{"id":331374,"date":"2024-06-23T12:52:03","date_gmt":"2024-06-23T15:52:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=331374"},"modified":"2024-06-23T23:55:27","modified_gmt":"2024-06-24T02:55:27","slug":"zika-vira-tipo-de-virus-que-vai-e-volta-revela-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/zika-vira-tipo-de-virus-que-vai-e-volta-revela-pesquisa\/","title":{"rendered":"Zika vira tipo de v\u00edrus que vai e volta, revela pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigou a rea\u00e7\u00e3o tardia do v\u00edrus da zika e como isso pode levar a novos epis\u00f3dios de sintomas neurol\u00f3gicos da doen\u00e7a, como crises convulsivas. Os resultados do estudo in\u00e9dito est\u00e3o em um artigo cient\u00edfico publicado nesta semana no peri\u00f3dico iScience, do grupo Cell Press.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado durante quatro anos com cerca de 200 camundongos que se recuperaram da infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus zika. A pesquisa foi liderada pelas cientistas Julia Clarke, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas, e Claudia Figueiredo, da Faculdade de Farm\u00e1cia, ambas da UFRJ.<\/p>\n<p>Os resultados apontam que em situa\u00e7\u00f5es de queda na imunidade, como stress, tratamento com medicamentos imunossupressores ou durante infec\u00e7\u00f5es por outros v\u00edrus, o zika pode voltar a se replicar no c\u00e9rebro e em outros locais onde antes n\u00e3o era encontrado, como nos test\u00edculos.<\/p>\n<p>\u201cAlguns v\u00edrus podem \u201cadormecer\u201d em determinados tecidos do corpo e depois \u201cacordar\u201d para se replicar novamente, produzindo novas part\u00edculas infecciosas. Isso pode levar a novos epis\u00f3dios de sintomas, como acontece classicamente com os v\u00edrus simples da herpes e da varicela-zoster.<\/p>\n<p>Segundo Julia Clarke, essa nova replica\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies secund\u00e1rias de RNA viral, que s\u00e3o resistentes \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o e se acumulam nos tecidos.<\/p>\n<p>\u201cA gente observou que, ao voltar a replicar no c\u00e9rebro, o v\u00edrus gera subst\u00e2ncias intermedi\u00e1rias de RNA e a gente v\u00ea um aumento na predisposi\u00e7\u00e3o desses animais a apresentarem convuls\u00f5es, que \u00e9 um dos sintomas da fase aguda\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em modelos animais, o grupo da UFRJ e outros aplicaram testes de PCR, microscopia confocal, imunohistoqu\u00edmica, an\u00e1lises comportamentais e mostraram que o v\u00edrus da zika pode permanecer no corpo por longos per\u00edodos, ap\u00f3s a fase aguda da infec\u00e7\u00e3o. Em humanos, o material gen\u00e9tico do v\u00edrus da zika j\u00e1 foi encontrado em locais como placenta, s\u00eamen, c\u00e9rebro, mesmo muitos meses ap\u00f3s o desaparecimento dos sintomas.<\/p>\n<p>Ela explica que os resultados mostraram que a amplifica\u00e7\u00e3o do RNA viral e a gera\u00e7\u00e3o de material gen\u00e9tico resistente \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o pioram os sintomas neurol\u00f3gicos nos animais, principalmente nos machos. Embora a reativa\u00e7\u00e3o tardia do v\u00edrus da zika ainda n\u00e3o tenha sido investigada em humanos, os dados sugerem que pacientes expostos ao v\u00edrus, no in\u00edcio da vida, devem ser monitorados a longo prazo e que novos sintomas podem ocorrer. Como pr\u00f3ximos passos, Julia Clarke explica que se aprofundar\u00e3o nas calcifica\u00e7\u00f5es cerebrais provocadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e9rebro exposto ao v\u00edrus, tanto de animais quanto de humanos, desenvolve \u00e1reas de les\u00e3o caracter\u00edsticas com morte de c\u00e9lulas e ac\u00famulo de c\u00e1lcio &#8211; as chamadas calcifica\u00e7\u00f5es. Nosso grupo pretende caracterizar se essas \u00e1reas de calcifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o os locais onde o v\u00edrus permanece adormecido. Al\u00e9m disso, pretendemos testar um medicamento que diminui muito o tamanho dessas \u00e1reas de calcifica\u00e7\u00e3o para avaliar se consegue prevenir essa reativa\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, explica.<\/p>\n<p>Julia Clarke ressalta que a pesquisa \u00e9 de extrema import\u00e2ncia, pois revela a capacidade do v\u00edrus persistir e reativar, o que pode ter grandes implica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade p\u00fablica. O trabalho contou com a colabora\u00e7\u00e3o de pesquisadores do Instituto de Microbiologia Paulo de G\u00f3es e do Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica Leopoldo de Meis, ambos da UFRJ, e financiamento de cerca de R$ 1 milh\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigou a rea\u00e7\u00e3o tardia do v\u00edrus da zika e como isso pode levar a novos epis\u00f3dios de sintomas neurol\u00f3gicos da doen\u00e7a, como crises convulsivas. 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