{"id":331348,"date":"2024-06-23T00:02:56","date_gmt":"2024-06-23T03:02:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=331348"},"modified":"2024-06-23T09:36:36","modified_gmt":"2024-06-23T12:36:36","slug":"brasil-pode-ser-referencia-para-as-cidades-esponja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/brasil-pode-ser-referencia-para-as-cidades-esponja\/","title":{"rendered":"Brasil pode ser refer\u00eancia para as cidades-esponja"},"content":{"rendered":"<p>No momento em que os brasileiros ainda acompanham, quase que incr\u00e9dulos, as consequ\u00eancias causadas pelos temporais de abril e maio no Rio Grande do Sul, o Brasil recebeu a visita do arquiteto e paisagista chin\u00eas Kongjian Yu, criador do conceito cidade-esponja, que se utiliza da pr\u00f3pria natureza para melhor resistir \u00e0 ocorr\u00eancia crescente de tempestades.<\/p>\n<p>\u201cEspero que o Brasil possa ser refer\u00eancia sobre como devemos construir o mundo\u201d, diz o professor da Universidade de Pequim, que veio ao pa\u00eds a convite do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Ele participou, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (18), de um semin\u00e1rio na sede do banco, no Rio de Janeiro, sobre experi\u00eancias nacionais e internacionais na reconstru\u00e7\u00e3o de cidades devastadas por trag\u00e9dias ambientais.<\/p>\n<p>Arquiteto e paisagista da Universidade de Pequim, Kongjian Yu durante debate \u201cReconstru\u00e7\u00e3o de cidades e mudan\u00e7a clim\u00e1tica: experi\u00eancias internacionais e nacionais para o Rio Grande do Sul e o Brasil\u201d &#8211; Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nO encontro foi motivado pela calamidade que atingiu o Rio Grande do Sul, classificada pelo governador ga\u00facho, Eduardo Leite, como o \u201cmaior desastre clim\u00e1tico do Brasil\u201d em termos de extens\u00e3o territorial e impacto econ\u00f4mico. Mais de 170 mortes foram confirmadas.<\/p>\n<p>Kongjian Yu ressaltou que ficou impressionado com a \u00eanfase que o BNDES tem dado a assuntos relacionados \u00e0 busca de um futuro mais verde. \u201cEu nunca tinha ouvido uma institui\u00e7\u00e3o financeira falar tanto sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, solu\u00e7\u00f5es verdes e determina\u00e7\u00e3o para o Brasil virar refer\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de um futuro sustent\u00e1vel\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cEstou orgulhoso de estar aqui para compartilhar a minha experi\u00eancia de como o planeta pode ser sustent\u00e1vel\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Origem camponesa<\/strong><br \/>\nYu contou que come\u00e7ou a pensar no conceito de cidade-esponja ao perceber que o vilarejo em que ele morava, em Zhejiang, prov\u00edncia no leste da China, estava sendo recorrentemente afetada por inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o professor, os problemas se agravaram \u00e0 medida em que avan\u00e7ava o que ele chama de \u201cinfraestrutura cinza\u201d, a presen\u00e7a crescente de concreto nas cidades, canalizando rios e impermeabilizando grandes \u00e1reas.<\/p>\n<p>Dessa forma, ele colocou em pr\u00e1tica projetos de paisagismo que privilegiam a pr\u00f3pria natureza para lidar com enchentes, priorizando grandes \u00e1reas alag\u00e1veis e presen\u00e7a de vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Assim, partes de cidades se tornam uma esp\u00e9cie de esponja, com capacidade de receberem inunda\u00e7\u00e3o e dar \u201ctempo\u201d para o escoamento da \u00e1gua, diminuindo danos a \u00e1reas habitadas.<\/p>\n<p>\u201cA enchente passa a n\u00e3o ser uma inimiga, resume.<\/p>\n<p>O sucesso do projeto de Yu fez com que o paisagismo cidades-esponja fosse usado em maior escala em mais de 250 cidades chinesas e replicado tamb\u00e9m fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em 2023, o pioneirismo e alcance do conceito renderam a Yu o Pr\u00eamio Internacional de Arquitetura Paisag\u00edstica Cornelia Hahn Oberlander.<\/p>\n<p>O conceito desenvolvido por Yu n\u00e3o se limita a criar \u00e1reas cuja \u00fanica finalidade \u00e9 ser um espa\u00e7o alag\u00e1vel. Ele trabalha com a harmoniza\u00e7\u00e3o entre constru\u00e7\u00f5es e natureza. Os exemplos mais recorrentes s\u00e3o parques que, durante esta\u00e7\u00f5es de seca, s\u00e3o frequentados pelas pessoas. Muitos s\u00e3o um emaranhado de trilhas e passarelas cercadas por pequenos lagos e muito verde. \u201cSeguros e bonitos\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Yu atribui esse conhecimento de lidar com o ambiente sem interven\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas \u2013 constru\u00e7\u00e3o de muros de conten\u00e7\u00e3o e canaliza\u00e7\u00e3o de rios \u2013 \u00e0 sabedoria de antepassados.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 nada novo para aqueles que viviam h\u00e1 milhares de anos em regi\u00f5es de mon\u00e7\u00f5es\u201d, disse, se referindo \u00e0 temporada de ventos que causam tempestades no sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>Contra infraestrutura cinza<\/strong><br \/>\nKongjian Yu \u00e9 cr\u00edtico da infraestrutura cinza.