{"id":329988,"date":"2024-06-01T07:20:23","date_gmt":"2024-06-01T10:20:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=329988"},"modified":"2024-06-01T07:22:29","modified_gmt":"2024-06-01T10:22:29","slug":"brasil-so-muda-quando-eleitor-aprender-a-votar-sem-temer-bicho-papao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-so-muda-quando-eleitor-aprender-a-votar-sem-temer-bicho-papao\/","title":{"rendered":"Brasil s\u00f3 muda quando eleitor aprender a votar sem temer bicho-pap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Depois de quatro anos de expectativa frustrada e de 16 meses de esperan\u00e7a, eis que surgem dois novos Brasis: o da utopia e o da realidade. N\u00e3o se trata de uma descoberta, na medida em que n\u00e3o h\u00e1 nada de inusitado nesses novos tempos. O problema \u00e9 que, quando se imaginava algo melhor, mais sensato e menos nocivo, ocorre a constata\u00e7\u00e3o de que realmente houve uma mudan\u00e7a, mas para pior. Muito pior. Nesse per\u00edodo, acirrado pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica do Rio Grande do Sul, o povo brasileiro experimentou perguntas alvissareiras, algumas mentirosas, e respostas nada respeitosas ou convidativas ao bom senso. No entanto, o aprendizado \u00e9 pr\u00f3ximo de zero.<\/p>\n<p>Lembro de eleitos terem prometido um pa\u00eds de normalidade absoluta. Logo depois, na primeira crise mais s\u00e9ria, negaram apoio irrestrito a uma doen\u00e7a letal e, sempre com deboches, inventaram medicamentos fakes contra o v\u00edrus e, no fim, tiraram a obriga\u00e7\u00e3o da reta, lembrando ironicamente que n\u00e3o podiam agir como coveiros. Derrotados, a op\u00e7\u00e3o supostamente mais tranquila foi uma fracassada tentativa de golpe na democracia. O tempo passou, mas a crueldade n\u00e3o. Hoje, enquanto os ga\u00fachos perdem a dignidade ou desaparecem sob escombros, as mentiras continuam sendo disparadas nas plataformas digitais.<\/p>\n<p>Em se tratando de Rio Grande do Sul, muito pior \u00e9 ver um filho da terra fugindo da raia. Para quem passou quatro anos se esgueirando na sombra de um militar de menor patente e vive h\u00e1 15 meses acusando o atual mandat\u00e1rio de pregui\u00e7oso, o que tem feito o senador Mour\u00e3o Hamilton (Republicanos-RS) pelo Brasil e, principalmente, por seus conterr\u00e2neos em desgra\u00e7a quase absoluta? Nada! Ali\u00e1s, nesse ano e meio ele \u201cvisitou\u201d o Estado apenas duas vezes. Indagado sobre sua aus\u00eancia durante a trag\u00e9dia, disse que ajudar as v\u00edtimas das enchentes n\u00e3o \u00e9 fun\u00e7\u00e3o dele como senador. Acrescentou que, caso fosse, significaria desvio de fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho dif\u00edcil que algu\u00e9m pensasse desse modo. Todavia, deixar de ajudar um irm\u00e3o \u00e0 m\u00edngua \u00e9 o pior dos defeitos. \u00c9 desvio de conduta. Virar as costas para os seus \u00e9 desmerecer o mandato. Jornalistas, m\u00e9dicos, engenheiros, taxistas, produtores rurais, donas de casa e at\u00e9 moradores de rua n\u00e3o t\u00eam nenhuma expertise para esse tipo de trabalho. No entanto, estiveram e est\u00e3o em Porto Alegre e demais cidades do Estado voluntariamente, isto \u00e9, por que, mesmo com mais de 70 anos, pensam no pr\u00f3ximo como seres humanos. Parece n\u00e3o ser o caso do senador, casualmente ex-vice-presidente da Rep\u00fablica que ele quase ajudou a afundar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de botar as m\u00e3os e a cara no lama\u00e7al em que se transformou boa parte do Rio Grande do Sul, o atual governante tem se esfor\u00e7ado para que tenhamos um Brasil diferente. Esta semana, ele se irritou com o pre\u00e7o do arroz. A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com o arroz, mas com os valores cobrados pelo feij\u00e3o, carne, frango, ovos, \u00f3leo, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, combust\u00edvel e rem\u00e9dios. Voltamos \u00e0 fase da expectativa, torcendo para que a realidade seja menos ut\u00f3pica do que a enfrentada durante a negritude e da aus\u00eancia total de valores civilizat\u00f3rios. Escrever, reclamar, gritar ou espernear contra a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. N\u00f3s os elegemos.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00f3s somos os grandes culpados pelas mazelas que sofremos. H\u00e1 formas mais elementares de mudar os rumos do pa\u00eds. A mais r\u00e1pida e eficaz \u00e9 pelo voto. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas aprender a votar \u00e9 fundamental. O passo inicial pode ser deixar de eleger os mesmos candidatos ou quem eles indicam. A mesmice leva aos parlamentos e aos governos federal, estadual e municipal representantes ambiciosos das ind\u00fastrias, do agroneg\u00f3cio, dos mercados de sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o e medicamentos, os quais, nos momentos de crise, s\u00e3o os primeiros a lucrar. O destino est\u00e1 tra\u00e7ado. Mud\u00e1-lo s\u00f3 depende de n\u00f3s. Temos a arma. Falta o mais importante: a consci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de quatro anos de expectativa frustrada e de 16 meses de esperan\u00e7a, eis que surgem dois novos Brasis: o da utopia e o da realidade. N\u00e3o se trata de uma descoberta, na medida em que n\u00e3o h\u00e1 nada de inusitado nesses novos tempos. 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