{"id":336359,"date":"2024-09-13T07:21:40","date_gmt":"2024-09-13T10:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=336359"},"modified":"2024-09-13T07:21:40","modified_gmt":"2024-09-13T10:21:40","slug":"sexta-feira-13-deu-origem-a-ma-sorte-de-um-velho-portuga-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/sexta-feira-13-deu-origem-a-ma-sorte-de-um-velho-portuga-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sexta-Feira 13 deu origem \u00e0 m\u00e1 sorte de um velho portuga no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Simb\u00f3lica e cabal\u00edstica, Sexta-Feira 13 me remete a hist\u00f3rias hil\u00e1rias da juventude. Foi exatamente em uma delas que tive a certeza de que os patr\u00edcios portugueses gozam deles mesmos. S\u00f3 para ilustrar, o gozar a que me refiro tem somente a conota\u00e7\u00e3o de ca\u00e7oar. Pois a certeza veio quando ouvi meu av\u00f4 Aristarco Pederneira, em um dia como hoje, indagar a um conterr\u00e2neo de Tr\u00e1s os Montes se a mulher do cidad\u00e3o fazia sexo com ele por amor ou por interesse. Intrigante, mas objetiva, a resposta foi na lata: \u201cClaro que \u00e9 por amor, porque ela n\u00e3o demonstra nenhum interesse por mim\u201d.<\/p>\n<p>Desgostoso, o amigo do velho virou frequentador ass\u00edduo da ZBM, conhecida nos botecos de periferia como Zona do Baixo Meretr\u00edcio, em busca de prazer prolongado. L\u00e1, sempre que chegava, perguntava \u00e0 gerente do bordel quanto custava o programa.<\/p>\n<p>Em um dessas \u201cvisitas\u201d, uma gerentona nova, gorda, fora de forma e naturalmente no banco de reservas, respondeu sem fix\u00e1-lo que dependia do tempo. \u201cSuponhamos que chova\u201d. N\u00e3o precisou dizer mais nada. Foi expulso do recinto a pontap\u00e9s. Tentando se camuflar sob o perfil sonhador de um japon\u00eas, Joaquim, o amigo do v\u00f4, saiu da ZBM e adentrou em um suposto restaurante. Antes mesmo de se sentar, pediu uma bacalhoada e um vinho dos mais rascantes.<\/p>\n<p>Brincalh\u00e3o, mas sol\u00edcito, o atendente apostou na naturalidade do gajo. \u2013 J\u00e1 sei! O senhor \u00e9 portugu\u00eas? Sem mover uma de suas v\u00e1rias rugas e sem mexer um fio das taturanas (sobrancelhas), o portuga quis saber como o brazuca havia descoberto sua origem.<\/p>\n<p>\u201cFoi por causa do meu sotaque ou por conta do prato que pedi?&#8221;. Escondendo o riso no canto da boca, o balconista ainda bem jovem disse que nenhuma das duas hip\u00f3teses estava correta: \u201c\u00c9 que aqui \u00e9 o Mc Donald\u201d.<\/p>\n<p><em>Pussesso<\/em> da vida, Joaquim de sobrenome Manuel foi, no dia seguinte, uma segunda-feira, a uma loja de sapatos. Escolheu daqui, escolheu dali e acabou se decidindo por um par de sapatos de cromo alem\u00e3o. O vendedor entregou o pisante, mas antes alertou que os sapatos costumam apertar os p\u00e9s nos primeiros cinco dias de uso. Tamb\u00e9m conhecido por Joca Wel, Joaquim informou ao vendedor que n\u00e3o haveria problema, pois s\u00f3 usaria os cal\u00e7antes no pr\u00f3ximo domingo.<\/p>\n<p>Como diria o tricolor Stanislaw Ponte Preta a l\u00f3gica dos portugueses \u00e9 algo assustador. \u00c9 claro que, bem mais modernos, os de hoje utilizam maci\u00e7amente a intelig\u00eancia. A artificial, \u00e9 claro. \u00c9 por isso que eu, neto assumido de um, prefiro achar que eles s\u00e3o pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Aristarco quando chegou ao Brasil fugido da Guerra dos Cravos s\u00f3 usava a letra \u201cT\u201d em sua agenda de telefone. Quer coisa mais inteligente do que procurar pelo telefone do Ambr\u00f3sio, telefone do Serafim e telefone do Ant\u00f4nio? Al\u00e9m de pr\u00e1ticos, eles s\u00e3o evolu\u00eddos. Lembro que, ainda no s\u00e9culo passado, lan\u00e7aram em Portugal o Disk-Finados. Era uma novidade telef\u00f4nica. O familiar do morto ligava e, de imediato, ouvia um minuto de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Sempre fui e sempre serei f\u00e3 incondicional do Stanislaw. O que nunca aceitei foi sua birra com os portugueses. Inventivo e escriba dos melhores, um dia ele inventou que meu av\u00f4 Aristarco Pederneira havia surtado ao inform\u00e1-lo que os portugas tomavam banho mijando contra o vento.<\/p>\n<p>Muito pior foi o meu, o seu, o nosso S\u00e9rgio Porto, galhofar que, ap\u00f3s convidar o velho Pederneira para o anivers\u00e1rio de 15 anos de sua filha, ouviu meu av\u00f4 informar que aceitava o convite, mas n\u00e3o poderia ficar por mais de dois anos.<\/p>\n<p>Sou demasiadamente realista. Por isso, concluo que s\u00f3 existe uma piada de portugu\u00eas. As demais hist\u00f3rias s\u00e3o a mais pura verdade.<\/p>\n<p>Disse isso a Joaquim Manuel no dia em que lhe perguntei se ele havia visto meu av\u00f4 dobrar a esquina. Ao ouvi-lo dizer que, quando ali chegou, a esquina j\u00e1 estava dobrada, tive certeza de que ele era um caso perdido.<\/p>\n<p>Perdido? Claro que n\u00e3o. De t\u00e3o desligado, ele \u00e9 um achado. Antes de retornar a p\u00e9 para Portugal, foi ao m\u00e9dico da fam\u00edlia reclamar que o filho de dois meses ainda n\u00e3o tinha aberto os olhos.<\/p>\n<p>S\u00e9rio somente por fora, o doutor n\u00e3o se fez de rogado: \u201cQuem tem de abrir os olhos \u00e9 voc\u00ea, pois o mi\u00fado \u00e9 filho do japon\u00eas que voc\u00ea tanto queria ser\u201d. Foi a gota d\u2019\u00e1gua, pois, bem antes de o menino nascer, o amigo do velho soube que estava isento do novo imposto sobre sexo. E lembrar que tudo isso se passou em uma Sexta-Feira 13. Sai pra l\u00e1, portuga de uma figa. Tesconjuro, p\u00e9 de pato, mangal\u00f4 tr\u00eas vezes.<\/p>\n<p><strong>*Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de <em>Notibras<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simb\u00f3lica e cabal\u00edstica, Sexta-Feira 13 me remete a hist\u00f3rias hil\u00e1rias da juventude. Foi exatamente em uma delas que tive a certeza de que os patr\u00edcios portugueses gozam deles mesmos. S\u00f3 para ilustrar, o gozar a que me refiro tem somente a conota\u00e7\u00e3o de ca\u00e7oar. 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