{"id":329772,"date":"2024-05-29T00:04:37","date_gmt":"2024-05-29T03:04:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=329772"},"modified":"2024-05-29T04:56:57","modified_gmt":"2024-05-29T07:56:57","slug":"absorvente-de-graca-chegou-a-duas-milhoes-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/absorvente-de-graca-chegou-a-duas-milhoes-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Absorvente de gra\u00e7a chegou a duas milh\u00f5es de mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Quase 2 milh\u00f5es de pessoas retiraram absorventes de gra\u00e7a por meio do Programa Dignidade Menstrual, lan\u00e7ado neste ano, segundo dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os produtos podem ser retirados em unidades da Farm\u00e1cia Popular. Estima-se que o programa pode beneficiar cerca de 24 milh\u00f5es de pessoas, com idades entre 10 e 49 anos, e que n\u00e3o t\u00eam acesso ao item durante o ciclo menstrual.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 a data de 24 de maio, 1.737.061 pessoas foram atendidas pelo Programa, retirando seus absorventes em estabelecimentos credenciados ao Programa Farm\u00e1cia Popular\u201d, informou o minist\u00e9rio \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, por meio da assessoria de imprensa.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira (28), foi lembrado o Dia Internacional da Dignidade Menstrual. A pasta destaca que a data \u00e9 reconhecida em mais de 50 pa\u00edses e tem o intuito de discutir e enfrentar a pobreza menstrual, que afeta significativamente a vida de quem menstrua.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio n\u00e3o manifestou-se sobre estudo do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), segundo o qual menstrua\u00e7\u00e3o segura ainda \u00e9 um desafio no Brasil. O estudo concluiu que \u201co direito de menstruar de maneira digna, segura e com acesso a itens de higiene ainda \u00e9 um desafio para adolescentes e jovens, o que inclui meninas, mulheres, homens e meninos trans e pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias que menstruam\u201d.<\/p>\n<p><strong>Dificuldades<\/strong><br \/>\nA m\u00e9dica ginecologista Daniela Angerame Yela, membro da Comiss\u00e3o de Ginecologia End\u00f3crina da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (Febrasgo), concorda com o Unicef.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, existem pol\u00edticas p\u00fablicas que est\u00e3o tentando mudar esse cen\u00e1rio no pa\u00eds, mas ainda se v\u00ea bastantes dificuldades, em especial entre a popula\u00e7\u00e3o mais carente. Informou que teses feitas por alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontaram car\u00eancias em termos de menstrua\u00e7\u00e3o digna em popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas da Amaz\u00f4nia e em zonas de fronteiras que recebem muito imigrantes. \u201cEssas pessoas t\u00eam muita dificuldade\u201d. Explicou que tamb\u00e9m em grandes centros, como S\u00e3o Paulo, h\u00e1 muitas mulheres com dificuldade de se cadastrarem nos programas governamentais para terem acesso aos absorventes higi\u00eanicos. \u201cTem muitos programas p\u00fablicos, mas nem todo mundo consegue ter acesso a tudo\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da ginecologista, deveriam ser feitas campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o nas escolas, visando acessar meninas e adolescentes. \u201cAcho que \u00e9 onde a gente vai conseguir uma abrang\u00eancia maior, al\u00e9m de divulga\u00e7\u00e3o, porque a\u00ed elas conseguem passar para as m\u00e3es e para o restante da popula\u00e7\u00e3o\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos programas p\u00fablicos, Daniela Angerame Yela defendeu que sejam ampliados, porque, a seu ver, isso n\u00e3o representar\u00e1 um custo grande para os governos. A Unicamp realizou campanha de arrecada\u00e7\u00e3o de absorventes que foram doados a popula\u00e7\u00f5es carentes de Campinas e Valinhos.