{"id":333928,"date":"2024-08-05T06:38:51","date_gmt":"2024-08-05T09:38:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=333928"},"modified":"2024-08-05T06:38:34","modified_gmt":"2024-08-05T09:38:34","slug":"vitoria-de-maduro-esta-nas-maos-do-var-de-lula-que-dira-se-ippon-valeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/vitoria-de-maduro-esta-nas-maos-do-var-de-lula-que-dira-se-ippon-valeu\/","title":{"rendered":"Vit\u00f3ria de Maduro est\u00e1 nas m\u00e3os do VAR de Lula, que dir\u00e1 se ippon valeu"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de Olimp\u00edada, queimar a largada significa passar a vez ou ser desclassificado. Pior \u00e9 queimar o filme na quadra pol\u00edtica. Al\u00e9m de agonizante, com ou sem VAR, a queimada significa desgaste irrevers\u00edvel ou, no m\u00ednimo, a perda dos primeiros postos no quadro de medalhas. Jornalisticamente importante, mas, ao mesmo tempo, chato e modorrento, o tema crise na Venezuela j\u00e1 deu o que tinha de dar. Apesar do esgotamento, o assunto s\u00f3 ser\u00e1 encerrado quando um dos lados conseguir o ippon, pontua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima em uma luta de jud\u00f4. Como o principal juiz do tatame \u00e9 brasileiro, o conflito eleitoral do pa\u00eds foi levado para o golden score e de l\u00e1 s\u00f3 deve sair nos pr\u00f3ximos Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>Me cansei da trama montada para perpetuar Maduro no Poder. Antes, por\u00e9m, afirmo que, sem qualquer margem de erro, dizer que a vit\u00f3ria garfada pelo ditador s\u00f3 dever\u00e1 ser revista quando as regras do jogo pol\u00edtico venezuelano forem alteradas. Ou seja, nunca. Pelo menos enquanto o tal Nicol\u00e1s mantiver a simpatia da diplom\u00e1tica e democr\u00e1tica corte brasileira. Ele est\u00e1 24 horas no radar da governan\u00e7a do Brasil. Entretanto, nos bastidores a ordem \u00e9 n\u00e3o se indispor com o ditador, mesmo que ele cuspa na cara do atleta mais vitorioso da regi\u00e3o. Ainda assim a desclassifica\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser vista, revista e, para o bem de todos, arquivada nas profundezas do Lago Parano\u00e1 ou das Ilhas Margaritas.<\/p>\n<p>O sumi\u00e7o das atas eleitorais continua intrigante, embora poucos tenham d\u00favidas de que os n\u00fameros desapareceram porque davam a vit\u00f3ria a Edmundo Gonz\u00e1lez Urrutia, opositor de Maduro. O ordenamento jur\u00eddico brasileiro e de qualquer outro pa\u00eds s\u00e9rio estabelece que, no processo penal, o acusador tem a responsabilidade de comprovar que a alega\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira. Na Venezuela n\u00e3o h\u00e1 como seguir a regra, pois o que servia de prova certamente n\u00e3o existe mais. Como o Poder Judici\u00e1rio de l\u00e1 faz parte do acervo do ditador chavista, o dito servir\u00e1 como o n\u00e3o dito e a vida ter\u00e1 de seguir no caminho inverso da lei.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da Venezuela \u00e9 c\u00f3pia fiel dos \u201cconservadores\u201d Vladimir Putin (R\u00fassia), Xi Jinping (China), Recep Tayyip Erdogan (Turquia), Viktor Orb\u00e1n (Hungria) e Alexander Lukashenko (Bielorr\u00fassia). Nesses pa\u00edses, todos de posturas ditatoriais, o \u00f4nus da prova est\u00e1 em quem \u00e9 acusado ou em quem \u00e9 objeto de suspei\u00e7\u00e3o. Portanto, cabe a Maduro e seus asseclas do Conselho Nacional Eleitoral, do Parlamento e do Minist\u00e9rio P\u00fablico provarem que Urrutia perdeu a elei\u00e7\u00e3o. Isso jamais ocorrer\u00e1 por uma simples raz\u00e3o: as principais lideran\u00e7as dos poderes venezuelanos s\u00e3o escolhidas a dedo pelo arbitr\u00e1rio comandante e obviamente muito bem remuneradas para esconder ou incinerar todos os documentos capazes de dirimir as d\u00favidas dos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Didatizando o juridiqu\u00eas, nessa invers\u00e3o de valores, a oposi\u00e7\u00e3o sabe que venceu o pleito, mas, sem os dados engolidos pela trupe chavista, n\u00e3o h\u00e1 como derrubar a fraudulenta hegemonia do ditador. Nesse caso, o surrupiado ouro de Nicol\u00e1s est\u00e1 mais para papel\u00e3o reciclado. Como as medalhas de prata e de bronze tamb\u00e9m foram afanadas pelo grupo de Maduro, tudo ficar\u00e1 como dantes no quartel montado por Hugo Ch\u00e1vez. Na pr\u00e1tica, um finge que ganhou, o outro finge que perdeu e o vizinho poderoso finge que nada de anormal aconteceu por l\u00e1. Enquanto isso, a burocracia venezuelana obriga o povo a se enfrentar e se equilibrar entre a morte, a escassez de produtos e a crescente desigualdade.<\/p>\n<p>Resumida a uma contradit\u00f3ria alegoria criada para enfeitar a carnavalesca vit\u00f3ria de Maduro, a Venezuela de hoje se resume \u00e0 frase do fil\u00f3sofo marxista, jornalista, cr\u00edtico liter\u00e1rio e pol\u00edtico italiano Antonio Gramsci: \u201cO velho est\u00e1 morrendo e o novo n\u00e3o pode nascer; nesse interregno, uma grande variedade de sintomas m\u00f3rbidos aparece\u201d. No conceito gramsciano, A falsa hegemonia neoliberal chavista (progressista) enfrentada pelo povo venezuelano significa que a classe dominante faz qualquer neg\u00f3cio para que a domina\u00e7\u00e3o tenha colora\u00e7\u00e3o natural. Ainda mais revoltante do que as mentiras de Nicol\u00e1s \u00e9 a insist\u00eancia de governantes vizinhos em fingir que n\u00e3o h\u00e1 anormalidades no sistema implantado por Hugo Ch\u00e1vez e mantido \u00e0 for\u00e7a por Maduro. O ditador sangra perante o mundo, mas seus parceiros, entre eles o Brasil, teimam em n\u00e3o permitir o nascimento do novo.<\/p>\n<p><strong>*Mathuzal\u00e9m J\u00fanior \u00e9 jornalista profissional desde 1978<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de Olimp\u00edada, queimar a largada significa passar a vez ou ser desclassificado. Pior \u00e9 queimar o filme na quadra pol\u00edtica. Al\u00e9m de agonizante, com ou sem VAR, a queimada significa desgaste irrevers\u00edvel ou, no m\u00ednimo, a perda dos primeiros postos no quadro de medalhas. 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