{"id":330919,"date":"2024-06-17T00:04:43","date_gmt":"2024-06-17T03:04:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=330919"},"modified":"2024-06-17T10:07:42","modified_gmt":"2024-06-17T13:07:42","slug":"brasileiros-reforcam-cuidados-com-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasileiros-reforcam-cuidados-com-saude-mental\/","title":{"rendered":"Brasileiros refor\u00e7am cuidados com sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"<p>P\u00e9s descal\u00e7os, m\u00e3os na enxada e uma ro\u00e7a inteira para cuidar. A rotina, comum a muitos trabalhadores rurais do Brasil, \u00e9 parte da prepara\u00e7\u00e3o de um atleta de alto rendimento. Quando Petr\u00facio Ferreira, bicampe\u00e3o paral\u00edmpico de atletismo, precisa acalmar a mente, \u00e9 para S\u00e3o Jos\u00e9 do Brejo do Cruz, no interior da Para\u00edba, que ele corre. Nas palavras do pr\u00f3prio atleta, \u00e9 um \u201ccombust\u00edvel\u201d, que ajuda a melhorar a concentra\u00e7\u00e3o e a chegar bem nas competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA vida do atleta, por mais que tenha muitas pessoas ao redor, acaba sendo uma vida solit\u00e1ria. Isso, porque \u00e9 ele com o pr\u00f3prio sonho e pensamentos. [\u00c9] ele que precisa correr atr\u00e1s nos dias de treino, que fica na d\u00favida se vai dar certo. Isso acaba exigindo muito da nossa mente. Estar longe da fam\u00edlia, longe de casa. Isso exige muito\u201d, diz Petr\u00facio. \u201cQuando estou muito acelerado, volto para a casa dos meus pais, para relembrar um pouco das minhas origens e ra\u00edzes, para lembrar de onde eu sa\u00ed, onde eu estou e onde quero chegar.\u201d<\/p>\n<p>Por muito tempo, foi comum associar a imagem dos atletas \u00e0 de m\u00e1quinas ou de super-her\u00f3is. Em foco, o f\u00edsico, os movimentos, a resist\u00eancia, a for\u00e7a. Nos Jogos de T\u00f3quio, realizados em 2021, uma dimens\u00e3o geralmente invis\u00edvel e mais humana ganhou destaque: a da sa\u00fade mental. Muito por conta da hist\u00f3ria de Simone Biles, ginasta norte-americana sete vezes medalhista ol\u00edmpica, que deixou de competir em cinco finais para cuidar da parte psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um m\u00eas para o in\u00edcio da Olimp\u00edada de Paris (26 de julho), e pouco mais de dois meses para a Paralimp\u00edada (28 de agosto), atletas que v\u00e3o participar dessas competi\u00e7\u00f5es falaram com a reportagem da Ag\u00eancia Brasil sobre a import\u00e2ncia da prepara\u00e7\u00e3o mental. As conversas ocorreram no evento de apresenta\u00e7\u00e3o do Time Petrobras, grupo de atletas patrocinado pela estatal.<\/p>\n<p>Cada um lida com diferentes tipos de press\u00e3o. Medalha de ouro no Rio e em T\u00f3quio, Petr\u00facio tenta ser o melhor no que faz pela terceira vez seguida. \u201cPrincipalmente na prova dos 100 metros T47, os atletas t\u00eam esse par\u00e2metro: aquele a ser batido nas grandes competi\u00e7\u00f5es \u00e9 o Petr\u00facio. Chegar ao topo pode ser mais f\u00e1cil do que se manter, porque eu fico sem par\u00e2metro. O que eu tenho de superar s\u00e3o meus pr\u00f3prios resultados e eu mesmo durante os treinos. Acaba sendo um pesinho a mais, mas consigo lidar muito bem com isso hoje. N\u00e3o vou trazer isso como um fardo e uma cobran\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Milena Titoneli<\/strong><br \/>\nNo caso da atleta de taekwondo Milena Titoneli, a preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade mental aumentou depois da experi\u00eancia na Olimp\u00edada passada, quando foi a quinta melhor na categoria que disputou.<\/p>\n<p>\u201cEm 2021, em T\u00f3quio, eu tive muitos problemas. Quest\u00f5es bem pesadas, psicologicamente falando. Tive burnout [dist\u00farbio ps\u00edquico causado pela exaust\u00e3o extrema, causada por excesso de trabalho]. E, desde ent\u00e3o, fa\u00e7o tratamento com psic\u00f3logo e com coach [treinador] esportivo.&#8221;<\/p>\n<p>Milena conta que foi uma fase dif\u00edcil e que chegou a ser atendida por um psiquiatra e a tomar medica\u00e7\u00e3o, mas que atualmente n\u00e3o est\u00e1 precisando. &#8220;Foi um per\u00edodo dif\u00edcil, mas sempre digo que a parte mental \u00e9 uma das mais importantes. O f\u00edsico pode estar 100%, mas, se a cabe\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 boa, n\u00e3o flui. \u00c9 uma das coisas a que a gente tem que dar import\u00e2ncia como atleta. E eu venho fazendo o meu trabalho. Estou muito melhor do que estava em 2021. E acho que isso vai ter reflexo no resultado.\u201d<\/p>\n<p>Em Paris, Milena vai competir na categoria de equipes mistas. Com as viv\u00eancias que acumulou at\u00e9 aqui, ela acredita estar mais preparada para ajudar tamb\u00e9m outros companheiros a n\u00e3o passar pelos problemas que enfrentou.