{"id":331484,"date":"2024-06-25T09:12:42","date_gmt":"2024-06-25T12:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=331484"},"modified":"2024-06-25T09:12:42","modified_gmt":"2024-06-25T12:12:42","slug":"campanha-lanca-alerta-sobre-alergia-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/campanha-lanca-alerta-sobre-alergia-alimentar\/","title":{"rendered":"Campanha lan\u00e7a alerta sobre alergia alimentar"},"content":{"rendered":"<p>Com o tema Superando os Obst\u00e1culos em Alergia Alimentar, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Alergias (WAO &#8211; World Allergy Organization) promove a Semana Mundial da Alergia at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 29, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade sobre alergias. O presidente do Instituto de Metabolismo e Nutri\u00e7\u00e3o (IMEN), nutr\u00f3logo e cardiologista Daniel Magnoni, disse que, no passado, a alergia alimentar e suas consequ\u00eancias, principalmente no trato gastrointestinal, passavam despercebidas pelo pouco conhecimento que se tinha.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, estamos nos habituando a tratar e identificar\u201d, garantiu. A alergia alimentar compromete todas as faixas et\u00e1rias, principalmente crian\u00e7as e idosos. \u201cS\u00e3o pessoas mais propensas a alergias e, por outro lado, mais propensas \u00e0s complica\u00e7\u00f5es da alergia, dando, \u00e0s vezes, problemas de sa\u00fade muito graves\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Segundo Magnoni, \u00e9 conversando com o paciente que o especialista pode saber se ele tem ou n\u00e3o alergia alimentar. \u201cE identificando outros tipos de sintomas semelhantes na pr\u00f3pria fam\u00edlia e, com o paciente, identificando altera\u00e7\u00f5es no trato gastrointestinal, como diarreia, distens\u00e3o abdominal, c\u00f3licas, rea\u00e7\u00f5es adversas na pele, levando a quadros que mostram que a pessoa est\u00e1 com algum tipo de alergia. Tamb\u00e9m identificando o nexo causal: se est\u00e1 relacionado diretamente com o comer algum tipo de alimento, seja em algumas horas e, at\u00e9 alguns dias antes\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As alergias alimentares podem ser fatais. Magnoni explicou que o consumo continuado de alimentos que d\u00e3o alergia pode provocar casos de desnutri\u00e7\u00e3o ou m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, causando defici\u00eancia de alguns tipos de minerais e prote\u00ednas.<\/p>\n<p>Ele citou que a alergia ao leite de vaca, por exemplo, \u00e9 um problema muito s\u00e9rio. Mas, hoje em dia, esse produto pode ser trocado por leites vegetais de soja ou de aveia, por exemplo. E, assim, suprir as pessoas das defici\u00eancias de prote\u00ednas e minerais. Ele sugeriu que se fa\u00e7am trocas com educa\u00e7\u00e3o nutricional, identificando as possibilidades das trocas e, com isso, n\u00e3o ter os sintomas, nem desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alergia alimentar n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que intoler\u00e2ncia alimentar. Essa \u00e9 uma defici\u00eancia enzim\u00e1tica do trato gastrointestinal que a pessoa ou tem como doen\u00e7a gen\u00e9tica ou adquire secundariamente a outros tipos de doen\u00e7a, como desnutri\u00e7\u00e3o, c\u00e2ncer e diarreias cr\u00f4nicas. Os sintomas, muitas vezes, s\u00e3o bem parecidos e uma consulta ao profissional vai identificar o diagn\u00f3stico e tratar da forma mais correta.<\/p>\n<p>Magnoni explicou que, na medicina, as profiss\u00f5es que podem fazer o diagn\u00f3stico de alergia alimentar s\u00e3o os gastroenterologistas, nutr\u00f3logos, alergistas e imunologistas. E, para crian\u00e7as, os pediatras.<\/p>\n<p><strong>Aumento<\/strong><br \/>\nA coordenadora do Departamento Cient\u00edfico de Alergia Alimentar da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Lucila Camargo, confirmou que est\u00e1 havendo um aumento das alergias alimentares verdadeiras no Brasil. \u201cAs alergias est\u00e3o aumentando mesmo, mas o Brasil sofre com erro de diagn\u00f3stico. Muita gente se acredita al\u00e9rgico alimentar, mas n\u00e3o tem alergia alimentar\u201d, observou.