{"id":334121,"date":"2024-08-07T00:00:07","date_gmt":"2024-08-07T03:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=334121"},"modified":"2024-08-07T09:00:03","modified_gmt":"2024-08-07T12:00:03","slug":"mudancas-climaticas-podem-agravar-o-mapa-da-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/mudancas-climaticas-podem-agravar-o-mapa-da-fome\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem agravar o mapa da fome"},"content":{"rendered":"<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo, elaborado por cinco ag\u00eancias especializadas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, apontou que, em 2023, 2,33 bilh\u00f5es de pessoas enfrentaram inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave e que 733 milh\u00f5es passaram fome no mundo.<\/p>\n<p>O estudo sinaliza que a inseguran\u00e7a alimentar e a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o est\u00e3o piorando devido a uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, que incluem a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, desacelera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, desigualdade, dietas saud\u00e1veis inacess\u00edveis e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>S\u00f3 no Brasil, segundo o Atlas Global de Pol\u00edtica de Doa\u00e7\u00e3o de Alimentos, 61,3 milh\u00f5es de pessoas sofrem de inseguran\u00e7a alimentar, o que representa quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que vimos \u00e9 que, entre 2019 e 2020, houve um grande aumento na fome e na inseguran\u00e7a alimentar em todo o mundo. Pens\u00e1vamos que, \u00e0 medida que a pandemia de Covid-19 terminasse, esses n\u00fameros diminuiriam. Mas o que realmente aconteceu \u00e9 que, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, eles permaneceram persistentemente elevados. Tivemos a guerra na Ucr\u00e2nia, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e uma superinfla\u00e7\u00e3o. E tudo isso significa que h\u00e1 milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas que ainda lutam para ter acesso a alimentos suficientes\u201d, disse Lisa Moon, CEO [diretora-executiva] da The Global FoodBanking Network.<\/p>\n<p>Lisa deu entrevista para a Ag\u00eancia Brasil durante o semin\u00e1rio internacional Sistemas Alimentares: Oportunidades para Combater a Fome e o Desperd\u00edcio no Brasil, realizado hoje (6) pelo Sesc e pelo The Global FoodBanking Network (GFN), uma entidade internacional que trabalha com organiza\u00e7\u00f5es locais para apoiar bancos de alimentos em mais de 50 pa\u00edses. O evento foi realizado no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cEsse semin\u00e1rio traz a abertura das comemora\u00e7\u00f5es dos 30 anos do programa Sesc Mesa Brasil e tamb\u00e9m traz \u00e0 tona toda essa discuss\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, desperd\u00edcios, vulnerabilidade e fome. \u00c9 importante a gente estar sempre debatendo esse cen\u00e1rio e buscando novos caminhos para mitigar os efeitos t\u00e3o severos que a gente encontra, com tantas pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar\u201d, disse Cl\u00e1udia Roseno, gerente de assist\u00eancia do Departamento Nacional do Sesc.<\/p>\n<p>Um dos temas das discuss\u00f5es promovidas pelo semin\u00e1rio engloba os efeitos da crise clim\u00e1tica sobre a fome e a inseguran\u00e7a alimentar no mundo.