<\/p>\n<p>\u201cChego com muita expectativa de trazer o ouro com a equipe. Minha experi\u00eancia no taekwondo pode contribuir, porque os outros atletas s\u00e3o um pouco mais novos do que eu. E acho que vamos ter um bom resultado, porque s\u00e3o atletas muito fortes que v\u00e3o disputar junto comigo. Eu estou muito animada. Essa prepara\u00e7\u00e3o foi bem intensa. Foram tr\u00eas anos sem descanso, buscando essa vaga para chegar em Paris e conseguir o melhor resultado poss\u00edvel\u201d, resume.<\/p>\n<p><strong>Duda Lisboa e Ana Patr\u00edcia<\/strong><br \/>\nV\u00f4lei de praia sempre foi sin\u00f4nimo de medalha ol\u00edmpica para o Brasil. Em T\u00f3quio, pela primeira vez na hist\u00f3ria, nenhuma dupla brasileira conseguiu lugar no p\u00f3dio. No caso das jogadoras Duda e Ana Patr\u00edcia, portanto, a press\u00e3o vem pela expectativa de retomada da hegemonia no esporte. Ainda mais depois de um ciclo vitorioso. L\u00edderes do ranking mundial, elas chegam com moral e, ao mesmo tempo, cobran\u00e7as por resultados.<\/p>\n<p>\u201cExiste um lado bom e um lado ruim. Se n\u00f3s somos favoritas hoje, \u00e9 porque performamos para estar nessa posi\u00e7\u00e3o. E existe essa coisa da expectativa de todo mundo, por conta dos resultados que apresentamos. \u00c9 ineg\u00e1vel. Tamb\u00e9m sabemos que temos um grande potencial para trazer medalha. Carregamos essa responsabilidade e tentamos tirar o foco um pouco da press\u00e3o. \u00c9 fazer o nosso trabalho e chegar bem preparadas em Paris\u201d, diz Ana Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Um dos aspectos em que as duas t\u00eam cuidado especial \u00e9 com as redes sociais, onde ficam mais expostas a cr\u00edticas e at\u00e9 a ataques mais agressivos.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma psic\u00f3loga esportiva que est\u00e1 ao nosso lado e entendemos que este trabalho \u00e9 muito importante. Hoje em dia, com a internet, \u00e9 muito f\u00e1cil ver algum tipo de julgamento nas redes sociais. A gente precisa trabalhar muito isso, para ter certeza de quem realmente somos, e manter o nosso foco. Eu fa\u00e7o terapia \u00e0 parte tamb\u00e9m. \u00c9 dif\u00edcil estar todo dia treinando, e vir um julgamento totalmente diferente. Ningu\u00e9m sabe a nossa rotina, ningu\u00e9m sabe o que passamos no dia a dia\u201d, diz Ana Lisboa.<\/p>\n<p><strong>Guilherme Costa<\/strong><br \/>\nPela segunda vez em uma Olimp\u00edada, o nadador Guilherme Costa chega a Paris com um conjunto de bons resultados recentes. Nos Jogos Pan-Americanos de 2023, ganhou quatro medalhas de ouro. No Mundial de Esportes Aqu\u00e1ticos de 2024, terminou em quarto lugar nos 400 metros livres.<\/p>\n<p>Guilherme precisar\u00e1 lidar com pelo menos dois desafios a partir do m\u00eas que vem. Al\u00e9m de tentar confirmar a trajet\u00f3ria crescente no esporte, precisa planejar muito bem o ritmo puxado de provas. Vai participar de quatro categorias diferentes nas piscinas: 200m, 400m, 800m, 4x200m livre. E uma prova de 10 quil\u00f4metros em \u00e1guas abertas. O nadador acredita que pode se tornar refer\u00eancia em um esporte que, no Brasil, sempre esteve acostumado a ter nadadores velocistas em destaque, como Cesar Cielo, Fernando Scherer e Gustavo Borges.<\/p>\n<p>\u201cA gente vem mudando isso. Na seletiva, os principais resultados j\u00e1 foram nas provas mais de meio fundo. Al\u00e9m de mim, tem a Maf\u00ea [Maria Fernanda Costa] e a Gabi [Gabrielle Roncatto]. \u00c9 muito bom ter grandes resultados em outras provas, porque as crian\u00e7as come\u00e7am a querer nadar essas provas tamb\u00e9m. E, no futuro, a gente pode ser muito bom na velocidade, no meio fundo, no fundo. Ent\u00e3o, acho que tem espa\u00e7o para todo mundo. D\u00e1 para ter todo mundo bem\u201d, diz Guilherme.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a e a tranquilidade com que fala da Olimp\u00edada tamb\u00e9m se deve muito ao fato de Guilherme sempre ter valorizado o cuidado com a mente.<\/p>\n<p>\u201cEu fa\u00e7o uma prepara\u00e7\u00e3o mental. Toda semana tenho atendimento psicol\u00f3gico. Eu me sinto muito bem nessa parte, trabalho isso j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. Ent\u00e3o, estou muito acostumado com a press\u00e3o de grandes competi\u00e7\u00f5es\u201d, diz o nadador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e9s descal\u00e7os, m\u00e3os na enxada e uma ro\u00e7a inteira para cuidar. A rotina, comum a muitos trabalhadores rurais do Brasil, \u00e9 parte da prepara\u00e7\u00e3o de um atleta de alto rendimento. 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