{"id":330886,"date":"2024-06-16T15:30:20","date_gmt":"2024-06-16T18:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=330886"},"modified":"2024-06-16T15:30:20","modified_gmt":"2024-06-16T18:30:20","slug":"investir-na-bioeconomia-e-aposta-para-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/investir-na-bioeconomia-e-aposta-para-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Investir na bioeconomia \u00e9 aposta para o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>Gerar produtos e servi\u00e7os que sejam aliados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 o princ\u00edpio da bioeconomia, um modelo econ\u00f4mico que ganha cada vez mais espa\u00e7o nos debates sobre solu\u00e7\u00f5es para promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento que seja ao mesmo tempo social, econ\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n<p>No estado do Par\u00e1, o inc\u00f4modo com um problema causado pela cultura alimentar da regi\u00e3o fez com que a empres\u00e1ria Ingrid Teles tivesse uma ideia para solucionar o grande volume de sementes de descartadas diariamente pelos com\u00e9rcios na produ\u00e7\u00e3o da polpa de a\u00e7a\u00ed. Em 2017, ela iniciou uma pesquisa, que, em 2022, resultou na cria\u00e7\u00e3o de uma empresa de cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p>\u201cFoi olhando esse volume de res\u00edduos que eu comecei a buscar uma solu\u00e7\u00e3o que pudesse ser um modelo de neg\u00f3cio, mas que tamb\u00e9m contribu\u00edsse socialmente. A\u00ed, eu cheguei a produ\u00e7\u00e3o dos sabonetes de a\u00e7a\u00ed com o aproveitamento das sementes e em uma estrutura de bioeconomia circular\u201d, observa Ingrid.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7a\u00ed<\/strong><br \/>\nPara se ter uma ideia, apenas 26,5% do a\u00e7a\u00ed s\u00e3o comest\u00edveis, o restante tem fibra e semente, consideradas res\u00edduo na cadeia da alimenta\u00e7\u00e3o. Soma-se a isso, o fato de o Par\u00e1 ser o maior produtor nacional de a\u00e7a\u00ed, respons\u00e1vel por 93,87% da produ\u00e7\u00e3o brasileira. S\u00f3 em 2023, a colheita registrou 1,6 milh\u00e3o de toneladas do fruto, apontou a pesquisa Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Municipal (PAM) de 2023, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Como fruto nativo da regi\u00e3o, o cacau tem o conhecimento sobre seu manejo e beneficiamento enraizado nas comunidades tradicionais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como o a\u00e7a\u00ed, o cacau \u00e9 abundante no solo de v\u00e1rzea, o que tamb\u00e9m o torna um produto forte para um modelo de bioeconomia na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Essa tradi\u00e7\u00e3o foi determinante no surgimento de uma empresa que beneficia o cacau para produtos usados em terapias de sa\u00fade e cerim\u00f4nias, liderada s\u00f3 por mulheres.<\/p>\n<p>Uma das s\u00f3cias, Noanny Maia, disse que, em 2020, reuniu a m\u00e3e e duas irm\u00e3s em uma empreitada para retomar um neg\u00f3cio deixado pelo pai e a heran\u00e7a de quatro gera\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de cacau, no munic\u00edpio de Mocajuba, no interior do Par\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cQuando chegamos \u00e0 regi\u00e3o nos deparamos com uma realidade de degrada\u00e7\u00e3o ambiental que impactava as fam\u00edlias produtoras de cacau de uma forma impressionante, com muita pobreza e principalmente mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e at\u00e9 de viol\u00eancia. N\u00e3o era mais aquela abund\u00e2ncia da \u00e9poca do meu av\u00f4\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Movidas pela vontade de melhorar a qualidade de vida das fam\u00edlias vizinhas e impactar de forma positiva a cadeia do cacau, elas criaram uma empresa que absorve atualmente a produ\u00e7\u00e3o cacaueira de 15 fam\u00edlias e beneficia a am\u00eandoa em barras de cacau 100%, nibs (am\u00eandoa menos processada) e granola, al\u00e9m de produzir geleia, velas e escalda-p\u00e9s. \u201cA gente aproveita o m\u00e1ximo que a gente pode na verticaliza\u00e7\u00e3o do cacau\u201d, afirmou a empres\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Fortalecimento<\/strong><br \/>\nOs dois empreendimentos se enquadram na Estrat\u00e9gia Nacional de Bioeconomia lan\u00e7ada por decreto presidencial no in\u00edcio deste m\u00eas de junho, o que demonstra o interesse do governo brasileiro em fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas que favore\u00e7am esse sistema econ\u00f4mico. O assunto tamb\u00e9m \u00e9 tema de uma iniciativa proposta durante a condu\u00e7\u00e3o do G20 pelo Brasil. O G20 \u00e9 um grupo formado pelos ministros de finan\u00e7as e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a Uni\u00e3o Africana e Uni\u00e3o Europeia. Foi criado em 1999.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, a bioeconomia vem se consolidando muito antes de governos e organismos internacionais debaterem o assunto. Segundo o diretor-superintendente do Servi\u00e7o de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Par\u00e1, Rubens Magno, o uso dos recursos naturais associado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da floresta \u00e9 uma pr\u00e1tica antiga entre os povos tradicionais da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEsses povos ancestrais fazem isso h\u00e1 muitos anos, mas muitas vezes n\u00e3o percebem que possuem esse conhecimento e tamb\u00e9m n\u00e3o percebem o valor da Amaz\u00f4nia e o valor que as pessoas de fora d\u00e3o para a floresta\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Mercado<\/strong><br \/>\nCom proje\u00e7\u00f5es de um mercado que pode atingir US$ 8,1 bilh\u00f5es ao ano, at\u00e9 2050, somente na Amaz\u00f4nia, a bioeconomia cresce principalmente entre os micros e pequenos empreendedores. Segundo Magno, isso \u00e9 resultado de um trabalho de fortalecimento desse cen\u00e1rio com o estabelecimento de um polo de bioeconomia do Sebrae na cidade de Santar\u00e9m, respons\u00e1vel por tirar muitos desses empreendedores da informalidade.<\/p>\n<p>Nesse polo, a institui\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou, na quinta-feira (13), uma rede para integrar todos os atores da bioeconomia &#8211; pesquisadores, institui\u00e7\u00f5es governamentais, investidores e empreendedores.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos colocando diversos atores para dialogar e expor os seus conhecimentos de forma transversal, para fortalecer todos os entes envolvidos e, dessa forma, fazer com que as startups cres\u00e7am, que os investidores participem e os governos de todas as esferas enxerguem essa pot\u00eancia local\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para Magno, o objetivo at\u00e9 a 30\u00aa Confer\u00eancia do Clima da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP30), que ser\u00e1 realizada em novembro de 2025, em Bel\u00e9m, \u00e9 que a bioeconomia na regi\u00e3o possa traduzir um sistema econ\u00f4mico fortalecido pelo desenvolvimento social que agrege valor aos recursos naturais, mantendo a floresta preservada. \u201cQueremos mostrar a pot\u00eancia da floresta para o mundo, tendo a bioeconomia como nossa fortaleza\u201d, finalizou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gerar produtos e servi\u00e7os que sejam aliados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 o princ\u00edpio da bioeconomia, um modelo econ\u00f4mico que ganha cada vez mais espa\u00e7o nos debates sobre solu\u00e7\u00f5es para promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento que seja ao mesmo tempo social, econ\u00f4mico e ambiental. 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