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o permanente<\/strong><br \/>\nA Central \u00danica das Favelas (Cufa) mant\u00e9m campanha permanente de combate \u00e0 pobreza menstrual, arrecadando absorventes que s\u00e3o distribu\u00eddos para meninas e mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a presidente da Cufa Brasil, Kalyne Lima, destacou a viv\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o nos trabalhos realizados h\u00e1 alguns anos que envolvem essa tem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Kalyne destacou tamb\u00e9m o Programa Dignidade Menstrual, do governo federal. \u201cA gente identifica, muitas vezes, um n\u00edvel de vulnerabilidade t\u00e3o grande que at\u00e9 mesmo com uma pol\u00edtica como essa, que promove o acesso a absorventes, muitas mulheres sequer t\u00eam conhecimento ou conseguem fazer o tr\u00e2mite burocr\u00e1tico para poder se cadastrar e ser contemplada com esse tipo de pol\u00edtica. A gente est\u00e1 dentro de um contexto social de muitas camadas\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, trata-se de uma pol\u00edtica superimportante e necess\u00e1ria. \u201cReconhecemos, inclusive, que ela auxilia muito no direito da mulher mas, em contraponto, a gente percebe que existe um distanciamento, muitas vezes, de certas pol\u00edticas ao seu p\u00fablico-alvo\u201d. Isso ocorre, segundo Kalyne, porque h\u00e1 mulheres em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade a quem falta conhecimento e campanhas mais abrangentes e did\u00e1ticas que as fa\u00e7am compreender aquilo que elas podem alcan\u00e7ar enquanto direito. Afirmou que, de certa forma, ainda ficam muitas mulheres e homens que menstruam \u00e0 margem dessa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A campanha de arrecada\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de absorventes da CUFA \u00e9 feita de forma descentralizada e se intensifica mediante algumas programa\u00e7\u00f5es, como o M\u00eas da Mulher, o Dia das Mulheres, ou algumas a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. \u201cMas a campanha \u00e9 permanente, porque a gente entende que \u00e9 necess\u00e1rio esse tipo de subs\u00eddio e que, associado a essas campanhas, a gente tenta levar a informa\u00e7\u00e3o sobre a pol\u00edtica que o governo federal desenvolve e que as mulheres precisam ter acesso de toda forma\u201d.<\/p>\n<p><strong>Escolas<\/strong><br \/>\nO presidente da Comiss\u00e3o de Ginecologia End\u00f3crina da Febrasgo, Jos\u00e9 Maria Soares, tamb\u00e9m supervisor do Setor de Ginecologia End\u00f3crina e Climat\u00e9rio do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), lembrou que a pobreza menstrual acontece muitas vezes com adolescentes e mulheres de baixa renda, que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para arcar com o custo dos absorventes no com\u00e9rcio durante o per\u00edodo menstrual. Soares disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que, com isso, elas s\u00e3o obrigadas a usar panos para fazer a higieniza\u00e7\u00e3o pessoal. \u201cAlgumas perdem dias de aula por causa disso\u201d.<\/p>\n<p>Como nem todas as adolescentes e mulheres t\u00eam acesso ao programa governamental, ele sugeriu que o ideal seria mandar um agente de sa\u00fade ou agente social \u00e0s escolas para efetuar o cadastramento das estudantes. \u201cSeria at\u00e9 uma forma de o programa ser mais efetivo. O governo faz um programa desse, algumas pessoas t\u00eam acesso, outras n\u00e3o. J\u00e1 se voc\u00ea vai falar sobre menstrua\u00e7\u00e3o na escola, al\u00e9m de prestar uma educa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tamb\u00e9m d\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o de que existe um programa do governo para isso\u201d. Destacou, ainda, que a adolescente, nesse caso, funciona como multiplicadora porque pode falar com a m\u00e3e, amiga, tia, vizinhas que, se estiverem na mesma situa\u00e7\u00e3o, poder\u00e3o conseguir acesso \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de absorventes e isso vai multiplicando as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 2 milh\u00f5es de pessoas retiraram absorventes de gra\u00e7a por meio do Programa Dignidade Menstrual, lan\u00e7ado neste ano, segundo dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Os produtos podem ser retirados em unidades da Farm\u00e1cia Popular. 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