{"id":333197,"date":"2024-07-25T00:00:02","date_gmt":"2024-07-25T03:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=333197"},"modified":"2024-07-25T06:23:13","modified_gmt":"2024-07-25T09:23:13","slug":"estudo-da-nasa-ve-brasil-inabitavel-em-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/estudo-da-nasa-ve-brasil-inabitavel-em-50-anos\/","title":{"rendered":"Estudo da Nasa v\u00ea &#8216;Brasil inabit\u00e1vel&#8217; em 50 anos"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo citado pela Nasa &#8211; ag\u00eancia p\u00fablica espacial dos Estados Unidos (EUA) &#8211; repercutiu nos \u00faltimos dias na imprensa brasileira ao prever que \u00e1reas do Brasil poderiam ficar inabit\u00e1veis at\u00e9 2070 devido ao calor extremo provocado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Liderada pelo cientista Colin Raymond, a pesquisa foi publicada em 2020 na Science Advances, uma das mais respeitadas revistas cient\u00edficas do mundo. Por\u00e9m, no estudo original n\u00e3o aparece o Brasil. Em mar\u00e7o de 2022, um blog da Nasa repercutiu o estudo com Colin, que \u00e9 funcion\u00e1rio da ag\u00eancia especial. O texto do blog cita o Brasil como uma das regi\u00f5es vulner\u00e1veis aos calores mortais.<\/p>\n<p>No estudo original, foram mapeados eventos de calor extremo, entre 1979 e 2017, nos quais a umidade do ar alta e as temperaturas acima de 35\u00baC impedem que o suor atue resfriando nosso corpo, trazendo risco de morte para as pessoas.<\/p>\n<p>O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas brasileiros sobre o tema, disse que esse estudo \u00e9 muito conhecido no meio cient\u00edfico e que previs\u00f5es como essas come\u00e7aram a ser feitas desde 2010, pelo menos.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 avan\u00e7amos muito nessas pesquisas. Hoje, esses limites est\u00e3o muito melhor computados e esse artigo dos estudos da Nasa de 2020 se tornou muito importante. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Brasil, t\u00e1? \u00c9 uma imensa parte das regi\u00f5es tropicais e at\u00e9 mesmo latitudes m\u00e9dias que podem ficar inabit\u00e1veis se a temperatura chegar nesse n\u00edvel de 4\u00ba C ou mais\u201d, afirmou o cientista.<\/p>\n<p>Os 4\u00baC a mais citados por Nobre se referem a uma temperatura acima da m\u00e9dia dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Para evitar chegar nesse ponto, o Acordo de Paris se comprometeu a combater o aquecimento global \u201cem bem menos de 2\u00ba C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais\u201d, buscando preferencialmente limit\u00e1-lo a 1,5\u00baC acima dos n\u00edveis antes da revolu\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Para o l\u00edder cient\u00edfico em Solu\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas Naturais da The Nature Conservancy (TNC), Fernando Cesario, o estudo citado pela Nasa antecipa &#8211; para daqui a 30 ou 50 anos &#8211; o aumento da ocorr\u00eancia de eventos extremos, com calor que pode levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p>\u201cOs estudos antigos mostravam que a gente s\u00f3 ia atingir esses n\u00edveis daqui a 100 anos, daqui a 200 anos. E o que ele mostra \u00e9 que essa probabilidade, essa janela de perigo, de ter \u00e1reas muito quentes e \u00famidas, est\u00e1 mais pr\u00f3xima do que a gente imaginava\u201d, completou.<\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo citou que as \u00e1reas no pa\u00eds com mais probabilidade de registrar eventos de calor fatal s\u00e3o as regi\u00f5es costeiras brasileiras; as \u00e1reas muito urbanizadas como Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, onde h\u00e1 muito asfalto; \u00e1reas pr\u00f3ximas de grandes lagos ou ba\u00edas, como a Baia de Todos-os-Santos, na Bahia; e em volta do Rio Amazonas, onde a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 muito alta.<\/p>\n<p><strong>Calor extremo<\/strong><br \/>\nO levantamento do cientista norte-americano mostrou que, em 40 anos, triplicou o n\u00famero de casos de calor extremo que podem levar \u00e0 morte devido a alta umidade. Regi\u00f5es como Paquist\u00e3o, Oriente M\u00e9dio e o litoral do Sudoeste da Am\u00e9rica do Norte est\u00e3o entre as que mais registraram esses momentos de calor extremo.<\/p>\n<p>Ainda segundo Nobre, se o aquecimento da Terra n\u00e3o for revertido, al\u00e9m dos gases que emitimos com f\u00e1bricas, carros e avi\u00f5es, os oceanos e as geleiras poderiam emitir quantidades enormes de gases que elevariam a temperatura a 8 ou 10\u00baC acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais a partir do ano de 2100.<\/p>\n<p>\u201cCom isso, praticamente o planeta todo se torna inabit\u00e1vel. Os \u00fanicos lugares habit\u00e1veis para o corpo humano ser\u00e3o o topo de montanhas como os Alpes, a Ant\u00e1rtica e o \u00c1rtico\u201d, alertou.