{"id":335976,"date":"2024-09-05T12:48:16","date_gmt":"2024-09-05T15:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=335976"},"modified":"2024-09-05T12:56:23","modified_gmt":"2024-09-05T15:56:23","slug":"bin-laden-poe-guima-dono-da-banca-em-confusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/bin-laden-poe-guima-dono-da-banca-em-confusao\/","title":{"rendered":"Bin Laden p\u00f5e Guima, dono da banca, em confus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As coisas que acontecem aqui no bairro talvez sejam como as que ocorrem por a\u00ed ou em qualquer outro lugar. Se bem que acho dif\u00edcil ter outra banca de jornal que nem a do Guimar\u00e3es, vulgo Guima. N\u00e3o que seja uma banca muito diferente das que conhe\u00e7o ou que j\u00e1 passei em frente. Por l\u00e1 os jornais ficam pendurados ou em pilhas, assim como aquele monte de revistas, algumas com tarjas pretas para n\u00e3o espantar a freguesia ou, ent\u00e3o, para ati\u00e7ar outros tantos a mexerem nos bolsos e compr\u00e1-las por m\u00f3dicos reais.<\/p>\n<p>O que torna o local especial \u00e9 justamente o p\u00fablico. Aparece cada figura, que, n\u00e3o raro, me pergunto se um tipo ou outro n\u00e3o saiu da doentia imagina\u00e7\u00e3o de um roteirista desses filmes B. E, por conta dessas peculiaridades, o Guima n\u00e3o perdoa e sai colocando apelido em todo mundo.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 um velho quase gag\u00e1, que s\u00f3 conhe\u00e7o por Bin Laden. N\u00e3o creio que ele seja um terrorista, mas a alcunha deve ser porque o cara \u00e9 bem alto, magro e meio encurvado. Ali\u00e1s, com essa curvatura toda, j\u00e1 at\u00e9 pensei em um apelido mais apropriado: Pipa. Se bem que algu\u00e9m poderia supor que fosse por causa daqueles barris de conhaque ou outra bebida. Melhor Bin Laden mesmo.<\/p>\n<p>Meio distra\u00eddo, Bin Laden, n\u00e3o raro, esquece a carteira, o isqueiro ou o ma\u00e7o de cigarros na banca. Mas o que aconteceu anteontem n\u00e3o foi por causa de esquecimento, e sim por excesso de lembran\u00e7a. \u00c9 que o coroa, inocente, puro e besta, acabou se confundindo e pegou as chaves da banca.<\/p>\n<p>Na hora, ningu\u00e9m percebeu essa trapalhada. Foi s\u00f3 quando a noite adentrou a rua que o Guima se deu conta do ocorrido. Procura daqui, procura dali e at\u00e9 de acol\u00e1, ele come\u00e7ou a se desesperar. Como \u00e9 que iria fechar o com\u00e9rcio e poder ir para o lar, doce lar sem precisar se preocupar com os ladr\u00f5es da regi\u00e3o? Foi a\u00ed que ele se lembrou que o local tem c\u00e2meras.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s quase uma hora correndo a filmagem do dia, Guima se deparou com o Bin Laden pegando o chaveiro sobre o balc\u00e3o e o colocando no bolso da cal\u00e7a de tergal. No entanto, o problema n\u00e3o estava resolvido. \u00c9 que o Guima n\u00e3o sabia onde o velho morava. E agora?<\/p>\n<p>Pensamento a mil, Guima se lembrou de algo que, era poss\u00edvel, poderia ser a ponta de uma investiga\u00e7\u00e3o. \u00c9 que ele tinha anotado no caderninho de devedores o n\u00famero do telefone do Gavi\u00e3o. Desse modo, l\u00e1 foi o Guima virar as p\u00e1ginas at\u00e9 que encontrou o tal n\u00famero. Ligou e, ap\u00f3s algumas tentativas frustradas, conseguiu falar com o cliente.<\/p>\n<p>\u2014 Boa noite, Guima! N\u00e3o sei onde o Bin Laden mora, mas acho que o Doutor Pocot\u00f3 sabe.<\/p>\n<p>\u2014 Tem o telefone dele?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o tenho, mas sei que ele mora na rua da Forca. S\u00f3 n\u00e3o sei o n\u00famero.<\/p>\n<p>\u2014 Valeu! Vou dar meus pulos.<\/p>\n<p>Sem melhores alternativas, l\u00e1 foi o Guima para a tal rua. Precavido que era, antes pegou o Z\u00e9 Boi\u00e3o, antigo fregu\u00eas, que passava naquela hora em frente \u00e0 banca.<\/p>\n<p>\u2014 Z\u00e9 Boi\u00e3o, preciso da sua ajuda. Toma conta da banca, pois tenho que achar o Bin Laden. Ele pegou as minhas chaves.<\/p>\n<p>Guima ligou a lambreta e cometeu todas as infra\u00e7\u00f5es poss\u00edveis no tr\u00e2nsito ca\u00f3tico de Salvador. Chegou ao local, mas precisava descobrir onde \u00e9 que o Doutor Pocot\u00f3 morava. Perguntou para in\u00fameras pessoas que caminhavam, at\u00e9 que uma senhora, cuja apar\u00eancia lembrava a da Dona Can\u00f4, indicou um local.<\/p>\n<p>\u2014 Mo\u00e7o, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum Doutor Pocot\u00f3, mas, pelas caracter\u00edsticas, deve ser o seu Gumercindo. Ele mora ali naquela casa da esquina.<\/p>\n<p>E l\u00e1 foi o Guima tocar a campainha da tal resid\u00eancia. N\u00e3o demorou, um homem gordo e careca abriu a porta. Era o Doutor Pocot\u00f3, ou melhor, o seu Gumercindo. Por sorte, ele sabia onde Bin Laden residia: rua do Para\u00edso, que ficava ali perto.<\/p>\n<p>De volta para a lambreta envenenada, Guima n\u00e3o demorou a estacionar em frente \u00e0 casa do Bin Laden. Este, envergonhado pelo transtorno causado, entregou as chaves para o dono da banca, que teve que recusar o prolongamento da prosa, pois precisava liberar o Z\u00e9 Boi\u00e3o.<\/p>\n<p>Guima acelerou ainda mais a lambreta e, j\u00e1 na esquina, percebeu que o Z\u00e9 Boi\u00e3o estava sentado na cadeira em frente \u00e0 banca, latinha de cerveja numa das m\u00e3os, pacote de salgadinhos na outra. O dono da banca n\u00e3o teve como reclamar pelo preju\u00edzo causado pelo vigilante de \u00faltima hora, que, antes de se despedir, tratou de colocar debaixo do bra\u00e7o uma daquelas revistas com tarja preta.<\/p>\n<p>\u2014 Guima, se precisar, \u00e9 s\u00f3 chamar!<\/p>\n<p><strong>*Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro \u201c57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor muito Velho\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As coisas que acontecem aqui no bairro talvez sejam como as que ocorrem por a\u00ed ou em qualquer outro lugar. 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