{"id":330210,"date":"2024-06-05T10:01:09","date_gmt":"2024-06-05T13:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=330210"},"modified":"2024-06-05T10:01:09","modified_gmt":"2024-06-05T13:01:09","slug":"perfil-da-pos-graduacao-mostra-novo-quadro-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/perfil-da-pos-graduacao-mostra-novo-quadro-no-pais\/","title":{"rendered":"Perfil da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o mostra novo quadro no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil formou e empregou mais mestres e doutores em 25 anos, os cursos est\u00e3o melhor distribu\u00eddos entre as regi\u00f5es e h\u00e1 mais mulheres p\u00f3s-graduadas.<\/p>\n<p>No entanto, apesar das mudan\u00e7as, permanecem assimetrias hist\u00f3ricas como a remunera\u00e7\u00e3o mais baixa das mestras e doutoras em compara\u00e7\u00e3o aos colegas do sexo masculino com a mesma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Ainda \u00e9 baixa a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com essas qualifica\u00e7\u00f5es no conjunto da sociedade.<\/p>\n<p>O retrato da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds est\u00e1 no estudo Brasil: Mestres e Doutores, produzido pelo Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE), organiza\u00e7\u00e3o social supervisionada pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), com sede em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo o CGEE, h\u00e1 \u201cclara evid\u00eancia do processo de desconcentra\u00e7\u00e3o regional ocorrido na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileira entre 1996 e 2021&#8243;. Conforme an\u00e1lise, a Regi\u00e3o Sudeste concentrava 62% do n\u00famero de cursos de mestrado brasileiros em 1996. Ap\u00f3s 25 anos, essa participa\u00e7\u00e3o caiu 20 pontos percentuais.<\/p>\n<p>O mesmo fen\u00f4meno foi observado no doutorado. Em 1996, oito de cada dez cursos de doutorado estavam no Sudeste (79,2%). No mesmo intervalo de tempo, o peso da regi\u00e3o caiu 29,6 pontos percentuais.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, a geografia das titula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m se modificou. \u201cEm 1996, 67,4% dos t\u00edtulos de mestrado e 88,9% dos t\u00edtulos de doutorado foram concedidos na Regi\u00e3o Sudeste\u201d, diz o estudo. Em 2021, \u201ctais participa\u00e7\u00f5es tinham diminu\u00eddo para, respectivamente, 43,5% e 52,5%.\u201d<\/p>\n<p><strong>Carteira assinada<\/strong><br \/>\nAs mudan\u00e7as atingiram o mercado de trabalho formal. Em 2009, no Sudeste estavam empregados 55,1% dos doutores e 49,2% dos mestres. Em 2021, a preval\u00eancia de doutores na regi\u00e3o permanece, mas deixa de ser majorit\u00e1ria, cai para 45,6% dos doutores empregados. No caso dos mestres com carteira assinada, a propor\u00e7\u00e3o caiu para 43,9%.<\/p>\n<p>A redistribui\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil tem a ver com dois movimentos. Em primeiro lugar, a mobilidade de mestres e doutores, especialmente dos estados de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, para estados de outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o aumento da forma\u00e7\u00e3o local, que diminui a relev\u00e2ncia da \u201cimporta\u00e7\u00e3o\u201d de profissionais com mestrado e doutorado. \u201cO fato de ter p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil inteiro dificulta a mobilidade\u201d, avalia a soci\u00f3loga Fernanda Sobral, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p><strong>Desigualdade<\/strong><br \/>\nFernanda comemora a desconcentra\u00e7\u00e3o, mas alerta para a queda recente da taxa de crescimento de cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Entre 1996 e 2021, o n\u00famero de programas de mestrado e doutorado passou de 608 para 4.691. O sucesso entre 2016 e 2021 foi menos intenso, no entanto. Segundo o CGEE, houve \u201cclara desacelera\u00e7\u00e3o do processo de crescimento da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o brasileira nos cinco \u00faltimos anos da s\u00e9rie analisada (1996-2021).