<\/p>\n<p>Para fazer a diferencia\u00e7\u00e3o entre alergia alimentar ou outra doen\u00e7a, uma avalia\u00e7\u00e3o por um especialista \u00e9 importante. Ele faz uma anamnese ou investiga\u00e7\u00e3o minuciosa, para correlacionar a ingest\u00e3o de alimentos com a manifesta\u00e7\u00e3o dos sintomas. Depois, necessitando, o profissional pode lan\u00e7ar m\u00e3o de testes auxiliares diagn\u00f3sticos para confirmar ou afastar essa possibilidade.<\/p>\n<p>\u201cHavendo d\u00favidas, a gente pode proceder com teste de provoca\u00e7\u00e3o oral (TPS). Esse procedimento traz um certo risco para o paciente porque d\u00e1 o alimento de maneira controlada, em doses crescentes, em ambiente que permite controlar uma eventual manifesta\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica grave. S\u00f3 que esse procedimento \u00e9 pouco disponibilizado tanto no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) como no sistema de sa\u00fade privado. Esse tamb\u00e9m \u00e9 um dos gargalos que a gente tem para o diagn\u00f3stico, porque se \u00e9 um procedimento considerado padr\u00e3o ouro para checar o estado dos al\u00e9rgicos, quer seja para o diagn\u00f3stico, quer seja para avaliar se aquele indiv\u00edduo tem intoler\u00e2ncia ao alimento naturalmente, esse procedimento ainda \u00e9 pouco reconhecido para ser realizado no SUS e no sistema particular\u201d, acentuou.<\/p>\n<p>Lucila informou, tamb\u00e9m, que o TPO foi liberado para ser executado para crian\u00e7as al\u00e9rgicas a leite de vaca at\u00e9 24 meses de idade e inclu\u00eddo no rol da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) com essas mesmas finalidades e faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cMas a gente tem outras alergias alimentares nas diversas idades. O resto n\u00e3o fica contemplado\u201d, destacou a coordenadora do Departamento Cient\u00edfico de Alergia Alimentar da Asbai. Frisou que poucos hospitais realizam o procedimento pelo SUS, mas n\u00e3o recebem do sistema p\u00fablico. Da mesma forma, os pacientes privados n\u00e3o conseguem ter o gasto ressarcido pelos planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Testes em farm\u00e1cia<\/strong><br \/>\nOutro problema em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico \u00e9 que os testes al\u00e9rgicos dispon\u00edveis podem dar positivo e o indiv\u00edduo n\u00e3o ser al\u00e9rgico. Por isso, ela apontou que na vis\u00e3o de especialistas, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de testes em farm\u00e1cia \u201c\u00e9 p\u00e9ssimo. O paciente pode achar que \u00e9 al\u00e9rgico e, na verdade, ele n\u00e3o \u00e9\u201d. Para os pacientes que t\u00eam alergia alimentar, a condu\u00e7\u00e3o \u00e9 tirar o alimento. Da\u00ed que h\u00e1 pessoas que est\u00e3o em dieta de restri\u00e7\u00e3o com risco nutricional e preju\u00edzo na qualidade de vida por positividade em testes al\u00e9rgicos que n\u00e3o se confirmam na realidade.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, a gente briga que n\u00e3o d\u00e1 para ter testes al\u00e9rgicos nas farm\u00e1cias. Tem que ser indicado pelo especialista e contextualizado dentro de uma hist\u00f3ria cl\u00ednica condizente, porque, sen\u00e3o, a pessoa fica achando que tem alergia alimentar e n\u00e3o tem. Esse \u00e9 outro problema que faz a gente ter um erro diagn\u00f3stico para mais\u201d, revelou.<\/p>\n<p>No caso de o indiv\u00edduo ser realmente al\u00e9rgico, por exemplo, ao leite de vaca e ao ovo, o alimento deve ser retirado da dieta. \u201cEle n\u00e3o vai poder comer\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Para crian\u00e7as menores de um ano al\u00e9rgicas a leite de vaca, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 o aleitamento materno. Quando esse n\u00e3o \u00e9 suficiente, entra-se com f\u00f3rmula especial infantil para al\u00e9rgicos. Isso j\u00e1 \u00e9 disponibilizado no SUS na maioria dos estados.