<\/p>\n<p>\u201cGastamos bilh\u00f5es de d\u00f3lares canalizando rios, construindo represas, diques, tentando evitar que cidades e aldeias sejam inundadas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o arquiteto, essas interven\u00e7\u00f5es devem ser consideradas para resolver quest\u00f5es imediatas no curto prazo apenas. \u201cN\u00e3o existe represa segura sempre, o que aumenta o perigo potencial de inunda\u00e7\u00f5es\u201d, declarou.<\/p>\n<p>\u201cEspero que o Brasil possa aprender com isso. Aprender com o que deu errado na China\u201d, adverte, se referindo ao uso crescente de interven\u00e7\u00f5es da engenharia.<\/p>\n<p>Ele cita ainda que a produ\u00e7\u00e3o de cimento \u00e9 um emissor de gases do efeito estufa. Assim, diminuir a presen\u00e7a da infraestrutura cinza contribui diretamente para a redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de poluentes liberados para a atmosfera.<\/p>\n<p>O paisagista chin\u00eas defende que o conceito de cidade-esponja \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica para uma trajet\u00f3ria de resili\u00eancia, uma filosofia oposta \u00e0 infraestrutura cinza, e que consiste em reter a \u00e1gua onde ela cai \u201cEssa \u00e9 a ideia do planeta esponja\u201d, assinala.<\/p>\n<p>O professor da Universidade de Pequim explica que parte do aumento do n\u00edvel do mar &#8211; fen\u00f4meno que amea\u00e7a ilhas e pa\u00edses costeiros &#8211; se d\u00e1 por causa do escoamento de \u00e1gua pluvial e, segundo Yu, caso essa \u00e1gua fique armazenada na regi\u00e3o em que acontecem as chuvas, poderia ser absorvida na mesma \u00e1rea, diminuindo o volume levado para os oceanos.<\/p>\n<p><strong>Brasil<\/strong><br \/>\nYu enalteceu a biodiversidade brasileira e mostrou-se entusiasmado com o papel que o Brasil pode exercer no planeta. \u201cVoc\u00eas s\u00e3o uma esperan\u00e7a, s\u00e3o um pa\u00eds muito jovem ainda\u201d.<\/p>\n<p>Apesar do otimismo, ele criticou a forma em que a agricultura \u00e9 cultivada. \u201cVejo quil\u00f4metros e quil\u00f4metros de soja. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a \u00e1gua. Voc\u00eas podem estar usando t\u00e9cnicas erradas. Uma pequena e simples solu\u00e7\u00e3o pode mudar a situa\u00e7\u00e3o dramaticamente: tornem a terra em uma esponja para captar mais \u00e1gua\u201d, recomendou.<\/p>\n<p>O arquiteto considera que um dos primeiros passos para a elabora\u00e7\u00e3o de cidades-esponja \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um plano diretor, em que fique claro \u201cqual espa\u00e7o ceder para \u00e1gua e onde n\u00e3o construir\u201d.<\/p>\n<p>Ele orienta que as \u00e1reas alag\u00e1veis sejam preenchidas com florestas, parques e lagos. \u201cA nossa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 tirar o muro. Deixar a \u00e1gua entrar. A \u00e1gua irriga o parque\u201d.<\/p>\n<p>Os muros de conten\u00e7\u00e3o s\u00e3o, na vis\u00e3o do paisagista, uma amea\u00e7a. Ele explica que quando acontecem transbordamentos, as superf\u00edcies de concreto funcionam como barreiras que impedem a \u00e1gua de retornar para o leito dos rios.<\/p>\n<p>Outro fator negativo \u00e9 que rios canalizados &#8211; geralmente mais retil\u00edneos e com menos curvas que tra\u00e7ados naturais &#8211; aumentam a velocidade do fluxo d\u2019\u00e1gua, em vez de retard\u00e1-la.<\/p>\n<p>Segundo Yu, \u00e9 preciso planejamento para que rios canalizados sejam transformados em rios-esponja, com vegeta\u00e7\u00e3o, pequenas ilhas verdes que absorvam parte da \u00e1gua. \u201cN\u00f3s temos que pensar grande\u201d, incentiva.<\/p>\n<p>Ele entende que, em vez de quil\u00f4metros e mais quil\u00f4metros de muros de conten\u00e7\u00e3o, \u00e9 prefer\u00edvel criar uma \u201cparede bel\u00edssima que respira, com vegeta\u00e7\u00e3o nativa, um corredor verde, bem no meio da cidade\u201d.<\/p>\n<p>Kongjian Yu considera que iniciativas individuais tamb\u00e9m podem contribuir para que as cidades exer\u00e7am melhor a fun\u00e7\u00e3o de esponjas. Ele d\u00e1 o exemplo de pr\u00e9dios e apartamentos que podem absorver a \u00e1gua da chuva. \u201c\u00c9 poss\u00edvel coletar e levar para a varanda, irrigando hortas\u201d, detalha.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos repensar a maneira com que reconstru\u00edmos nossas cidades. Buscar uma solu\u00e7\u00e3o baseada na natureza\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que os brasileiros ainda acompanham, quase que incr\u00e9dulos, as consequ\u00eancias causadas pelos temporais de abril e maio no Rio Grande do Sul, o Brasil recebeu a visita do arquiteto e paisagista chin\u00eas Kongjian Yu, criador do conceito cidade-esponja, que se utiliza da pr\u00f3pria natureza para melhor resistir \u00e0 ocorr\u00eancia crescente de tempestades. 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