{"id":334779,"date":"2024-08-17T04:39:37","date_gmt":"2024-08-17T07:39:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=334779"},"modified":"2024-08-17T05:40:15","modified_gmt":"2024-08-17T08:40:15","slug":"nego-com-croquetes-de-fau-tem-espaco-na-saint-honore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/nego-com-croquetes-de-fau-tem-espaco-na-saint-honore\/","title":{"rendered":"N\u00eago, com croquetes de Fau, tem espa\u00e7o na Saint Honor\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>O nome de batismo \u00e9 Luciano Jos\u00e9 de Souza. Atende por N\u00eago. Nada de &#8216;vem c\u00e1, negr\u00e3o&#8217; ou &#8216;diz a\u00ed, preto, como andam as coisas?&#8221;. A dispensa desses dois adjetivos tem l\u00e1 suas vantagens. Primeiro, aproxima o dono da barraca montada h\u00e1 15 anos no litoral de Pernambuco, de uma clientela cada vez mais informal. De outro, evita gestos supostamente segregacionistas, caracterizados como racistas. E Luciano garante que N\u00eago est\u00e1 de bom tamanho.<\/p>\n<p>Dono de bar na praia de Itapuama, N\u00eago, 45 anos, toca a vida com a companheira Fau. Ela, ressalte-se, n\u00e3o fica atr\u00e1s de renomados chefs da gastronomia regional, nacional e mesmo internacional. Tanto que, dizem os clientes, a Barraca de N\u00eago tem bebidas e petiscos de fazer inveja aos melhores bares e caf\u00e9s da Rue Saint Honor\u00e9, em Paris.<\/p>\n<p>N\u00eago \u00e9 uma figura singular. Como sabe que o dinheiro que entra no bolso \u00e9 suado, se deixa fotografar &#8211; como na ocasi\u00e3o da conversa que gerou esta cr\u00f4nica &#8211; com uma garrafa de cerveja (Corona, d\u00e1 pra ver no r\u00f3tulo) fechada, que logo depois volta para o freezer, de onde sair\u00e1 estupidamente gelada para a mesa de um potencial cliente.<\/p>\n<p>Quando cito Saint Honor\u00e9, \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o estabelecendo uma ponte entre a simplicidade e autenticidade do bar de praia com a sofistica\u00e7\u00e3o dos bares parisienses, destacando que a experi\u00eancia, o charme e a ess\u00eancia do que realmente torna um bar especial n\u00e3o dependem necessariamente de sua localiza\u00e7\u00e3o ou luxo, mas sim da atmosfera, do acolhimento e do car\u00e1ter \u00fanico que ele oferece.<\/p>\n<p>A escolha de &#8220;N\u00eago&#8221; como personagem central deste texto sugere um reconhecimento da cultura local, das tradi\u00e7\u00f5es e do calor humano presentes nos bares de praia brasileiros, que poderiam encantar at\u00e9 mesmo os frequentadores mais exigentes das ruas sofisticadas da capital francesa. N\u00e3o se busca, portanto, apenas valorizar a cultura e a hospitalidade brasileiras, mas tamb\u00e9m provocar uma reflex\u00e3o sobre o que realmente importa na experi\u00eancia de estar em um bar: a autenticidade e a conex\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil imaginar a cena: N\u00eago, bronzeado pelo sol pernambucano, trajando uma camisa leve e um sorriso aberto, administrando uma barraca de praia nas areias douradas de Itapuama. O bar \u00e9 simples, mas acolhedor, com algumas mesas fornecidas por fabricantes de cervejas e outras de madeira r\u00fastica. H\u00e1 ainda guarda-s\u00f3is coloridos e uma brisa constante vinda do mar, que mistura o cheiro de maresia com o aroma de frutos do mar frescos sendo preparados na hora.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, N\u00eago \u00e9 mais do que um comerciante. Ele \u00e9 um anfitri\u00e3o, um contador de hist\u00f3rias, algu\u00e9m que conhece cada cliente pelo nome e sabe exatamente como agrad\u00e1-los, seja com uma dose de u\u00edsque, uma caipirinha gelada, um peixe grelhado ou uma conversa descontra\u00edda e as ondas do mar.<\/p>\n<p>Se transportarmos essa cena para a Rue Saint Honor\u00e9, um dos endere\u00e7os mais chiques de Paris, N\u00eago, com sua autenticidade e charme natural, teria lugar garantido entre os grandes bares da cidade. Ali, onde a sofistica\u00e7\u00e3o \u00e9 a norma, onde as vitrines exibem os \u00faltimos lan\u00e7amentos das grandes grifes e os caf\u00e9s exalam um ar de eleg\u00e2ncia, esse rapaz-av\u00f4 se sentiria em casa.<\/p>\n<p>A barraca dele, com toda a sua simplicidade, seria um sopro de ar fresco no meio do luxo e do formalismo. Paris, com sua tradi\u00e7\u00e3o de bistr\u00f4s e brasseries, certamente acolheria o jeito despretensioso e ao mesmo tempo cativante de N\u00eago, onde o atendimento \u00e9 pessoal e o ambiente \u00e9 uma extens\u00e3o da casa de cada cliente.<\/p>\n<p>Os parisienses, t\u00e3o acostumados ao requinte, talvez se surpreendessem com a informalidade de N\u00eago, mas logo se renderiam ao seu carisma. Chego a imagin\u00e1-los sentados em cadeiras de praia, bebendo uma caipirinha ao som de um forr\u00f3 tocando ao fundo, enquanto N\u00eago, com sua habilidade \u00fanica de criar conex\u00f5es, faz cada um se sentir especial.<\/p>\n<p>No fim das contas, N\u00eago provaria que a hospitalidade e o calor humano n\u00e3o dependem de luxos ou formalidades. Em qualquer lugar do mundo, seja nas praias de Pernambuco ou nas ruas de Paris, um bom anfitri\u00e3o \u00e9 aquele que sabe acolher com o cora\u00e7\u00e3o, e nisso, N\u00eago seria imbat\u00edvel.<\/p>\n<p>Paris pode at\u00e9 ter seus caf\u00e9s hist\u00f3ricos e seus chefs renomados, mas, com certeza, haveria uma nova atra\u00e7\u00e3o na Rue Saint Honor\u00e9: o Bar de N\u00eago, onde cada cliente sairia n\u00e3o s\u00f3 satisfeito, mas tamb\u00e9m com uma hist\u00f3ria para contar e um sorriso no rosto. Tudo isso regado aos bolinhos de peixe, charque, carne de sol e outras iguarias que a esposa Fau sabe preparar com receitas sofisticadas, de sabores inigual\u00e1veis. A prop\u00f3sito, a pedida para este fim de semana \u00e9 uma cioba frita. Quem chegar cedo, garante uma mesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nome de batismo \u00e9 Luciano Jos\u00e9 de Souza. Atende por N\u00eago. 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