{"id":329797,"date":"2024-05-29T00:36:42","date_gmt":"2024-05-29T03:36:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=329797"},"modified":"2024-05-29T06:58:31","modified_gmt":"2024-05-29T09:58:31","slug":"estudo-aponta-que-meio-milhao-de-cariocas-passam-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-aponta-que-meio-milhao-de-cariocas-passam-fome\/","title":{"rendered":"Estudo aponta que meio milh\u00e3o de cariocas passam fome"},"content":{"rendered":"<p>A inseguran\u00e7a alimentar grave \u00e9 realidade em 7,9% das casas na capital fluminense. Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 489 mil pessoas que passam fome. Cerca de 2 milh\u00f5es de cariocas convivem com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar (seja leve, moderada ou grave). Os dados in\u00e9ditos fazem parte do I Inqu\u00e9rito sobre a Inseguran\u00e7a Alimentar no Munic\u00edpio do Rio de Janeiro \u2013 o Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A pesquisa revela ainda que o acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada se d\u00e1 de forma desigual na geografia da capital fluminense. A \u00c1rea de Planejamento (AE) 3 (Zona Norte sem a Grande Tijuca) \u00e9 a mais atingida pela fome \u2013 ela se apresenta em 10,1% das casas. A fome \u00e9 maior nos lares chefiados por pessoas negras (em 9,5% desses domic\u00edlios). Quando o estudo faz a an\u00e1lise por g\u00eanero, 8,3% das fam\u00edlias comandadas por mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam o que comer.<\/p>\n<p>O Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro \u00e9 uma parceria entre a Frente Parlamentar contra a Fome e a Mis\u00e9ria no Munic\u00edpio do Rio de Janeiro da C\u00e2mara Municipal e o Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o Josu\u00e9 de Castro (INJC\/UFRJ). Com o lan\u00e7amento do estudo, o Rio de Janeiro se torna a primeira cidade brasileira a mapear a inseguran\u00e7a alimentar e a fome em n\u00edvel municipal.<\/p>\n<p>Outros indicadores mostram que a falta de comida atinge 16,6% das fam\u00edlias lideradas por pessoas com escolaridade mais baixa. A fome tamb\u00e9m atinge 18,3% das casas onde a pessoa de refer\u00eancia est\u00e1 desempregada, e em 34,7% dos domic\u00edlios com renda per capita mais baixa.<\/p>\n<p>\u201cO perfil da pessoa que passa fome no Rio acompanha as desigualdades nacionais. As fam\u00edlias que t\u00eam inseguran\u00e7a alimentar grave t\u00eam a chefia feminina, que tenha pessoa preta ou parda, com menor escolaridade com fundamental incompleto, desempregado e fam\u00edlias de menor renda, inferior a um quarto do sal\u00e1rio m\u00ednimo per capita\u201d, disse Rosana Salles-Costa, professora e pesquisadora do INJC\/UFRJ.<\/p>\n<p><strong>Dados<\/strong><br \/>\nAs estat\u00edsticas foram coletadas entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, a partir da realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas em 2 mil domic\u00edlios das cinco APs do munic\u00edpio. A seguran\u00e7a alimentar foi medida pela Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (EBIA), que tamb\u00e9m \u00e9 utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>&#8220;O Mapa da Fome do Rio \u00e9 um importante legado da Frente Parlamentar Contra a Fome e a Mis\u00e9ria para a popula\u00e7\u00e3o carioca. Ele servir\u00e1 de base para fornecer crit\u00e9rios t\u00e9cnicos para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, e com isso auxiliar na amplia\u00e7\u00e3o dos restaurantes populares, cozinhas comunit\u00e1rias, banco de alimentos e demais instala\u00e7\u00f5es de programas de seguran\u00e7a alimentar&#8221;, afirmou o vereador Dr. Marcos Paulo (PT), presidente da Frente Parlamentar Contra a Fome e a Mis\u00e9ria no Munic\u00edpio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro revela que o percentual de fome no munic\u00edpio \u00e9 quase o dobro se comparado com o dado nacional rec\u00e9m-divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) divulgada em abril, a fome esteve presente em 4,1% das casas brasileiras. No estado do Rio de Janeiro, ainda segundo a PNAD, o percentual de 3,1% ressalta ainda mais a situa\u00e7\u00e3o aguda da capital fluminense.