<\/p>\n<p><strong>Estresse t\u00e9rmico<\/strong><br \/>\nNos EUA, o calor foi a principal causa de morte relacionada ao clima entre 1991 e 2020. Enquanto o calor matou, em m\u00e9dia, 143 pessoas no pa\u00eds norte-americano ao ano, as enchentes tiraram a vida de 85 pessoas todos os anos e os tornados tiraram a vida de 69 pessoas na m\u00e9dia anual desses 30 anos.<\/p>\n<p>O especialista Carlos Nobre destacou que a alta umidade e o calor podem estressar o corpo e levar \u00e0 morte. \u201cNessas situa\u00e7\u00f5es-limite, uma pessoa muito idosa ou um beb\u00ea resistem s\u00f3 meia hora. Uma pessoa adulta pode morrer em duas horas. Se durar um pouquinho mais que duas horas, ainda assim, vai ficar muito doente. Ent\u00e3o, este \u00e9 o estresse t\u00e9rmico que o estudo mostra, que pode tornar uma regi\u00e3o inabit\u00e1vel\u201d, completou.<\/p>\n<p>Outro estudo, liderado pelo cientista Camilo Mora, da Universidade do Hava\u00ed, encontrou 783 casos de calor extremo com morte em 164 cidades e 36 pa\u00edses. Segundo a pesquisa, 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 exposta a situa\u00e7\u00f5es limites de calor em pelo menos 20 dias ao ano.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2100, esta percentagem deve aumentar para 48% em um cen\u00e1rio com redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e 74% num cen\u00e1rio de emiss\u00f5es crescentes. Uma amea\u00e7a crescente \u00e0 vida humana proveniente do excesso de calor agora parece quase inevit\u00e1vel, mas ser\u00e1 muito agravada se os gases com efeito de estufa n\u00e3o forem consideravelmente reduzidos\u201d, afirma a pesquisa publicada na Nature Climate Change, em 2017.<\/p>\n<p><strong>Not\u00edcias alarmantes <\/strong><br \/>\nO l\u00edder cient\u00edfico da TNC, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ligada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental, Fernando Cesario, avalia que o estudo \u00e9 embasado, mas que as manchetes da m\u00eddia brasileira exageram os dados repassados pela Nasa.<\/p>\n<p>\u201cAchei as not\u00edcias muito alarmantes. Essas ocorr\u00eancias que ele mediu s\u00e3o localizadas, n\u00e3o pega o Brasil inteiro, pega algumas faixas dentro do territ\u00f3rio e duram menos de duas horas, porque o clima \u00e9 muito din\u00e2mico. Isso n\u00e3o invalida a emerg\u00eancia clim\u00e1tica que estamos vivendo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201c[O estudo] mapeou eventos pontuais e de menos de duas horas. Mas se a gente continuar jogando CO2 para atmosfera e o planeta aquecendo, \u00e9 muito prov\u00e1vel que aumente a frequ\u00eancia desses eventos e seu tempo de dura\u00e7\u00e3o. Isso traz risco para a sa\u00fade humana\u201d, completou.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es <\/strong><br \/>\nA redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na emiss\u00e3o de gases do efeito estufa est\u00e1 entre as a\u00e7\u00f5es que o Brasil e o mundo devem tomar para reduzir o aquecimento da Terra.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos que torcer muito para que os pa\u00edses assumam a responsabilidade de come\u00e7ar rapidamente a reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. Em 2023, as emiss\u00f5es subiram em rela\u00e7\u00e3o a 2022. Em 2024, elas continuam altas. Talvez a maior emiss\u00e3o seja em 2025. Depois, a previs\u00e3o \u00e9 estabilizar e come\u00e7ar a reduzir, mas a velocidade de redu\u00e7\u00e3o tem que ser gigantesca\u201d, destacou Carlos Nobre.<\/p>\n<p>Outra medida importante \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o das florestas, das matas em volta dos rios e lagos e o reflorestamento.<\/p>\n<p>\u201cA gente pode produzir, quase que dobrar a nossa produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3o, sem desmatar nenhuma \u00e1rvore, s\u00f3 utilizando as pastagens degradadas que a gente tem no pa\u00eds\u201d, afirmou Cesario, explicando a import\u00e2ncia da vegeta\u00e7\u00e3o para a captura dos gases que aquecem a Terra.<\/p>\n<p>Os gases do efeito estufa lan\u00e7ados na atmosfera v\u00eam aumentando a temperatura do planeta desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (s\u00e9culos 18 e 19), principalmente por meio da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, o que impulsiona a atual crise clim\u00e1tica, marcada por eventos extremos, como o calor excessivo, as secas prolongadas e as chuvas intensas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo citado pela Nasa &#8211; ag\u00eancia p\u00fablica espacial dos Estados Unidos (EUA) &#8211; repercutiu nos \u00faltimos dias na imprensa brasileira ao prever que \u00e1reas do Brasil poderiam ficar inabit\u00e1veis at\u00e9 2070 devido ao calor extremo provocado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 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