\u201d<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do ritmo preocupa especialmente a comunidade cient\u00edfica porque o n\u00famero de titulados por habitante ainda \u00e9 pequeno. Em 2021, o pa\u00eds tinha 27 mestres para cada grupo de 100 mil habitantes e 10,2 doutores para cada 100 mil habitantes. \u201cIsso ainda \u00e9 baixo. Isso tem a ver com a nossa desigualdade social que \u00e9 muito grande. &#8220;Para ter um n\u00edvel educacional \u00e9 dif\u00edcil\u201d, afirma Fernanda Sobral.<\/p>\n<p>A vice-presidente da SBPC, que acompanhou o lan\u00e7amento do estudo em Bras\u00edlia, tamb\u00e9m destacou a remunera\u00e7\u00e3o mais baixa paga as mulheres tituladas. Em 2021, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das mulheres com mestrado era de R$ 10.033,95 \u2013 26,7% menor do que recebiam os homens com a mesma forma\u00e7\u00e3o. No caso das doutoras, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia naquele ano era de R$ 14.782,68 \u2013 16,4% abaixo do que ganhavam os doutores.<\/p>\n<p>Um detalhe importante \u00e9 que a presen\u00e7a feminina \u00e9 majorit\u00e1ria na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. \u201cA partir do ano de 1997, as mulheres passaram a ser maioria entre os titulados em cursos de mestrado no Brasil, A partir de 2003, elas tamb\u00e9m passaram a ser maioria entre os titulados em cursos de doutorado. A participa\u00e7\u00e3o de mulheres no total de t\u00edtulos de mestrado e de doutorado no ano de 2021 foram, respectivamente, 13,6 e 11,2 pontos percentuais maiores do que as participa\u00e7\u00f5es de homens.\u201d<\/p>\n<p>Os dados analisados pelo CGEE s\u00e3o das bases de informa\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE), Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS); e da Plataforma Sucupira, mantida pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), funda\u00e7\u00e3o vinculada ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) e respons\u00e1vel pela pol\u00edtica de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p><strong>P\u00fablico e privado<\/strong><br \/>\nConforme dados secund\u00e1rios, o setor p\u00fablico emprega mais mestres e doutores do que as empresas privadas, especialmente por causa das universidades p\u00fablicas federais e estaduais, que s\u00e3o grandes empregadoras de professores que t\u00eam essas forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>A despeito da tend\u00eancia, o CGEE captou maior demanda por for\u00e7a de trabalho qualificada entre entidades empresariais. \u201cO que a gente viu recentemente \u00e9 que as entidades empresariais privadas passaram a ter papel importante no emprego de mestres &#8211; 25% do total dos mestres que est\u00e3o empregados, trabalham hoje em entidades empresariais privadas\u201d, diz Sofia Daher, coordenadora do estudo do CGEE e doutora em ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo ela, a contrata\u00e7\u00e3o de mestres e doutores pode ser fundamental em setores estrat\u00e9gicos como a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que precisa de desenvolvimento tecnol\u00f3gico e inova\u00e7\u00e3o para ser competitiva. Pessoas com mestrado e doutorado \u201cs\u00e3o respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e aplica\u00e7\u00e3o desses resultados\u201d, afirma a coordenadora.<\/p>\n<p>\u201cTemos conversado com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, que junto com outras institui\u00e7\u00f5es, tem discutido bastante pol\u00edticas que possam aumentar a absor\u00e7\u00e3o de mestres e doutores pelo setor empresarial privado, a\u00ed nesse caso especialmente na ind\u00fastria. A expectativa \u00e9 que mestres ,e doutores tenham contribui\u00e7\u00e3o importante na gera\u00e7\u00e3o de novos processos, aumento da competitividade e inova\u00e7\u00e3o, trazendo tamb\u00e9m conceitos importantes de sustentabilidade e responsabilidade social\u201d, acrescenta Sofia Daher.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil formou e empregou mais mestres e doutores em 25 anos, os cursos est\u00e3o melhor distribu\u00eddos entre as regi\u00f5es e h\u00e1 mais mulheres p\u00f3s-graduadas. No entanto, apesar das mudan\u00e7as, permanecem assimetrias hist\u00f3ricas como a remunera\u00e7\u00e3o mais baixa das mestras e doutoras em compara\u00e7\u00e3o aos colegas do sexo masculino com a mesma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. 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