{"id":331366,"date":"2024-06-24T02:49:38","date_gmt":"2024-06-24T05:49:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=331366"},"modified":"2024-06-23T21:01:57","modified_gmt":"2024-06-24T00:01:57","slug":"idiotice-da-patriotada-se-espalha-como-verso-da-malandragem-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/idiotice-da-patriotada-se-espalha-como-verso-da-malandragem-politica\/","title":{"rendered":"Idiotice da patriotada se espalha como verso da malandragem pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e3e da maioria das enfermidades do s\u00e9culo XXI, a ignor\u00e2ncia mudou de conceito no Brasil: passou de doen\u00e7a trat\u00e1vel para endemia generalizada envolvendo os poderosos e aqueles que lambem as botas estreladas, os coturnos de saltos altos e afins. Didaticamente, o substantivo ignor\u00e2ncia define o indiv\u00edduo que deliberadamente ignora, desconhece ou desconsidera informa\u00e7\u00f5es ou fatos importantes. No popular, \u00e9 o estado de quem n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para o que ocorre ao seu redor, preferindo interpretar os acontecimentos ou seguir as interpreta\u00e7\u00f5es interessantes para seu n\u00facleo familiar, social ou pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Como vivemos uma quadra de maluquice interessada, isto \u00e9, o conflito disfar\u00e7ado entre o conhecimento e a ignor\u00e2ncia, \u00e9 bom que se diga que o mal que est\u00e1 no mundo sempre vem do apedeutismo comprado nas farm\u00e1cias populares. \u00c9 o sin\u00f4nimo de perder a consci\u00eancia e a compreens\u00e3o por exclusiva conveni\u00eancia. Mesmo sem o apoio do disse on\u00e1rio, diria que todo esse bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1 wikipediano pode ser definido pela palavra \u201cpatriota\u201d. Esse \u00e9 o tipo que adora ser taxado de in\u00e1bil ou inculto para tentar dominar os mais ing\u00eanuos. Eles atingem o \u00e1pice da malandragem quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entram em cena os ensinamentos de Olavo de Carvalho, o ensa\u00edsta do mal, para quem ignorar a pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia \u00e9 a melhor sinaliza\u00e7\u00e3o de conhecimento. Em outras palavras, as atitudes de seus pupilos devem ser \u00fanicas e coletivas: considerar apenas a pr\u00f3pria opini\u00e3o, jamais ter disposi\u00e7\u00e3o para ouvir antag\u00f4nicos, nunca modificar suas teorias e conceitos, ainda que estejam errados, e morrer sem demonstrar preocupa\u00e7\u00e3o com o sentimento dos outros. Qualquer semelhan\u00e7a com os \u201cpatriotas\u201d n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia. Como para quem sabe ler um pingo \u00e9 letra, desde 2018 o estulto com diploma, ou seja, o est\u00fapido por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 o objetivo a ser alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>Contra a frieza dos ignorantes funcionais politicamente, cuja estrat\u00e9gia \u00e9 negar e desconstruir o \u00f3bvio com a naturalidade dos idiotas, s\u00e3o indispens\u00e1veis as expertises da firmeza, da seguran\u00e7a e da assertividade. Toda essa funhanhada verborr\u00e1gica sobre aqueles que se acham superiores serviu de mote para que eu chegasse aonde queria. Dia desses, fui levado a um supermercado sabidamente de propriedade de um dos camaradas acima do bem e do mal por conta de uma promo\u00e7\u00e3o de picanha bovina, iguaria que voltou \u00e0 mesa do consumidor comum desde meados do atual governo.<\/p>\n<p>Como a maioria do bairro teve a mesma ideia, o gerente, certamente cumprindo ordens, anunciou que cada cliente poderia levar somente uma pe\u00e7a. Tinha pego tr\u00eas e, j\u00e1 no caixa, diante do pedido da ger\u00eancia, devolvi duas e passei. Atr\u00e1s de mim, uma dessas senhoras metidas a madame tinha duas no carrinho. Tentando aplicar o golpe da ignor\u00e2ncia, ela pusilanimente insistiu, mas foi barrada pelo operador. A uma certa dist\u00e2ncia, ouvi a \u201cpatriota\u201d resmungar com o rapaz que aquilo s\u00f3 podia ser coisa do \u201cnove dedos\u201d, o presidente que eles odeiam somente porque tirou o Capet\u00e3o de cena. A encena\u00e7\u00e3o e o estremelique, sin\u00f4nimo de faniquito, n\u00e3o deram resultado.<\/p>\n<p>A dondoca saiu, colocou suas compras no carro estacionado defronte \u00e0 loja e retornou. Pegou mais uma picanha e, com ares de idiota elitizada, questionou o operador com os olhos. O rapaz entendeu, mas se calou. Eu n\u00e3o. Me dirigi a ela e, com a serenidade de um cavalo chucro, perguntei se ela fazia parte daquele coletivo de democratas que acha o Brasil de Luiz In\u00e1cio uma merda apenas porque ele impediu que seu grupelho tomasse conta e transformasse a suposta titica em um amontoado de bosta. Se vencessem, ser\u00edamos hoje o esterco do mundo. Ganhei no grito, mas n\u00e3o consegui evitar os xingamentos. Meno male. Virei um comunista safado, mas, com a alma lavada, fiz meu comercial antibolsonarista. Os aplausos foram a prova de que n\u00e3o estou s\u00f3.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3e da maioria das enfermidades do s\u00e9culo XXI, a ignor\u00e2ncia mudou de conceito no Brasil: passou de doen\u00e7a trat\u00e1vel para endemia generalizada envolvendo os poderosos e aqueles que lambem as botas estreladas, os coturnos de saltos altos e afins. 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