{"id":334751,"date":"2024-08-17T02:04:43","date_gmt":"2024-08-17T05:04:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=334751"},"modified":"2024-08-17T02:07:08","modified_gmt":"2024-08-17T05:07:08","slug":"povo-precisa-sorrir-em-dia-bom-aceitar-os-dias-ruins-e-ter-uma-loira-diariamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/povo-precisa-sorrir-em-dia-bom-aceitar-os-dias-ruins-e-ter-uma-loira-diariamente\/","title":{"rendered":"Povo precisa sorrir em dia bom, aceitar os dias ruins e ter uma loira diariamente"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil cresce, aparece para o mundo, recupera o potencial econ\u00f4mico, mas internamente continua se mostrando como uma rep\u00fablica atrasada, preconceituosamente amb\u00edgua e cada vez mais envolvida pelo unilateralismo, principalmente o pol\u00edtico. Saudades do tempo em que os brasileiros debatiam pol\u00edtica, futebol, religi\u00e3o e quest\u00f5es ligadas \u00e0 cor da pele e \u00e0 op\u00e7\u00e3o sexual sem xingamentos, agress\u00f5es f\u00edsicas e at\u00e9 mortes. Nessa \u00e9poca, a melhor rede social era uma mesa rodeada de amigos. Mais complicadas, nem mesmo as discuss\u00f5es relativas \u00e0 ideologia ou aos cl\u00e1ssicos entre Vasco e Flamengo ou Palmeiras e Corinthians terminavam em pancadaria.<\/p>\n<p>A m\u00e1xima era sempre a mesma: sorriso para os dias bons, paci\u00eancia para os dias ruins e cerveja gelada para todos os dias. Morrerei achando que racismo, homofobia, transfobia, misoginia e coisas do g\u00eanero s\u00e3o incompat\u00edveis com a contemporaneidade. Sou contra os exageros de um lado e de outro. Tamb\u00e9m acho exagerados os mimimis que, volunt\u00e1ria ou involuntariamente, acabam gerando preconceito velado. Enfim, sejam brancas, pretas, amarelas, azuis, rosas, lil\u00e1s, ricos, pobres, machos convictos ou duvidosos, as pessoas do s\u00e9culo XXI parecem ter se esquecido de que somos humanos e, como tais, prov\u00e1veis seres felizes, tristes, carentes, invejosos, pedantes, l\u00facidos, nojentos, inteligentes, ignorantes e mentirosos, entre outros adjetivos.<\/p>\n<p>Infelizmente, deixamos de ser normais. Ainda que estejamos comprando um leito no inferno astral, nossa opini\u00e3o tem de prevalecer sobre qualquer outra. E n\u00e3o importa que a outra seja a correta. Somos sempre melhores do que os outros. Tenho visto com alguma frequ\u00eancia homens e mulheres disputando poder por meio da cor ou do sexo. A necessidade de se mostrar superior beira \u00e0 irracionalidade. Minha falta de clareza na explica\u00e7\u00e3o tem a ver com a aus\u00eancia de discernimento naqueles que em tudo veem algum tipo de preconceito. Por isso, \u00e9 melhor chegar aonde quero usando situa\u00e7\u00f5es vividas e que, por conta dos exagerados, n\u00e3o vivo mais. Em s\u00edntese, que pena ter perdido o verdadeiro conceito de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Est\u00fapidos e recorrentes, os intolerantes e implicantes de parte a parte n\u00e3o conseguiram viver em d\u00e9cadas passadas, quando todos os g\u00eaneros, classes, cores e religi\u00f5es eram representados no teatro ou em programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o sem patrulhamento. Tudo podia ser discutido sem qualquer pudor. Hoje, tudo soa como proibido, preconceituoso ou politicamente incorreto. \u00c9 a chatice recorrente de quem repudia a si pr\u00f3prio. Didaticamente, s\u00e3o os discriminados discriminando apenas para se defender ou supostamente atingir monstros e r\u00f3tulos que eles mesmo criaram. Triste, mas o que sempre foi normal atualmente \u00e9 execrado por uma sociedade que se acha acima do bem e do mal, embora pouco se preocupe com o bem.<\/p>\n<p>Obviamente que minha avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica, isto \u00e9, sem abrang\u00eancia. Os que nela se incluem certamente reagiriam hoje ao grupo heterog\u00eaneo do Casseta e Planeta, programa que fez sucesso fazendo piadas com negros, brancos e homossexuais. Chico Anysio, o melhor humorista que o Brasil j\u00e1 teve, seria torturado em pra\u00e7a p\u00fablica com seus personagens multifacetados. Por meio de seus textos talentosos, cl\u00e1ssicos, claros e cotidianos, negros, brancos, pais de santo, pastores, malfeitores, arruaceiros, b\u00eabados e gays entravam em nossas casas pelo menos um dia por semana. O objetivo era \u00fanico: o contraste da alegria com as tristezas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tudo isso para dizer que ainda n\u00e3o consegui entender como minha gera\u00e7\u00e3o conviveu, sem crises existenciais e sem salamaleques, com apresentadores fazendo piada com sua pr\u00f3pria gordura, com gays, nordestinos e negros explorando temas e tipos que hoje n\u00e3o seriam aceitos pela sociedade e, tamb\u00e9m, com poetas gays, com um travesti jurado de programas de audit\u00f3rio e com um transexual que se transformou em padr\u00e3o de beleza feminina. Com certeza, nos dias de hoje Faust\u00e3o, J\u00f4 Soares, Cazuza, Renato Russo, Mussum, Zacarias, Jorge Lafond, Rog\u00e9ria e Roberta Close morreriam de vergonha de ser os \u00eddolos que foram para mim e para os que viveram no meu tempo. Como li em um texto ap\u00f3crifo, sou do tempo em que a melhor maneira de defender direitos era express\u00e1-los de forma educada e inteligente. Enfim, nessa \u00e9poca a liberdade de express\u00e3o n\u00e3o permitia que eventuais preconceitos se transformem em estupidez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil cresce, aparece para o mundo, recupera o potencial econ\u00f4mico, mas internamente continua se mostrando como uma rep\u00fablica atrasada, preconceituosamente amb\u00edgua e cada vez mais envolvida pelo unilateralismo, principalmente o pol\u00edtico. 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