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, mas a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica chegou. Esse c\u00e1lculo precisa ser feito e incorporado aos riscos fiscais de todos os pa\u00edses. E ele vai justificar a aloca\u00e7\u00e3o de recursos&#8221;, afirmou Barbosa.<\/p>\n<p>Para o diretor do BNDES, \u00e9 um cen\u00e1rio que desafia a pol\u00edtica fiscal, pois demanda mudan\u00e7as na forma como ela \u00e9 elaborada.<\/p>\n<p>&#8220;Tradicionalmente focamos ali no aspecto financeiro da meta do prim\u00e1rio do ano. Mas a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal tamb\u00e9m tem l\u00e1 um anexo de riscos. S\u00e3o v\u00e1rios riscos, uma boa parte dele judici\u00e1rios. Mas t\u00eam os riscos clim\u00e1ticos. E ao levar em considera\u00e7\u00e3o a probabilidade de um evento extremo acontecer no horizonte de tantos anos, voc\u00ea pode chegar \u00e0 conclus\u00e3o que se gastar R$ 1 bilh\u00e3o, voc\u00ea estar\u00e1 economizando provavelmente R$ 15 bilh\u00f5es&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>O tema foi pautado nesta ter\u00e7a-feira durante reuni\u00e3o sobre financiamento clim\u00e1tico, na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. O evento integrou a agenda de esfor\u00e7os da presid\u00eancia brasileira do G20. Participaram representantes do BNDES, do Minist\u00e9rio da Economia, da organiza\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica Instituto Clima e Sociedade (iCS) e da Finance in Common (FiCS), uma rede global de bancos p\u00fablicos de desenvolvimento que visa alinhar os fluxos financeiros em conson\u00e2ncia com o Acordo de Paris para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A diretora executiva do iCS, Maria Netto, tamb\u00e9m destacou a necessidade de mudan\u00e7as. &#8220;A forma como a gente trata desses riscos tradicionalmente usa informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas n\u00e3o os cen\u00e1rios a futuro&#8221;, observa. Ela destaca que, em diversos pa\u00edses, seguradoras est\u00e3o deixando de cobrir certos tipos de infraestrutura, o que pode gerar grandes perdas econ\u00f4micas caso ocorre um desastre.<\/p>\n<p>&#8220;A considera\u00e7\u00e3o do risco clim\u00e1tico pressup\u00f5e comparar o custo de n\u00e3o fazer nada versus o custo de fazer alguma coisa. Numa concess\u00e3o do tipo PPP [Parceria P\u00fablico-Privada] esses riscos hoje s\u00e3o vistos como for\u00e7a maior. Talvez tenham que considerar, pelo menos parte deles, como recorrentes. S\u00e3o mudan\u00e7as na forma de contabilizar economicamente a mudan\u00e7a do clima&#8221;.<\/p>\n<p>Netto faz men\u00e7\u00e3o \u00e0s discuss\u00f5es envolvendo a recupera\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, ap\u00f3s as enchentes recordes que atingiram diversas cidades. Um dos temas que vem sendo abordado por diversos especialistas \u00e9 a necessidade de termos novas constru\u00e7\u00f5es capazes de suportar outros eventos extremos.<\/p>\n<p>&#8220;Dois dos grupos de trabalho aqui estavam falando de infraestrutura resiliente. Se a gente n\u00e3o quiser ter mais custos do que a gente j\u00e1 est\u00e1 tendo agora, \u00e9 important\u00edssimo discutir como a gente vai definir essa resili\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 na reconstru\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, mas para todo o pa\u00eds, para todo o plano de infraestrutura do Brasil.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Bancos de Desenvolvimento<\/strong><br \/>\nO G20 \u00e9 formado pelas 19 maiores economias do mundo, al\u00e9m da Uni\u00e3o Europeia e da Uni\u00e3o Africana. O grupo se consolidou como foro global de di\u00e1logo e coordena\u00e7\u00e3o sobre temas econ\u00f4micos, sociais, de desenvolvimento e de coopera\u00e7\u00e3o internacional. Em 1\u00ba de dezembro de 2023, o Brasil substituiu a \u00cdndia e assumiu a presid\u00eancia. O mandato \u00e9 de um ano. \u00c9 a primeira vez que o pa\u00eds assume essa posi\u00e7\u00e3o no atual formato do G20, estabelecido em 2008. Em novembro de 2024, est\u00e1 prevista a realiza\u00e7\u00e3o da C\u00fapula do G20 no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O financiamento clim\u00e1tico \u00e9 um dos temas que vem sendo tratado com prioridade pela presid\u00eancia brasileira. Est\u00e3o sendo elaboradas, por exemplo, propostas para reformar os bancos internacionais de desenvolvimento e os fundos verdes internacionais. Um tema que ganhou relev\u00e2ncia no encontro realizado no BNDES envolve as plataformas de investimentos: s\u00e3o sistemas voltados para fomentar o surgimento de novos projetos e permitir que eles sejam apresentados a diversos poss\u00edveis financiadores. Embora seja mantida a n\u00edvel nacional, a troca de experi\u00eancias entre pa\u00edses tem sido considerada importante para aprimor\u00e1-las.<\/p>\n<p>O franc\u00eas R\u00e9my Rioux, presidente da FiCS, chama a aten\u00e7\u00e3o para o protagonismo dos bancos nacionais de desenvolvimento, que t\u00eam atuado para al\u00e9m do financiamento, prestando tamb\u00e9m aux\u00edlio para originar mais projetos. &#8220;Hoje, ainda n\u00e3o temos projetos de qualidade o suficiente que possam ser financiados&#8221;, observa. Segundo ele, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica depende de investimento adequado em n\u00edvel local.<\/p>\n<p>Criado em 2020, o FiCS surgiu da necessidade de produzir conhecimento e de fomentar a troca de informa\u00e7\u00f5es entre os bancos p\u00fablicos de desenvolvimento, sejam eles nacionais, internacionais ou multilaterais. Nesse processo, foram identificadas 530 institui\u00e7\u00f5es. De acordo com Rioux, elas somam US$ 23 trilh\u00f5es em ativos e, anualmente, s\u00e3o investidos US$ 2,5 trilh\u00f5es. Desse total, 90% s\u00e3o disponibilizados por bancos nacionais e 10% pelos internacionais. &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 uma promessa. \u00c9 o que j\u00e1 estamos entregando e anualmente&#8221;.<\/p>\n<p>Para Maria Netto, o interc\u00e2mbio das organiza\u00e7\u00f5es engajadas no debate clim\u00e1tico e os bancos de desenvolvimento precisa ser aprofundado. &#8220;Eles t\u00eam um mandato p\u00fablico e, ao mesmo tempo, t\u00eam essa possibilidade de conhecer bem o mercado privado. Existe obviamente provoca\u00e7\u00f5es para esses bancos. Como \u00e9 que a gente pode atrair investimento p\u00fablico e privado para combinar recursos e alavancar investimentos necess\u00e1rios para poder ter uma ambi\u00e7\u00e3o maior com rela\u00e7\u00e3o ao que a gente quer fazer para cumprir as metas do Acordo de Paris?&#8221;, questiona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o aumento da frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos, calcular os riscos relacionados a esses epis\u00f3dios ser\u00e1 cada vez mais fundamental quando se trata de pol\u00edtica fiscal. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Estrutura\u00e7\u00e3o de Projetos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES). 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