{"id":329421,"date":"2024-05-24T07:33:14","date_gmt":"2024-05-24T10:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=329421"},"modified":"2024-05-24T07:33:29","modified_gmt":"2024-05-24T10:33:29","slug":"filhos-de-boa-senhora-politicos-negociam-ate-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/filhos-de-boa-senhora-politicos-negociam-ate-alma\/","title":{"rendered":"Filhos de &#8216;boa senhora&#8217;, pol\u00edticos negociam at\u00e9 alma"},"content":{"rendered":"<p>Inspirador de boas hist\u00f3rias, o velho Aristarco Pederneira de Ara\u00fajo n\u00e3o viveu o tempo necess\u00e1rio para acompanhar meu sonho et\u00edlico-er\u00f3tico. Embora n\u00e3o tenha fincado ra\u00edzes, participou de minhas andan\u00e7as juvenis pela Rua Pinto de Azevedo, no quadril\u00e1tero conhecido como templo do amor. Para os leigos, posso garantir que o local era muito mais prazeroso do que os atuais templos evang\u00e9licos. Talentoso na pr\u00e1tica <em>reprodut\u00f3ria<\/em> (foram 18 filhos homens), o velho viveu para dar trabalho \u00e0s parteiras. Daqueles que jamais experimentaram qualquer tipo de recurso para conter meninos, meu av\u00f4 usou camisinha uma ou duas vezes e, como dizia, exclusivamente por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica em favor de minha av\u00f3.<\/p>\n<p>Lembro como se fosse hoje a resposta que ele deu ao m\u00e9dico quando indagado sobre o uso correto do protetor de bilau em desuso: \u201cClaro doutor. S\u00f3 tiro para mijar e para <em>funhanhar<\/em>\u201d. Mais interessante foram as numerosas vezes em que ele confundiu a camisinha com touca de dormir. Saudades desse per\u00edodo em que sonhava ser tamb\u00e9m um empres\u00e1rio do amor. O sonho de adolescente quase consegui concretizar na idade adulta. Dei com os burros n\u2019\u00e1gua pela ranhetice negociada e pela repulsa consentida de minha m\u00e3e e de minha sogra, ambas, infelizmente, j\u00e1 candidamente descansando no reino dos c\u00e9us.<\/p>\n<p>A nem t\u00e3o genial ideia era negociar com o neg\u00f3cio dos outros. Quero dizer das outras. Vista pelas senhoras muito amadas como uma proposta religiosamente indecente, meu projeto era abrir uma casa de sali\u00eancia p\u00fablica, no estilo da C\u00e2mara dos Deputados. A diferen\u00e7a \u00e9 que, para evitar os gritos das galerias, s\u00f3 abriria o neg\u00f3cio alheio fora do hor\u00e1rio comercial. Bem pr\u00f3ximo do registro final no cart\u00f3rio de CNPJs, o nome fantasia seria Casa de Facilidades S\u00e3o Judas Tadeu. Escolhi tal denomina\u00e7\u00e3o porque entendia que precisava misturar o nome com o verbo dar, do tipo est\u00e1 dando.<\/p>\n<p>At\u00e9 as fun\u00e7\u00f5es da m\u00e3e e da sogra j\u00e1 estavam fechadas. Uma seria operadora de caixa e a outra fiscal de pista, aquela que bateria de porta em porta anunciando o fim do servi\u00e7o contratado. S\u00f3 faltava definir qual delas faria o que. \u00c9 claro que a empreitada imaginada para ser eterna n\u00e3o passou de um sonho p\u00edfio de ver\u00e3o. Antecipadamente, me imaginei quebrando na primeira fornada de clientes. E certamente n\u00e3o teria sequer oportunidade de experimentar o estoque. A m\u00e3e e a sogra nunca permitiriam tal abuso empresarial. Enfim, desisti porque n\u00e3o sou do ramo de abrir neg\u00f3cios. Prefiro os neg\u00f3cios j\u00e1 abertos.<\/p>\n<p>Passadas algumas d\u00e9cadas, volto a lamentar pelo fechamento desabrido do neg\u00f3cio das mo\u00e7as. E hoje lamento e culpo o ministro da Fazenda de Luiz In\u00e1cio, Fernando Haddad, por n\u00e3o t\u00ea-lo conhecido naquele tempo n\u00e3o t\u00e3o distante. Embora avaliem o neg\u00f3cio como sujo, soube de fonte limpa que o governo Lula analisa uma proposta de regulamenta\u00e7\u00e3o das casas noturnas de prostitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei se as matutinas e as vespertinas estar\u00e3o isentas da taxa\u00e7\u00e3o. O que sei \u00e9 que, diante da exist\u00eancia de cerca de 15 mil dessas casas clandestinas, o lucro do governo poderia alcan\u00e7ar R$ 2 bilh\u00f5es ao ano. Em outras palavras, neg\u00f3cio e arrecada\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p>A exemplo da pol\u00edtica, eita neg\u00f3cio lucrativo essa tal de profiss\u00e3o mais antiga do mundo. A compara\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica \u00e9 simples: s\u00e3o os \u00fanicos empregos que n\u00e3o exigem experi\u00eancia anterior. Apesar da alcunha jocosa de meretrizes, elas merecem respeito e carinho pelo prazer que proporcionam. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 demais lembrar que elas tamb\u00e9m geram filhos, os chamados filhos de uma boa senhora. S\u00e3o esses que viram pol\u00edticos, traficantes, garimpeiros ilegais, golpistas e seguidores de Elon Musk. Do meu catre ou longe dele, sugiro aos falsos conservadores que, antes de chamar de prostituta a mulher que negocia o corpo, descubram uma denomina\u00e7\u00e3o menos corrompida para os que vendem o car\u00e1ter e a alma. Afinal, a pior prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 a que se ignora.<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inspirador de boas hist\u00f3rias, o velho Aristarco Pederneira de Ara\u00fajo n\u00e3o viveu o tempo necess\u00e1rio para acompanhar meu sonho et\u00edlico-er\u00f3tico. Embora n\u00e3o tenha fincado ra\u00edzes, participou de minhas andan\u00e7as juvenis pela Rua Pinto de Azevedo, no quadril\u00e1tero conhecido como templo do amor. 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