<\/p>\n<p>Para crian\u00e7as maiores, a informa\u00e7\u00e3o da alergia alimentar deve ser levada para as escolas e dita em restaurantes para que n\u00e3o tenham contato sem querer com o alimento. \u201c\u00c0s vezes, uma pequena quantidade pode ser suficiente para deflagrar rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas graves\u201d, advertiu a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Lucila alertou, ainda, que, \u00e0s vezes, em um restaurante, o contato cruzado de uma mesma colher usada para mexer um prato com camar\u00e3o, que a pessoa tem alergia, e um prato com outro tipo de crust\u00e1ceo que ela pode comer, isso pode deflagrar rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas.<\/p>\n<p>Para os pacientes com restri\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 feito um tratamento multidisciplinar com nutricionista para manter uma dieta balanceada mesmo sem aqueles alimentos que d\u00e3o alergia, e se estabelece para as fam\u00edlias um plano de a\u00e7\u00e3o por escrito.<\/p>\n<p>Alguns pacientes recebem indica\u00e7\u00e3o de carregar uma medica\u00e7\u00e3o que \u00e9 a adrenalina autoinjet\u00e1vel para casos de rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas graves e potencialmente fatais, que \u00e9 a anafilaxia. Essa medica\u00e7\u00e3o \u00e9 efetuada e, em seguida, deve-se levar o paciente a um pronto-socorro, visando reverter os sinais de maneira r\u00e1pida.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, no Brasil, s\u00f3 existe a adrenalina autoinjet\u00e1vel dentro dos hospitais. De modo geral, n\u00e3o h\u00e1 o dispositivo que o pr\u00f3prio paciente ou o cuidador possa aplicar para dar tempo de chegar no hospital. Essa medica\u00e7\u00e3o \u00e9 importada e cara, o que dificulta muito o acesso, em especial de pacientes do SUS. Em geral, a orienta\u00e7\u00e3o dos especialistas \u00e9 que a pessoa tenha duas canetas de adrenalina autoinjet\u00e1vel, que t\u00eam de ser renovadas \u00e0 medida que finda a validade. \u201cAcaba sendo muito caro\u201d, opina.<\/p>\n<p><strong>Sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o de Lucila Camargo, a alergia alimentar \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica no mundo inteiro. No Brasil, ela disse que ainda h\u00e1 poucos levantamentos que mostrem a preval\u00eancia real do problema. \u201cMas ele est\u00e1 crescendo e se agravando. Os verdadeiros al\u00e9rgicos tamb\u00e9m est\u00e3o aumentando\u201d. Na Austr\u00e1lia, por exemplo, a alergia alimentar atinge 10% das crian\u00e7as. Nos Estados Unidos, os adultos s\u00e3o mais atingidos. J\u00e1 na \u00c1frica, h\u00e1 poucos relatos.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o as mais acometidas. Os principais alimentos que provocam alergia s\u00e3o leite, ovo, soja, trigo, peixes, frutos do mar, amendoim, castanhas e, em alguns pa\u00edses, o gergelim. H\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de pa\u00eds para pa\u00eds. No Brasil, atualmente, outro alimento que entrou no rol dos al\u00e9rgicos \u00e9 a banana [dada a crian\u00e7as]. Lucila insistiu que esse \u00e9 um fen\u00f4meno que est\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>\u201cSe antigamente a maioria dos al\u00e9rgicos a leite e ovo ficava intolerante ainda na fase escolar, hoje em dia a gente tem visto crian\u00e7as que arrastam isso para a fase adolescente e adulta. Os quadros est\u00e3o ficando mais frequentes para mais alimentos, e ficando mais graves e persistentes\u201d, finalizou a m\u00e9dica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o tema Superando os Obst\u00e1culos em Alergia Alimentar, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Alergias (WAO &#8211; World Allergy Organization) promove a Semana Mundial da Alergia at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 29, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade sobre alergias. 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