{"id":335666,"date":"2024-09-01T01:32:17","date_gmt":"2024-09-01T04:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=335666"},"modified":"2024-09-01T01:36:06","modified_gmt":"2024-09-01T04:36:06","slug":"show-da-polarizacao-passara-e-nos-passarinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/show-da-polarizacao-passara-e-nos-passarinho\/","title":{"rendered":"Show da polariza\u00e7\u00e3o passar\u00e1&#8230; e n\u00f3s passarinho!"},"content":{"rendered":"<p>Dia desses, ap\u00f3s ler pela en\u00e9sima vez o \u201cPoeminha do Contra\u201d, de M\u00e1rio Quintana, percebi que a vida \u00e9 realmente parecida com uma lota\u00e7\u00e3o, na qual tudo \u00e9 passageiro. Apesar dessa percep\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria da exist\u00eancia mut\u00e1vel, n\u00e3o consigo entender por que meus conceitos n\u00e3o se adequam ao tempo e \u00e0 sua incontest\u00e1vel a\u00e7\u00e3o. Vaidade das vaidades. Afinal, o que n\u00e3o \u00e9 vaidade na vida? S\u00f3 a certeza de que, como tudo flui e muda, ningu\u00e9m pode entrar duas vezes no mesmo rio. Ou seja, o bom da vida \u00e9 que tudo passa. O para\u00edso \u00e9 quando a gente descobre que a vida n\u00e3o \u00e9 uma pergunta a ser respondida, mas um mist\u00e9rio a ser vivido. Eis o enigma da vida.<\/p>\n<p>Voltando a M\u00e1rio Quintana, origem da minha viagem de hoje, o \u201cpoeminha\u201d revela que \u201cTodos esses que a\u00ed est\u00e3o Atravancando meu caminho Eles passar\u00e3o&#8230;Eu passarinho!\u201d. A esperan\u00e7a e o otimismo do autor me d\u00e3o for\u00e7a para acreditar que, leve o tempo que levar, um dia ficamos livres de tudo que nos incomoda, chateia ou \u201cmata\u201d de raiva. Boa ou ruim, poucos t\u00eam alguma lembran\u00e7a das roupas, sapatos, m\u00f3veis e carros velhos. Ficaram para tr\u00e1s, se acabaram, desapareceram do retrovisor dos neur\u00f4nios que ainda nos restam.<\/p>\n<p>Assim s\u00e3o os problemas passageiros e assim s\u00e3o os pol\u00edticos aventureiros. O que passou, passou, acabou, morreu, n\u00e3o volta mais. Pelo menos n\u00e3o deveria. Com nosso apoio ou n\u00e3o, j\u00e1 tivemos tantos e raramente lembramos de algum. Detentores de poderes ef\u00eameros, os presidentes da Rep\u00fablica, governadores, prefeitos, deputados, senadores e vereadores tamb\u00e9m s\u00e3o descontinuados, anulados, finitos, interinos. Eles caducam e nem sempre s\u00e3o mumificados. Uns acabam jubilados, engaiolados ou defenestrado da vida p\u00fablica. A maioria prescreve, fica sem efeito, isto \u00e9, deixa de ter valor legal perante a sociedade.<\/p>\n<p>Eles passar\u00e3o. N\u00f3s passarinho! Ent\u00e3o, por que insistirmos com a bobagenta e envelhecida tese da polariza\u00e7\u00e3o. Essa idiotice j\u00e1 virou paranoia para os extremistas \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Normalmente, o que vemos \u00e9 o roto esculhambando o esfarrapado. A obriga\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio for\u00e7ado \u00e9 o que resta \u00e0queles que ainda raciocinam e que sonham com um Brasil realmente para todos. Como sempre foi. Pior para os que pensam \u00e9 assistir diariamente um e outro e outro lado alardear, sem provas concretas, que os gritos, as manifesta\u00e7\u00f5es e as orgias pol\u00edticas que produzem s\u00e3o em benef\u00edcio do resgate da democracia. Querem resgatar mais o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00e3o existe vida al\u00e9m de Luiz In\u00e1cio, de Jair Bolsonaro e de seus fan\u00e1ticos seguidores? Ser\u00e1 que, entre 212,6 milh\u00f5es de pessoas e um suprapartidarismo absurdo, n\u00e3o h\u00e1 mais ningu\u00e9m em condi\u00e7\u00f5es de se apresentar para gerenciar a P\u00e1tria Amada? O povo esquece f\u00e1cil que at\u00e9 mesmo ele (o povo) passar\u00e1. Lula e Bolsonaro ainda n\u00e3o s\u00e3o coisas do passado, mas amanh\u00e3 certamente os personagens que incorporaram ser\u00e3o p\u00e1ginas viradas. Xuxa <em>paxou<\/em>. Silvio Santos e Faust\u00e3o igualmente <em>paxaram<\/em>. Entre outros, JK, J\u00e2nio Quadros, os generais de 1964, Jos\u00e9 Sarney, Collor de Mello, FHC, Roberto Campos, Delfim Netto, Ulysses Guimar\u00e3es e Ibsen Pinheiro tiveram tanto ou mais poder. Hoje, todos est\u00e3o enterrados f\u00edsica ou politicamente. Eles <em>xumiram<\/em> na poeira e, sabe-se l\u00e1 como, o Brasil ainda est\u00e1 de p\u00e9.<\/p>\n<p>Os poderosos da atualidade tamb\u00e9m virar\u00e3o p\u00f3 sem conseguir destruir a na\u00e7\u00e3o. Isto quer dizer que, por mais que sejamos substitu\u00eddos pelos mais novos, o Brasil e os brasileiros permanecer\u00e3o de p\u00e9. Setembro est\u00e1 chegando. E a boa nova \u00e9 voltar a sonhar juntos. Antes que a gente vire tabar\u00e9u e v\u00e1 para o belel\u00e9u, que tal seguir o conselho do compositor mineiro Beto Guedes, semear o perd\u00e3o no vento e esperar brotar algu\u00e9m que venha nos trazer um luminoso \u201cSol de primavera\u201d. At\u00e9 l\u00e1, que tenhamos pelo menos consci\u00eancia de que vale a pena experimentar caminhos diferentes, principalmente quando os conhecidos se acham lendas, embora n\u00e3o passem de espectros, algo como o fogo e a paix\u00e3o. Eles est\u00e3o a\u00ed, atravancando nossos caminhos. Lembremos sempre que eles passar\u00e3o&#8230;N\u00f3s passarinho!\u201d.<\/p>\n<p><strong>*Armando Cardoso \u00e9 presidente do Conselho Editorial de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses, ap\u00f3s ler pela en\u00e9sima vez o \u201cPoeminha do Contra\u201d, de M\u00e1rio Quintana, percebi que a vida \u00e9 realmente parecida com uma lota\u00e7\u00e3o, na qual tudo \u00e9 passageiro. 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