{"id":336064,"date":"2024-09-07T02:35:43","date_gmt":"2024-09-07T05:35:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=336064"},"modified":"2024-09-06T23:41:17","modified_gmt":"2024-09-07T02:41:17","slug":"marcio-petracco-aprendeu-cedo-bebendo-cha-para-limpar-cordas-de-violao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/marcio-petracco-aprendeu-cedo-bebendo-cha-para-limpar-cordas-de-violao\/","title":{"rendered":"Marcio Petracco aprendeu cedo, bebendo ch\u00e1 para limpar cordas de viol\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Se aconteceu assim, n\u00e3o posso afirmar, mas creio que \u00e9 t\u00e3o boa hist\u00f3ria, que vale a pena cont\u00e1-la, independentemente de verdades e mentiras. Afinal, como tudo que ocorre na vida, esses s\u00e3o os temperos que a tornam mais atrativa aos ouvidos curiosos, aflitos para n\u00e3o perder nem uma nota sequer.<\/p>\n<p>Por falar em nota, que seja um d\u00f3 ou um mi, qui\u00e7\u00e1 um r\u00e9 ou um si, l\u00e1 est\u00e1vamos o meu grande amigo Marcio Petracco e eu no cachorr\u00f3dromo do Tesourinha, aqui em Porto Alegre, cidade que adoro como nossa ador\u00e1vel Bras\u00edlia. Ele, famoso pelo virtuosismo musical, especialmente quando empunha a sua fren\u00e9tica guitarra nos palcos espalhados por este pa\u00eds; eu, um mero ajuntador de palavras, que, de vez em quando, consegue arrancar aquele sorriso faceiro da minha amada Dona Irene.<\/p>\n<p>Segundo as cr\u00edveis palavras do Marcio, ele, ainda guri de fraldas, passou por uma experi\u00eancia que, certeira que nem flecha de Robin Hood, definiu seu destino. \u00c9 que um not\u00f3rio violeiro ga\u00facho, de nome a ser preservado neste texto para salvaguardar a sua mem\u00f3ria, talvez esquecida pelos displicentes de plant\u00e3o, pousou na resid\u00eancia da fam\u00edlia do meu companheiro de fartas prosas curiosas. Em todo caso, iremos cham\u00e1-lo de, vejamos, Telmo.<\/p>\n<p>Ga\u00facho como tantos outros, o nosso Telmo era apreciador de chimarr\u00e3o e, por conta desse h\u00e1bito, gostava de carregar uma boa quantidade de erva no alforje. No entanto, o gajo tamb\u00e9m possu\u00eda um h\u00e1bito que, com o passar dos anos, parece que se perdeu em algum canto: colocar as quarta, quinta e sexta cordas do viol\u00e3o em \u00e1gua quente para retirar a sujeira e deixar o som mais n\u00edtido.<\/p>\n<p>E l\u00e1 estavam o Telmo e os pais do Marcio agarrados numa prosa e degustando a erva especial. O m\u00fasico, como de costume, retirou aquelas tr\u00eas cordas do viol\u00e3o e as deixou em infus\u00e3o dentro de uma x\u00edcara. Papo vai, papo vem, ouviu-se o choro do Marcio, talvez despertado pelo frio naquele junho de 1969.<\/p>\n<p>A mam\u00e3e do meu amigo, orelhas atentas que nem graxaim-do-campo, foi tomar conta da cria. A mulher tentou fazer com que a crian\u00e7a voltasse para o ber\u00e7o, mas o moleque estava mais agitado do que pianista de cabar\u00e9. N\u00e3o teve jeito e, ent\u00e3o, a dona da casa pegou o rebento no colo e voltou para continuar a prosa com o marido e a visita.<\/p>\n<p>A conversa estava t\u00e3o boa, que os adultos n\u00e3o perceberam quando o Marcio, certamente atra\u00eddo pela x\u00edcara com as cordas, a derrubou sobre seu rosto. Por sorte, aquela quentura j\u00e1 se havia se transformado em agrad\u00e1vel morno. Seja como for, o meu amigo acabou ingerindo boa quantidade do ch\u00e1 de corda e, parece, ficou inebriado por aquele sabor.<\/p>\n<p>No ano seguinte, mais precisamente no anivers\u00e1rio de dois anos do Marcio, dia 26 de janeiro de 1970, o pirralho come\u00e7ou a dedilhar um viol\u00e3o de lata de goiabada e n\u00e3o parou mais. E, como ele pr\u00f3prio gosta de dizer, sua liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica \u00e9 por causa daquele ch\u00e1 de cordas do Telmo. Se \u00e9 verdade, n\u00e3o posso afirmar. No entanto, \u00e9 assim que as lendas s\u00e3o forjadas.<\/p>\n<p><strong>*Eduardo Mart\u00ednez \u00e9 autor do livro \u201c57 Contos e Cr\u00f4nicas por um Autor muito Velho\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Compre aqui\u00a0<span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><span class=\"x19la9d6 x1fc57z9 x6ikm8r x10wlt62 x19co3pv x1g5zs5t xfibh0p xiy17q3 x1xsqp64 x1lkfr7t xexx8yu x4uap5 x18d9i69 xkhd6sd\"><span class=\"xrtxmta x1bhl96m\"><img decoding=\"async\" class=\"emoji\" role=\"img\" draggable=\"false\" src=\"https:\/\/s.w.org\/images\/core\/emoji\/14.0.0\/svg\/1f447-1f3ff.svg\" alt=\"&#x1f447;&#x1f3ff;\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho\">http:\/\/www.joanineditora.com.br\/57-contos-e-cronicas-por-um-autor-muito-velho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se aconteceu assim, n\u00e3o posso afirmar, mas creio que \u00e9 t\u00e3o boa hist\u00f3ria, que vale a pena cont\u00e1-la, independentemente de verdades e mentiras. 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