{"id":331826,"date":"2024-07-01T09:58:26","date_gmt":"2024-07-01T12:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=331826"},"modified":"2024-07-01T09:58:26","modified_gmt":"2024-07-01T12:58:26","slug":"da-sua-janela-imagina-ela-por-onde-hoje-ele-anda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/da-sua-janela-imagina-ela-por-onde-hoje-ele-anda\/","title":{"rendered":"\u201cDa sua janela imagina ela por onde hoje ele anda&#8230;\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos idos, h\u00e1 muito tempo idos, situava-se ali na esquina uma antiga casinha de sub\u00farbio. Casinha seguramente amarela, com detalhes brancos em volta das janelas azuis. Uma varandinha \u00e0 frente, arvorezinhas baldias pelo jardim. Um clima de simplicidade geral e afeto, muito afeto. E tamb\u00e9m capricho, porque era dessas casinhas pobres onde o asseio reinava, e tudo estava na mais perfeita ordem, mesmo que com baixo or\u00e7amento.<\/p>\n<p>Se nos aproxim\u00e1ssemos da casinha, por uma das janelas laterais, ver\u00edamos uma mo\u00e7a, sonhadora e bela, ouvindo um long-play em sua vitrolinha. Sozinha no quarto ouvia baixinho a m\u00fasica, para n\u00e3o incomodar os demais moradores da casa, que a esta hora j\u00e1 deviam estar dormindo. Era noite, mais de dez horas. Naquele tempo se dormia cedo. A vitrolinha, amarela, pequena, girava e girava nas suas 33 rota\u00e7\u00f5es por minuto. 33 e um ter\u00e7o. O vinil retirado cuidadosamente de uma capa onde o artista, mo\u00e7o bonito, era retratado sorrindo e de rosto s\u00e9rio.<\/p>\n<p>A m\u00fasica n\u00e3o ecoava pelo ambiente, mas penetrava pelos ouvidos da mo\u00e7a, ali perdida na sua imagina\u00e7\u00e3o e em seus sonhos. Ela imaginava e sonhava um amor. Que viria? O certo \u00e9 que ela pedia, n\u00e3o sabia bem se para algum santo de devo\u00e7\u00e3o, ou o que fosse. Mas pedia. A mo\u00e7a ainda n\u00e3o tinha uma menina, mas at\u00e9 sabia fazer tric\u00f4. O disco girava e mais a letra da can\u00e7\u00e3o fazia sentido e trazia ao cora\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a um misto de esperan\u00e7a e preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Haveria um amor? Haveria o seu amor? Seria ele um amor de paz ou traria desassossego? Teria pinta de artista ou alma de bo\u00eamio? Ela n\u00e3o sabia, ningu\u00e9m sabia e nem tinha como saber \u00e0quela altura. Somente o tempo. Somente a vida teria as respostas. E ela p\u00f4s-se a pensar onde ele estava, olhando pela janela, vendo a t\u00eanue luz de prata do luar atr\u00e1s de nuvens noturnas e belas e uma vaga estrela.<\/p>\n<p>Estaria ele jogando, mesmo que n\u00e3o tivessem dinheiro? Estaria ele bebendo com amigos num bar? Seria daquele jeito? Ela ansiava por conhec\u00ea-lo, rogava por am\u00e1-lo e ser amada. Mesmo que fosse ali, naquela casinha humilde, naquela noite desolada, dentre as arvorezinhas baldias pelo jardim, tudo assim.<\/p>\n<p>E a pobre mo\u00e7a que pensava \u2013 se toda essa vida eu ainda viver, sem achar o meu amor, o que ser\u00e1 que vai ser de mim? N\u00e3o havia castigo nem penar. Era mo\u00e7a no limiar da sua hist\u00f3ria. Nunca ouvira juras fingidas de morenos. Fosse o que fosse, para encontr\u00e1-lo ou continuar sonhando, ela sairia dali para viver a vida.<\/p>\n<p>Viver de uma vez a vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos idos, h\u00e1 muito tempo idos, situava-se ali na esquina uma antiga casinha de sub\u00farbio. Casinha seguramente amarela, com detalhes brancos em volta das janelas azuis. Uma varandinha \u00e0 frente, arvorezinhas baldias pelo jardim. Um clima de simplicidade geral e afeto, muito afeto. 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