<\/p>\n<p>\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam no circuito de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o [dos alimentos]. Um exemplo muito emblem\u00e1tico e recente \u00e9 a trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul\u201d, disse Cl\u00e1udia. No Sul, lembrou ela, as enchentes atingiram toda a produ\u00e7\u00e3o de agricultura familiar e de subsist\u00eancia e tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de arroz, o que afetou o abastecimento em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Questionada sobre esses impactos, Lisa destacou que as comunidades que mais t\u00eam sofrido com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o tamb\u00e9m as mais afetadas pela fome. \u201cVemos taxas mais elevadas de fome cr\u00f4nica e taxas mais elevadas de inseguran\u00e7a alimentar em comunidades que est\u00e3o sofrendo os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Ao mesmo tempo, o nosso sistema alimentar est\u00e1 produzindo alimentos mais do que suficientes para que todos tenham o suficiente, mas estamos descartando cerca de um ter\u00e7o de todos os alimentos produzidos a n\u00edvel mundial, aumentando as emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa\u201d, observou. \u201cCom o desperd\u00edcio de alimentos, estamos agravando o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do Brasil, destacou Carlos Portugal Gouv\u00eaa, professor de Direito na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e professor visitante na Harvard Law School, essa quest\u00e3o do desperd\u00edcio de alimentos est\u00e1 relacionada tamb\u00e9m \u00e0 pecu\u00e1ria. \u201cSe a gente for olhar, o Brasil est\u00e1 entre os maiores produtores de carne do mundo. Temos as maiores companhias produtoras de prote\u00edna do mundo, mas a gente tamb\u00e9m tem um n\u00edvel muito elevado de desperd\u00edcio de animais e de desperd\u00edcio de carne no mundo. E qual \u00e9 a quest\u00e3o com a sustentabilidade? Se formos olhar quem \u00e9 o maior poluidor brasileiro, quem mais contribui de uma forma negativa para a emiss\u00e3o de gases, que tem impacto no aquecimento global, \u00e9 a ind\u00fastria de carne. A gente consegue perceber que existe uma direta conex\u00e3o entre o desperd\u00edcio e a ind\u00fastria\u201d, afirmou ele, durante o semin\u00e1rio. \u201cO desperd\u00edcio, muitas vezes, est\u00e1 ligado a um sistema econ\u00f4mico no qual voc\u00ea precisa dar vaz\u00e3o a uma produ\u00e7\u00e3o, a um certo n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o\u201d, salientou.<\/p>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es<\/strong><br \/>\nAs respostas para enfrentar a fome e os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre a inseguran\u00e7a alimentar n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis, nem imediatas. Mas s\u00e3o urgentes.<\/p>\n<p>Exigem tamb\u00e9m esfor\u00e7o coletivo e \u201cmuita discuss\u00e3o\u201d, destacou Cl\u00e1udia Roseno. \u201c\u00c9 preciso colocar \u00e0 mesa pesquisadores, governos, sociedade civil e iniciativas como o Sesc Mesa Brasil para discutir esse problema. Precisamos encontrar outros caminhos para reduzir os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, do desperd\u00edcio e tamb\u00e9m da vulnerabilidade e da fome no Brasil\u201d, disse ela.<\/p>\n<p><strong>Popula\u00e7\u00e3o haitiana sofre com a fome<\/strong><br \/>\nEm muitos pa\u00edses, 733 milh\u00f5es passaram fome em 2023, revela estudo. &#8211; Marcello Casal\/Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nPara Lisa Moon, a redu\u00e7\u00e3o da fome passa, por exemplo, pelo apoio aos bancos de alimentos. \u201cPara as pessoas que est\u00e3o na pobreza, se n\u00e3o tiverem dinheiro suficiente para sobreviver, a comida \u00e9 muitas vezes a \u00faltima coisa que comprar\u00e3o. Elas ter\u00e3o que comprar suas moradias, rem\u00e9dios e outras coisas. E isso significa que a fome \u00e9 muito, muito prevalente, mesmo entre as pessoas que t\u00eam emprego. E a fun\u00e7\u00e3o dos bancos alimentares \u00e9 ajudar a fornecer esse apoio \u00e0s pessoas necessitadas. E eles n\u00e3o s\u00f3 fornecem alimentos para satisfazer as necessidades b\u00e1sicas, como tamb\u00e9m fornecem nutri\u00e7\u00e3o vital\u201d, sustentou.