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas<\/strong><br \/>\nO estudo analisa as pol\u00edticas p\u00fablicas e iniciativas \u2013 do governo ou da sociedade civil \u2013 que t\u00eam por objetivo assegurar o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Os tr\u00eas restaurantes populares municipais existentes (em Bonsucesso, Bangu e Campo Grande) atenderam a apenas 6,9% da popula\u00e7\u00e3o carioca. As cozinhas comunit\u00e1rias e o programa Prato Feito Carioca foram acessados, de agosto a outubro de 2023, por apenas 2,1% dos moradores da cidade. As visitas \u00e0s resid\u00eancias de agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade tamb\u00e9m t\u00eam se mostrado escassas: 56,5% da popula\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio relatou n\u00e3o ter recebido a visita nos \u00faltimos tr\u00eas meses.<\/p>\n<p>O principal programa de seguran\u00e7a alimentar do munic\u00edpio consiste no acompanhamento assistencial e nutricional em unidades de acolhimento (abrigos, hot\u00e9is e albergues noturnos) de adultos, crian\u00e7as e adolescentes. Foram identificados 34 equipamentos p\u00fablicos (que atendem a 1,5 mil pessoas), e cinco hot\u00e9is (com 500 h\u00f3spedes). H\u00e1 apenas um albergue voltado para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAP+, localizado na AP 1 (Centro e zona portu\u00e1ria). Na AP 2 (zona sul), h\u00e1 somente duas unidades de reinser\u00e7\u00e3o social, localizadas no Catete e em Laranjeiras.<\/p>\n<p>\u201cPara reverter esse quadro, \u00e9 preciso ampliar os equipamentos p\u00fablicos para essas pessoas em maior vulnerabilidade no acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, que seriam as cozinhas comunit\u00e1rias cariocas como tamb\u00e9m os restaurantes populares. Em outra frente, \u00e9 necess\u00e1rio aumentar a renda, melhorar a escolaridade e o emprego. Porque da\u00ed eu consigo reduzir a desigualdade e os n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar\u201d, disse Rosana Salles-Costa.<\/p>\n<p><strong>Inseguran\u00e7a h\u00eddrica<\/strong><br \/>\nA inseguran\u00e7a h\u00eddrica tamb\u00e9m \u00e9 avaliada pelo Mapa da Fome da capital carioca. O estudo revela que 15% dos lares cariocas n\u00e3o tiveram fornecimento regular de \u00e1gua ou sofreram com a falta de \u00e1gua pot\u00e1vel. Dessas fam\u00edlias, 27% se encontraram em situa\u00e7\u00e3o de fome. As regi\u00f5es mais afetadas pela escassez de recursos h\u00eddricos s\u00e3o Centro e zona portu\u00e1ria), com 24,3% e a zona norte sem a Grande Tijuca, com 21,7%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 urgente construir uma agenda de projetos de lei, pol\u00edticas p\u00fablicas, estrat\u00e9gias e outras a\u00e7\u00f5es. O n\u00famero de cozinhas comunit\u00e1rias e restaurantes populares, por exemplo, deve aumentar. S\u00e3o esses os espa\u00e7os que asseguram a distribui\u00e7\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis e gratuitas ou com pre\u00e7os acess\u00edveis em toda a cidade do Rio de Janeiro\u201d, afirma o vereador Dr. Marcos Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inseguran\u00e7a alimentar grave \u00e9 realidade em 7,9% das casas na capital fluminense. Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 489 mil pessoas que passam fome. 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