{"id":335410,"date":"2024-08-28T00:10:04","date_gmt":"2024-08-28T03:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=335410"},"modified":"2024-08-28T02:14:55","modified_gmt":"2024-08-28T05:14:55","slug":"inseguranca-alimentar-atinge-em-maior-grau-as-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/inseguranca-alimentar-atinge-em-maior-grau-as-mulheres-negras\/","title":{"rendered":"Inseguran\u00e7a alimentar atinge em maior grau as mulheres negras"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos 12,5% das mulheres negras est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave. Esse \u00e9 apenas um dos dados trazidos pelo \u00faltimo relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio Brasileiro das Desigualdades, divulgado na ter\u00e7a-feira (27), em evento na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia. A inseguran\u00e7a alimentar moderada \u00e9 aquela em que os cidad\u00e3os t\u00eam dificuldade para conseguir alimentos. A grave refere-se \u00e0 fome.<\/p>\n<p>\u201cO que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a nitidez com que a gente percebe os grupos mais desfavorecidos e vulner\u00e1veis [mulheres e pessoas negras]\u201d, afirma o membro do Pacto Nacional pelo Combate \u00e0s Desigualdades, Oded Grajew. Ainda na escala da inseguran\u00e7a alimentar, 12,3% das v\u00edtimas s\u00e3o homens negros. Entre n\u00e3o negros, essa porcentagem \u00e9 de 5,8% para mulheres, e 5,5% para homens.<\/p>\n<p>Outros dados do relat\u00f3rio mostram, por exemplo, que o rendimento m\u00e9dio mensal da mulher negra \u00e9 de apenas 42%, quando comparado ao homem n\u00e3o negro. Inclusive, elas est\u00e3o mais desempregadas (11,5%) do que os homens n\u00e3o negros (5,2%).<\/p>\n<p>Oded Grajew, que \u00e9 tamb\u00e9m fundador e conselheiro em\u00e9rito do Instituto Ethos, entende que a combina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a e g\u00eanero \u00e9 aquela que mereceria a maior aten\u00e7\u00e3o. O relat\u00f3rio destaca ainda que houve um aumento na propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as ind\u00edgenas sofrendo com desnutri\u00e7\u00e3o: 16,1% entre meninos e 11,1% entre meninas.<\/p>\n<p>\u201cCombater a desigualdade \u00e9 mudar as prioridades e investir onde \u00e9 mais necess\u00e1rio. \u00c9 importante dar aten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria para aqueles grupos mais vulner\u00e1veis e marginalizados. No caso do Brasil, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o negra e s\u00e3o as mulheres\u201d, afirmou. Grajew entende que, embora a situa\u00e7\u00e3o tenha melhorado para os grupos mais vulner\u00e1veis e pobres da popula\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o melhorou tamb\u00e9m para os mais ricos.<\/p>\n<p>\u201cEm alguns casos, ficou igual e at\u00e9 aumentou na desigualdade. N\u00f3s criamos o Pacto Nacional de Combate \u00e0 Desigualdade porque a desigualdade \u00e9 que constr\u00f3i uma sociedade de castas, de conflitos e de viol\u00eancia. A sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a \u00e9 um veneno para a sociedade\u201d, avaliou.<\/p>\n<p><strong>Altera\u00e7\u00f5es positivas<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio n\u00e3o traz apenas preocupa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m ind\u00edcios de altera\u00e7\u00f5es de cen\u00e1rios. Entre os dados positivos, destaca que houve uma queda de 40% na propor\u00e7\u00e3o de pessoas em extrema pobreza e a maior redu\u00e7\u00e3o foi entre mulheres negras.<\/p>\n<p>Ainda est\u00e1 no documento que houve uma queda de 20% no desemprego e ganho real no rendimento m\u00e9dio de todas as fontes, na ordem de 8,3%. A propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras de 18 a 24 anos que cursa o ensino superior foi a 19,2%, o que significou um crescimento de 12,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Para ele, o caminho seria aperfei\u00e7oar as pol\u00edticas p\u00fablicas, e aperfei\u00e7oar o sistema fiscal e tribut\u00e1rio para que os recursos n\u00e3o fiquem dirigidos aos mais ricos. \u201cTodos os pa\u00edses que pregam pela sociedade mais igualit\u00e1ria t\u00eam um sistema fiscal tribut\u00e1rio que deve ser instrumento da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Percep\u00e7\u00e3o da desigualdade<\/strong><br \/>\nOutro levantamento \u00e9 sobre a percep\u00e7\u00e3o de desigualdade no pa\u00eds por parte da popula\u00e7\u00e3o. O levantamento foi entregue pelo Instituto Cidades Sustent\u00e1veis e pelo IPEC. Um dos exemplos \u00e9 que diminuiu o n\u00famero de pessoas que teve que fazer uma atividade extra, como um \u201cbico\u201d para complementar a renda.<\/p>\n<p>Esse n\u00famero era de 45% em 2022. No ano passado e em 2024, \u00e9 de 31% (o que seria equivalente a cerca de 50 milh\u00f5es de pessoas). A pesquisa foi feita em mais de 129 cidades com 2 mil entrevistas.<\/p>\n<p>\u201cEntre o ano passado e agora, esse n\u00famero de 31% se manteve. Ent\u00e3o a gente tem um temor de que esse seja um novo normal onde as pessoas t\u00eam que ter dois empregos para se manter\u201d, afirma o coordenador de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do Instituto Cidades Sustent\u00e1veis, Igor Pantoja.<\/p>\n<p>Por outro lado, o levantamento mostrou tamb\u00e9m que, em geral, mais de 70% das pessoas melhoraram as condi\u00e7\u00f5es de vida em rela\u00e7\u00e3o aos seus pais. \u201cMas tamb\u00e9m a gente pergunta para essa pessoa, nos \u00faltimos cinco anos, se ela acredita que melhorou. a sua situa\u00e7\u00e3o de moradia, a sua renda e a sua escolaridade, o n\u00edvel de resposta j\u00e1 \u00e9 menor, mas ainda \u00e9 positivo\u201d, diz.<\/p>\n<p>O coordenador observa, por\u00e9m, que essa percep\u00e7\u00e3o de melhora \u00e9 maior para as classes mais privilegiadas em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas nas classes D e E. \u201cEssa desigualdade ainda \u00e9 um n\u00f3. N\u00e3o basta a gente melhorar a sociedade como um todo, mas \u00e9 importante que quem est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o pior consiga melhorar mais\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 12,5% das mulheres negras est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave. Esse \u00e9 apenas um dos dados trazidos pelo \u00faltimo relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio Brasileiro das Desigualdades, divulgado na ter\u00e7a-feira (27), em evento na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia. 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