<\/p>\n<p>Lisa destaca outras a\u00e7\u00f5es importantes para reduzir a fome e a inseguran\u00e7a alimentar no mundo, principalmente relacionadas \u00e0s doa\u00e7\u00f5es para os bancos alimentares. A primeira delas, afirmou, diz respeito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de responsabilidade. \u201cSe as empresas e os produtores de alimentos doarem de boa-f\u00e9 dever\u00e3o ter a certeza de que n\u00e3o ter\u00e3o qualquer tipo de problemas jur\u00eddicos\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Outros pontos que Lisa ressaltou como importantes s\u00e3o os incentivos fiscais, a rotulagem e os investimentos no terceiro setor.<\/p>\n<p>\u201cEm muitos lugares \u00e9 mais caro doar alimentos do que jog\u00e1-los fora. Com incentivos fiscais podemos ajudar a incentivar as empresas a conseguirem, pelo menos, aliviar alguns dos seus custos quando fazem essa doa\u00e7\u00e3o. Outra coisa \u00e9 a rotulagem de validade [dos alimentos]. A rotulagem de validade \u00e9 muito confusa e causa confus\u00e3o sobre se esses r\u00f3tulos de qualidade ou de seguran\u00e7a alimentar. Adotar uma rotulagem realmente focada na seguran\u00e7a alimentar pode ser muito \u00fatil para a doa\u00e7\u00e3o. A \u00faltima coisa \u00e9 pensar realmente em como investir no terceiro setor que vai recuperar esse excedente alimentar. Descobrimos que, com pequenos investimentos em subs\u00eddios para infraestruturas, podemos realmente aumentar a capacidade dos bancos alimentares para receber mais produtos excedentes e redistribu\u00ed-los \u00e0s pessoas necessitadas\u201d, frisou Lisa.<\/p>\n<p>Para o professor Carlos Portugal Gouv\u00eaa, da USP e da Harvard Law School, a quest\u00e3o da fome precisa ser enfrentada n\u00e3o s\u00f3 com pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes, mas tamb\u00e9m com assist\u00eancia social. Ele lembra que n\u00e3o adianta ter uma boa pol\u00edtica p\u00fablica, se ela n\u00e3o chega a quem mais necessita. \u201cVoc\u00ea precisa ter pessoas que v\u00e3o onde a pobreza est\u00e1. A gente precisa ter pessoas que descobrem o problema daquelas fam\u00edlias especificamente e a\u00ed usam o aparato estatal para dar uma resposta especificamente para aquela fam\u00edlia\u201d, observou.<\/p>\n<p>\u201cSe o Brasil \u00e9 um pa\u00eds desigual e voc\u00ea faz uma pol\u00edtica p\u00fablica que, no fim, est\u00e1 atendendo uma classe m\u00e9dia, voc\u00ea, eventualmente, est\u00e1 perpetuando essa desigualdade\u201d, disse Carlos. \u201cOs desafios, no caso da sociedade brasileira, s\u00e3o efetivamente imensos. Mas como eu digo para os meus alunos, se a gente conseguir resolver esses problemas no Brasil, a gente cria exemplos para o mundo\u201d, argumentou.<\/p>\n<p><strong>Mesa Brasil<\/strong><br \/>\nPara celebrar os 30 anos do programa Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da Am\u00e9rica Latina, o Sesc, em S\u00e3o Paulo, est\u00e1 promovendo uma programa\u00e7\u00e3o especial, que foi chamada de Festival Sesc Mesa Brasil.<\/p>\n<p>Nos dias 10 e 11 de agosto, as unidades da capital, litoral e interior paulista ter\u00e3o mais de 80 apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas gratuitas, al\u00e9m de abrir seus espa\u00e7os para receber doa\u00e7\u00f5es de alimentos n\u00e3o perec\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio O Estado da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo, elaborado por cinco ag\u00eancias especializadas das Na\u00e7\u00f5es Unidas, apontou que, em 2023, 2,33 bilh\u00f5es de pessoas enfrentaram inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave e que 733 milh\u00f5es passaram fome no mundo. 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